quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

“O futuro é o minuto seguinte...”

“O futuro é o minuto seguinte, que é tão precioso que a gente chama de 'presente’!” A frase é do ator Francisco Cuoco, 83. Ela nos faz refletir sobre a importância de olharmos para o presente, em todos os instantes da nossa vida.

Lembro-me de quando eu ainda era criança e me perguntava: “Como serei quando ficar adulta? E quando ficar mais velha? Terminar os estudos, escolher uma carreira, o primeiro emprego, namoro, casamento, filhos, netos...”.

Pensando nesta questão, de como nos preocupamos com o futuro, me lembrei de como fiquei impressionada com o depoimento que Cuoco ofereceu à “moçada” do Portal Terceira Idade.

“O tempo passa para todo mundo. O importante é a gente ter cada vez mais consciência de que idade não é um problema, idade é uma consequência. Esqueça os números e os anos. O passado é lindo, ficou lá pra trás, é uma referência importante. O futuro é o minuto seguinte, que é tão precioso que a gente chama de 'presente'. Então, o presente é importante para que você esteja bem, esteja saudável, esteja feliz!”, disse o ator, durante a entrevista.

Assim, gostaria de transmitir a todos vocês, amigos e leitores do Blog do Portal Terceira Idade e do Jornal O DIA, uma mensagem. Que em 2017, olhemos mais para o presente, para as pessoas que estão, hoje, conosco, nossa família, nossos amigos. E, o mais importante, para aqueles que não conhecemos, mas que também são – como já dizia um conhecido sábio, 2000 anos atrás – nossos irmãos.

Desejo uma ótima passagem de ano a todos e que, em 2017, possamos viver mais, sorrir mais, sentir mais e mais, e que todos os brasileiros possam ter os seus direitos respeitados e garantidos!

PS 1: Aproveito a oportunidade para recomendar um belo filme para assistir nesta virada de ano: “Up – Altas Aventuras”, um desenho animado que traz uma mensagem muito comovente!

PS 2: Tudo é possível, ainda mais quando o amor prevalece ao longo de toda uma vida.

Publicado em 29/12/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Até você, Noel?...

Afinal de contas, como surgiu essa figura que atualmente chamamos de Papai Noel? Por que ele está relacionado à essa época em que comemoramos o nascimento de Cristo?

Tudo começou há aproximadamente 1300 anos, no século 4, em Patara, uma cidade na costa sul da Turquia (na época, uma cidade grega), onde nasceu São Nicolau – que não era um gordinho rechonchudo de barba e nem vestia a tradicional roupa vermelha com botas.

A lenda diz que Nicolau jogava moedas de ouro para dentro da janela de um pobre homem que tinha três filhas. Uma versão conta que, misteriosamente, surgiram três sacos de dinheiro em noites consecutivas para que o pai das meninas pudesse pagar o dote e casá-las. Alguns dizem que as moedas eram atiradas chaminé abaixo, e outros, que eram deixadas em meias penduradas na lareira para secar, essa última, uma tradição que continuou até hoje. Ele morreu no dia 6 de dezembro de 343, em Mira, na Turquia.

E como a imagem de São Nicolau, do século 4 na Turquia, se transformou na figura do gorducho bonachão dos comerciais da Coca-Cola de hoje em dia?

Nos anos 1920, a figura do Papai Noel começa a ser utilizada em publicidade, aparecendo em propagandas fumando cigarros Camel e Lucky Strike, vendendo Martini e pasta de dente Colgate, assumindo os traços que conhecemos hoje em dia! Em 1930, se torna o velhinho-propaganda da Coca-Cola.

Para quem quer conhecer o bom velhinho de perto e entregar-lhe pessoalmente sua carta com pedidos de presentes, basta viajar para a fria e gelada Rovaniemi, na Lapônia, uma região que engloba uma parte da Finlândia, Noruega, Suécia e Rússia.

PS 1: Sua “residência/escritório” – que recebe 310 mil turistas e 700 mil cartas por ano – fica na Montanha Korvatunturi, na Finlândia. Anote o endereço: Rovakatu 21, FIN-96200, Rovaniemi, Finlândia. Telefone: 00/xx/358/16/346-270.

PS 2: Desejo um feliz Natal Tropical à todos!

PS 3: Caso você não possa ir à Finlândia, um bom abraço e muito carinho já são um grande presente!

Publicado em 22/12/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Qual é o “pobrema”?...

Você lembra como se sentiu quando leu ou escreveu pela primeira vez? É bem provável que não – parece até que já nascemos lendo e escrevendo! Mas, com certeza, deve ter sido um momento mágico.

Já faz um tempinho que o Ministério da Educação autorizou a publicação do livro “Por uma Vida Melhor”, uma insanidade completa! Volto a falar neste assunto, por que a insanidade continua...

Num país como o Brasil, onde existem milhares de analfabetos e falta de escolas públicas, chega a ser um privilégio poder ler e até escrever. Não bastasse esta realidade cruel, que nossas crianças e adultos vivem há muita e muitas décadas, ainda somos pegos de surpresa por uma nova corrente educacional, que defende a ideia de que não existe certo ou errado na língua portuguesa.

Para este grupo de pessoas, que tem a coragem de se denominar pedagogos, chamar a atenção de um aluno que escreve ou fala gramaticalmente errado é um “preconceito linguístico”. Adotado nas aulas de português para milhões de estudantes do ensino fundamental, o livro “Por uma Vida Melhor” é uma amostra desta insanidade acadêmica.

Heloisa Ramos, uma das autoras desta obra insana, cita no livro: “Você pode estar se perguntando: ‘Mas eu posso falar ‘os livro’?’, ou ‘Nós pega o peixe?’. Claro que pode”. O erro crasso de concordância é apenas uma “variação popular”, diz a autora. E mais, ela ainda diz que a língua culta, ou seja, a gramática que rege as regras de nossa língua portuguesa, é um “instrumento de dominação das elites”...

Eu fiquei totalmente pasma com estas afirmações e, pior ainda, saber que o Ministério da Educação autorizou a edição do tal livro e sua distribuição para as escolas públicas.

Banalizar a educação e destituir-se da responsabilidade de propiciar um estudo básico para nossas crianças e jovens carentes até que parece ser uma boa saída para os governantes se eximirem de toda e qualquer responsabilidade ética e moral em relação a tudo o que acontece no Brasil!

PS 1: Meus sentimentos pela morte de dom Paulo Evaristo Arns, ícone progressista da igreja no Brasil.

PS 2: Se você ainda não leu o livro “Ratos e Homens”, de John Steinbeck, este é um bom momento!

Publicado em 15/12/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Quem é você na rede?

Estudos realizados por psicólogos têm demonstrado que a maior parte das pessoas que se comunicam via internet através das redes sociais tem a tendência de chamar a atenção, mostrando um perfil pessoal bem diferente do que possuem na vida real. Na maioria das vezes, a pessoa acaba exagerando, seja nos seus defeitos ou nas suas qualidades.

Hoje em dia, dificilmente vamos conhecer alguém que não possua uma página pessoal no Facebook, Intagram ou em alguma outra rede social. Caso você não tenha uma, vai sentir-se um ET ou um alienado.

Realmente estamos vivendo na era da sociedade antenada, conectada 24 horas na rede, todos twittando, postando comentários, opiniões, minuto a minuto, as quais vão ser vistas por milhares de pessoas.

Parece que isso acabou se tornando um dos objetivos principais no nosso dia. Quem tem mais seguidores, você ou seu amigo? “Eu já estou com 800 pessoas como meus amigos no Facebook”, comentou meu vizinho, que praticamente não sai de casa e vive sozinho. “Sempre posto fotos de festas, viagens, falo dos meus namorados” é o comentário de uma amiga muito tímida na vida real.

Mas vamos pensar um pouco... Quando tudo isso começou, qual era a finalidade de participar das redes sociais? Bem, que eu me lembre, a ideia era fazer novos amigos em qualquer lugar do mundo, trocar experiências, conhecer pessoas afins e, se possível, encontrá-las no mundo real.

Eis que de repente nos vemos perdidos em um mundo virtual, que, por muitas vezes, acreditamos ser real, e somos capazes de ficar o dia inteiro na frente de um computador.

Como jornalista, sou a primeira a achar uma maravilha todos os recursos que a internet e as redes sociais podem nos oferecer em termos de informação e interatividade. Porém, tento sempre me lembrar de usar estas ferramentas como um meio e não um fim!

PS 1: “Use a rede com moderação. Se persistirem os sintomas, procure um médico!”

PS 2: Vídeo mostra estereótipo das redes sociais. Vale a pena ver: http://vimeo.com/22575745

Publicado em 08/12/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O que é coronelismo?

Brasil, meu Brasil brasileiro... Hoje, o nosso país é tido, mundialmente, como um símbolo de democracia na América Latina e no mundo.

Estive no Canadá representando o Portal Terceira Idade em um encontro sobre ações governamentais e não governamentais para a pessoa idosa. Curiosamente, os canadenses elogiavam nossa democracia e se espantaram ao saber da falta de inúmeras políticas públicas nas áreas de saúde, casas para idosos, cuidados – além dos baixos salários que a maioria dos aposentados recebe no Brasil.

“Que situação a minha...”, eu pensei. Sou brasileira e, ao invés de ter orgulho de meu país, tive que ser honesta e colocar de maneira muito clara que nossa democracia e os direitos da nossa população da 3ª idade – ou de qualquer idade – não são levados a sério.

Para a maioria dos estrangeiros, a palavra coronelismo e o conceito da mesma são muito difíceis de entender – até mesmo para nós, brasileiros, onde a figura do “Coronel” faz parte apenas das estórias do Cangaço.

