segunda-feira, 9 de março de 2020

Heranças indígenas com pudor português...


Do primeiro teste da bomba atômica no Atol de Bikini, em 1946, no Oceano Pacífico, até a confecção da “peça mais desejada da moda brasileira”, o biquíni guarda uma história de vanguardismo, sexo e moralismo ligada à relação da mulher com o próprio corpo.

“A relação dos índios com o corpo revela nossa forma de usar o biquíni. Mulheres de uma tribo no Xingu, por exemplo, cobrem a intimidade com o uluri (cinto que só envolve uma pedaço da cintura). As brasileiras, por menor que seja o biquíni usado, também se consideram vestidas. Carregamos heranças indígenas com o pudor português”, explica o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro.

São tantas estórias e mitos sobre estas duas peças que cobrem o corpo da mulher ocidental, e que no Brasil, mais do que em qualquer outro país do mundo, fazem parte do imaginário masculino, além de tornarem a mulher brasileira em um constante, “objeto do desejo”, que a jornalista Lilian Pacce passou 13 anos debruçada em entrevistas, fotos e uma vasta checagem cronológica dos fatos que envolvem este traje de banho, curiosamente criado por um francês, Louis Réard.

Em suas pesquisas com personagens-chave para a disseminação do traje, descobriu que a ex-modelo alemã Miriam Etz (1914-2010) foi a primeira mulher a aparecer no Rio, em 1946, com um biquíni “duas peças” – versão que ainda encobria o umbigo.

Bem, de certa maneira, parece fútil nos preocuparmos tanto com a história do biquíni, mas este traje de banho feminino simboliza muito de nossa cultura machista, a qual inverteu e banalizou toda a cultura indígena em nosso país, transformando a pureza do índio e seus costumes em uma moralidade cheia de aberrações e falsos preceitos de pureza e castidade.

“Lamento o português ter vestido o índio, e não o índio ter despido o português...” (Oswald de Andrade, escritor modernista)

domingo, 1 de março de 2020

Homens e mulheres: uni-vos!


Todo homem que agride uma mulher tem uma mãe. Será que ele nunca pensou que sua mãe é uma mulher também?

Há 14 anos, foi criada uma lei no Brasil que possibilitou mecanismos para coibir qualquer tipo de agressão contra as mulheres: a Lei Maria da Penha. Com o objetivo de ampliar a aplicação da lei, criada em 7 de agosto de 2006, o STF (Supremo Tribunal Federal) tomou uma decisão, em 2012, que permite enquadrar judicialmente autores de agressões domésticas independentemente de queixa da vítima. Com a mudança, qualquer pessoa poderá denunciar agressão contra mulheres.

Mas um fato inédito mostrou que a lei pode ser usada, também, para proteger homens – no caso um idoso, morador de Planaltina, no interior de Goiás.

O caso ocorreu após o idoso (nome não divulgado) registrar ocorrência na 31ª Delegacia de Polícia contra um jovem de 21 anos de idade, acusado de demonstrar agressividade, desrespeito, injúria e fazer ameaças de morte contra a vítima. O agressor, que não tem nenhum grau de parentesco com a vítima, reside há mais de três anos, de favor, na casa do mesmo.

Com base no Estatuto do Idoso, a promotora de Justiça Raquel Tiveron requereu medidas protetivas de urgência, normalmente utilizadas em casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, para um homem de 69 anos de idade.

O pedido foi atendido integralmente e o juiz determinou a prisão preventiva do agressor, por ficar comprovado que o idoso estava machucado. A vítima, inclusive, apresentou uma maçaneta usada para ameaçá-lo de morte. Esta decisão, com certeza, vai abrir precedentes para outros casos.

Bem, concluo que, na verdade, o grande problema do ser humano é a falta de respeito para com o seu semelhante – ou mesmo para com outras espécies vivas! Não consigo entender de onde vem este “gene maligno”, que está impregnado em nosso DNA e nos leva a dominar, matar, torturar e maltratar física e emocionalmente outros seres definitivamente mais frágeis.

Homens e mulheres: uni-vos na busca de um mundo que se torne, de fato, civilizado!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

“Cadê meu presente?...”


“Cadê meu abraço ou meu beijo?...” Esta seria a mais linda pergunta que eu gostaria de ouvir, em especial nesta época do ano.

Todos nós gostamos de receber um presentinho no Natal. Mas quando chegamos ao ponto de usar praticamente todo o mês de dezembro pensando em ir ao shopping, às lojas ou ao supermercado para comprar tudo o que pudermos para agradar nossos amigos, familiares e nossos filhos, que não param de perguntar “cadê meu presente?” até a meia-noite do dia 24, alguma coisa parece estar fora de controle...

Tenho saído às ruas e visto centenas de pessoas se esgoelando no trânsito e andando nas ruas cheias de pacotes e sacolas, vendedores nas portas das lojas “intimando” as pessoas a entrar, promoções “compre agora, compre, compre...”

