quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

O presente é um “presente”

“O futuro é o minuto seguinte, que é tão precioso que a gente chama de 'presente’!” A frase é do ator Francisco Cuoco, 82. Ela nos faz refletir sobre a importância de olharmos para o presente, em todos os instantes da nossa vida.

Lembro-me de quando eu ainda era criança e me perguntava: “Como serei quando ficar adulta? E quando ficar mais velha? Terminar os estudos, escolher uma carreira, o primeiro emprego, namoro, casamento, filhos, netos...”

Pensando nesta questão, de como nos preocupamos com o futuro, me lembrei de como fiquei impressionada com o depoimento que o ator Francisco Cuoco, 82, em uma entrevista que fiz com ele.

“O tempo passa para todo mundo. O importante é a gente ter cada vez mais consciência de que idade não é um problema, idade é uma consequência. Esqueça os números e os anos. O passado é lindo, ficou lá pra trás, é uma referência importante. O futuro é o minuto seguinte, que é tão precioso que a gente chama de 'presente'. Então, o presente é importante para que você esteja bem, esteja saudável, esteja feliz!”, disse Cuoco.

Portanto, a mensagem que gostaria de transmitir a todos vocês é que, em 2016, olhemos mais para o presente, para as pessoas que estão, hoje, conosco, nossa família, nossos amigos. E, o mais importante, para aqueles que não conhecemos, mas que também são – como já dizia um conhecido sábio, 2000 anos atrás – nossos irmãos.

Aproveito a oportunidade para recomendar um belo filme para assistir nesta virada de ano. “Up – Altas Aventuras” é um desenho animado, mas traz uma história adulta, com uma mensagem de que tudo é possível, ainda mais quando o amor prevalece ao longo de toda uma vida.

Desejo um belo Ano Novo a todos os leitores desta coluna e do Bom Dia! Sei que estamos em tempos difíceis... mas, desde que me conheço por gente, dizem que o Brasil vai melhorar, que é tudo passageiro, que estamos em crise, que saímos da crise...

PS 1: Crise? Qual delas?

PS 2: O Brasil não está em uma crise... Ele nunca sai dela!

Publicado em 31/12/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Vou escrever pro Papai Noel!

“Papai Noel existe?” Essa é a pergunta que todos nós já fizemos um dia para os nossos pais. Mas, afinal de contas, como surgiu essa figura que atualmente chamamos de Papai Noel?

Tudo começou há aproximadamente 1300 anos, no século 4, em Patara, uma cidade na costa sul da Turquia (na época, uma cidade grega), onde nasceu São Nicolau.

São Nicolau, que não era um gordinho rechonchudo de barba e nem vestia a tradicional roupa vermelha com botas, ficou conhecido por se desfazer de sua riqueza dando presentes anonimamente no meio da noite e que, assim, teria originado e personificado o próprio Papai Noel.

E como a imagem de São Nicolau, do século 4 na Turquia, se transformou na figura do gorducho bonachão dos comerciais da Coca-Cola de hoje em dia?

Nos anos 1860, é desenhado redondo e barbudo, vestindo gorro e trajes vermelhos folgados, pelo chargista político norte-americano Thomas Nast, baseado na descrição do poema de Clark Moore.

Já no século 19, ganha o nome de “Santa Claus” (como é conhecido nos Estados Unidos), como uma adaptação de “Sinterklaas” (São Nicolau, em holandês).

Nos anos 1920, a figura do Papai Noel é utilizada em publicidade, aparecendo em propagandas (pasmem!) fumando cigarros Murad, Camel e Lucky Strike, vendendo (acredite se quiser!) Martini e pasta de dente Colgate, assumindo os traços que conhecemos hoje em dia.Nos anos 1930 se torna o velhinho-propaganda da Coca-Cola.

Depois disso tudo, você ainda acredita em Papai Noel? Eu acredito que todos nós podemos ser Papais e Mamães Noeis!! Basta fazer o bem!!

Desejo um feliz Natal e muita força para todos os leitores desta coluna e do Bom Dia!

PS 1: Se você quiser escrever para ele pedindo um Brasil mais decente, o endereço oficial do Papai Noel é: Rovakatu 21, FIN-96200, Rovaniemi, Finlândia.

PS 2: Será que nossos governantes acham que acreditamos no Papai Noel da Coca-Cola?

Publicado em 24/12/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Vida on-line ou off-line?

Se você esteve solteiro nos últimos cinco anos talvez esteja familiarizado com encontros baseados em tecnologia. Um relatório da Global WebIndex afirma que 91 milhões de pessoas no mundo usam aplicativos de encontros, com cerca de 50 milhões apenas no Tinder.

Segundo o censo de 2012 dos EUA, 44% da população está solteira, uma média de 102 milhões de pessoas. “As pessoas querem muito transar”, disse Michael Raven, um dos fundadores do Tinderus, um serviço de consultoria que, por US$ 50, trabalha seu perfil no Tinder para torná-lo mais atraente. “Uma tendência que estou vendo é que, particularmente do lado feminino, o nível está subindo. Acesso instantâneo a encontros e sexo em potencial significam que podemos ver tudo que há disponível”.

Esse é um tema com que David Buss, autor de ‘The Evolution of Human Desire: Strategies of Human Mating’, concorda – apesar de ser um pouco mais cauteloso ao discutir o tópico. “Uma previsão quase certa é que mulheres de nível universitário vão achar cada vez mais difícil achar bons parceiros”, afirma.

Sarah Mick, chefe de produtos e design da Tinderus, diz que o mundo dos encontros on-line costuma ser “desequilibrado”. Acrescenta que provavelmente veremos um aplicativo mais invasivo e aprofundado em breve – um que peça “medidas de cintura, seios, pênis, tudo no aplicativo, pronto para que os usuários escolham o parceiro ideal”. Na corrida entre essas ferramentas baseadas em localização, ele aponta o Happn como o “primeiro aplicativo de massa a integrar tecnologia de ponta de maneira interessante”, apesar de achar que a capacidade de ver a distância em que está a pessoa lhe enviando a mensagem é “relativamente assustadora”!

Uau!! Que loucura! Será que ninguém vai ter mais vontade ou coragem de sair por aí, em um barzinho, uma festa, um cinema e casualmente conhecer alguém ao vivo e em cores?

PS: Acho que vou procurar o Zoológico mais próximo e tentar conversar com os supostos animais que ainda vivem a vida de uma maneira mais humana que nós!

Publicado em 17/12/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Por que aqui não é assim?

“A política é a luta pela felicidade de todos”. Para a maioria, mudar o mundo parece uma tarefa árdua e utópica. Para José Alberto Mujica Cordano, 80, conhecido popularmente como Pepe Mujica, presidente do Uruguai no período entre 2010 e 2015, e autor da frase citada, é dever do líder ao menos tentar fazê-lo, sempre.

“Presidente mais pobre do mundo”

O “presidente mais pobre do mundo”, como é ainda conhecido, doava 90% de seu honorário como político para a caridade. De origem camponesa, Mujica, que almejou tornar-se presidente para melhorar a vida de sua sociedade, afirma ser necessário viver como a maioria – afinal, foi ela quem o instituiu ao poder – e tem conceitos muito distintos a respeito do modo de vida pessoal e profissional – conceitos esses que lhe renderam sete anos de solitária na prisão e algumas sessões de tortura na década de 70, durante o golpe de Estado em seu país.

Nunca deixar de sonhar

Apesar de muito polêmico por legalizar o aborto, descriminalizar a maconha e autorizar o casamento entre pessoas do mesmo gênero, Mujita sempre foi vislumbrado por estudiosos e aclamado pelo público mundial. Seu estereótipo simplista – e não simplório – é caracterizado por seus trajes simples e sandálias de veraneio. “Acho o uso de gravatas insano, um trapo inútil”, afirma.

Diferente de outros presidentes, Mujica optou por não ter um avião presidencial. Em seu lugar, investiu em um helicóptero – sofisticado e muito caro –, equipado com uma sala de cirurgia e um pronto-socorro permanente para salvar a vida dos seus cidadãos.

O discurso nos ensina e nos faz recordar de lutarmos sempre pelo que pensamos e sonhamos, e, mesmo titubeando, nunca desistir de nossos ideais.

PS 1: Por que aqui não é assim também?

PS 2: Que tal se outros países adotassem essa ideia?

PS 3: Vale a pena assistir a um vídeo onde José Mujica mostra que a vida é – ou deveria ser – mais simples do que parece: https://youtu.be/FpfsXQKG8vY

Publicado em 10/12/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Lucy, a mulher mais velha do mundo!

O 41º aniversário da descoberta do fóssil Lucy foi na terça-feira passada (24/11). O esqueleto do Australopithecus afarensis foi encontrado em 1974 pelo antropólogo Donald Johnson e o estudante Tom Gray durante escavações na Etiópia. O alto grau de conservação da ossada surpreendeu os arqueólogos.

Após os pesquisadores constatarem que o fóssil de 3,2 milhões de anos pertencia a uma mulher, batizaram-no de Lucy – em homenagem à música dos Beatles ‘Lucy in the Sky with Diamonds’ que, segundo relatos, estaria tocando no momento das escavações e nas comemorações após a descoberta.