Então, como é possível nosso país estar nas mãos dos mesmos governantes há tantas décadas, seja no âmbito federal, estadual ou municipal? E por que é tão difícil políticas públicas básicas funcionarem no Brasil?

Quase cem anos depois, essa frase, de 1920, ainda parece verdadeira: “Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada”.

A reflexão acima foi escrita por Ayn Rand, filósofa russo-americana, judia, fugitiva da revolução russa, que chegou aos Estados Unidos na metade da década de 1920.

PS: Coronelismo (do Dicionário Michaelis): Influência dos coronéis na política, que confundem em sua pessoa, atribuições de caráter privativo e público.

Publicado em 24/11/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Mariana faz um ano...

Muitas Marianas devem ter completado um ano de vida! Infelizmente, não estou falando delas neste momento, mas, sim, do desastre que matou mais de 19 pessoas em Minas Gerais, espalhou 40 bilhões de litros de lama por 650 km, além de retirar centenas de ribeirinhos das suas casas e deixá-los sem sustento!

A ONU divulgou, no dia 4 de novembro, um apelo para que o governo brasileiro e as empresas envolvidas no rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), tomem medidas urgentes para conter os impactos da tragédia. Segundo o órgão, as ações tomadas até agora foram “simplesmente insuficientes”.

“Após um ano, muitas das seis milhões de pessoas afetadas continuam sofrendo. Acreditamos que seus direitos humanos não estão sendo protegidos em vários sentidos, incluindo os impactos nas comunidades indígenas e tradicionais, problemas de saúde nas comunidades ribeirinhas, o risco de subsequentes contaminações dos cursos de água ainda não recuperados, o avanço lento dos reassentamentos e da remediação legal para toda a população deslocada, e relatos de que defensores dos direitos humanos estejam sendo perseguidos por ação penal”, aponta o órgão.

O relatório, assinado por especialistas ligados a ONU, pede esclarecimentos sobre a qualidade da água, a saúde das vítimas e o destino das comunidades forçadas a abandonar suas casas. Ele aponta ainda o receio de que mais rejeitos possam atingir as regiões de jusante quando a temporada chuvosa iniciar daqui a algumas semanas.

As empresas Samarco, Vale e BHP Billiton são citadas no comunicado: “Relembramos ao governo e às empresas que um desastre dessa escala – que despejou o equivalente a 20.000 piscinas olímpicas de rejeitos – requer resposta em escala similar”.

Já a Samarco diz que “tem feitos esforços para reparar e remediar os danos causados” com o Plano de Recuperação Ambiental Integrado, entregue em agosto, que reúne ações previstas em acordo firmado junto aos governos Federal, de Minas Gerais e do Espírito Santo.

PS: Queridas Marianas que completaram 1 ano de vida, espero que todas vocês possam crescer em um Brasil mais justo e digno!

Publicado em 17/11/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Bate, bate coração...

Li, em uma recente pesquisa da OMS (Organização Mundial da Saúde), alguns dados que me deixaram preocupada. A América Latina, incluindo o Brasil, é uma das regiões de maior índice de mortes por enfarte. A pesquisa destaca que isso acontece devido ao alto índice de gorduras que se ingere, poluição, sedentarismo, tabagismo, álcool e, o mais importante, a falta de exames preventivos! Os males do coração, como tantas outras doenças, não tratados adequadamente, são, na maioria das vezes, fatais.

Haja coração, físico e emocional, para conseguirmos viver sob esta constante pressão financeira e imoral que o Brasil nos impõe, a partir do momento que nosso governo praticamente se abstém de usar o dinheiro de nossos impostos para nos oferecer todos os serviços sociais aos quais temos direito – e eles, obrigação.

Mudando um pouco de assunto... Acho que, a partir de hoje, o mundo inteiro está à beira de um enfarte! Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos, uma das nações mais poderosas do planeta – o que, com certeza, vai resultar em mais e mais problemas para todos.

Um ser racista, machista, homofóbico, com um discurso enlouquecido e prepotente, agora tem o poder em suas mãos. De seu discurso fazem parte propostas como banir a entrada de muçulmanos nos EUA, construir um muro na fronteira com o México, etc., etc...

Não estou dizendo que Hillary Clinton é uma deusa ou uma santa, mas, ao menos, ela navega em mares um pouco menos insanos. Agora, é esperar pra ver no que vai dar...

E nosso coração como é que fica? Segundo os conceitos da medicina oriental, o que regula todas as nossas emoções e sentimentos é o nosso “coração emocional”. Vivendo sob constante medo, tensão e insegurança, é muito difícil mantermos um equilíbrio. Mas, como todo bom brasileiro(a) tem um enorme coração que bate forte e não desiste, vamos seguindo em frente.

PS 1: Será que o povo americano acha que Las Vegas fica em Washington?

PS 2: Ah, nosso presidente garantiu que não temos nenhum motivo para nos preocuparmos!

Publicado em 10/11/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

“Heranças indígenas com o pudor português”

Do primeiro teste da bomba atômica no Atol de Bikini, no Oceano Pacífico, em 1946, até a confecção da “peça mais desejada da moda brasileira”, o biquíni guarda uma história de vanguardismo, sexo e moralismo ligada à relação da mulher com o próprio corpo.

“A relação dos índios com o corpo revela nossa forma de usar o biquíni. Mulheres de uma tribo no Xingu, por exemplo, cobrem a intimidade com o uluri (cinto que só envolve uma pedaço da cintura). As brasileiras, por menor que seja o biquíni usado, também se consideram vestidas. Carregamos heranças indígenas com o pudor português”, explica o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro.

São tantas estórias e mitos sobre estas duas peças que cobrem o corpo da mulher ocidental, e que no Brasil, mais do que em qualquer outro país do mundo, fazem parte do imaginário masculino, além de tornarem a mulher brasileira em um constante, “objeto do desejo”, que a jornalista Lilian Pacce passou 13 anos debruçada em entrevistas, fotos e uma vasta checagem cronológica dos fatos que envolvem este traje de banho, curiosamente criado por um francês, Louis Réard.

Em suas pesquisas com personagens-chave para a disseminação do traje, descobriu que a ex-modelo alemã Miriam Etz (1914-2010) foi a primeira mulher a aparecer no Rio, em 1946, com um biquíni “duas peças” – versão que ainda encobria o umbigo.

Bem, de certa maneira, parece fútil nos preocuparmos tanto com a história do biquíni, mas este traje de banho feminino simboliza muito de nossa cultura machista, a qual inverteu e banalizou toda a cultura indígena em nosso país, transformando a pureza do índio e seus costumes em uma moralidade cheia de aberrações e falsos preceitos de pureza e castidade.

PS 1: “Lamento o português ter vestido o índio, e não o índio ter despido o português...” (Oswald de Andrade, famoso escritor modernista)

PS 2: Índios e biquínis “Made in Brazil”!

PS 3: Com este calorão, qualquer biquíni me satisfaz...

Publicado em 27/10/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Outubro Rosa: fitinhas rosas não bastam...

Outubro Rosa é uma campanha de conscientização para a prevenção do câncer de mama. Ao longo de todo o mês, são discutidas importantes informações sobre a prevenção, tratamentos e maneiras de enfrentar essa doença. E os direitos que as mulheres têm assegurados?

Por falta de informação, os pacientes e suas famílias não sabem que podem ter, além do acesso aos medicamentos, também isenções tributárias, como: Imposto de Renda (IR), Imposto sobre operações financeiras (IOF), Imposto sobre a propriedade de veículos (IPVA), além de outros direitos, como transporte gratuito, liberação do fundo de garantia e do PIS/PASEP e mais a cirurgia reconstrutora!

Na maioria dos casos, o câncer de mama deixa mais que marcas psicológicas na mulher, já que o tratamento pode envolver a retirada de parte ou de toda a mama afetada, ou mesmo das duas mamas. Nestes casos, a cirurgia plástica reparadora de mama é um direito garantido às mulheres que sofreram mastectomia total ou parcial. O procedimento pode ser realizado pela rede de unidades integrantes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Bem, até aqui citei os direitos legais... Mas como todos nós sabemos, a teoria na pratica é outra. Com certeza, não vai ser nada fácil conseguir ter todos estes direitos citados acima, infelizmente, devido ao descaso e burocratização de nosso governo, desde a época de D. Pedro I, II, entre outros...

Existem duas formas de ir atrás dos seus direitos. A primeira delas é a via administrativa, em que o pedido pelo medicamento é analisado pela Secretaria da Saúde e o paciente tem um retorno posterior. É comum que o pedido seja negado, o que é um absurdo! Então, se faz necessária a ação judicial. Aí, você pensa: “Se eu não posso pagar um medicamento, como vou pagar um advogado?”.

Procure a Defensoria Pública ou Promotoria de Justiça de sua cidade, ambos os serviços são gratuitos. Vale a pena tentar!

PS 1: É tão fácil criar leis e supostos direitos...
PS 2: É tão fácil distribuir milhares de fitinhas rosas...

Publicado em 20/10/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

É bom refletirmos sobre o significado da palavra “comemorar”...

No dia 21 de setembro é comemorado o Dia Mundial da Doença Alzheimer. É bom a gente pensar sobre o significado da palavra “comemorar”, pois ela pode parecer inadequada, tendo em vista que, em geral, nós a utilizamos com o sentido de festejar, celebrar. Mas comemorar significa lembrar junto – co-memorar –, trazer à mente, à memória. Por isto, é correto usar o termo comemorar a Doença de Alzheimer (DA), pois todos nós devemos lembrar juntos, ao invés de fecharmos os olhos e ouvidos e fingirmos que ela não existe.

