quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Independence Day...


Dia da Independência Tupiniquim! A história que aprendemos desde crianças na escola é que no dia 7 de Setembro de 1822, próximo ao riacho do Ipiranga, Dom Pedro levantou a espada e gritou: “Independência ou Morte!”.

Pouco se comenta que o povo, na época, nem sequer acompanhou ou entendeu o significado da independência. A estrutura agrária continuou a mesma, a escravidão se manteve e a distribuição de renda continuou desigual. A elite agrária, que deu suporte a D. Pedro I, foi a camada que mais se beneficiou.

Desde então, se passaram quase 200 anos, porém todos estes fatos me remetem, mais do que nunca, aos dias de hoje. O nosso país continua sendo extremamente desigual – em todos os sentidos: econômico, social e político. Quem não gostaria de ser independente, ter o direito ao seu sustento, moradia, estudar, trabalhar, ter acesso a hospitais, luz e rede de esgoto? Mas, já diz um bom e velho ditado: “A liberdade não se ganha, se conquista!”.

Aparentemente, podemos ir e vir, afinal, acabou a escravidão (!?)... Mas qual é o significado da nossa independência? É possível dizer que vivemos como cidadãos livres, seja na área urbana ou rural, se ainda existem pessoas que chegam a ganhar 30 ou 50 reais por mês e usam seu dedo polegar como assinatura?

Hoje, os beneficiados – e, diga-se de passagem, muito bem beneficiados – continuam sendo os mesmos! Só mudaram de nome. Mas como isso é possível? Temos uma nova classe emergente, cheia de cartões de crédito – e dívidas com juros praticamente impagáveis. Nossa população tem celulares, TVs de plasma, acesso ao Facebook, carros importados! É... acho que estou exagerando... Olha só quantas coisas que não mudam em nada a estrutura social de nosso país mudaram!

PS 1: Você sabia que Dom Pedro pagou à Portugal 2 milhões de libras esterlinas pela nossa independência? E ainda com dinheiro emprestado!

PS 2: Será que as malas cheias de dinheiro que foram encontradas ainda são do empréstimo que Dom Pedro fez?

PS 3: Bom feriado!

Publicado em 07/09/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

O Brasil precisa de muito AXÉ!


Quando os negros do continente africano foram trazidos para o Brasil como escravos, muitas de suas tradições e de sua cultura os acompanharam. Assim, o Candomblé, umas das várias religiões trazidas do continente africano, começou a se espalhar pelo país.

Mesmo muito discriminada pela sociedade da época, por ter negros como praticantes, a religião e toda cultura africana acabaram se transformando em parte da cultura brasileira. O ritmo dos tambores, nossa culinária, artefatos e até palavras do português brasileiro surgiram com a herança africana e os costumes praticados pelo Candomblé.

A professora titular aposentada do Departamento de Psicologia da PUC do Rio de Janeiro, Monique Augras, considera essa questão fundamental. “Não só o Candomblé enquanto religião, mas o modo de ser do mundo africano está enraizado em nossa cultura”, diz.

No período de escravidão, os negros foram proibidos de cultuar seus deuses e, por isso, criaram uma alternativa para manter a religião, associando cada orixá a um santo católico. Assim, Iemanjá é Nossa Senhora do Rosário, Exu é Santo Antônio, ou, por exemplo, a Festa de Oxalá coincide com a Festa do Senhor do Bonfim, em Salvador.

Nos cultos aos orixás, há danças e músicas, onde, segundo Monique, o tambor é considerado um ser vivo, por sua intensa vibração. Vem daí um dos instrumentos musicais, que hoje é considerado tipicamente brasileiro. O tambor e os demais instrumentos de percussão vêm diretamente da religião e da herança cultural de países africanos.

Outra influência da religião na cultura brasileira vem do nome usado para designar a energia do mundo, que, para os praticantes do candomblé, é conhecida como axé. A palavra se popularizou. Hoje, quando alguém deseja a outro energias positivas ou uma benção, diz axé.

PS 1: Com muito AXÉ, vamos acabar com o preconceito, o racismo e a intolerância religiosa.

PS 2: Todos nós precisamos de muito AXÉ!

Publicado em 31/08/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Anjos existem!