Lucy está em exposição no Museu Nacional da Etiópia. Seu crânio, com tamanho intermediário entre o dos humanos e o dos chimpanzés, é o que denomina a espécie “Australopithecus”, que significa “macaco do sul”. Eles são bastante próximos dos hominídeos do gênero “Homo” na escala de evolução.

Lucy tinha apenas 1,1 metros de altura, pesava 29 kg e se parecia, de certa forma, com um chimpanzé comum. Embora a criatura tivesse um cérebro pequeno, a pélvis e ossos das pernas eram quase idênticos aos dos humanos modernos.

Que coisa louca... Então existimos, praticamente, há no mínimo 3,2 milhões de anos! Isso é muito tempo, tanto tempo que não dá nem para entendermos este tipo de escala de tempo, já que costumamos falar em dias, meses, anos, séculos...

Aí é que eu me pergunto: como é possível estarmos há tanto tempo nessa terra e ainda nos comportarmos como primatas, ou talvez até pior, uma vez que macacos e chimpanzés vivem juntos, cuidam uns dos outros e até de bebês de outros seres “humanos”?

Desde que me conheço por gente, o mundo vive em guerra, desigualdade e pobreza! Acho que Lucy ficaria muito triste e assustada se vivesse no mundo de hoje.

Mas tudo bem. O Natal vem chegando e, mais uma vez, Papai Noel vai chegar cheio de presentes. Será que, com essa crise, ele consegue?

PS 1: Viva os Beatles, Viva John Lennon!
PS 2: Parabéns, querida Lucy!

Publicado em 03/12/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Quem é que vai pagar por isso?

Loucura, maldade, insanidade, sociopatia? Não soube o que pensar, quando li esta manhã a manchete dos jornais: “Mineradora engavetou plano para alertar vizinho de barragem em MG”.

Um plano para monitorar 24 horas as barragens da Samarco e alertar os moradores de Mariana (MG) em situações de emergência foi encomendado pela mineradora em 2009, seis anos antes do rompimento que devastou a região e provocou um desastre ambiental que já chegou ao litoral do Espírito Santo. Mas ele acabou sendo engavetado – segundo a empresa responsável pelo documento, devido à crise econômica.

A consultoria RTI (Rescue Training International), que atua há mais de 30 anos com programas de segurança e que tem sede em Bragança Paulista (SP), revelou ter sido contratada pela Samarco em 2009 para preparar uma estratégia que serviria para todas as suas barragens.

O diretor da empresa, Randal Fonseca, disse à Folha que a estratégia apresentada à Samarco previa monitoramento permanente das estruturas por meio de telemetria (processamento e transmissão de dados a distância) e visitas diárias de funcionários.

“Quando se constrói uma barragem, se constrói uma emergência. Tenho que monitorar as comunidades próximas, saber se tem gestante, se tem cadeirante. Tenho que saber de tudo minuto a minuto”, afirmou. De acordo com Fonseca, as ações não foram cumpridas porque “alegaram que estavam com problema da crise”. “O plano foi parar na gaveta”, completou.

Questionada, a Samarco não comentou sobre por que deixou de implantar esse plano completo para casos de emergência. Disse, apenas, que teve seus planos aprovados por órgãos de fiscalização...

Como uma empresa que é constituída por seres ditos humanos pode responder à uma negligência tão grave de uma maneira tão fria e desumana? Fiquei tão pasma que a única coisa que me veio à mente foi a frase: “Quem é que vai pagar por isso?” E, imediatamente, me lembrei de uma das músicas do cantor e compositor Lobão, cujo nome é ‘Revanche’...

PS: “Eu não quero mais nenhuma chance, eu não quero mais revanche...” (Lobão e Bernardo Vilhena)

Publicado em 26/11/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Por que as borboletas voam?

Já faz um tempinho, li o livro “Uma Breve História de Quase Tudo”, de Bill Bryson, um delicioso guia de viagens pela ciência. Achei a obra muito interessante e separei algumas perguntas e respostas da mesma para esta coluna.

Há quanto tempo existe o universo?
“Há bastante tempo os cosmologistas vêm discutindo se a criação foi há 10 bilhões de anos, duas vezes essa cifra ou um valor intermediário. Parece estar se formando um consenso em 13,7 bilhões de anos. Será que é definitivo?”

Quantas espécies vivem em nosso planeta?
“Não temos a menor ideia do número de seres que vivem em nosso planeta. As estimativas oscilam de 3 milhões a 200 milhões. Quantos seres vivos ainda serão descobertos?”

Geneticamente, qual a semelhança entre homens e macacos?
“O ser humano moderno é 98,4% geneticamente indistinguível do chimpanzé moderno. Há mais diferença entre uma zebra e um cavalo que entre você e as criaturas peludas que seus ancestrais remotos deixaram para trás. Evoluímos ou não?

Aproveito para fazer algumas perguntas que me afligem pessoalmente...

Por que vivemos em guerra se habitamos o mesmo planeta?

Por que, em pleno século 21 e com toda tecnologia que possuímos em todas as áreas, ainda existem milhões de pessoas morrendo de fome, frio e doenças dos séculos 15 ou 16?

Por que existem fechaduras, alarmes, ladrões, assassinos e miseráveis?

Por que ainda não descobriram a cura do câncer – dizem...?

Por que morrem crianças todos os dias nas ruas, em conflitos sociais e nos corredores de hospitais?

Por que construímos muros e fronteiras para cercear o direito de ir e vir?

Por que queremos acumular tantos bens se a nossa vida é só uma passagem nesta terra?

Por que o ser humano quer chegar em Marte se ainda não sabe nem o que é conviver e viver no planeta Terra?

Por que nos perguntamos tanto de onde viemos, se não sabemos nem para onde vamos?

Suponho que a maioria dos seres humanos tem a resposta...

PS 1: Ainda precisamos nos preocupar se o mundo vai acabar mesmo em 2015, 2016, 2017...?
PS 2: Vou tomar um café!

Publicado em 19/11/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Discriminação geográfica...

Antigamente, poucos livros de história do Brasil contavam que, em 1695, senhores de engenho, bandeirantes vindos de São Paulo e militares de Pernambuco invadiram o Quilombo dos Palmares no alto da Serra da Barriga, hoje Alagoas, onde viviam pacificamente mais de 30 mil pessoas, entre elas negros, índios e brancos.

Com o respaldo da sociedade e da Igreja, os invasores mataram milhares de homens, mulheres e crianças. O líder, Zumbi dos Palmares, traído por um companheiro, preferiu entregar-se aos inimigos para evitar um massacre maior. Foi fuzilado e teve seu corpo esquartejado em uma praça do Recife.

O Brasil, último país a abolir formalmente o trabalho escravo, concentra hoje o segundo maior contingente de população negra do mundo, atrás apenas da Nigéria.

Conforme o censo mais recente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 44% da população brasileira é afrodescendente, mas só 5% das pessoas se declaram negras. Estes dados se tornam ainda mais espantosos quando sabemos que, da população brasileira mais empobrecida, 64% são pessoas negras.

O racismo velado é a questão que mais dificulta seu combate. Na maioria dos casos, a própria população negra não se aceita como tal, pois não conhece sua história e teme ser discriminada socialmente.

O dia 20 de novembro de 1695 é lembrado como o Dia do Martírio do Zumbi dos Palmares. Esta data, agora integrada ao calendário nacional, passou a ser comemorada todo ano como o Dia da União e Consciência Negra. Porém, parece que temos uma discriminação geográfica em nosso próprio país!

Por ora, apenas alguns Estados da União decretaram neste dia feriado estadual. Podemos chamar isso de discriminação geográfica? E haja discriminação...

PS 1: Consciência é uma palavra muito usada e pouco praticada em nosso País!
PS 2: Segundo dados históricos recentes, todos viemos da “Mama África”...

Publicado em 12/11/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Aquecimento global: quem é o culpado?

A cada dia que passa, todos nós notamos que o assunto ‘aquecimento global’ não é mais apenas um tema a ser comentado nas páginas de ciência dos jornais. A cada ano, os verões ficam mais quentes e o planeta se torna um triste cenário de catástrofes climáticas cada vez mais intensas e frequentes.

Segundo o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, na sigla em inglês), órgão criado pela ONU, o aquecimento global está acontecendo mais rápido do que nunca. E os seres humanos são os responsáveis!

O aquecimento é causado pela liberação na atmosfera dos chamados gases de efeito estufa. O gás de efeito estufa mais comum é o dióxido de carbono, liberado por muitas das atividades que fazemos todos os dias, como ligar as luzes, andar de carro, utilizar sacolas plásticas, etc.

Você acredita que, com pequenas ações, poderia ajudar a resolver este problema? Existe uma teoria...

Em 1993, começou a funcionar, no Alasca (Estados Unidos), o HAARP, um projeto de estudos sobre a ionosfera terrestre. Segundo relatos oficiais, o HAARP, que significa “Programa de Investigação de Aurora Ativa de Alta Frequência”, tem como objetivo principal ampliar o conhecimento obtido até hoje sobre as propriedades físicas e elétricas da ionosfera terrestre. Com isso, seria possível melhorar o funcionamento de vários sistemas de comunicação e navegação, tanto civis quanto militares. Para realizar estes estudos, as antenas de alta frequência do HAARP enviam ondas para a ionosfera visando aquecê-la.