Pensando nisso, a Associação Brasileira de Gerontologia (ABG) traz alguns esclarecimentos sobre esse assunto que interessa a todos nós.

Quando eu devo suspeitar que eu estou – ou que meu familiar está – com DA?

Bom, é fato que as falhas de memória recente são um importante indício da doença, mas existem outras atitudes que também podem ser relacionados com o início da demência. Por exemplo: mudança de comportamento e de humor, agressividade e perda de noção de localização espacial ou temporal. Ou seja, a pessoa confunde os dias da semana, os períodos do dia, não lembrando se tomou o remédio da manhã, ou mesmo não consegue se localizar estando num caminho conhecido. Estas pequenas mudanças, no início, são notadas apenas pela própria pessoa, por isto, a importância de nós mesmos prestarmos atenção a esses sinais.

Porém, logo a situação começa a ficar perceptível para os outros, principalmente para o marido ou a esposa e, muitas vezes, a família faz piada com alguns comportamentos da pessoa sem perceber o que de fato está acontecendo e isto lhe causa muita angústia.

Infelizmente, ainda não temos a cura para esta doença tão cruel e devastadora do cérebro humano. Mas podemos tentar prevenir, identificar e aprender a lidar da melhor maneira possível com a situação.

PS 1: Se você quiser saber mais sobre esta questão, acesse: www.portalterceiraidade.org.br

PS 2: Saiba mais sobre a ABG em: www.facebook.com/ABGerontologiabrasil

Publicado em 22/09/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

De onde viemos? Pra onde vamos?...

O livro ‘Uma Breve História de Quase Tudo’, de Bill Bryson, é um delicioso guia de viagens pela ciência. Achei a obra muito interessante e separei algumas perguntas e respostas para esta coluna.

Há quanto tempo existe o universo?
“Há bastante tempo, os cosmologistas vêm discutindo se a criação foi há 10 bilhões de anos, duas vezes essa cifra ou um valor intermediário. Parece estar se formando um consenso em 13,7 bilhões de anos. Será que é definitivo?”

Quantas espécies vivem em nosso planeta?
“Não temos a menor ideia do número de seres que vivem em nosso planeta. As estimativas oscilam de 3 milhões a 200 milhões. Quantos seres vivos ainda serão descobertos?”

Geneticamente, qual a semelhança entre homens e macacos?
“O ser humano moderno é 98,4% geneticamente indistinguível do chimpanzé moderno. Há mais diferenças entre uma zebra e um cavalo que entre você e as criaturas peludas que seus ancestrais remotos deixaram para trás. Evoluímos ou não?”

Com certeza, todos nós já nos fizemos algumas destas perguntas, além do famoso questionamento: “Quem sou? De onde vim? Para onde vou?”

Uma pergunta que estou me fazendo desde ontem, quando finalmente aconteceu mais um impeachment, o de Eduardo Cunha – uau, já estamos batendo o recorde neste quesito – a qual acredito que você e outros milhares de brasileiros devem estar se fazendo também é: “E agora, como fica o Brasil? Vai ou não vai? O que vai mudar? Será que, finalmente, vamos nos tornar um pais cidadão? Uma ‘Pátria Educadora’, um ‘País Sem Miséria’?”

Pensei em mandar estas perguntas para o autor do livro, mas não tenho certeza se ele vai conseguir as respostas... Afinal ‘Uma Breve História de Quase Tudo’ consegue responder perguntas lógicas! A história do Brasil é tão ilógica, cheia de meandros e supostas falsas premissas, que se torna praticamente impossível entender ou imaginar o que vai acontecer daqui pra frente...

PS 1: “Só sei que nada sei” (Sócrates)
PS 2: “Muito barulho por nada” (Shakespeare)

Publicado em 15/09/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Valeu, Lucy!

Este ano será comemorado o 42º aniversário da descoberta do fóssil Lucy. O esqueleto do Australopithecus afarensis foi encontrado em 1974 pelo antropólogo Donald Johnson e o estudante Tom Gray durante escavações na Etiópia. O alto grau de conservação da ossada surpreendeu os arqueólogos.

Após os pesquisadores constatarem que o fóssil de 3,2 milhões de anos pertencia a uma mulher, batizaram-no de Lucy – em homenagem à música dos Beatles ‘Lucy in the Sky with Diamonds’ que, segundo relatos, estaria tocando no momento das escavações e nas comemorações após a descoberta.

Lucy está em exposição no Museu Nacional da Etiópia. Seu crânio, com tamanho intermediário entre o dos humanos e o dos chimpanzés, é o que denomina a espécie “Australopithecus”, que significa “macaco do sul”. Eles são bastante próximos dos hominídeos do gênero “Homo” na escala de evolução.

Lucy tinha apenas 1,1 metros de altura, pesava 29 kg e se parecia, de certa forma, com um chimpanzé comum. Embora a criatura tivesse um cérebro pequeno, a pélvis e ossos das pernas eram quase idênticos aos dos humanos modernos.

Que coisa louca... Então existimos, praticamente, há no mínimo 3,2 milhões de anos! Isso é muito tempo, tanto tempo que não dá nem para entendermos este tipo de escala de tempo, já que costumamos falar em dias, meses, anos, séculos...

Aí é que eu me pergunto: como é possível estarmos há tanto tempo nessa terra e ainda nos comportarmos como primatas, ou, com certeza, bem pior, já que a maioria dos macacos e chimpanzés vivem juntos, cuidam uns dos outros – e até de bebês de outras espécies!

Desde que me conheço por gente, o mundo vive em guerra, humanos matando outros humanos... Oh, podres, pobres poderes! Acho que nossa querida Lucy ficaria muito triste e assustada se vivesse no mundo de hoje.

Mas tudo bem. Ontem, finalmente foi decretado oficialmente o impeachment de nossa ex- Presidenta, agora tudo vai ficar bem, dizem...

PS 1: “Imagine”, John Lennon
PS 2: Fique em paz, querida Lucy!

Publicado em 01/09/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

E agora? O que vamos fazer?

As olimpíadas terminaram, a campanha eleitoral começou, Neymar foi a grande estrela do futebol brasileiro, já aconteceu o primeiro debate dos candidatos à prefeitura de São Paulo, carros com seus alto falantes “gritam” pedindo votos para a população, começou o horário eleitoral na TV, e o que nós vamos fazer?

Continuar a assistir, sentados em nossos sofás confortavelmente, a mais um “BBB Político”, com candidatos que continuam falando o mesmo blá blá blá de sempre?

Uma notícia me chamou muito mesmo a atenção! Fotos mostrando dezenas de pessoas acampadas, maltrapilhas, deitadas, fumando crack à céu aberto em um território cedido pela prefeitura de SP – já muito conhecido e até batizado de “Crakcolandia”. Dizem que, ali, vivem mais de 100 pessoas. Além de fumarem seu crack, também compartilham esta experiência com seus vizinhos de rua e os transeuntes...

Consta nos autos que esta situação é parte de um projeto conjunto da Prefeitura e do Estado de São Paulo, para a reabilitação dos viciados, porém, até agora, só vem aumentando o número de “aspirantes”.

Hoje, a maior incidência de roubos, mortes e todo tipo de violência vem ocorrendo devido ao crack – esta droga mortal, extremamente viciante, alucinógena e barata!

E, o pior, como uma droga ilegal consegue chegar tão facilmente às escolas, bares, clubes, além de estar praticamente legalizada na região central de São Paulo e praticamente em todas as ruas do Brasil? O pouco que se fala sobre o crack é sempre sobre o “pós”, e nunca sobre o “pré”, ou seja, sobre como tratar os jovens que já estão viciados, ou adultos que se tornaram usuários, e praticamente perderam sua vida, literalmente – sem contabilizar o número de mortes que a droga já causou!

Bem, eu não tenho a resposta para o que vamos fazer agora, mas imagino que, se reunirmos pelo menos um décimo das pessoas que foram assistir às olimpíadas, muitas ideias e soluções reais poderiam ser colocadas em prática. Pense nisso!

PS 1: 1+ 1 é sempre mais que 2!

PS 2: 2 + 2 é sempre mais que 4...

Publicado em 25/08/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

1+1 é sempre mais que 2!

Vivemos um tempo confuso, cheio de dúvidas, ansiedades e incertezas. Olimpíadas, eleições, alegrias, tristezas. Falta dinheiro, faltam hospitais públicos, faltam casas para morar, falta trabalho, falta alimento para milhões de brasileiros.

Mas por que estas questões tão básicas e humanas estão sempre em falta? Ontem, ouvi uma música muito antiga chamada ‘Sal da Terra’, do grande cantor e compositor mineiro Beto Guedes. Comecei a lembrar da minha adolescência, lá pelos anos 80, época em que todos ouviam muito o pessoal do “Clube da Esquina” – dele faziam parte, além do Beto, Milton Nascimento, Lô Borges, Flavio Venturini e vários outros. Uma moçada maravilhosa lá de Minas Gerais, gente boa, gente da paz!

E voltando à questão dos porquês, senti que a música do Beto Guedes – pelo menos para mim – foi uma grande resposta! Tomo a liberdade de compartilhá-la com os leitores:

“Anda, quero te dizer nenhum segredo
Falo desse chão, da nossa casa, vem que tá na hora de arrumar
Tempo, quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante, nem por isso quero me ferir
Vamos precisar de todo mundo pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado e quem não é tolo pode ver
A paz na Terra, amor, o pé na terra
A paz na Terra, amor, o sal da terra...

Terra, és o mais bonito dos planetas
Tão te maltratando por dinheiro, tu que és a nave nossa irmã
Canta, leva tua vida em harmonia
E nos alimenta com teus frutos, tu que és do homem a maçã
Vamos precisar de todo mundo, um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças é só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora para merecer quem vem depois
Deixa nascer o amor
Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor
Deixa viver o amor
O sal da Terra
Terra...”