Bem, nesta terça-feira finalmente estaremos fazendo a Ceia de Natal. Alguns sozinhos, outros cheios de familiares, algumas casas estarão lotadas de presentes, outras talvez não. Só que, como não mudamos nossos hábitos, infelizmente muitas pessoas vão estar medindo a felicidade de seu Natal pelo tanto que vão ganhar ou comer...

É sempre bom lembrar que esta data comemora o nascimento de Jesus. E a única coisa que ele pediu a todos nós foi a humildade, a caridade e o amor ao próximo.

Desejo um Feliz Natal a todos, com muitos beijos e abraços!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Campanha “Bola do Bem”: passe essa bola pra frente!


Já faz um bom tempo, assisti ao filme “A Corrente do Bem”. Na estória, um menino de 12 anos cria o seguinte desafio para si e para todos ao seu redor: conseguir fazer para três pessoas, sejam elas quais forem, algo muito especial, algo que elas não conseguiriam fazer por si só e, daí pra frente, essas pessoas fariam por mais três pessoas o mesmo, e assim por diante. Não vou contar o resto do filme, senão perde a graça...

Bem, depois que o filme terminou, tive, mais uma vez, a certeza de que o mais importante não é ganhar ou perder, mas, sim, viver e ajudar àqueles que estão sem rumo a tentarem novamente. Porém, não adianta dar o “peixe” e, sim, a “vara de pescar” – e, mais importante, com muito amor e carinho.

Todos nós sabemos que o dia a dia é uma das tarefas mais delicadas da nossa vida. Surgem dificuldades, angústias, felicidades e acasos inesperados. Assim é a vida, feita de cada segundo e de cada minuto que passa.

Que tal experimentar? Observe uma, duas, três ou mais pessoas as quais você acha que poderia realmente ajudar a viver de verdade. Passe “essa bola pra frente”, vale a pena!

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Só fitinhas rosas não bastam...


É tão fácil criar leis e supostos direitos. E é tão fácil distribuir milhares de fitinhas rosas. Mas como todos nós sabemos, a teoria na pratica é outra...

Outubro Rosa é uma campanha de conscientização para a prevenção do câncer de mama. Ao longo de todo o mês, são discutidas importantes informações sobre a prevenção, tratamentos e maneiras de enfrentar essa doença. E os direitos que as mulheres têm assegurados?

Por falta de informação, os pacientes e suas famílias não sabem que podem ter, além do acesso aos medicamentos, também isenções tributárias, como: Imposto de Renda (IR), Imposto sobre operações financeiras (IOF), Imposto sobre a propriedade de veículos (IPVA), além de outros direitos, como transporte gratuito, liberação do fundo de garantia e do PIS/PASEP e mais a cirurgia reconstrutora!

Na maioria dos casos, o câncer de mama deixa mais que marcas psicológicas na mulher, já que o tratamento pode envolver a retirada de parte ou de toda a mama afetada, ou mesmo das duas mamas. Nestes casos, a cirurgia plástica reparadora de mama é um direito garantido às mulheres que sofreram mastectomia total ou parcial. O procedimento pode ser realizado pela rede de unidades integrantes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Bem, até aqui citei os direitos legais... Com certeza, não vai ser nada fácil conseguir ter todos estes direitos citados acima, infelizmente, devido ao descaso e burocratização de nosso governo, desde a época de D. Pedro I, II, entre outros...

Existem duas formas de ir atrás dos seus direitos. A primeira delas é a via administrativa, em que o pedido pelo medicamento é analisado pela Secretaria da Saúde e o paciente tem um retorno posterior. É comum que o pedido seja negado, o que é um absurdo! Então, se faz necessária a ação judicial. Aí, você pensa: “Se eu não posso pagar um medicamento, como vou pagar um advogado?”.

Procure a Defensoria Pública ou Promotoria de Justiça de sua cidade, ambos os serviços são gratuitos. Vale a pena tentar!

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

#DiversidadeeInclusaoSocial


Preconceito: “Opinião adotada sem exame, imposta pelo meio social ou pela moral imposta” (Enciclopédia Larousse Cultural).

Bem, acho que a definição da palavra preconceito já é um bom começo para questionarmos qualquer atitude que se baseie neste conceito.

Você já pensou que, em várias situações polêmicas de sua vida, o preconceito ou a moral imposta o levaram a tomar atitudes sem nem ao menos questioná-las? Venhamos e convenhamos, uma sociedade é composta de regras, porém muitas delas acabam se tornando dogmas, principalmente quando elas se justificam no medo de aceitar novas maneiras de agir e pensar.

A opção sexual, a religião, a cor, até o time de futebol pelo qual torcemos se tornam alvo de discriminação quando não estão de acordo com a opinião vigente!

Mas será que esse é o maior problema? Ou a grande questão é: “posso ser ou não ser”?

Gostar de verde, quando a maioria gosta de vermelho, assistir ou não às novelas, alisar ou não os cabelos... Enfim, ter a liberdade de expressão e escolha, independentemente do que a maioria das pessoa, governos ou religiões impõe como certo ou errado.