O relatório dizia que o HAARP seria uma nova transição na indústria bélica, que já passou pelas fases de armas brancas, armas de fogo, armas nucleares, armas biológicas e chegaria, então, ao patamar de armas geofísicas. Segundo estas teorias, seria possível controlar placas tectônicas, temperatura atmosférica e até mesmo o nível de radiação que passa pela camada de ozônio.

PS 1: Desastres naturais podem minar economias, dizimar populações e gerar instabilidade em toda a Terra.

PS 2: Você ainda acredita em salvar o mundo reutilizando sacolinhas do supermercado?

Publicado em 05/11/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Espelho, espelho meu...

Você tem rugas? Está se sentindo muito gordo(a)? Acha que seus seios estão grandes ou caídos? Fica encucado com sua careca ou se seus cabelos estão ficando brancos demais? Não se preocupe, já está disponível no mercado um remédio que resolve tudo isso.

Mas, infelizmente, esta fórmula não está à venda nas farmácias e nem na internet. Esse remédio tem vários nomes: “autoconfiança”, “autoestima” ou “seja você mesmo!”. Você pode achar que esse “antídoto” não vai resolver muita coisa, mas não custa experimentar.

A vida é feita de várias fases, nas quais nosso corpo vai se moldando e nossa personalidade também! Estamos sempre sujeitos a todo tipo de influência. É só ligar a TV, navegar na internet, folhear uma revista e vamos ver imagens de homens e mulheres considerados perfeitos – dentro dos padrões de beleza estipulados pela nossa sociedade, só pra lembrar!

Aí, começam a surgir os efeitos colaterais: “Estou um lixo...”, “Eu nunca vou ser igual a Angelina Jolie ou ao Brad Pitt...“, “Será que devo fazer uma plástica? Um implante de cabelos? Colocar silicone?...”.

Calma! Pense um pouco: você é único(a), seu corpo e seus traços físicos são só seus e mudanças fazem parte de nossa vida. Cuidar da saúde e de nossa aparência é importante, mas, tão importante quanto isso tudo, é descobrir a nossa própria beleza!

Claro que tenho minhas recaídas, como todo mundo... Nestes momentos, faço uma pausa e ouço meu pequeno “grilo falante” dizendo: “Temos o direito – e talvez até o dever – de criar o nosso padrão de beleza. Ou melhor, talvez não exista um padrão, mas, sim, um conjunto de fatores que nos torna belos!”

PS 1: Está em cartaz, aqui em Marília, a peça A.M.A.D.A.S – Associação de Mulheres que Acordam Despencadas, com a bela atriz Elizabeth Savala.

PS 2: Acredito que tem tudo a ver com a nossa obsessão pela beleza externa...

PS 3: Sexta-feira, dia 23 de outubro, no Teatro Sagrado Coração, às 20h30.

Publicado em 22/10/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Brasil com s, com z, com x...

Estive no Canadá, no ano passado, representando o Portal Terceira Idade em um encontro internacional sobre ações governamentais e não governamentais para as questões do envelhecimento da população global. Curiosamente, naquela época, os canadenses elogiaram nossa economia e democracia e se espantaram ao saber da falta de inúmeras políticas públicas nas áreas de saúde, casas para idosos, cuidados, além dos baixos salários que a maioria dos aposentados e não aposentados recebem no Brasil.

“Que situação a minha...”, eu pensei. Sou brasileira e, ao invés de ter orgulho de meu país, tive que ser honesta e colocar de maneira muito clara que nossa democracia e os direitos da nossa população da 3ª idade – ou de qualquer idade – praticamente não existem!

Para a maioria dos estrangeiros, a palavra coronelismo e o conceito da mesma são muito difíceis de entender – até mesmo para nós brasileiros, onde a figura do “Coronel” faz parte apenas das estórias do Cangaço. Personagens como Lampião e Maria Bonita são vistos hoje em livros e músicas de cordel e até parece que essa época já passou. Temos a sensação de que essa cultura mandatária e nada democrática não existe mais no nosso dia a dia.

Então, como é possível nosso país estar nas mãos dos mesmos governantes há tantas décadas, seja no âmbito federal, estadual ou municipal? E por que é tão difícil políticas públicas básicas funcionarem no Brasil?

Dilma e Lula são apenas mais uma parte de nossa história que se repete! Dizem por aí que a liberdade não se ganha... se conquista!

PS 1: Coronelismo (do Dicionário Michaelis): Influência dos coronéis na política, que confundem em sua pessoa atribuições de caráter privativo e público.

PS 2: “Brasil, meu Brasil brasileiro...” (?)

PS 3: Grande parte de nosso território nacional já foi comprado por espanhóis, australianos, mexicanos, americanos, etc...

Publicado em 15/10/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Passando a faixa...

Estamos passando por um momento histórico em nosso País! Políticos de peso e renome estão sendo julgados junto com atravessadores de verbas, lobistas e outros afins, que usam nosso dinheiro no famoso “Caixa 2” para encherem seus cofrinhos.

Meses e dias já se passaram após o julgamento do mensalão. Juízes delegaram as penas: oito anos para um, cinco para outro –  tudo bem, a maioria está cumprindo a pena em regime aberto ou semiaberto e com todas as regalias possíveis!

Agora vem a operação Lava Jato, Pedaladas... Talvez o importante disso tudo foi trazer à tona a corrupção que corre solta e enlouquecida desde o “achamento” do Brasil!

Em meio a estes episódios bizarros, tive acesso à uma informação muito importante: a poltrona na qual os juízes sentaram para realizar o julgamento do mensalão era uma Ambassador Versão 2. Sua primeira versão foi criada em 1960 pelo arquiteto e designer Jorge Zalszupin, 90 anos. “Projetei o espaldar bem alto, com 71 cm, para transmitir sobriedade aos juízes que ali sentassem”, enfatizou.

Incrível como o Brasil consegue valorizar o fútil e o inútil. Será que o modelo da cadeira teve influência direta na decisão dos juízes? Fica aí uma dúvida razoável...

E agora, depois disso tudo, dizem que a nossa presidenta está passando a faixa.... Será que é a faixa de trânsito das ciclovias ou a de seu mandato tão confuso e surreal?

O Brasil substituiu a monarquia pela república no ano de 1889. Então, foi formado um governo provisório para dirigir o País, composto pelos cafeicultores, liberais e militares da época. A maior preocupação do governo provisório, desde então, era assegurar os direitos de brasileiros e estrangeiros que tinham alguma propriedade!

PS 1: Qualquer semelhança é mera coincidência...
PS 2: Será que a Dilma passa ou não passa a faixa?
PS 3: Contanto que não interrompa as ciclovias, tudo bem!

Publicado em 08/10/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

DIA MUNDIAL DO IDOSO 2015 - VAMOS PRATICAR NOSSA CIDADANIA!

Portal irá comemorar o Dia do Idoso com Trio Elétrico na Avenida Paulista!
No próximo domingo, dia 4 de outubro, o Portal Terceira Idade estará celebrando o Dia Mundial do Idoso com um Trio Elétrico em frente ao MASP, com a presença do Coral Sintonia Plena e do grupo Pago DI, formado por idosos com deficiência intelectual da APAE de São Paulo


O Trio Elétrico, com mais 15 metros de comprimento e capacidade para 90 pessoas, servirá de palco para as apresentações (figura ilustrativa)

O Portal Terceira Idade tem o prazer de convidar você, sua família e seus amigos para festa de comemoração do Dia Mundial do Idoso, que acontecerá no próximo dia 4 de outubro (domingo), ao ar livre, em frente ao MASP (Museu de Arte de São Paulo) na Avenida Paulista, das 14h30 às 16h30.

Somos jovens há mais tempo!

foto notíciasDurante o evento “Somos Jovens Há Mais Tempo! – Dia Mundial do Idoso 2015”, um Trio Elétrico – uma carreta com mais 15 metros de comprimento e capacidade para 90 pessoas – apresentará um show com a “moçada com mais de 60” do Coral Sintonia Plena (foto) cantando baião e xaxado.

Uma apresentação de samba do grupo Pago DI, composto por idosos com deficiência intelectual do Serviço de Apoio ao Envelhecimento da APAE de São Paulo, completará o show.

foto notíciasUm video-wall (painel com 15 TVs de 60” cada) estará exibindo vídeos com depoimentos exclusivos dos atores Francisco Cuoco e Glória Menezes em homenagem ao idoso brasileiro*.

Informação é cidadania

Serão distribuídas, gratuitamente, cartilhas de direitos do idoso, fornecidas pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo. A Associação Brasileira de Gerontologia (ABG) também estará presente ao evento.

Vamos homenagear, mais uma vez, a “moçada” do Brasil e do mundo no próximo domingo! Estaremos esperando por você! A participação é gratuita.