Acho que, por hoje, é só! O resto só cabe a cada um de nós.

PS: Esta música tem mais de 30 anos... Será que já não é hora de acontecer?

Publicado em 18/08/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

As várias faces da violência...

O Brasil é, hoje, um dos países onde a população está envelhecendo mais rapidamente, diferentemente da Europa e países da América do Norte e Ásia. Nosso país possui, hoje, mais de 23 milhões de pessoas acima de 60 anos e, em 2050, teremos mais de 50 milhões de idosos no Brasil.

Quando falamos em violência, pensamos, de imediato, na violência física! Porém, existem inúmeras formas de agredir o idoso: descaso, abandono, uso indevido de medicação, abuso financeiro – seja dentro de casa, ou mesmo por parte de instituições financeiras –, abuso psicológico e moral, pouco conhecimento e compreensão por parte da sociedade e dos familiares e amigos sobre o envelhecimento, além da enorme falta de políticas públicas e falta de ação real das que já existem.

Bem, agora, no dia 14 de agosto, será comemorado o Dia dos Pais. Datas comerciais existem, e muitas! Temos o ‘Dia das Mães’, ‘Dia dos Avós’, ‘Dia da Árvore’, etc., etc., etc... E, no dia a dia, como será que estamos agindo com nossos pais, mães, filhos, avós? Uma coisa é certa: se existem estatísticas de violência contra idosos, mulheres, crianças – e inclusive homens –, me parece que alguma coisa está errada... No “País de Alice das Maravilhas”, tudo está ótimo! Comemorar é fácil, porém, praticar a complacência e o respeito para com o próximo, infelizmente, ainda é muito difícil.

Me pergunto, por quê? Não sei exatamente a resposta, mas sei que nossos queridos bichinhos de estimação – e mesmo os mais selvagens – só se agridem pela necessidade de comer ou demarcar um território. E são animais, não fazem parte do nosso seleto grupo de seres ditos humanos...

PS 1: No último dia 15 de junho, vários países celebraram o Dia Mundial Contra a Violência ao Idoso. No Brasil, o Portal Terceira Idade realizou um debate ao vivo, através do Facebook, com a presença de médicos, advogados e outros profissionais da área, discutindo, com a participação online dos internautas, as várias faces da violência contra o idoso e todas as possíveis maneiras de combatê-la.

PS 2: Assista ao trecho de abertura do debate (4 min) em: https://youtu.be/wMQ63gPJfPI

PS 3: Feliz Dia dos Pais!

Publicado em 11/08/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Entrando pela porta dos fundos...

Alguém se lembra da belíssima novela ‘Vale Tudo’, com a maravilhosa atriz Beatriz Segall na personagem da vilã Odete Roitman e o grande ator Reginaldo Faria no papel de Marco Aurélio, também fazendo um papel de vilão, ambos com muito poder e dinheiro na trama? Puxa vida, cada vez que leio o jornal ou vejo o noticiário na TV, não consigo esquecer desta novela!

Toda semana, aparece na mídia um novo escândalo, uma denúncia e todos os políticos e demais cidadãos envolvidos repetem o mesmo refrão: “Eu nego, é tudo mentira!”. Acho que todos estudaram na mesma escola...
Até nas Olimpíadas estamos nadando “cachorrinho”...

Mesmo com gravações mostrando esquemas de quadrilha, “Caixa 2”, lóbis no Planalto, eles negam, negam tudo! Se olharmos para tudo isso como uma mera ficção, podemos dizer que o enredo da trama está muito bom! Mas, por acaso, isso tudo que estamos vendo é a nossa realidade – e cada capítulo desta história vai interferir de verdade nas nossas vidas, nas vidas de nossos filhos, netos, bisnetos...

Sociólogos e analistas políticos divagam sobre o grande mal de não existirem mais os partidos de “esquerda” ou de “direita”. Tudo bem, está mais do que óbvio que isto é uma realidade! E será que este é o problema?

A política, como tudo se globalizou, ficou moderna, imediatista, individualista – todos querem um resultado rápido e eficaz.

Aí, me pergunto: “E como está o Brasil hoje? E daqui a dez, vinte ou trinta anos?”. Ainda sentimos na pele a questão de problemas sociais não resolvidos desde os tempos de Dom Pedro I.

Nossos governantes continuam negando seu o apoio a políticas verdadeiras para a sustentabilidade de nosso país e de nossos cidadãos – e, o pior, eles negam que estão negando o seu dever!

PS 1: “Chega a fazer suspeitar que a mentira é, muitas vezes, tão involuntária como a transpiração” (Machado de Assis, em seu clássico ‘Dom Casmurro’).

PS 2: Até quando vamos continuar entrando pela porta dos fundos?

PS 3: E viva as Olimpíadas! Salvem os Cangurus!

Publicado em 04/08/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 28 de julho de 2016

“A gente não quer só olimpíada...”

“A gente para de estudar para trabalhar, e não consegue mais voltar a estudar”, diz Mariane Dias da Silva, 19 anos, que largou a 8a série com 15 anos para ajudar a sustentar a casa.

Conforme estudos da Fundação Seade, existem mais de 2 milhões de jovens entre 18 e 24 anos que estão fora da escola, só no estado de São Paulo. Infelizmente, existe uma legião de adolescentes que são forçados a trabalhar apenas para sobreviver, ou seja: comer, dormir, acordar e trabalhar.

Porém, vivemos na era do computador, das viagens espaciais, da clonagem, robôs inteligentes... Afinal, que mundo é esse? Um mundo cada vez mais dividido entre seres braçais e seres intelectuais.

Daqui a alguns dias começam as Olimpíadas... Todos preocupados com a tocha olímpica, se ela está bem cuidada, viajando de um lado a outro do Brasil. Também construíram a Vila Olímpica, mais de 30 prédios, construídos para hospedar os atletas e, ainda por cima, mal construídos... Quem não assistiu a reportagem, mostrando goteiras, falta de água, luz, etc., etc... E o programa ‘Minha Casa, Minha Vida’, será que também tem goteiras? Será que alguém está preocupado com isso?

E assim vamos caminhando: mensalão, lava-jato, impeachment, olimpíadas, etc., etc... Qual o benefício disso tudo para nós? Desemprego, falta de hospitais, gente na rua pedindo esmolas, traficantes, viciados, e uma infinidade de falta de respeito e direitos humanos para a grande maioria dos brasileiros! Mas a olimpíada continua firme e forte, com vazamentos ou sem vazamentos, sujeira no mar, dengue... Ufa! Acho que vou parar por aqui, é tanta falta de tudo que vai faltar espaço para eu escrever!

Mas não se iludam, o “show” não vai parar. A próxima atração já vem chegando: logo, logo, começa o horário eleitoral, debates políticos, santinhos nas ruas, passeatas, quebra-quebra e a eleição. Aí, já vamos estar em novembro e os candidatos eleitos só assumem o cargo em janeiro de 2017. Em dezembro, vem o Natal, décimo terceiro e os políticos entram em recesso.

E nós continuamos apenas assistindo o ano de 2016 passar, torcendo, como sempre, para que, no ano que vem, as coisas melhorem.

PS 1: Brasil, aqui as olimpíadas nunca acabam.
PS 2: Será que o inverno já acabou?

Publicado em 28/07/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 21 de julho de 2016

“Todo mundo é igual, mas não percebem isso...”

Algumas crianças, com 10 ou 12 anos de idade, aproximadamente, sentadas em frente à uma mulher negra, são convidadas a ler para ela algumas frases: “Eu não gosto de gente da sua cor... Seu cabelo é horrível, parece uma esponja...” Elas se recusam e, ao serem questionadas por quê, elas retrucam: “Porque não acho certo. Eu não gosto de falar isso pras pessoas, porque eu me sinto mal...”.

A cena faz parte do vídeo “Ninguém nasce racista. Continue Criança” criado para a campanha ‘Criança Esperança 2016’ da TV Globo. Quem assistiu ao programa se emocionou com o experimento realizado para debater a questão do racismo no Brasil (e no mundo). O vídeo, muito comentado nas redes sociais, colocou diversas crianças para ler para uma mulher negra comentários racistas publicados que pessoas reais falaram para outras pessoas na internet.

Perguntadas sobre quem elas achavam que teria escrito tais frases, muitas responderam: “Uma pessoa que é muito racista, que acha que é melhor que todo mundo...”. “Preconceito é você não respeitar a pessoa do jeito que a pessoa é. Todo mundo é igual, mas não percebem isso...”, completou outra criança.

Quando assisti ao vídeo várias vezes, me emocionei a ponto de chorar e ao mesmo tempo ficar inconformada! Meu pensamento era um só... Por que o preconceito existe? Por que as pessoas são capazes de matar, escravizar, bater em outro ser humano porque a pele é de outra cor, ou por causa de uma opção sexual diferente? Como podemos admitir, ainda em pleno século 21, que existam guerras – o que já é um absurdo e, ainda pior, em nome de uma religião, um profeta ou um governante?

Para uma criança, a aversão ao preconceito e ao racismo parece tão simples, tão lógica, simplesmente porque ninguém nasce racista. Se depender das crianças mostradas neste vídeo, o mundo de amanhã será um lugar melhor para se viver...
E nós adultos, será que podemos começar a ser humanos ainda hoje?

PS1: Assista ao vídeo em: https://youtu.be/qmYucZKoxQA

PS2: Vale a pena ver de novo! Vale a pena olhar, ouvir e fazer diferente!

