quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Fitinhas rosas não bastam...


Outubro Rosa é uma campanha de conscientização para a prevenção do câncer de mama. Ao longo de todo o mês, são discutidas importantes informações sobre a prevenção, tratamentos e maneiras de enfrentar essa doença. E os direitos que as mulheres têm assegurados?

Por falta de informação, os pacientes e suas famílias não sabem que podem ter, além do acesso aos medicamentos, também isenções tributárias, como: Imposto de Renda (IR), Imposto sobre operações financeiras (IOF), Imposto sobre a propriedade de veículos (IPVA), além de outros direitos, como transporte gratuito, liberação do fundo de garantia e do PIS/PASEP e mais a cirurgia reconstrutora!

Na maioria dos casos, o câncer de mama deixa mais que marcas psicológicas na mulher, já que o tratamento pode envolver a retirada de parte ou de toda a mama afetada, ou mesmo das duas mamas. Nestes casos, a cirurgia plástica reparadora de mama é um direito garantido às mulheres que sofreram mastectomia total ou parcial. O procedimento pode ser realizado pela rede de unidades integrantes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Bem, até aqui citei os direitos legais... Mas como todos nós sabemos, a teoria na pratica é outra. Com certeza, não vai ser nada fácil conseguir ter todos estes direitos citados acima, infelizmente, devido ao descaso e burocratização de nosso governo, desde a época de D. Pedro I, II, entre outros...

Existem duas formas de ir atrás dos seus direitos. A primeira delas é a via administrativa, em que o pedido pelo medicamento é analisado pela Secretaria da Saúde e o paciente tem um retorno posterior. É comum que o pedido seja negado, o que é um absurdo! Então, se faz necessária a ação judicial. Aí, você pensa: “Se eu não posso pagar um medicamento, como vou pagar um advogado?”.

Procure a Defensoria Pública ou Promotoria de Justiça de sua cidade, ambos os serviços são gratuitos. Vale a pena tentar!

PS 1: É tão fácil criar leis e supostos direitos...
PS 2: É tão fácil distribuir milhares de fitinhas rosas...

Publicado em 19/10/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Feliz Dia das Crianças...


Estudo coordenado pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) aponta que o Brasil alcançou a marca de 3,65 adolescentes entre 12 e 18 anos assassinados para cada grupo de mil jovens.

O número é o mais alto desde que começou a ser medido, em 2005. O IHA (Índice de Homicídios na Adolescência) engloba os 300 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes e se baseia nos dados do ano de 2014 do Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde.

“Este valor é elevado. Uma sociedade não violenta deveria apresentar valores não muito distantes de zero e, certamente, inferiores a 1”, explicam os autores do estudo.

O futuro do Brasil, representado por esses jovens, está em risco, alertam: “Essa alta incidência de violência letal significa que, se as circunstâncias que prevaleciam em 2014 não mudarem, aproximadamente 43 mil adolescentes serão vítimas de homicídio no Brasil entre 2015 e 2021”.

Não quero de maneira alguma estragar esse dia tão lindo que é a comemoração do dia das crianças! Porém, fechar os olhos e fingir que nada disto está acontecendo seria uma atitude muito infantil...

Daqui a alguns anos, as crianças e adolescentes de hoje serão os adultos de amanhã – que também terão seus filhos, netos, bisnetos... Em que tipo de sociedade estas crianças e adultos de amanhã estarão vivendo?

É como uma bola de neve, quanto mais neve tiver maior ela fica! E aí vem a pergunta: por que tantas crianças e adolescentes estão sendo mortos? Tráfico de drogas? Miséria? Falta de educação, moradia, emprego? Pais e mães desestruturados que ainda passam pelas mesmas situações que passaram quando também eram crianças?

Difícil achar uma só causa... Acredito que seja tudo isso e muito mais – o eterno descaso de nosso governo com a sociedade e seus direitos humanos ao longo de várias gerações.

Daqui a pouco, vem mais um ano de eleições e, junto, a nossa chance de votar ou não votar em ninguém que não acreditamos que faça a diferença! No dia a dia, cada um de nós é governante de sua própria vida de seu país!

PS 1: Você já comprou seu presente?
PS 2: Bom feriado!

Publicado em 12/10/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Dia do Idoso em Marte...