SOMOS JOVENS HÁ MAIS TEMPO!
DIA MUNDIAL DO IDOSO
1º DE OUTUBRO – 2015
Somos jovens há mais tempo!
Dia: 1º de Outubro de 2015 (domingo)
Horário: das 14h30 às 16h30
Local: MASP (Museu de Arte de São Paulo)
Av. Paulista, 1578. São Paulo – SP
(na calçada, ao ar livre, em frente ao vão livre do museu)
Participação: Evento gratuito

Turistas acidentais...

Há alguns dias atrás, eu estava tomando um cafezinho, quando um homem com uma aparência meio estranha puxou uma conversinha comigo. Tinha um sotaque português, achei interessante. Pensei: “Que bom trocar ideias com um turista...”.

Mas, eis que para minha surpresa, ele me disse que era brasileiro, porém estava trabalhando há muitos anos em Portugal e, lá, tinha adquirido o sotaque. Durante a nossa conversa, percebi que, além do sotaque, ele havia adquirido toda a postura e maneira de pensar de um estrangeiro.

Todo orgulhoso, me disse que vinha aqui só para tirar férias e descansar, pois, para trabalhar, o melhor negócio era estar na Europa. “Lá construí minha vida, fiz meu pé de meia”, e por aí foi falando, falando, até que entrou em uma contradição: “Porém, o melhor lugar do mundo é o Brasil”.

Então, naturalmente, lhe perguntei: “Se o melhor lugar é aqui, por que você trabalha, vive e ganha seu dinheiro lá fora?”.

Como todo bom “brasileiro estrangeiro”, alegou que voltaria quando tivesse conseguido conquistar “um lugar ao sol”...

Percebi que este brasileiro já havia se tornado um “turista acidental”. Para ele – como para tantos outros admiradores de nossos cartões postais – o Brasil é o melhor lugar do mundo para compras, passeios, praias, etc. Mas, para viver com dignidade e respeito, ele resumiu: “O grande negócio é estar lá fora”.

Mesmo vivendo em um momento em que a Europa, e mesmo os EUA, passam por uma crise, ainda assim, vejo todos os dias um surto, uma avalanche de pessoas querendo sair do Brasil. Fico triste, mas também com a maioria de nossa população ganhando um salário mínimo e nossa querida Presidenta falando em alto e bom tom que nós cidadãos temos que ajudar o governo, o que mais qualquer ser normal poderia cogitar em fazer?

PS 1: Para o último que sair: não se esqueça de apagar a luz e nem de como se fala nossa língua!

PS 2: Vivemos em um Brasil que não é nosso!

PS 3: Somos todos “turistas acidentais”...

Publicado em 01/10/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

PIB da felicidade...

Vários países, como a Inglaterra e a França, já discutem a ideia de que medições como o PIB (Produto Interno Bruto) não são suficientes para aferir o grau de desenvolvimento de uma nação e de que a felicidade deveria ser um fator a ser contabilizado também.

Mas como medir um fator aparentemente tão subjetivo? Curiosamente, pela primeira vez, a prefeitura de uma cidade americana chamada Somerville resolveu fazer um censo buscando saber a taxa de felicidade de seus habitantes e, a partir daí, traçar políticas públicas.

Daniel Gilbert, professor de psicologia da Universidade de Harvard, resolveu investigar cientificamente como o fator felicidade atua em nosso cérebro. A pesquisa foi realizada através da faculdade de saúde pública de Harvard, acompanhando cinco mil pessoas durante 20 anos, utilizando aparelhos de ressonância magnética e grupos de controle, dando, assim, caráter científico a práticas milenares como meditação e yoga. Também nos hospitais, foram feitos testes que demonstraram que pessoas felizes têm menos propensão a problemas do coração, hipertensão, diabetes e infecções.

O professor Gilbert pôde constatar cientificamente como determinadas sensações, sejam elas positivas ou negativas, desencadeiam reações biológicas em nosso organismo. Outra cientista da saúde, responsável pelo curso de ciência da felicidade de Harvard, Nancy Etcoff, também afirmou: “O trabalho voluntário aciona um sistema de recompensa muito maior no cérebro do que o cuidado intenso de muitas mulheres e homens com sua aparência física e seus bens materiais”.

Este tipo de conhecimento pode nos alertar sobre o fato de muitas vezes estarmos buscando a satisfação no lugar errado... Reconheço que, no Brasil, é muito difícil falar em felicidade quando ainda, vergonhosamente, falta alimento na mesa de muitos cidadãos. Talvez, no nosso caso, o segredo seja nos doarmos cada vez mais a quem precisa!

PS: Felicidade também é comer, beber, ter onde morar, ter dignidade...

Publicado em 17/09/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Eu nego, nego tudo!

Alguém se lembra da belíssima novela ‘Vale Tudo’, com a maravilhosa atriz Beatriz Segall na personagem da vilã Odete Roitman e o grande ator Reginaldo Faria no papel de Marco Aurélio, também fazendo um papel de vilão, ambos com muito poder e dinheiro na trama? Puxa vida, cada vez que leio o jornal ou vejo o noticiário na TV, não consigo esquecer desta novela!

Toda semana, aparece na mídia um novo escândalo, uma denúncia e todos os políticos e demais cidadãos envolvidos repetem o mesmo refrão: “Eu nego, é tudo mentira!”. Acho que todos estudaram na mesma escola...

Mesmo com gravações mostrando esquemas de quadrilha, “Caixa 2”, lóbis no Planalto, eles negam, negam tudo! Se olharmos para tudo isso como uma mera ficção, podemos dizer que o enredo da trama está muito bom! Mas, por acaso, isso tudo que estamos vendo é a nossa realidade – e cada capítulo desta história vai interferir de verdade nas nossas vidas, nas vidas de nossos filhos, netos, bisnetos...

Sociólogos e analistas políticos divagam sobre o grande mal de não existirem mais os partidos de “esquerda” ou de “direita”. Tudo bem, está mais do que óbvio que isto é uma realidade! E será que este é o problema?

A política, como tudo se globalizou, ficou moderna, imediatista, individualista – todos querem um resultado rápido e eficaz.

Aí, me pergunto: “E como está o Brasil hoje? E daqui a dez, vinte ou trinta anos?”. Ainda sentimos na pele a questão de problemas sociais não resolvidos desde os tempos de Dom Pedro I.

Nossos governantes continuam negando seu o apoio a políticas verdadeiras para a sustentabilidade de nosso país e de nossos cidadãos – e, o pior, eles negam que estão negando o seu dever!

PS: “Chega a fazer suspeitar que a mentira é, muitas vezes, tão involuntária como a transpiração” (Machado de Assis, em seu clássico ‘Dom Casmurro’).

Publicado em 10/09/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Brasil: com “s” ou com “z”?

A história que aprendemos desde crianças na escola é que no dia 7 de Setembro de 1822, próximo ao riacho do Ipiranga, Dom Pedro levantou a espada e gritou: “Independência ou Morte!”.

Pouco se comenta que o povo, na época, nem sequer acompanhou ou entendeu o significado da independência. A estrutura agrária continuou a mesma, a escravidão se manteve e a distribuição de renda continuou desigual. A elite agrária, que deu suporte a D. Pedro I, foi a camada que mais se beneficiou.

Estamos falando da história do Brasil, mas todos estes fatos me remetem aos dias de hoje. O nosso país continua sendo extremamente desigual – em todos os sentidos: econômico, social e político. Quem não gostaria de ser independente, ter o direito ao seu sustento, morar, estudar, trabalhar, ter acesso a hospitais, luz e rede de esgoto? Mas, como diz um bom e velho ditado: “A liberdade não se ganha, se conquista!”.

Aparentemente, podemos ir e vir, afinal, acabou a escravidão...(!?) Mas qual é o significado da nossa independência? É possível dizer que vivemos como cidadãos livres, seja na área urbana ou rural, se ainda existem pessoas que chegam a ganhar 30 ou 50 reais por mês e usam seu dedo polegar como assinatura?

Ah, esqueci, temos o 'Bolsa Família', o 'Bolsa Escola'... Estamos no ano de 2015 e, lá fora, o Brasil é visto com um país emergente. Talvez nosso maior trunfo seja sermos eternamente o “País do futuro”...

Hoje, os beneficiados – e, diga-se de passagem, muito bem beneficiados – continuam sendo os mesmos! Só mudaram de nome. Mas como isso é possível? Temos uma nova classe emergente, cheia de cartões de crédito – e dívidas com juros praticamente impagáveis. Nossa população tem celulares, TVs de plasma, acesso ao Facebook, envia torpedos! É... Acho que estou exagerando... Olha só quantas coisas mudaram!

PS 1: Você sabia que D. Pedro pagou à Portugal 2 milhões de libras esterlinas pela nossa independência? E ainda com dinheiro emprestado!

PS 2: Será que algum dia ele pagou o empréstimo?

PS 3: Bom feriado!

Publicado em 03/09/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Vida louca, vida breve!

Que tempo o tempo tem? Pergunta meio estranha... Mas você já pensou que os minutos, segundos e horas nunca param de passar, e que nós sempre achamos que o tempo está correndo demais? Estamos sempre atrasados ou em cima da hora para chegar ao trabalho, levar as crianças para a escola, ir ao cinema, dar banho no cachorro... Bem, acho que nem dá tempo de escrever tudo o que eu gostaria!