Publicado em 21/07/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Segundos, minutos, horas...

O último minuto do mês de junho do ano passado durou 61 segundos. Um fenômeno que se explica especialmente pelo fato de a rotação irregular da Terra ser muito mais indisciplinada do que os relógios atômicos.

Em todos os países do mundo, na madrugada de 30 de junho para 1 de julho de 2015, de acordo com o Tempo Universal Coordenado (UTC), o minuto entre 23h59 e 00h00 durou um segundo a mais que o normal.

As pessoas, com certeza, não notaram a diferença, no entanto, “os grandes sistemas de navegação por satélite e os principais sistemas de sincronização de redes de computadores levaram em conta esta alteração, inclusive correndo o risco de ‘erros’”, explicou na época, Daniel Gambis, diretor do Serviço de Rotação da Terra, cujo serviço é baseado em um observatório de Paris. “A Terra gira de maneira lunática, enquanto os relógios atômicos são dramáticos”, afirmou o astrônomo.

No mundo científico e astronômico, este segundo a mais alterou muita coisa! A longo prazo, o nosso planeta tem uma tendência a se desacelerar pela atração gravitacional entre a Lua e o Sol, responsável pelas marés. Também depende de movimentos atmosféricos, variações dos gelos e forças como os terremotos.

 E no nosso mundo cotidiano, quantos segundos, minutos, horas, dia e anos fazem a diferença em nossas vidas? Quanto tempo realmente utilizamos para viver e conviver em paz e harmonia e quanto tempo gastamos fazendo guerras, intrigas, armando situações nas quais uns levam todas as vantagens e os outros ficam à míngua?

Realmente, um segundo pode fazer toda a diferença! Você, eu e todos nós podemos matar ou salvar milhões de semelhantes em apenas um segundo. Por que será que cientistas, astrônomos, físicos e outros doutores se preocupam tanto com este segundo a mais em nossos relógios e computadores e esquecem-se de lembrar como a vida é tênue e frágil?

PS 1: A vida não tem data de validade...
PS 2: Cada segundo faz a diferença!

Publicado em 14/07/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 7 de julho de 2016

A cegueira...

Nestes tempos de “mensalões”, “lava jato”, boca livre” e tantas outras operações fraudulentas e criminosas por parte de nossos ditos governantes e seus “parceiros de trabalho”, lembrei-me de um filme ao qual assisti já há algum tempo, baseado em um livro de José Saramago, ‘Ensaio sobre a cegueira’.

A história começa quando ocorre uma epidemia de cegueira em uma cidade – de forma inexplicável, não se sabe quanto tempo irá durar ou de onde vêm –, afetando a visão das pessoas, que começam a enxergar apenas manchas brancas – por isso, a doença começa a ser chamada de “cegueira branca”.

O primeiro infectado acaba perdendo a visão enquanto dirige no trânsito caótico da cidade. Logo, a epidemia vai se espalhando por todo um país, começando pelas pessoas que tiveram contato com este primeiro personagem. Conforme todos vão sendo contagiados, o governo decreta que devem ser afastados do convívio da sociedade e colocados sobre quarentena numa espécie de hospital, para que não afetem o restante da população.

O foco da trama não está em mostrar a causa da doença ou sua cura, mas, sim, o desmoronar completo de uma sociedade quando perde tudo aquilo que considera civilizado. No filme, as pessoas doentes começam a lutar por suas necessidades mais básicas, expondo seus instintos primitivos. Após algum tempo com a falta de higiene, atendimento médico e comida, a história vai ficando mais tensa, mostrando a crueldade que o ser humano consegue impor aos demais em situações críticas. Em algum momento do filme as pessoas voltam a enxergar e começam a ver o mundo de uma maneira diferente, entendendo que estamos todos no mesmo barco!

Tenho observado as pessoas e a mim mesma, e é como se estivéssemos cegos e adormecidos diante de tantos fatos cruéis, surreais e assustadoramente inescrupulosos. Será que vamos voltar a enxergar como no final do filme?

PS 1: Com certeza, os deficientes visuais enxergam muito mais que uma pessoa que enxerga, mas não vê ou não quer ver!
PS 2: Como tudo isso vai acabar? Não sei! Dizem que tudo tem um começo, um meio e um fim... E um novo começo!

Publicado em 07/07/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Vida de cão...

Foi-se o tempo em que uma vida difícil era chamada de “vida de cão”. Claro que, como todo mundo, eu amo os cães, os gatos e todos os bichinhos de estimação, mas, venhamos e convenhamos, será que estamos trocando nossos amigos humanos por estes seres tão lindos e dóceis? E se for o caso, por quê?

Vivemos em uma das eras mais avançadas da tecnologia, da medicina, do bem-estar físico e material, mas acho que, espiritualmente e afetivamente, estamos sentindo um grande vazio em nosso coração, ao ponto de casais adotarem cãezinhos, dormirem com eles – isso tendo filhos ou não. Vejo centenas de pessoas, jovens ou idosas, passeando sozinhas pelas ruas das grandes ou pequenas cidades com seus lindos animais, uns grandes, outros tão pequenos que até cabem em suas bolsas.

Hoje, temos um pet shop em cada esquina, banho, tosa, escovação de dentes, terapias homeopáticas, roupinhas, tratamento vip de ponta a ponta, super legal. Estamos nos dedicando como nunca aos nossos bichinhos de estimação, enquanto a relação com outros seres de nossa mesma espécie esta ficando cada vez mais difícil.

No Facebook e em outros sites de relacionamento, podemos conhecer centenas de pessoas e fazer novos amigos, mas também tudo pode ficar no virtual. Muitas pessoas dizem que sentem solidão, insegurança, medo do seu próprio semelhante. Outros acham ótimo se relacionar com um bichinho porque ele nunca questiona seu dono, concorda com tudo e, o mais importante, oferece um amor incondicional!

Li uma frase de uma mulher, em um artigo sobre esta questão, em que ela dizia: “Cachorro é o único amor que a gente compra”. Uau, a que ponto chegamos... Onde está aquele nosso amigo do peito, nosso parceiro(a), com quem podemos contar sempre, nossos pais, um irmão, nosso vizinho? Eles continuam lá e nós aqui, cada um em sua “casinha”, seguro e “a salvo de críticas e sugestões”.

PS 1: Adote um cachorro, uma criança, mas, antes de tudo, adote uma atitude!
PS 2: “Ser ou não ser? Eis a questão...”

Publicado em 23/06/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Pergunte ao oráculo...

Recentemente, têm acontecido tantos fatos estranhos no Brasil para os quais não consigo achar respostas plausíveis, o que me levou a lembrar de uma coluna muito interessante em uma revista que tenho lido para arejar um pouco a cabeça...

Curiosamente, o nome da coluna é: “Pergunte ao Oráculo”. E não é que as pessoas perguntam mesmo? Desde o porquê das borboletas voarem, até quando foi inventado o hambúrguer, quantas estrelas orbitam em nossa galáxia, etc.

Bem, resolvi fazer algumas perguntas ao oráculo também! Caro Oráculo: quais são alguns dos maiores escândalos de corrupção do país e quem são seus principais personagens?

Oráculo responde:

- José Sarney, 86 anos. Ex-presidente, atual senador e presidente da Casa pela quarta vez (PMDB-AP). Escândalo: A CPI apontou o ex-presidente como figura crucial para o esquema, liberando dinheiro de fundos controlados pela Presidência a municípios, sem quaisquer critérios que não os políticos. Quando a verba acabava, Sarney tinha de utilizar a chamada 'reserva de contingência' e, para isso, contava com a ajuda de seu ministro do Planejamento, Aníbal Teixeira. Em 2011, foi eleito pela quarta vez presidente do Senado, posto que deixou em 2013. Renan Calheiros acabou por assumir a vaga.

- Renan Calheiros, 60 anos. Senador (PMDB-AL), ministro da Justiça no governo FHC. No centro do escândalo, José Sarney tentou dividir a responsabilidade pelos atos secretos mostrando que seus antecessores no cargo de presidente do Senado também se valeram do expediente. Entre eles, Renan Calheiros apareceu como o recordista de atos secretos: 260 de 663 atos tabelados, incluindo a criação de cargos e nomeações em favor de aliados. Foi reeleito senador em 2010, três anos depois, alçado por seus pares à presidência da Casa.

Caro Oráculo: Por que andam dizendo por aí que, agora, os políticos corruptos foram para a cadeia?
Oráculo: Leia mais sobre a história do Brasil e você terá a resposta! Ou apenas continue dormindo...

Publicado em 16/06/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Diga não à violência contra o idoso!

A cada hora, cinco denúncias de violência contra idosos são registradas no Brasil – uma média de 125 queixas por dia, segundo relatório divulgado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH). Em um ano, o órgão recebe mais de 50.000 denúncias desse tipo em todo o país.

15 de junho

Com o objetivo de despertar uma consciência mundial, social e política da existência da violência contra a pessoa idosa, o INPEA (Organização Internacional para Prevenção de Abusos contra Idosos), em parceria com a ONU (Organização das Nações Unidas) e a OMS (Organização Mundial da Saúde), criou, em 2006, o Dia Mundial de Combate à Violência Contra a Pessoa Idosa, celebrado, anualmente, no dia 15 de junho. Em 2014, o presidente americano Barack Obama assinou uma proclamação presidencial oficializando a data em seu país

O INPEA, com sede em Washington (EUA), reúne centenas de associações de vários países – entre elas, o Portal Terceira Idade, representante oficial da instituição no Brasil –, que defendem os direitos do idoso e lutam contra o abuso, não só físico como também psicológico, que as pessoas nesta faixa etária sofrem.