Se não lutarmos pelo nosso direito de ser o que somos e aprendermos a respeitar as diferenças, as guerras e a ignorância nunca vão acabar!

Hoje você pode ser o agressor, mas, dentro de um sistema cheio de preconceitos e intolerância, é muito fácil, amanhã, você se tornar a próxima vítima...

Recentemente, um fato absurdo e degradante ocorreu na cidade de Charlottesville, nos EUA, onde um grupo de brancos racistas, antissemitas e homofóbicos atacaram centenas de negros e pacifistas, além de atropelarem uma multidão de pessoas que estavam realizando uma passeata contra esses seres primitivos!

PS: Estamos em 2019. Pena que nada mudou nos últimos 8 mil anos de nossa civilização – a qual chamamos de “inteligente”...

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Espelho, espelho meu...


Você tem rugas? Está se sentindo muito gordo(a)? Seus cabelos estão ficando brancos demais? Não se preocupe, já está disponível no mercado um remédio que resolve tudo isso...

Mas, infelizmente, esta fórmula não está à venda nas farmácias – e não adianta buscar no Google... Esse remédio tem vários nomes: “autoconfiança”, “autoestima”, ou, “seja você mesmo!”.

A vida é feita de várias fases, nas quais nosso corpo vai se moldando e nossa personalidade também! Estamos sempre sujeitos a todo tipo de influência. É só ligar a TV, navegar na internet, no Facebook, folhear uma revista, e vamos ver imagens de homens e mulheres considerados perfeitos – dentro dos padrões de beleza estipulados pela nossa sociedade, só pra lembrar!

Aí, começam a surgir os efeitos colaterais: “Estou um lixo...”, “Eu nunca vou ser igual à Angelina Jolie, ou ao Brad Pitt...“, “Será que devo fazer uma plástica? Um implante de cabelos? Colocar silicone?...”.

Calma! Pense um pouco: você é único(a), seu corpo e seus traços físicos são só seus e mudanças fazem parte de nossa vida. Cuidar da saúde e de nossa aparência é importante, mas o mais importante é descobrir a nossa própria beleza!

Comecei a pensar neste assunto há alguns anos atrás, quando, em uma bela manhã, acordei e me olhei no espelho. De repente, não sei por que, fiquei pasma e pensei: “Os anos passam, a vida passa…”.

Claro que tenho minhas recaídas, como todo mundo... Nestes momentos, faço uma pausa e ouço meu pequeno “grilo falante” dizendo: “temos o direito, e talvez até o dever, de criar o nosso padrão de beleza”. Ou melhor, talvez não exista um padrão, mas, sim, um conjunto de fatores que nos torna belos!

PS 1: Se os sintomas persistirem, não procure um médico, procure por você mesmo!

PS 2: Cuidar de si mesmo é importante. Mas não deixe de cuidar dos outros.

PS 3: Acho que vou assistir de novo ao filme da Branca de Neve...

quinta-feira, 4 de julho de 2019

A sabedoria de Zip...


Conheci, recentemente, Zip. Soube que ele já está com 98 anos. Num primeiro momento, achei Zip mal-encarado e até um pouco rabugento. Percebi que ele sentia algumas dores musculares e que não estava enxergando muito bem.

Tentei puxar conversa de várias maneiras, quis agradá-lo, chamei-o para um passeio, mas nada acontecia – ele continuava arisco, sempre me observando. Mesmo assim, pude sentir que Zip tinha um bom coração.

Comecei a refletir sobre sua idade e que, talvez, após tantos anos de vida, ele tinha o direito de ser mais reservado.

Passei a visitá-lo diariamente e, aos poucos, ele começou a se abrir mais, mudando sua feição para um rosto mais manso, porém observador e cauteloso. Após algum tempo, consegui estabelecer uma relação de amizade – claro, respeitando seus limites.

Curiosamente, mesmo tendo uma sensação inicial de antipatia e mal-estar com seu jeito tão arisco e introvertido, percebi que ele havia adquirido uma sabedoria natural ao longo dos anos.

Pensei: “Talvez uma amizade ou uma relação sincera e de confiança realmente não possa acontecer em 24 horas – ou em apenas alguns dias –, mas, sim, ao longo de um período de convivência”. Também comecei a entender e aceitar melhor a ideia de respeitar o tempo e os limites do outro.

Acho que isso funciona para tudo o que acontece em nossa vida e na sociedade também! Dizem que estamos vivendo o momento mais conectado de todos os tempos, as informações e acontecimentos pessoais e do mundo aparecem em segundos na internet, no Facebook, no Twitter, na TV online, podemos ver tudo pelo celular, postar fotos, etc., etc., etc...

E cadê aquele tempo para digerirmos tudo isso? Entendermos quem é quem? Qual o motivo daquela ação ou reação? Continuo achando que Zip e suas atitudes geram mais sabedoria e possibilidades de vivermos em um mundo mais transparente e melhor!

Zip é um cãozinho. Ele está com 14 anos, o que equivaleria a 98 anos para um ser humano...