Mas, se pensarmos bem, o tempo é relativo! Quando estamos de férias, o tempo passa rápido, se estamos entediados e cansados, o tempo não passa, o dia fica longo, ficamos impacientes, sonolentos, esperando os minutos passarem.

Eu ainda não entendo bem o tempo... Quanto tempo eu tenho deixado livre para mim mesma, para as coisas que eu gosto de fazer, ou mesmo para não fazer nada?

Você já brincou de bolhas de sabão? Elas são tão lindas e frágeis. Sua existência é de alguns segundos, porém a satisfação em vê-las e soprá-las é imensa. Talvez o tempo seja assim também, frágil e invisível, medido na sua essência pela nossa satisfação e deleite e não pelos nossos relógios, despertadores e bate-pontos escravizantes!

O tempo é apenas um sequência de milésimos de segundos que nunca param, mas que também se repetem dia após dia. As mesmas datas virarão, no próximo ano, Carnaval, Páscoa, Finados, etc., etc...

Daqui a pouco, mais um ano vai passar e outros vão chegar. Eu já estou planejando um monte de coisas e ainda não consegui fazer tantas outras... Que loucura! Pensando bem, vou me dar um tempo! Vou aproveitar este segundo semestre de 2015 para fazer mais bolhas de sabão, brincar de ioiô, caminhar, pensar, encontrar os amigos e fazer menos, com mais prazer! Será que vai dar tempo?

PS 1: Por que mentimos?...
PS 2: “Brasil, mostra a tua cara!”

Publicado em 20/08/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Quem foi Eva?

Segundo o levantamento do último Censo Demográfico apresentado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o número de homens em relação ao de mulheres aumentou, a população brasileira envelheceu – e ficou menos branca...

Sim, isso mesmo... Menos da metade da população se declarou branca na pesquisa. É a primeira vez que isso acontece desde que o censo passou a ser organizado pelo IBGE, em 1940.

Ao todo, 91.051.646 habitantes se dizem brancos, enquanto outros 99.697.545 se declaram negros, pardos, amarelos ou indígenas. Os brancos ainda são a maioria (47,33%) da população, mas a quantidade de pessoas que se declaram assim caiu em relação a 2000, quando representava 53,74%.

Por outro lado, em quinze anos, a porcentagem de habitantes que se classificam como pardos cresceu de 38,45% (65,3 milhões) para 43,13% (82,2 milhões). Já os negros subiram de 6,21% (10,5 milhões) para 7,61% (14,5 milhões) da população brasileira. O Brasil também tem mais moradores que se consideram amarelos (1,09% ou 2,1 milhões).

Bem, uma coisa fica muito evidente nesse levantamento: o Brasil é um país onde não podemos aceitar o racismo – velado, porém presente. Somos uma nação construída a partir de muitas “misturas”, uma delas, como sabemos, a partir dos milhares de escravos trazidos para cá em séculos passados. Todos nós somos o resultado da miscigenação de negros, orientais e índios, sem falar das dezenas de culturas que vieram depois e moldaram o nosso País: italianos, portugueses, japoneses, entre outras.

Infelizmente, o racismo é evidente e ainda muito forte! Dificilmente vemos uma pessoa negra em cargos de diretoria, gerência ou mesmo médicos, advogados, engenheiros, etc., etc... Até no futebol – que é o jogo mais popular do Brasil –, já ficou claro que existe esta doença chamada racismo.

PS 1: Você já ouviu falar que a “mãe” da espécie humana era uma gorila – curiosamente chamada de Eva – e que vivia na África, há aproximadamente 140 mil anos atrás?

PS 2: Preto é cor de lápis...! Negro é cor de gente!

Publicado em 13/08/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Maria, Maria...

Femicídio ou feminicídio. O termo pode soar como novidade para a maioria dos leitores, porém, a sua prática é antiga e, infelizmente, ainda presente no cenário mundial: a violência contra a mulher.

O homem primitivo se fazia valer de sua força física na caçada, na proteção do lar, da companheira e das crias. E hoje, será que o “ser masculino” precisa se fazer valer desta força física frente ao “ser feminino”?

Segundo dados estatísticos do ano de 2009, do IBGE, 48% das mulheres declararam que sofreram violência dentro de sua própria residência. Já o balanço do Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher, órgão filiado à Presidência da República, relatou, em 2014, que 77% disseram sofrer abusos diários ou semanais de seus cônjuges. Acredite se quiser...

Já que o ser dito humano só funciona – e olhe lá – através de leis e punições para tentar minimizar estas atitudes selvagens contra as mulheres, foi finalmente criada, em 7 de agosto de 2006, a Lei Maria da Penha.

O nome é uma homenagem à biofarmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes, duas vezes vítima de tentativa de assassinato pelo marido. O caso teve repercussão mundial ao ser apresentado no ano em questão à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos). Em função dos tristes relatos de nossa querida Maria, esta lei foi sancionada e aprovada em prol de todas as mulheres do mundo – um direito que nunca devia ter deixado de existir!

A Lei Maria da Penha garante, também, a medida preventiva. Sendo assim, a agredida pode delatar o abuso e ficar sob o resguardo da Justiça. Porém o sentimento de vergonha que atinge a maioria das mulheres agredidas também tem que ser encarado e amparado pelos órgãos da Saúde e Assistência Social, paralelamente aos Judiciais propriamente ditos, para que, só assim, a mulher agredida se dê conta da seriedade do delito e da importância de viver sua vida sem medos e com dignidade!

PS: O número 180 funciona 24 horas. O anonimato da vítima, ou de quem faz a denúncia de agressão, é garantido.

Publicado em 06/08/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Não fecha porque não abre...

Estes dias me lembrei de uma situação muito engraçada e verídica que aconteceu com uma amiga. Ela estava me contado que tinha feito uma viagem a Portugal. Achou tudo muito lindo, um povo muito amistoso e gentil para com seus “irmãos brasucas”!

Passeando por todos os pontos turísticos, de repente, ela quebrou o salto de seu sapato... Até aí, nada demais. Foi em busca de um sapateiro e pediu para consertar o salto quebrado. Como já era uma sexta-feira, ela lhe perguntou: “O senhor fecha no sábado?”. Ele, muito tranquilamente, respondeu: “Não!”.

Ela sai contente, pois queria usar o tão querido sapato no final de semana. Pois bem, logo cedo, no dia seguinte, sábado, ela foi buscar seu sapato. Eis que, para seu espanto, a sapataria estava fechada! Ela logo pensou: “Puxa, aqui em Portugal todos são tão corretos. Não esperava uma atitude destas...”.

Minha querida amiga passou o final de semana indignada! Na segunda-feira, foi correndo à sapataria. Já meio chateada, perguntou ao sapateiro: “Porque o senhor disse que não fechava aos sábados? Eu estive aqui logo cedo e encontrei seu estabelecimento fechado!”. E, com a maior naturalidade, ele lhe respondeu: “Minha senhora, nós não fechamos aos sábados porque não abrimos!”.

Parece história de pescador... O que me levou a lembrar deste fato engraçado – e até surrealista – foi ter visto uma manchete no jornal com a seguinte chamada: “'Lula não vai voltar porque ele não saiu', afirma Dilma”.

Não sabia se ria ou chorava... Li várias vezes para confirmar se não era uma piada! Só para vocês terem o gostinho de ver um pouco mais desta notícia, vou citar um dos parágrafos da nossa Presidenta: “Eu acho que o Lula não vai voltar porque ele não foi. Ele não saiu (…) Eu tô misturada com o governo dele total”.

PS 1: Será que tá tudo misturado mesmo?

PS 2: Será que algum dia vamos entender quem é o criador e que é a criatura?

PS 3: Estamos vivendo um momento de crise econômica e política! E alguma vez saímos dela?

Publicado em 30/07/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Todos querem a bolsa...

Maria de Jesus do Nascimento Lima, 39, esteve cadastrada no Bolsa Família entre 2008 e 2013. Pescadora, moradora de Monção (MA), recebeu R$ 5.448 no período, segundo o governo federal.

Mas Maria também é Deusa da Rita, eleita vereadora pelo PSL em 2012, com um salário, à época, de R$ 3.450. À Justiça Eleitoral, disse ter patrimônio de R$ 136 mil, que inclui dois carros, uma casa e um ponto comercial.

O benefício foi cortado e, agora, Deusa da Rita é ré em uma ação por suposto crime de estelionato que tramita na Justiça Federal.

Como ela, outros 1.700 políticos que ganharam as últimas eleições municipais receberam Bolsa Família após terem sido empossados.Mesmo com levantamento do ministério, alguns casos suspeitos passaram até o início desse ano. Em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, o vereador Rodrigo Maia, o Rodrigo Cadeirante (PTN), ganha pouco mais de R$ 14 mil, valor bem acima do atual limite de R$ 616 para uma pessoa casada e com dois filhos receber a Bolsa Família.

Mas o que é que é isso? Até o Bolsa Família virou ‘Bolsa Político’? Mas que pobreza! Desviar R$ 616 reais de uma população carente para adicionar no bolso de quem já ganha muito – sem fazer nada – é loucura e muita falta de vergonha na cara! Será que vamos ter que abrir a investigação “Bolsa Lava Jato”?