Evento mundial

Este ano, celebra-se, pela 11ª vez, o Dia Mundial de Combate à Violência Contra a Pessoa Idosa (World Elder Abuse Awareness Day, na sigla em inglês), na próxima quarta-feira, dia 15 de junho.

Centenas de organizações internacionais em defesa dos direitos do idoso estarão transmitindo, ao vivo, suas iniciativas para esta data pela internet. O Portal Terceira Idade estará realizando um debate online, através do Facebook, com a presença de médicos, advogados e outros profissionais da área. O evento, aberto à participação dos internautas, será transmitido ao vivo dos estúdios de TV da Unimar, à partir das 13h30, e poderá ser visto no endereço: www.facebook.com/portalterceiraidade.

PS 1. Se você conhece alguém que está passando por esse tipo de situação na família, ou entre seus amigos e vizinhos, denuncie!

PS 2. Descaso contra a pessoa idosa também é violência. Pense nisso!

Publicado em 09/06/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Viver mais não significa viver melhor...

O Brasil está envelhecendo! A conclusão é do Relatório Mundial de Saúde e Envelhecimento, realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com o relatório, o número de pessoas com mais de 60 anos no país deverá crescer muito mais rápido do que a média internacional. Enquanto a quantidade de idosos vai duplicar no mundo até o ano de 2050, ela quase triplicará no Brasil.

No País, a porcentagem atual, de 12,5% de idosos, deve alcançar os 30% até a metade do século. Segundo a OMS, uma nação é considerada “envelhecida” quando mais de 14% da população é constituída de idosos – como são, atualmente, França, Inglaterra e Canadá, por exemplo.

A conclusão do estudo, que em um primeiro momento pode refletir um avanço na qualidade de vida da população, preocupa especialistas. Isso porque, junto com o aumento na expectativa de vida, vem o alerta: viver mais não significa viver melhor.

Enquanto em países europeus o processo de envelhecimento da população aconteceu de forma lenta e somente depois de um enriquecimento das nações, na qual problemas de infraestrutura já estavam resolvidos, o mesmo não ocorreu por aqui.

De acordo com o relatório da OMS, um brasileiro que vive 75 anos teria uma média de 65 anos com qualidade de vida, sendo os últimos 10 associados a doenças, dependência de cuidados especiais e deficiências. Em muitos países, como em grande parte daqueles do norte da Europa, as pessoas têm uma expectativa de vida acima dos 80 anos, e um número de anos perdidos com doenças inferior a 10 – vivendo, assim, mais tempo e com melhor qualidade.

Para Renato Bandeira de Mello, geriatra e professor da Faculdade de Medicina da UFRGS, um dos principais desafios atuais do Brasil para melhorar a qualidade de vida dos idosos está relacionado à qualidade do atendimento primário de saúde e à formação de profissionais especializados em terceira idade.

PS: “O futuro é o minuto seguinte, que é tão precioso que a gente chama de ‘presente’!” (Francisco Cuoco, ator, 82).

Publicado em 02/06/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Disque 0800...

Estive com uma amiga neste último final de semana. Ela é engenheira civil e está fazendo pós-graduação em Estruturas. De início, eu fiquei curiosa em entender melhor o assunto. Ela mesma estava ansiosa e insegura com o tema, achando que seria difícil fazer sua tese sobre esta área da engenharia.

Muito bem, ela me disse que toda construção se baseia no cálculo estrutural e que, para esse cálculo ser feito, são necessários estudos de muitas variáveis envolvidas, como: o terreno, o clima, a região onde vai ser feita a construção, qual a sua finalidade, etc.

Depois de algumas horas, acabei fazendo uma analogia com a nossa vida. Tudo o que somos ou o que fazemos depende de nossa estrutura. Muitos dos nossos valores, nosso modo de agir, ou seja, nossa formação pessoal, têm muito a ver com nossa estrutura familiar e as condições que existem à nossa volta.

O trabalho e as relações que escolhemos também acabam sendo frutos da estrutura na qual estamos inseridos. Enfim, a nossa maneira de ser e agir é resultado de muitas variáveis.

E aí vem a minha pergunta: em que estrutura estamos nos baseando em nosso dia a dia? Em que “terreno” estamos calcando nosso trabalho, nosso casamento, opções políticas, nossos gostos, nosso olhar sobre o mundo?

Será que estamos avaliando as condições que nos cercam, para entendermos se estamos vivendo uma vida feliz? Ou somos, muitas vezes, apenas produto de um projeto já calculado por “alguns engenheiros”?

Pode parecer loucura, mas, muitas vezes, tenho a sensação de que quase tudo o que fazemos e pensamos é fruto de algo já programado por um ser maior. Não estou falando em termos religiosos, mas, sim, políticos, sociais e econômicos!

PS 1: “Disque 0800 e escolha sua opção de vida no menu eletrônico...”
PS 2: Você já assistiu “Matrix”? Acho que este filme tem tudo a ver com estes dilemas...
PS 3: Bom feriado de Corpus Christi. Um bom momento para refletir... além de viajar, passear, descansar, etc., etc., etc...

Publicado em 26/05/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Divagações sobre o mesmo tema...

Passam os anos, os dias e, de repente, me pego pensando: “Os jogadores de futebol da época do Pelé e do Garrincha eram melhores...” ou “ Ah, como os festivais de música da TV Record eram bons. Lançaram Elis Regina, Caetano Veloso, Chico Buarque...”

Lembro-me do meu primeiro beijo, meu primeiro namorado, até da minha primeira TV colorida. Parece coisa de velho... Sem dúvida, o melhor lugar, sempre, “é aqui e agora”. Mas por que será que essa sensação nos persegue?

Talvez porque, com o passar dos dias – e parece que os dias passam cada vez mais rápido –, sentimos que não estamos conseguindo fazer as coisas, seja no trabalho, em casa, ter o nosso tempo de lazer, ficar divagando...

Isso sem falar na situação de nosso país. Vem aí mais uma eleição... Será que os candidatos vão ser os mesmos de sempre? Vamos assistir à vários programas, onde poderemos ver o dia a dia de cada um deles, suas famílias, o que eles comem, bebem, e – talvez – suas propostas políticas.

Bem que poderiam ser novos “personagens”, mas parece que há uma dificuldade muito grande para encontrar novos candidatos! E também as “falas” de cada um têm funcionado tão bem há tanto tempo, pra que mudar?...

Sei que é estranho falar assim de um momento tão importante e difícil para o nosso país. Mas é o que vem acontecendo há mais de 500 anos – e assim continua acontecendo! Um grande espetáculo “pra inglês ver”.

Impeachment, mensalão, petrolão, pedaladas, e cadê a paixão pela vida, a luta pelos ideais? Sentimos um vazio que não conseguimos mais preencher nem com as novelas da Globo...

Bem, posso parecer um pouco pessimista, mas quero acreditar que tudo pode mudar. Talvez consigamos, ao menos, reinventar o nosso dia a dia, andar por ruas diferentes, vestir roupas que nunca pensamos, falar com pessoas com quem nunca imaginamos conversar. Enfim, abrir nossa mente e nosso coração para o novo. E, quem sabe, assim, começar a acreditar que hoje é melhor que ontem...

PS 1: Tempo, tempo, tempo...
PS 2: Já não temos mais tempo!

Publicado em 19/05/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Eles vêm e vão. E nós?...

Era promessa de futuro. Rapidamente está virando passado. Empurrados pela crise econômica, imigrantes haitianos que vieram ao país tentar reconstruir suas vidas após o terremoto de 2010 estão deixando o Brasil. Saem pelas mesmas portas pelas quais entraram em cidades como São Paulo e Curitiba: as rodoviárias, onde chegaram aos milhares, após ingressarem no país pelo Acre. Desde o início da década, cerca de 45 mil vieram ao Brasil.

Agora, perseguem uma nova promessa de futuro – do outro lado da cordilheira dos Andes, no Chile, onde o salário mínimo supera o brasileiro em cerca de US$ 100.

“Não dá mais para pagar aluguel, água e luz e mandar dinheiro para minha família no Haiti. Aqui já não é mais como era quando cheguei”, diz o haitiano Jean Antonie Camille, 42, que nesta semana saiu de Cambé (PR) para tentar a sorte no Chile.

De janeiro ao final de abril deste ano, a Polícia Federal registrou 3.234 saídas de haitianos do território nacional. Mais que o dobro dos 1.372 do mesmo período de 2015.

E nós, brasileiros, ficamos como? Milhares de cidadãos vivendo abaixo do nível da pobreza, sem ter o que comer, onde dormir, sem salário algum e sem perspectiva alguma de vida. E, só lembrando, isso não é uma realidade que aconteceu agora ou em 2010... Milhares de cidadãos brasileiros vivem assim desde o descobrimento do nosso país!

Como explicar que, em algum momento, foi possível receber refugiados haitianos se nós mesmos somos eternos refugiados em nosso próprio país? Isto porque não temos terremotos, tsunamis, tufões, mas sofremos de um mal eterno: a corrupção sem limites de nossos governantes desde a época de Dom Pedro.

Bem, constatado de um modo simples, porém objetivo, o nosso grande problema, fazemos o quê? Corremos pra onde? Esperamos o circo continuar exibindo suas atrações nas TVs e nos jornais dia após dia, até que, em algum momento, os super-heróis venham nos salvar?

PS 1: Infelizmente, não existem super-heróis...
PS 2: Existem apenas seres humanos, que podem pensar e decidir se querem fechar este circo de horrores ou não...

Publicado em 12/05/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 5 de maio de 2016

A cura para todos os males!

Você tem espinhas, dor de cabeça, pesa uns quilinhos a mais, mentiu, roubou, participou de alguma quadrilha de corruptos? Tudo bem... Faça “delação premiada”!