Aos 60, professora irá comemorar o Dia do Idoso em Marte! Parece ficção científica, mas é onde Sandra Maria Feliciano da Silva, professora e advogada rondoniense, irá celebrar a data em breve. Hoje com 52 anos, ela é a única concorrente brasileira para o Mars One, programa de colonização do planeta vermelho. E a viagem será só de ida...

O projeto, encabeçado pelo engenheiro mecânico holandês Bas Lansdorp, foi orçado em 6 bilhões de dólares, e convocou candidatos do mundo inteiro que estariam dispostos a ganhar uma passagem só de ida para o planeta vermelho.

Ainda não há tecnologia para que os inscritos retornem, mas, mesmo cientes, cerca de 200 mil pessoas concorreram às 24 vagas finais – e Sandra foi uma delas.

“E se não der certo?”. Entre risos, a corajosa – ou “maluca” como é chamada pela família – Sandra apenas diz: “Se não der, tento de novo”. O primeiro grupo está previsto para embarcar em 2024 e, caso Sandra seja uma das finalistas, terá 60 anos nessa data.

Sandra sempre teve apreço pela ciência e afirma querer morar em outro planeta desde a infância. De São Paulo, mudou-se para Rondônia ainda criança e desenvolveu grande habilidade para a Biologia. “Era uma vida bem diferente para uma criança. Tínhamos de ser criativos para desenvolver soluções para muitas coisas, já que todo o contexto de São Paulo não se aplicava mais. Imagine Rondônia 40 anos atrás”, comenta.

Caso ela seja selecionada dentre os 24 finalistas, Sandra terá que percorrer um longo caminho de treinamentos, mas se demonstra confiante e afirma possuir todas as características que a enquadram como uma boa tripulante. “A briga vai ser intensa porque todos os candidatos para esse projeto são muito fortes. Eu, inclusive”, completa.

PS 1: Tenho certeza que Sandra acredita que Marte pode ser um novo começo!

PS 2: Se todos os políticos, banqueiros e outros poderosos da Terra não forem para Marte, eu também acredito que pode dar certo...

PS 3: Parabéns à Sandra e a todos os idosos do Brasil e do mundo!

Publicado em 05/10/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Favela Tour...

Novo roteiro turístico para os próximos feriados! “Com a pacificação das favelas, é possível que turistas conheçam novos ângulos das praias e da cidade. A segurança para circular é ‘semelhante à do asfalto’”. A afirmação é de uma matéria publicada na mídia impressa em 2011 e destaca como principais atrativos turísticos o Morro do Alemão, do Borel, Cantagalo, além de opções de guias locais.

Tudo muito politicamente correto... Num piscar de olhos, todo o complexo do Alemão está “pacificado” e, ainda mais, pronto para receber turistas de todo o mundo!

Esta exaltação às favelas cariocas é o que mais me surpreende já que essa, se não me falha a memória, é considerada uma das mais perigosas e completamente dominada pelas drogas – o que não mudou muito de lá para cá. Matéria publicada ontem no UOL destaca que a atividade foi suspensa por conta da violência na favela da zona sul do Rio. O conflito armado na Rocinha e o medo da violência levaram a agência Rocinha by Rocinha, que promove o turismo na comunidade, a suspender os passeios a pé – conhecidos como “walking tours”.

Quero deixar claro que não estou descriminando ninguém – e muito menos as favelas, muito pelo contrário. Acho um absurdo transformar a questão da favelização, não só do Rio, mas de todo o Brasil, em um grande circo pra inglês ver! Enquanto milhares de pessoas vivem nelas em uma situação desumana, sem água potável, esgoto, em casas construídas nos morros com restos de papelões, nosso governo quer nos convencer e, pior, convencer o mundo afora, de que favela é sinônimo de cultura e turismo!

Daqui a pouco, morar na favela vai ser “bacana”. Vão até dizer que é um projeto de vida sustentável e ecológico, já que todas as casas são feitas com “material reciclado” e você vive sempre perto da natureza em “estado intocável”...

PS 1: Favela (do dicionário Michaelis): Aglomeração de casebres ou choupanas toscamente construídas e desprovidas de condições higiênicas.

PS 2: No tour de ontem foram mobilizados mais de 1.000 policiais e homens do Exército, além de tanques de guerra...