Enquanto isso, esses mesmos seres, pobres de caráter e espírito, compram, para suas esposas e amantes, bolsas Prada, Gucci, Louis Vuitton, pelo valor irrisório de 3 a 5 mil reais, fora os sapatos lingeries, carros, aviões, relógios Rolex, talvez um gastozinho de 500 mil ou um milhão mês...

De que jeito podemos sequer imaginar ou sonhar com a possibilidade de viver em um Brasil decente e justo? Se você leitor tiver alguma sugestão ou fórmula mágica, por favor, me envie um e-mail!!

PS 1: Esta falcatrua inclui prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e seus cônjuges, entre outros...

PS 2 : Enquanto isso, eu vou dar um andadinha pela cidade pra ver se eu encontro uma bolsa BB (boa e barata)!...

Publicado em 23/07/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Eu proíbo, tu proíbes, eles proíbem...

Nunca fui uma fã ardente do querido “Rei” Roberto Carlos, mas não tenho como negar sua influência em nossa música, a época da Jovem Guarda e a beleza de suas canções em várias épocas de sua carreira.

Uma das músicas, que inclusive foi capa de seu disco em 1964 e foi um estouro naquele ano, tem o título “É Proibido Fumar”. Claro que, na época, era uma música de protesto e certa rebeldia! Hoje, seria considerada “politicamente incorreta”...

Quero deixar claro que não sou a favor do cigarro, mas o que mais tem me preocupado mesmo é como os órgãos públicos têm dado tanta atenção aos males do cigarro – que, além de tudo, é uma “droga” legalizada – e não têm dado praticamente a mínima para a questão do crack, da cocaína, do consumo de bebidas alcoólicas em excesso, etc., etc...

Hoje, a maior incidência de roubos, mortes e todo tipo de violência vem ocorrendo devido ao crack – esta droga mortal, extremamente viciante, alucinógena e barata!

E, o pior, como uma droga ilegal consegue chegar tão facilmente às escolas, bares, clubes, além de estar praticamente em todas as ruas das cidades? O pouco que se fala sobre o crack é sempre sobre o “pós”, e nunca sobre o “pré”, ou seja, sobre como tratar os jovens que já estão viciados, ou adultos que se tornarão usuários, e praticamente perderam sua vida, literalmente – sem contabilizar o número de mortes que a droga já causou!

Continuar dando ênfase à proibição do cigarro, neste momento em que o crack invadiu nosso país, a pobreza e a prostituição infantil rolam soltas, não seria apenas querer “tampar o sol com a peneira”?

Por que no século 21 ainda nos permitimos deixar um semelhante passar fome, frio e morrer em um corredor de hospital sem ser atendido e até somos capazes de matar outro ser humano por causa de sua cor ou opção sexual?

PS 1: Proibir é fácil. Conscientizar, esclarecer, permitir e cortar o mal pela raiz é outra estória!

PS 2: Você já proibiu hoje? Bom feriado.

Publicado em 09/07/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 2 de julho de 2015

A Presidenta Dilma e seu grande dilema...

Empenhada em manter a boa forma, a presidenta Dilma Rousseff não quis abandonar a rotina de exercícios durante sua viagem aos Estados Unidos, que começou no sábado (27). Dilma queria aproveitar a manhã de domingo livre em Nova York para passear de bicicleta, o que se tornou sua atividade física rotineira.

Seus assessores e seguranças, no entanto, tentaram dissuadi-la da ideia. A avaliação do Planalto era que a exposição da presidenta na cidade poderia não ser positiva. Assessores temiam que Dilma fosse vaiada ou que houvesse manifestações negativas caso encontrasse com turistas brasileiros pelo caminho.

Há dois locais na cidade considerados como boas opções para pedalar: o Central Park, bem próximo do hotel em que ela se hospedou na ilha de Manhattan, ou a ciclovia que fica às margens do rio Hudson, onde a presença de turistas é menor. Para a equipe de segurança, o desafio foi fazer a avaliação do trajeto com antecedência, uma espécie de checagem para evitar quedas e situações embaraçosas para a presidenta.

Uau!! Esse é o grande dilema de Dilma: “Chupo cana, assobio, toco bumbo... ou ando de bicicleta?...” Parece piada, mas é tudo verdade! Em tempos de crise, falta de emprego, inflação, juros altíssimos, pessoas sem atendimento hospitalar, falta de remédios, moradia, etc., etc., etc., ainda temos que ler notícias surrealistas sobre a nossa querida Dilma...

Sinceramente, não sei o que vai ser do nosso Brasil – tão amado e, ao mesmo tempo, tão abandonado e maltratado! Será que um dia isso vai mudar? Será que nós, brasileiros, vamos tomar uma atitude para que isso possa acontecer?

Esse, com certeza, é o nosso grande dilema. Cabe somente a cada um de nós decidirmos se vamos “chupar cana, assobiar, tocar bumbo” ou pedalarmos juntos em direção à nossa liberdade e dignidade!

PS 1: A liberdade não se ganha, se conquista!
PS 2: Será que o Lula também está de bike?

Publicado em 02/07/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 25 de junho de 2015

O dia mais longo do ano...

O último minuto do mês de junho de 2015 durará 61 segundos. Um fenômeno que se explica especialmente pelo fato de a rotação irregular da Terra ser muito mais indisciplinada do que os relógios atômicos.

Em todos os países do mundo, na madrugada de 30 de junho para 1 de julho, de acordo com o Tempo Universal Coordenado (UTC), o minuto entre 23h59 e 00h00 durará um segundo a mais que o normal.

As pessoas não notarão a diferença, no entanto, “os grandes sistemas de navegação por satélite e os principais sistemas de sincronização de redes de computadores devem levar em conta esta alteração, correndo o risco de ‘erros’”, explicou Daniel Gambis, diretor do Serviço de Rotação da Terra, cujo serviço é baseado em um observatório de Paris. “A Terra gira de maneira lunática, enquanto os relógios atômicos são dramáticos”, afirmou o astrônomo.

Com certeza, no mundo científico e astronômico este segundo a mais vai dar uma diferença! A longo prazo, o nosso planeta tem uma tendência a se desacelerar pela atração gravitacional entre a Lua e o Sol, responsável pelas marés. Também depende de movimentos atmosféricos, variações dos gelos e forças como os terremotos.

 E no nosso mundo cotidiano, quantos segundos, minutos, horas, dia e anos fazem a diferença em nossas vidas? Quanto tempo realmente utilizamos para viver e conviver em paz e harmonia e quanto tempo gastamos fazendo guerras, intrigas, armando situações nas quais uns levam todas as vantagens e os outros ficam à míngua?

Realmente, um segundo pode fazer toda a diferença! Você, eu e todos nós podemos matar ou salvar milhões de semelhantes em apenas um segundo. Por que será que cientistas, astrônomos, físicos e outros doutores se preocupam tanto com este segundo a mais em nossos relógios e computadores e esquecem-se de lembrar como a vida é tênue e frágil?

PS 1: Vamos aproveitar bem o dia mais longo do ano!
PS 2: Tempo, tempo, tempo, tempo...

Publicado em 25/06/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Combata esta doença!

No próximo dia 15, mais uma vez vários países celebram o Dia Mundial de Combate à Violência Contra a Pessoa Idosa. A data foi criada em 2006 pela Organização Internacional para Prevenção de Abusos contra Idosos (INPEA, na sigla em inglês), em parceria com a ONU (Organização das Nações Unidas) e a OMS (Organização Mundial da Saúde), com o objetivo de despertar uma consciência mundial, social e política, da existência da violência contra a pessoa idosa.

A violência, não só física como também a psicológica, acomete idosos de todas as faixas econômicas. Na maioria das vezes, a agressão vem de pessoas da própria família ou próximas a eles. O abandono nos asilos, a falta de carinho, a pressão psicológica e o descaso são formas de agressão que muitas vezes passam despercebidas.

No Brasil, 65% dos idosos consideraram maus-tratos a forma preconceituosa como são tratados pela sociedade em geral: as baixas aposentadorias, os desrespeitos que sofrem no transporte público e a falta de leitos hospitalares para idosos. No nível doméstico, só é relatado como abandono por partes das famílias.

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República lançou, em 2005, o Plano Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Pessoa Idosa. No documento são expressas as competências e ações dos Ministérios e a responsabilidade dos estados e municípios no desenvolvimento de ações para o enfrentamento da violência a pessoa idosa no território nacional.

Ciente de que ainda existe um caminho muito longo para extirpar este mal de nossa sociedade, o Portal Terceira Idade, www.portalterceiraidade.org.br, criou, em 2011, a campanha “Diga não à violência contra a pessoa idosa!” – disponibilizando um canal direto com os advogados do site –, no qual você pode fazer uma denúncia e, se preferir, manter seu anonimato.

PS. Praticar violência é uma vergonha contra qualquer idade ou gênero! Se você conhece alguém que está passando por esse tipo de situação na família, ou entre seus amigos e vizinhos, denuncie!

Publicado em 11/06/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Eternamente corruptos...

A história que aprendemos na escola, desde crianças, é que no dia 7 de Setembro de 1822 D. Pedro levantou a espada e gritou: “Independência ou Morte!”.