Alveiro Vargas tinha apenas 9 anos de idade quando resolveu mudar a vida dos mais velhos, em sua cidade natal, Bucamaranga, na Colômbia. Sem recursos e por conta própria, ele organizou seus amigos, também crianças, da favela onde morava e passou a levar cuidados, amor e carinho aos idosos.

Os velhinhos o chamavam de “angelito” (anjinho). Ele e mais 12 crianças visitavam idosos, de barraco em barraco, para levar comida e fazer a limpeza. Alveiro não teve tempo para brincar com as crianças de sua idade. Fazia suas visitas desde que saia da escola até às 11 da noite.

“O nosso bairro e as pessoas idosas estão muito abandonados pelas instituições, pelo governo, pela prefeitura. Aqui tem muita pobreza. Em época de eleição, os políticos vêm aqui dizendo que vão ajudar e, depois que passa a eleição, adeus promessas”, criticou Alveiro.

Um documentário de TV, na época, mostrando suas iniciativas, chegou até a França, onde despertou uma onda de doações. Bucamaranga recebeu 500 mil francos, mas o valor não era suficiente para construir o asilo e mantê-lo em funcionamento. Ele chegou a ter contato com a primeira-dama da Colômbia e com o Governador local, o que frustrou mais ainda suas expectativas, pois as promessas feitas não foram cumpridas.

Após uma doação de mais 300 mil francos da França para os “anjos”, Alveiro pôde, finalmente, construir o seu sonho. Hoje, aos pés da favela onde morava, o asilo “Cantinho da França” tem 140 leitos, 4.000 metros quadrados e um grande jardim.

Parte do sonho do pequeno “angelito”, agora com mais de 20 anos, se realizou. Mas ele sabe que ainda há muito a fazer. “Gostaria de estudar medicina, mas acho que, como advogado, poderei defender e tentar garantir cada vez mais os direitos dos idosos e de todas as pessoas carentes”, afirma.

PS 1: Todos nós podemos ser um “angelito”!

PS 2: “Ser ou não ser? Eis a questão...”

PS 3: As asas você pode comprar em qualquer loja...

Publicado em 24/08/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Ser ou não ser?...


Preconceito: “Opinião adotada sem exame, imposta pelo meio social ou pela moral imposta” (Enciclopédia Larousse Cultural).

Bem, acho que a definição da palavra preconceito já é um bom começo para questionarmos qualquer atitude que se baseie neste conceito.

Você já pensou que, em várias situações polêmicas de sua vida, o preconceito ou a moral imposta o levaram a tomar atitudes sem nem ao menos questioná-las? Venhamos e convenhamos, uma sociedade é composta de regras, porém muitas delas acabam se tornando dogmas, principalmente quando elas se justificam no medo de aceitar novas maneiras de agir e pensar.

A opção sexual, a religião, a cor, até o time de futebol pelo qual torcemos se tornam alvo de discriminação quando não estão de acordo com a opinião vigente!

Mas será que esse é o maior problema? Ou a grande questão é: “posso ser ou não ser”?

Gostar de verde, quando a maioria gosta de vermelho, assistir ou não às novelas, alisar ou não os cabelos... Enfim, ter a liberdade de expressão e escolha, independentemente do que a maioria das pessoa, governos ou religiões impõe como certo ou errado.

Se não lutarmos pelo nosso direito de ser o que somos e aprendermos a respeitar as diferenças, as guerras e a ignorância nunca vão acabar!

Hoje você pode ser o agressor, mas, dentro de um sistema cheio de preconceitos e intolerância, é muito fácil, amanhã, você se tornar a próxima vítima...

Nos últimos dias, a mídia tem falado muito do absurdo e degradante fato que ocorreu na cidade de Charlottesville, nos EUA, onde um grupo de brancos racistas, antissemitas e homofóbicos atacaram centenas de negros e pacifistas, além de atropelarem uma multidão de pessoas que estavam realizando uma passeata contra esses seres primitivos!

PS: Estamos no ano de 2017. Que pena que nada mudou mos últimos 8 mil anos de nossa civilização a qual chamamos de “inteligente”.

PS2: Qual é nosso problema?

Publicado em 17/08/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Homens e mulheres: uni-vos!