Nunca tinha ouvido falar desta expressão e, agora, é a que mais se fala e a qual todos os políticos e pessoas que roubaram ou participaram de atos corruptos e ilícitos usam para se safar de sua penas e seus males!

Fui buscar no dicionário o significado exato desta expressão: “Delação premiada é uma expressão utilizada no âmbito jurídico, que significa uma espécie de ‘troca de favores’ entre o juiz e o réu. Caso o acusado forneça informações importantes sobre outros criminosos de uma quadrilha ou dados que ajudem a solucionar um crime, o juiz poderá reduzir a pena do réu quando este for julgado. Muitas pessoas consideram a delação premiada como se fosse um ‘prêmio’ para o acusado que opta por delatar os comparsas e ajudar nas investigações da polícia. De acordo com a lei brasileira, o juiz pode reduzir a pena do delator entre 1/3 e 2/3, caso as informações fornecidas realmente ajudem a solucionar o crime”.

Acho curioso aparecerem tantos seres praticamente fazendo fila para realizarem sua delação premiada – e ainda com uma carinha de coitados...

Mas por que as pessoas mentem? Por que tanta ganância, mau-caratismo e falta de consciência para com o futuro do país em que vivemos? Ah, esqueci... Com certeza é pelo dinheiro!

O americano David Livingstone Smith, diretor do Instituto de Ciência Cognitiva e Psicologia Evolutiva da Universidade de New England (EUA), tenta esclarecer por que mentimos: “A mentira está por toda parte. Mentimos para obter vantagens e para nos proteger de algo, o que significa que estamos, de certa forma, passando a perna em alguém”.

Bem, partindo dessa premissa, talvez fique mais fácil entender por que vivemos em uma dita “sociedade” tão primitiva e desumana...

PS 1: E agora que nos contaram algumas “verdades”... fazemos o quê?
PS 2: Acho que ainda tem muita gente na fila...

Publicado em 05/05/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Estórias de pescador...

Estes dias me lembrei de uma situação muito engraçada – e verídica – que aconteceu com uma amiga. Ela estava me contado que tinha feito uma viagem a Portugal. Achou tudo muito lindo, um povo muito amistoso e gentil para com seus “irmãos brasucas”!

Passeando por todos os pontos turísticos, de repente, ela quebrou o salto de seu sapato... Até aí, nada demais. Foi em busca de um sapateiro e pediu para consertar o salto quebrado. Como já era uma sexta-feira, ela lhe perguntou: “O senhor fecha no sábado?”. Ele, muito tranquilamente, respondeu: “Não!”.

Ela sai contente, pois queria usar o tão querido sapato no final de semana. Pois bem, logo cedo, no dia seguinte, sábado, ela foi buscar seu sapato. Eis que, para seu espanto, a sapataria estava fechada! Ela logo pensou: “Puxa, aqui em Portugal todos são tão corretos. Não esperava uma atitude destas...”.

Minha querida amiga passou o final de semana indignada! Na segunda-feira, foi correndo à sapataria. Já meio chateada, perguntou ao sapateiro: “Porque o senhor disse que não fechava aos sábados? Eu estive aqui logo cedo e encontrei seu estabelecimento fechado!”. E, com a maior naturalidade, ele lhe respondeu: “Minha senhora, nós não fechamos aos sábados porque não abrimos!”.

Parece estória de pescador... E esta notícia, parece o que? “Cunha é alvo de processo no Conselho de Ética sob a acusação de ter mentido em 2015 à CPI da Petrobras ao dizer que não possuía contas secretas no exterior. A informação foi confrontada pela Operação Lava Jato, que aponta que o peemedebista tem contas não declaradas na Suíça que foram abastecidas com propina desviada da Petrobras. O processo já se arrasta desde novembro do ano passado e, atualmente, está na fase de coleta de provas e oitiva de testemunhas. Cunha continua negando as acusações!”.

PS 1: Será que o processo se arrasta porque a CPI não funciona aos sábados?
PS 2: Ou será que a CPI se arrasta porque não funciona aos domingos?
PS 3: Estamos vivendo um momento de imensa crise econômica e política... E alguma vez saímos dela?

Publicado em 28/04/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 21 de abril de 2016

“Quem é que vai pagar por isso?”

Desde o “achamento” do Brasil até hoje, poucas coisa mudaram. Quando da chegada dos portugueses à nossa terra, eles se encantaram com nossos índios(as), o pau-brasil, o ouro, a terra fértil e a facilidade de adquirir tudo e todos que aqui estavam através da violência e do aculturamento.

Passado algum tempo, os índios se rebelaram. Trouxeram, então, os negros como mão de obra escrava, utilizando os meios mais bizarros para que eles trabalhassem.

Passado mais um tempo, precisaram de uma mão de obra mais qualificada para o plantio do café. Então trouxeram imigrantes italianos e japoneses cativados pelas promessas nada verdadeiras de ganharem terras e dinheiro. Depois, vieram os europeus e americanos – tão ávidos quanto os portugueses –, levando nossa borracha, madeira, minérios e grande parte da Amazônia.

Brasil, ano 2016: Até pouco tempo atrás, estávamos inseridos na política da globalização e, mais, víamos e ouvíamos todo tempo slogans como esse: “País rico é país sem pobreza”, “Brasil, pátria educadora”... E agora? O que aconteceu? Tudo virou “pedalada” fiscal, corrupção, lava jato, impeachment, desemprego, inflação, etc., etc., etc...

Será que é tão fácil para nossos governantes venderem uma imagem falsa de bem-estar e depois virar tudo de ponta cabeça? Assisti, como a maioria de todos nós, brasileiros, à votação dos deputados para o impeachment de nossa “presidenta”. Tudo muito “patriótico”, todos que votaram a favor fizeram discursos lindos e se colocaram como salvadores da pátria! Os que votaram contra se colocaram como vítimas de um grande “golpe”...

E nós, pobres mortais, ficamos como? Continuamos com mais de 70% da população sem acesso a esgotos e água encanada, a Dengue, a Chicungunha e o H1N1 têm matado milhares de pessoas por falta de prevenção de nosso governo e, agora mais ainda, por falta de atendimento à população infectada! Temos mais de 80% da população vivendo abaixo do nível da miséria! Quem é que vai pagar por isso?

PS 1: O feriado de hoje, 21 de abril, lembra o assassinato de Tiradentes.
PS 2: E o descobrimento do Brasil, no dia 22 de abril, não é considerado feriado nacional...
PS 3: “Quem é que vai pagar por isso?” – Lobão.

Publicado em 21/04/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Grátis, vacina H1N1 a todos os clientes BMW!

Em meio a carros de até R$ 500 mil, uma concessionária de luxo de São Paulo ofereceu, grátis, vacina de imunização contra a gripe H1N1, no ultimo sábado (9/04).

“Grátis vacina H1N1 a todos os clientes BMW”, diz anúncio da Agulhas Negras, revendedora BMW, publicado na quinta-feira (7/04) no jornal ‘O Estado de S. Paulo’.

“A gente colocou 'cliente Agulhas Negras', mas será aberto a todo o público. Quem chegar vai tomar”, diz Edicarlos Rogério Paulino, 47, gerente da concessionária.

Serão pelo menos mil doses – o número exato não foi divulgado. O tipo da vacina será o trivalente, que protege contra três tipos da doença, incluindo o H1N1. É o mesmo que está sendo distribuído na rede pública da Grande SP desde segunda para crianças, grávidas e idosos.

“O patrão é preocupado com ações sociais e tomou essa iniciativa”, disse o gerente da concessionária. Segundo o médico Bráulio Luna Filho, ex-presidente e atual secretário do Cremesp (Conselho Regional de Medicina), não há infração ética na iniciativa.

“O caso envolve uma relação social entre uma empresa e seus ricos clientes. Podemos, pessoalmente, criticar, mas acusar de não ético seria generalizar qualquer desigualdade econômica como também não ética”, defende.

Bem, quando vi o anúncio fiquei indignada. Afinal, quem vai comprar um carro de 500 mil reais não precisa de forma alguma ganhar uma vacina grátis de imunização da H1N1 – e quem precisa da vacina gratuita não pode comprar uma BMW...

Segundo o gerente da concessionária, seu patrão é muito generoso e solidário. Mas, porém, contudo, todavia... é difícil acreditar que não houve um grande apelo comercial de muito mau gosto! Chegamos em um ponto onde não há mais limite, nem critério algum para vender, vender, vender e banalizar completamente ações sociais, além de gerar um grande desconforto para a maioria dos brasileiros que vivem praticamente com um salário mínimo!

PS 1: Ética? Vou procurar no dicionário a definição desta palavra...
PS 2: H1N1, BMW, Zika, impeachment, lava-jato, lava-carro, etc... Vou tomar um cafezinho!

Publicado em 14/04/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 7 de abril de 2016

O que é um ecocídio?

“Ecocídio (do dicionário Aulete): destruição de um ecossistema, seja por ação intencional e irresponsável, seja por ignorância, inadvertência ou desconhecimento das consequências danosas.”

As principais indústrias petrolíferas mundiais, dentre elas a Chevron, Shell e British Petroleum, estão desenvolvendo um projeto de alcance global para captura do excesso de gás carbônico existente na atmosfera. O Projeto recebeu a designação de Quest CCS Project-Carbon Capture & Storage Project.

As primeiras usinas foram montadas inicialmente nos Estados Unidos, Canadá e Inglaterra, estando em pleno funcionamento. O projeto propõe a captura e a estocagem do gás carbônico a grandes profundidades, em depósitos geológicos permanentes.