Pouco se comenta que o povo, na época, nem sequer acompanhou ou entendeu o significado deste ato... A estrutura agrária continuou a mesma, a escravidão se manteve e a distribuição de renda continuou desigual. A elite agrária, que deu suporte a D. Pedro I, foi a camada que mais se beneficiou.

Estamos falando da história do Brasil, mas todos estes fatos me remetem aos dias de hoje. O nosso país continua sendo extremamente desigual, em todos os sentidos: econômico, social e político. Quem não quer ser independente, ter o direito ao seu sustento, morar, estudar, trabalhar, ter acesso a hospitais, luz e rede de esgoto? Mas, como diz um bom e velho ditado: “A liberdade não se ganha, se conquista!”.

Aparentemente, podemos ir e vir, afinal, acabou a escravidão... (!?) Mas qual é o significado da  nossa independência? É possível dizer que vivemos como cidadãos livres – seja na área urbana ou rural –, se ainda existem pessoas que chegam a ganhar 30 ou 50 reais por mês e usam seu dedo polegar como assinatura?

Ah, esqueci, temos o ‘Bolsa Família’, o ‘Bolsa Escola’... Estamos no ano de 2015 e, lá fora, o Brasil é visto com um país emergente – e corrupto! Talvez nosso maior trunfo seja sermos eternamente o “país do futuro”. Que futuro?

Hoje, os beneficiados – e, diga-se de passagem, muito bem beneficiados – continuam sendo os mesmos! Só mudaram de nome. Mas como isso é possível? Temos uma nova classe emergente, cheia de cartões de crédito – e agora cheia de dívidas, com juros praticamente impagáveis –, nossa população tem celulares, TVs de plasma, acesso ao Facebook, envia torpedos! É... Acho que estou exagerando... Olha só quantas coisas mudaram!

PS 1: Você sabia que D. Pedro pagou à Portugal 2 milhões de libras esterlinas pela nossa independência? E com dinheiro emprestado!

PS 2: Será que algum dia ele pagou o empréstimo?

PS 3: Bom feriado!

Publicado em 04/06/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Quando copiar vale a pena!

Li recentemente uma matéria sobre como a cidade de Curitiba está realmente incentivando a sustentabilidade e a conscientização sobre a importância da reciclagem e da coleta seletiva.

Dizem que é melhor criar do que copiar... Mas, neste caso, tenho certeza de que, se todas as cidades e estados do Brasil adotarem este projeto, a cópia vai ficar melhor que o original!

Um leitor de cartão-transporte permitirá identificar usuários e premiar os mais assíduos na entrega voluntária de lixo! Esta é a novidade da quarta Estação de Sustentabilidade de Curitiba, entregue na última segunda-feira (18). A nova unidade – resultado de uma parceria entre a Prefeitura e a Volvo do Brasil – está localizada no bairro Guabirotuba, em frente ao Horto Municipal. As três outras Estações de Sustentabilidade da cidade já coletaram juntas mais de 20 toneladas de recicláveis.

O leitor de cartão-transporte instalado na Estação do Guabirotuba é uma forma de estimular ainda mais a adesão da população ao projeto. O secretário municipal do Meio Ambiente, Renato Lima, conta que a intenção é dar prêmios simbólicos aos moradores que mais colaborarem com a coleta seletiva. “É uma maneira de estimular e valorizar o cidadão que tiver assiduidade na separação do lixo. Juntamente com a Fundação Cultural, iremos presenteá-los com ingressos para atividades artísticas do município”, enfatiza.

As Estações de Sustentabilidade foram concebidas para envolver os cidadãos na gestão dos resíduos sólidos e aperfeiçoar a coleta seletiva, já que possuem divisórias para receber diferentes tipos de materiais. Isso garante um aproveitamento muito maior dos resíduos. O aproveitamento do material coletado nesses equipamentos é de 98%, enquanto que nos caminhões do ‘Lixo que não é Lixo’ o percentual chega a 60% – ou seja, 40% do material coletado não pode ser aproveitado e acaba indo para o aterro sanitário.

PS 1: Lixo também é cultura!
PS 2: Sustentabilidade... Uma palavra que, sem a prática, não faz sentido algum!!!

Publicado em 21/05/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Alô, alô, só um minutinho...

“Alô! Sim? Quem fala? Só um minuto, estou no WhatsApp.. Alô, alô! Só um segundo, me enviaram uma foto pelo Instagram... Alô! É você meu amor, tudo bem? Ôps, só mais um segundo, o celular está tocando... Então, querida, vamos sair? Um minutinho... Recebi um torpedo, vou dar uma olhadinha no meu Twitter... Então, vamos sair no domingo? Sei, você tá na dúvida... Só um segundinho, acabo de receber uma mensagem no meu Blog, mas tá tudo bem com você? Sei... Puxa acabei de receber um convite no Facebook, mas, então, tudo bem no domingo? Puxa vida, agora que eu ia conversar com calma, caiu a linha! Acho que vou mandar um e-mail, pra confirmar se a gente vai se encontrar mesmo...”

Uau! Que confusão... Este é só um pequeno retrato de como têm sido a nossa vida e relacionamentos nestes tempos modernos. Com a tecnologia a todo vapor, temos vários meios e aparelhos para nos comunicar e interagir, minuto a minuto, vinte e quatro horas por dia. Pode ser através de um iPad, iPhone, smartphone, um laptop, palmtop, um tablet, ou até mesmo um simples celular. E será que conseguimos falar, pesquisar ou mesmo postar algo que realmente vai fazer alguma diferença?

Adoro a tecnologia e acredito que hoje, mais do que nunca, todas estas possibilidades de comunicação e informação tendem a criar uma sociedade mais democrática e nos aproximar cada vez mais uns dos outros. Posso falar com alguém que está na China sem pagar nada e, ao mesmo tempo, mandar um e-mail pra Amazônia e receber um WhatsApp em alguns minutos. Mas, se não pararmos pra pensar um pouquinho para que e porque estamos fazendo tudo isso, caímos no risco de banalizarmos completamente nossas relações e nosso conhecimento...

Bem, como acabou a bateria do meu celular, acho que vou procurar o “orelhão” mais próximo e ver se acho algum amigo em casa, pra convidá-lo para tomar um cafezinho e trocarmos algumas ideias sobre a vida e o mundo!

PS 1: Brasil: pátria educadora????

PS 2: Você já leu o livro ‘Admirável Mundo Novo’?

Publicado em 14/05/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Brasil, confia em mim!!

Estamos vivendo, mais uma vez, esta história sem fim: “Lava Jatos”, “Mensalões”, “Caixa 2, 3, 4...”, partidos e grupos políticos e privados sem ética alguma, visando apenas o dinheiro – que nem lhes pertence – e a corrupção rolando solta sem limites!

Surgem, mais uma vez, tantas dúvidas, incertezas e a falta de um rumo para o Brasil e os brasileiros. Então, fiz uma pausa e pensei: “Hoje, quem melhor pode escrever esta coluna é Cazuza! Sua música vai falar mais que um milhão de palavras escritas por mim...”.

Brasil

Não me convidaram
Pra esta festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer...

Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta
Estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito
É uma navalha...

Brasil!
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer...

Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada
Prá só dizer "sim, sim"

Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...

Grande pátria
Desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
Não, não vou te trair...

Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...

Confia em mim
Brasil!!

PS 1: Viva Cazuza! Viva sua sabedoria e sua insensatez tão sensata e verdadeira!

PS 2: Eu não tenho a solução... Mas sei que “um pássaro, sozinho, não faz verão”!

PS 3: Parabéns a todas as mamães! Inclusive a do querido Cazuza.

Publicado em 07/05/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 30 de abril de 2015

O “Trem das Onze” realmente existiu

“Não posso ficar nem mais um minuto com você. Sinto muito amor, mas não pode ser...” O trecho é da música “Trem das Onze”, de Adoniran Barbosa, de 1964, Naquele ano, o sambista disse à sua amada, na época, que não podia ficar nem mais um minuto com ela. Tudo porque morava em Jaçanã e, se perdesse o trem das 11, só voltaria para casa na outra manhã – além de provocar uma noite de insônia em sua pobre mãe. Assim, sem querer, imortalizou a linha da Tramway, condutora do tal trem, que realmente existia. Criada em 1894, foi extinta no ano seguinte ao do sucesso musical, em 1965.

Este ano, comemora-se o cinquentenário da música – criada em 1964, a canção foi premiada no Carnaval do Rio de Janeiro somente no ano seguinte. Além dos Demônios da Garoa, o samba recebeu uma versão da cantora baiana Gal Costa.

“João Rubinato não é nome de cantor de samba...”

Adoniran achava que João Rubinato, seu nome verdadeiro, não era nome de cantor de samba. Resolveu mudar. De um amigo, pegou emprestado Adoniran e, em homenagem ao sambista Luiz Barbosa, adotou seu sobrenome.

Adoniran, que faria 105 anos em agosto deste ano, nasceu em Valinhos, no interior de São Paulo, em 1910. Filho de imigrantes italianos, abandonou os estudos ainda no primário para trabalhar. Foi tecelão, balconista, pintor de paredes e até garçom. No começo da década de 30, passou a frequentar os programas de calouros da rádio Cruzeiro do Sul de São Paulo. Ganhou seu primeiro prêmio com a marcha ´Dona Boa´, em 1934, conquistando o 1º lugar.