Há onze anos, foi criada uma lei no Brasil que possibilitou mecanismos para coibir qualquer tipo de agressão contra as mulheres: a Lei Maria da Penha. Com o objetivo de ampliar a aplicação da lei, criada em 7 de agosto de 2006, o STF (Supremo Tribunal Federal) tomou uma decisão, em 2012, que permite enquadrar judicialmente autores de agressões domésticas independentemente de queixa da vítima. Com a mudança, qualquer pessoa poderá denunciar agressão contra mulheres.

Mas um fato inédito mostrou que a lei pode ser usada, também, para proteger homens – no caso um idoso, morador de Planaltina, no interior de Goiás.

O caso ocorreu após o idoso (nome não divulgado) registrar ocorrência na 31ª Delegacia de Polícia contra um jovem de 21 anos de idade, acusado de demonstrar agressividade, desrespeito, injúria e fazer ameaças de morte contra a vítima. O agressor, que não tem nenhum grau de parentesco com a vítima, reside há mais de três anos, de favor, na casa do mesmo.

Com base no Estatuto do Idoso, a promotora de Justiça Raquel Tiveron requereu medidas protetivas de urgência, normalmente utilizadas em casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, para um homem de 69 anos de idade.

O pedido foi atendido integralmente e o juiz determinou a prisão preventiva do agressor, por ficar comprovado que o idoso estava machucado. A vítima, inclusive, apresentou uma maçaneta usada para ameaçá-lo de morte. Esta decisão, com certeza, vai abrir precedentes para outros casos.

Bem, concluo que, na verdade, o grande problema do ser humano é a falta de respeito para com o seu semelhante – ou mesmo para com outras espécies vivas! Não consigo entender de onde vem este “gene maligno”, que está impregnado em nosso DNA e nos leva a dominar, matar, torturar e maltratar física e emocionalmente outros seres definitivamente mais frágeis.

PS 1: Homens e mulheres: uni-vos na busca de um mundo que se torne, de fato, civilizado!

PS 2: Todo homem que agride uma mulher tem uma mãe. Será que ele nunca pensou que sua mãe é uma mulher também?

Publicado em 10/08/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Éramos todos humanos até que...

“Éramos todos humanos até que... a diferença de etnias criou o preconceito, a religião nos separou, a política nos dividiu e o dinheiro nos classificou” (autor desconhecido).

Recebi esta frase no meu Face e não tive dúvidas em usá-la como inspiração e conscientização de que somos todos iguais! Independentemente da nossa cor, credo ou conta bancária, todos nós chegamos neste planeta – e sairemos dele – da mesma maneira...

Lembrei-me, então, de um filme que eu assisti já faz um bom tempo, “A Corrente do Bem”, no qual um menino de 12 anos cria o seguinte desafio para si e para todos ao seu redor: conseguir fazer para três pessoas, sejam elas quais forem, algo muito especial, algo que elas não conseguiriam fazer por si só e, daí pra frente, essas pessoas fariam por mais três pessoas o mesmo, e assim por diante. Não vou contar o resto do filme, senão perde a graça...

Bem, depois que o filme terminou, tive, mais uma vez, a certeza de que o mais importante não é ganhar ou perder, mas, sim, viver e ajudar àqueles que estão sem rumo a tentarem novamente. Porém, não adianta dar o “peixe” e, sim, a “vara de pescar” e, mais importante, com muito amor e carinho, sem preconceitos, sem julgamentos, sem arrogância!

Sempre temos uma desculpa para viver no nosso “quadrado”, olhando apenas para nosso umbigo, classificando as pessoas, criando fronteiras, divergências políticas e religiosas, para, assim, seguirmos adiante destruindo tudo e todos – inclusive a nós mesmos. Denominamos-nos humanos. Muito estranho... Todos os animais matam apenas quando precisam comer...

PS 1: Passe a “Bola do Bem”. Observe uma, duas, três ou mais pessoas as quais você acha que poderia realmente ajudar de alguma maneira...

PS 2: “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim” (Chico Xavier).

PS 3: Nosso querido John Lennon escreveu muito melhor do que eu tudo isso e muito mais em sua música “Imagine”! Vale a pena ver a letra traduzida no Google...

Publicado em 03/08/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Parabéns a todos os vovôs e vovós do Brasil!

Quem não ama de paixão seu avô e sua avó? E, assim como temos o Dia dos Namorados, o Dia das Mães, o Dia dos Pais, entre muitas outras datas, não poderíamos deixar de homenagear, também, o Dia dos Avós, comemorado ontem, dia 26 de julho.