Como se trata de um gás e, como gás, se expande, ocupando grandes volumes, em caso de tremores de terra, fendas ou abalos sísmicos, o gás carbônico retornaria em grandes massas, de forma rápida, e provocaria asfixia em vastas regiões por ser mais denso que o ar. Agiria como um “tsunami gasoso”, eliminando toda a vida animal que encontrasse pela frente de forma instantânea.

O aquecimento global – ou efeito estufa – é a base e a origem de todos os problemas climáticos que afetam o planeta Terra, como tempestades, enchentes, tufões, furacões, vendavais, excesso e escassez de chuvas, variações bruscas da temperatura ambiente, secas e suas consequências.

Estudos mostram que o projeto poderá ocasionar uma perigosa rarefação e futura extinção do oxigênio da atmosfera. A única saída, segundo especialistas, seria a captura e estocagem no subsolo somente do carbono e, nunca, em hipótese alguma, do gás carbônico.

O projeto em questão pretende capturar e estocar no subsolo um milhão de toneladas de gás carbônico por ano. Isso significa que a atmosfera perderá aproximadamente 727 mil toneladas de oxigênio a cada ano.

PS 1: Será que as grandes empresas envolvidas neste projeto não possuem estas informações?
PS 2: Difícil de acreditar...
PS 3: Por que, então?...

Publicado em 07/04/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 31 de março de 2016

Em busca do alívio imediato...

Dor de cabeça, resfriado, stress, espinhas, obesidade? Não se preocupe! Vá até a farmácia mais próxima e, rapidinho, você vai achar um coquetel de soluções imediatas.

As “drugstores” estão tão moderninhas que já têm o sistema “self-service”. É só pegar sua cestinha e ir colocando todos os produtos expostos nas prateleiras: aspirina, vitamina C, balinhas coloridas pra dor de garganta, promoções de xarope, vitaminas, etc., etc.,etc...

E quem garante que os males não vão voltar tão rápido quanto foram embora? Também tem o alívio imediato pós-expediente, pós-briga com a namorada ou marido: uma cervejinha no boteco da esquina, um joguinho de futebol...

Num primeiro momento, tudo parece normal. Afinal, vivemos numa sociedade rápida e imediatista, que tem como uma de suas bandeiras principais o bem-estar e o prazer imediato. Drogas como o álcool, o cigarro, a aspirina, os ‘Red Bulls’, são vendidas livremente e com um “super marketing”, já que o mais importante é aparentar estar sempre bem.

Tudo acaba ficando meio confuso. Mas pense bem antes de buscar qualquer forma de alívio rápido.Tentar buscar, interiormente, a causa de nossas dores físicas ou emocionais não é fácil! Observar a situação política e econômica de nosso país de maneira mais ampla e buscando a história do Brasil desde seu ‘achamento’, também não é nada fácil.

Não existe alivio imediato, e “trocar um remédio por outro” não é garantia de cura. O tratamento se faz no dia a dia, avaliando a melhora versus as contra indicações...

Parece até que eu virei médica! Mas não é esse o caso. Apenas comecei a observar como, sempre que surge um problema, a primeira coisa que fazemos é procurar um elixir mágico!

PS 1: A última vez que fui à farmácia comprar um xampu, recebi aquele cuponzinho cheio de promoções... Mas, felizmente, consegui resistir!

PS 2: Nesta crise política, vamos pesquisar bem a composição química do próximo medicamento que vamos tomar...

Publicado em 31/03/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 24 de março de 2016

O show da vida...

O Brasil é um dos países onde mais se assiste televisão no mundo. Bem, quantidade nem sempre é sinônimo de qualidade e, infelizmente, neste caso, essa frase é verdadeira.

Vivemos num país pobre, onde, dificilmente, as pessoas têm condições para comprar um livro, ir ao cinema, ao teatro ou mesmo frequentar a escola ou um curso qualquer. Então, o que nos sobra? A televisão.

Toda essa conjuntura já seria suficiente para o governo e a sociedade investirem em programas de TV educativos, ou, ao menos, incentivarem as emissoras privadas a produzirem programas com mais qualidade.

Ao invés disto, as grandes emissoras investem com toda força no bom e velho formato do entretenimento inútil. Prova disso são os “reality shows”, “game shows”, fórmulas consagradas, presentes em quase todas as redes de televisão, que vendem facilmente a falsa ideia de conhecimento e diversão.

Mas por que “falsa” ideia de conhecimento? Afinal, nestes programas são feitas perguntas sobre história, geografia, ciências, cinema... Porém, tão soltas e desconexas que acabam ficando perdidas no ar, e você tão perdido quanto elas. Cenas e mais cenas de personalidades – nem sempre ricas ou famosas – aparecem na telinha, mostrando suas camas, seus armários, ou o que comem e o que bebem. E qual é o grande chamariz para atrair o público? Prêmios que vão realizar os seus sonhos: carros, casas e barras de ouro... E dinheiro, e mais dinheiro!

Quanto mais profundo o nosso conhecimento sobre algo, mais afastados estaremos das falsas aparências, conseguindo chegar, assim, o mais perto possível da realidade que estamos vivendo e, assim, termos a chance de tentar decidir um pouco melhor qual o passo seguinte a ser dado em nossas vidas!

PS 1: Sigo em frente? Viro à direita, ou viro à esquerda?
PS 2: Talvez eu fique parada até entender o melhor caminho...

Publicado em 24/03/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 17 de março de 2016

Vó Pequena e o Zeppelin

Conhecida como Vó Pequena, Dona Pulcina tem 103 anos e mora em uma casa modesta em Santo Antônio da Patrulha, no Rio Grande do Sul.

Todos os dias, ela acorda cedo, faz a própria comida, gosta de caminhar e observar a natureza. “O que marcou a minha vida foi o serviço da roça, que eu nunca me esqueci até hoje. Coisa boa é trabalhar na roça”, enfatiza.

Ela tem memória de menina e se lembra até de quando o Zeppelin passou pela cidade. “Era uma coisa redonda, parecia que não tinha asa. Fiquei fisgada ali, olhando, olhando... até que ele cruzou e foi para Porto Alegre. Lembro de tudo. Faz pouco tempo... foi há uns 75 anos”, diz.

Vó Pequena mora sozinha, mas sempre com a companhia dos filhos, que ficam admirados, com tanta independência. Questionada sobre quanto tempo Vó Pequena planeja morar sozinha, ela diz, segura: “Eu vou indo até Deus querer me cuidar. Deus está me cuidando e está junto comigo”.

Para, o doutor em biologia do envelhecimento, Emílio Jeckel, genética e estilo de vida andam juntos. “Nós temos uma herança genética, sim, mas esses genes só entram em ação, ou não, dependendo dos estímulos ambientais que a gente tem. As pessoas vão viver mais quando elas conseguirem olhar para além do espelho. A pessoa é muito mais do que aquilo que ela aparenta ou daquilo que ela é fisiologicamente. Às vezes, a parte externa pode estar meio careca, mas lá dentro está muito bem”, explica.

Mais do que herança genética, somos nós que decidimos como vamos envelhecer. E não se trata de estar protegido de tudo, de viver em uma redoma, mas de fazer o melhor com o que o cotidiano oferece.

“Todo centenário tem uma coisa comum: ele sabe enfrentar as adversidades e sair inteiro delas. Não é sair ileso, mas é sair inteiro, é voltar para o prumo”, declara o médico gerontólogo Fernando Bignardi, da Unifesp.

PS 1: Será que vamos conseguir sair inteiros desta baixaria que se repete há mais de 500 anos no Brasil?
PS 2: Vó Pequena deve saber a resposta...

Publicado em 17/03/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 10 de março de 2016

Não seja uma mulher-pera, melancia...

É com muito orgulho que cada vez mais mulheres de todas as partes do mundo comemoram, no dia 8 de março, o Dia Internacional da Mulher. Esta data é celebrada desde 1910, quando uma conferência internacional na Dinamarca decidiu homenagear um grupo de mulheres que, 53 anos antes (em 1857), foram brutalmente assassinadas.

Em 8 de março daquele ano, as funcionárias de uma fábrica de Nova York (EUA) decidiram fazer uma grande greve, reivindicando melhores condições de trabalho, diminuição da jornada – que na época era de 16 horas – e salários iguais ao dos homens – naquele tempo, as mulheres ganhavam cerca de um terço do salário pago aos homens. A manifestação foi reprimida com brutal violência: as funcionárias foram trancadas dentro da fábrica, que, em seguida, foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas.

Em vários cantos do planeta, o dia 8 de março é marcado por debates, conferências, reuniões e discussões sobre os direitos da mulher na sociedade atual. Desde a criação do Dia Internacional da Mulher muita coisa mudou: das reivindicações do filósofo francês Condorcet, em 1788, que exigia participação política, emprego e educação para as mulheres, até a conquista do direito de votar e de serem eleitas.

Nas décadas de 1960 e 1970, surgiram os movimentos feministas, foi criada a pílula e mulheres começaram a ocupar cargos importantes em nossa sociedade. Mas sabemos que ainda existe um longo caminho a percorrer para que todas as mulheres do mundo tenham seus direitos respeitados. Cabe a nós impor os limites, sabendo a hora de dar um basta aos abusos cometidos pelos homens, seja em uma relação amorosa ou profissional.

Não deixe que a mídia banalize e diminua a mulher, que na maioria das vezes é mostrada como um objeto, dançando com seus peitos exuberantes e chacoalhando seu bumbum no Domingão do Faustão!

PS 1: Vamos fazer um esforço para que a Leia Maria da Penha funcione cada vez mais como um direito e não uma necessidade!

PS 2: Homens e mulheres: uni-vos!

Publicado em 10/03/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).