Suas músicas, entre elas, ‘Malvina’, ‘Samba do Arnesto’ e ‘Saudosa Maloca’, representam um dos painéis mais importantes da cidadania brasileira. Os despejados das favelas, os engraxates, a mulher submissa que se revolta e abandona a casa, o homem solitário, estão intactos nas criações de Adoniran que, com humor, descrevia as cenas do cotidiano. O compositor morreu em 1982, aos 72 anos de idade.

PS 1: 1º de maio é Dia do Trabalho.
PS 2: Salve os trabalhadores do “trem das 11”!

Publicado em 30/04/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Lingerie: uma questão política?

Quem não gosta de lingeries? Comprar um sutiã novo com alça, sem alça, de bojo, mais confortável, uma calcinha cheia de rendinhas, escolher cores diferentes, enfim, estas peças íntimas fazem parte da vida das mulheres. E dos homens também!

O que me levou a lembrar destes, literalmente, pequenos acessórios do guarda-roupa feminino foi um documentário que vi há poucos dias na TV. Logo de cara, gostei do enfoque “A história da Lingerie”.
No início, tudo estava muito bem, mulheres francesas gostam de usar peças mais sofisticadas, as japonesas gostam mais de sutiãs com desenhos de bichinhos, as russas, peças mais sexy e extravagantes. De repente, começaram as perguntas sobre o porquê do gosto de cada uma delas. Aí, ouvi respostas politicamente incorretas, porém, infelizmente, verdadeiras... As russas diziam que os homens de seu país são muito grossos, bebem e batem nas mulheres e, por isso, elas usavam a lingerie como um dos mais importantes artifícios para seduzir homens que fossem bons para casar.

Já as japonesas relataram que, lá, os homens gostam de mulheres infantilizadas e que possam ser dominadas, daí a busca por peças bem “baby”. Ufa, de repente me vi triste e irritada com o que eu estava ouvindo. Será que voltamos no tempo? Cadê a independência feminina, a busca pelos direitos da mulher, a denúncia de abusos e maus-tratos por parte dos maridos e companheiros?

Nas décadas de 1960 e 1970, surgiram os movimentos feministas, foi criada a pílula e mulheres começaram a ocupar cargos importantes em nossa sociedade. E, agora, como fica tudo isso? Cabe a nós mesmas impor limites e respeito. Do jeito que as próprias mulheres estão se mostrando, com e sem roupa, não há santo que as respeite!

Ah, nas Arábias, as mulheres dos xeiques vão comprar lingeries tipo “mulher objeto”, mas sem tirar a burca! Quanta hipocrisia e machismo às avessas...

PS.  Por onde anda a Mulher Pera?

Publicado em 23/04/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Quem é Vanuíre?

O Brasil, terra de índios colonizada pelos portugueses e tantos outros povos, possui centenas de histórias de conflitos e guerras pela posse das terras nas quais os índios aqui já habitavam.

Uma destas histórias está no interior de São Paulo, no município de Tupã, onde fica o Museu Histórico e Pedagógico Índia Vanuíre, nome dado em homenagem à índia que foi a figura pacificadora entre índios e brancos na época da colonização local.

Com a construção da estrada de ferro Bauru - Mato Grosso, em 1912, os brancos avançaram nas terras que os índios já habitavam. Assim começou mais uma história de guerra e mortes. “Vanuíre pertencia à tribo Kaingang. Ela teve que tentar a pacificação, pois estavam exterminando uma nação guerreira”, afirma Tamimi David Rayes Borsatto, 71, gerente geral do museu.

De tanto entoar canções de paz – ela costumava subir em um tronco de jequitibá, onde permanecia o dia todo cantando – a índia pacificadora conseguiu salvar parte de sua tribo. Vanuíre faleceu logo depois, em 1918. Após o fato consumado, em 1929, é fundado o município de Tupã, nome de origem Tupi-Guarani, cujo significado é Deus.

O museu, fundado em 1966, reúne uma das mais importantes coleções etnográficas do país, com cerca de 38 mil peças que representam diferentes comunidades indígenas brasileiras, dos caiapós aos ianomâmis – incluindo os kaingangs e krenacs, povo que ainda hoje habita a região de Tupã –, com exposições que incluem textos explicativos e recursos multimídia.

PS 1: O Dia do Índio é celebrado em 19 de abril, para ficar na história a primeira participação de líderes indígenas em um congresso, em 1940. Nesse mesmo evento, foi criado o Instituto Indigenista Interamericano, para zelar pelos direitos dos índios nas Américas.

PS 2: Será que os índios e mais alguém sabe desta data? E quem está zelando por eles?

PS 3: Parabéns pelo trabalho de Tamimi Borsatto e a equipe do museu em homenagem à Índia Vanuíre.

Publicado em 16/04/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quarta-feira, 8 de abril de 2015

“Meninos de rua”

O título acima parece até nome de uma nova banda ou grupo de pagode... Infelizmente, não é. Quando andamos pelas ruas ou saímos nos fins de semana para as baladas, já nos acostumamos a ver e conviver com uma legião de meninos e meninas de rua pedindo esmolas ou querendo lavar a janela do nosso carro e, imediatamente, nos vêm aqueles sentimentos de raiva, medo e aquela sensação de um grande incômodo.

Mas, logo que o farol abre, você atravessa a rua ou dá a partida no carro e pensa: “Ufa, que alívio”. Essas imagens acabam ficando apenas na nossa memória, sumindo ao menor sopro, assim como bolhas de sabão.

Puxa vida, esses seres humanos, adultos, jovens ou crianças, são tão humanos quanto nós. E por que será que eles estão nas ruas e nós não? Acho que só o fato de pensarmos nisso já é um começo para tentar entender e buscar os milhares de motivos que os levaram a chegar a esse ponto.

Vivemos num mundo cheio de beleza e desigualdade. Qual será a história desses jovens que praticamente viraram bichos? Com certeza, eles não pediram para estar nesta situação! E nem estariam lá se eles, ou seus pais, tivessem tido acesso à educação, saúde, casa, trabalho, amor, dignidade e direitos humanos!

É muito fácil chamá-los de vagabundos, incompetentes, drogados, etc., etc... Mas é muito mais difícil nos colocarmos em seu lugar, ou então buscarmos a raiz da questão!

Nada acontece do dia para a noite... Ficar esperando que sobreviva o mais forte ou que cada um se vire como puder e, ainda por cima, colocar a culpa no mais fraco, não vai resolver absolutamente nada!

Uma sociedade só muda quando seus cidadãos lutam por isso. Acredito que cada geração deve ajudar a sua e a seguinte a irem mais longe.

PS 1: Daqui a pouco vão querer diminuir a maioridade penal para 15, 14, 12, 10 anos...

PS 2: Será que os governantes vão querer construir “creches penais”?

PS3: “Brasil – Pátria Educadora”... Desde quando?

Publicado em 09/04/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Muitos ovos! Com ou sem reflexão?

A Páscoa é um momento de reflexão que nos possibilita avaliar o que significou o sofrimento de Jesus Cristo. Para o comércio, é o momento de vender ovos, muitos ovos! E, diga-se de passagem, cada vez mais caros e praticamente obrigatórios para as crianças e adolescentes, que são invadidos e seduzidos pelos ovos ‘Barbie’, ‘Justin Bieber’...

 Bem, resolvi voltar um pouquinho no tempo – quando ainda não existiam as fábricas de chocolates e nem a televisão ou supermercados.

A história da Bíblia narra a entrada triunfante de Jesus em Jerusalém, que despertou nos sacerdotes e mestres da lei muita inveja, desconfiança e medo de perder o poder. Começava, aí, a trama para condenar Jesus à morte! Estimulada por esses sacerdotes, a mesma multidão que o aclamou passou a exigir de Pôncio Pilatos, governador romano da província, que condenasse Jesus à morte. Jesus, então, é crucificado. A festividade da Páscoa é a celebração da ressurreição de Jesus Cristo, que teria ocorrido três dias depois da sua crucificação.

É nesse contexto que entram os ovos. Segundo a tradição cristã, o ovo – no caso da galinha – era pintado e oferecido aos amigos e vizinhos para celebrar a vida. No século 19, dois séculos depois do chocolate ser levado para a Europa, trazido pelos conquistadores que “fizeram a América”, os ovos começaram a ser confeccionados com chocolate. Daí prá frente, não preciso contar muito... Claro que chocolate é uma delícia e os ovos de Páscoa dão água na boca!

O domingo de Páscoa, na religião católica, marca a passagem da morte para a vida, das trevas para a luz. Independentemente do conceito religioso, acho que é um bom momento para refletir, lembrar e tentar praticar o que Cristo já pregava há dois mil anos atrás: caridade, fraternidade e amor ao próximo. Feliz Páscoa!

PS 1: Dá pra tentar praticar isso comendo um ovinho de chocolate também!
PS 2: Dá pra praticar isso sem comer um ovinho de chocolate também!
PS 3: Dá pra praticar isso o ano inteiro!

Publicado em 02/04/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).