A data foi escolhida para a celebração do Dia dos Avós por ser o dia de Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria e avós de Jesus Cristo.

Conta a história que Ana e seu marido Joaquim viviam em Nazaré e não tinham filhos, mas sempre rezavam pedindo que Deus lhes enviasse uma criança. Apesar da idade avançada do casal, um anjo apareceu e comunicou que Ana estava grávida, e eles tiveram a graça de ter uma menina, a quem batizaram de Maria.

Ana morreu quando a menina tinha apenas 3 anos. Devido a sua história, Santa Ana é considerada a padroeira das mulheres grávidas e dos que desejam ter filhos. São Joaquim e Santa Ana são considerados os padroeiros dos avós.

Ser vovó... Essa é, provavelmente, uma das fases mais doces da vida, na qual a vovó – e o vovô, também –, estão curtindo com muito amor e carinho seus filhos e os filhos dos seus filhos. A passagem do tempo lhes dá a oportunidade de poder passar a eles a experiência que eles tiveram ao longo de suas vidas: histórias, lembranças e conselhos que possam orientá-los a fazer o que eles mais gostaram na vida – e, talvez, evitar os erros que não querem que eles repitam.

Aproveito esta data para homenagear todos os vovôs e vovós e, também, você, leitor(a) desta coluna, que, mesmo não sendo avô ou avó, com certeza tem muito amor pelos filhos e netos de seus parentes e amigos.

PS 1: Como recomendação de leitura, o livro “Avós” (escrito por Heras; Editora Callis, 2003), nos mostra que gostar de nós mesmos, em qualquer etapa do ciclo da vida, é o primeiro passo para um envelhecimento bem sucedido.

PS 2: Tomara que nós, quando nos tornarmos avós, não tenhamos que passar por essa situação tão angustiante – e vergonhosa – de reforma da Previdência. Não há avô ou avó que aguente...

Publicado em 27/07/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 20 de julho de 2017

TVs, celulares... E cadê o banheiro?


Dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE, mostram que, enquanto no país avança a presença nas residências de bens duráveis como TVs, aparelhos de DVD, computador, celular, carros, etc., boa parte dos Estados fica paralisada – ou até regride – em serviços como água, esgoto e coleta de lixo.

Segundo o IBGE, no Brasil, 4 milhões de pessoas não têm banheiro em casa. Na cidade de Milagres, no Maranhão, cerca de 67% dos domicílios não têm banheiro.

Um dos maiores entraves, ainda, é a rede de esgoto. Ao todo, 11 Estados recuaram no acesso a este serviço. No Piauí, o percentual de casas com acesso à rede foi de 4% para 2,8% – queda de 29%. “Há um avanço, mas muito aquém do que o país precisa. O governo tem meta de universalizar o serviço em até 20 anos. Se continuar assim, é impossível”, diz Édison Carlos, presidente do instituto.

O problema se repete na coleta de lixo. “Os municípios não têm mostrado capacidade de recolher e destinar adequadamente tudo. E os problemas estão se agravando”, diz Maria Vitória Ferreira, coordenadora da agenda ambiental da Universidade de Brasília.

Neste cenário desastroso devido a inconsequente administração de nossos governantes, que já vem de longa data, surge um outro cenário surrealista... Jorge Alessandro de Souza vive em frente a um igarapé no bairro São Jorge, na zona oeste da capital do Amazonas. O lixo se acumula nas margens do canal, não há coleta de esgoto e a iluminação é precária.

Porém, na sua garagem, uma lona escura esconde um sonho antigo: o carro que ele comprou em fevereiro passado. Dentro de sua casa, há geladeira, televisão e outros eletrodomésticos, todos novos... Será que esta situação pode levar alguém em sã consciência a dizer que vivemos em um país emergente?

Bem, deixando de lado estes pequenos detalhes do dia a dia e dando para ver o joguinho de futebol e a novela das oito, parece que está tudo bem por aqui...

PS 1: “Um país sem banheiros não é um país sem miséria!”

PS 2: Iniciativa privada lançou a campanha “Banheiro Seco”. Saiba mais em: www.banheirosmudamvidas.com.br

Publicado em 20/07/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).