Publicado em 28/09/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Pizza, quibe...

O Brasil sempre foi elogiado e reconhecido por ser um país que recebe, sem discriminação, imigrantes do mundo inteiro. Andamos pelas ruas e facilmente encontramos italianos, japoneses, árabes, portugueses... Sentimo-nos como se estivéssemos na famosa “Torre de Babel”.

Porém, a teoria na prática é outra! Quantas vezes você já ouviu ou falou frases do tipo: “Puxa o 'japa', meu vizinho, é um chato...”, ou “Aquele 'branquela' é um arrogante...”, além de piadinhas sacanas como: “Quando é que o negro vai à escola?...”, ou “O português atendeu o celular e disse que estava no motel...”

No início, é tudo brincadeirinha, depois vira um hábito, uma atitude constante e, num piscar de olhos, você se torna um discriminado ou um discriminador.

Neste momento, o Brasil passa por um momento muito importante, no que tange não só à etnia, mas à opção sexual. A questão de ser ou não ser gay, lésbica, bissexual, ou seja qual for a escolha do ser humano, ainda é uma questão que gera muita polêmica e também discriminação.

Mesmo tendo sido aprovado pelo Superior Tribunal Federal o casamento entre pessoas do mesmo sexo – além do direito à pensão, herança, previdência e comunhão de bens –, ainda assim estamos muito longe da aprovação e aceitação de nossa sociedade quanto a este fato!

Muitos religiosos e mesmo cidadãos comuns se revoltaram, dizendo que isso é uma afronta à moral da sociedade e da família, ou que ser homossexual é doença ou “coisa do demônio”...

Estamos no século 21 e parece que a caça às bruxas da era medieval continua a mesma!

Por que não aceitamos ou não conseguimos conviver com pessoas que têm uma opção sexual diferente? Afinal de contas, essa opção não é contagiosa, não mata nem explode bombas ou vicia como o crack e outras drogas! É uma opção à qual cada um de nós tem o direito de escolher.

Que bom poder comer pizza num dia, quibe no outro, sushi... Viva a diferença!

PS 1: Caso você não goste de alguma comida que citei acima, tudo bem, mas, por favor, não as discrimine!

PS 2: Viva a diferença!

Publicado em 14/09/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Independence Day...


Dia da Independência Tupiniquim! A história que aprendemos desde crianças na escola é que no dia 7 de Setembro de 1822, próximo ao riacho do Ipiranga, Dom Pedro levantou a espada e gritou: “Independência ou Morte!”.

Pouco se comenta que o povo, na época, nem sequer acompanhou ou entendeu o significado da independência. A estrutura agrária continuou a mesma, a escravidão se manteve e a distribuição de renda continuou desigual. A elite agrária, que deu suporte a D. Pedro I, foi a camada que mais se beneficiou.

Desde então, se passaram quase 200 anos, porém todos estes fatos me remetem, mais do que nunca, aos dias de hoje. O nosso país continua sendo extremamente desigual – em todos os sentidos: econômico, social e político. Quem não gostaria de ser independente, ter o direito ao seu sustento, moradia, estudar, trabalhar, ter acesso a hospitais, luz e rede de esgoto? Mas, já diz um bom e velho ditado: “A liberdade não se ganha, se conquista!”.

Aparentemente, podemos ir e vir, afinal, acabou a escravidão (!?)... Mas qual é o significado da nossa independência? É possível dizer que vivemos como cidadãos livres, seja na área urbana ou rural, se ainda existem pessoas que chegam a ganhar 30 ou 50 reais por mês e usam seu dedo polegar como assinatura?

Hoje, os beneficiados – e, diga-se de passagem, muito bem beneficiados – continuam sendo os mesmos! Só mudaram de nome. Mas como isso é possível? Temos uma nova classe emergente, cheia de cartões de crédito – e dívidas com juros praticamente impagáveis. Nossa população tem celulares, TVs de plasma, acesso ao Facebook, carros importados! É... acho que estou exagerando... Olha só quantas coisas que não mudam em nada a estrutura social de nosso país mudaram!

PS 1: Você sabia que Dom Pedro pagou à Portugal 2 milhões de libras esterlinas pela nossa independência? E ainda com dinheiro emprestado!

PS 2: Será que as malas cheias de dinheiro que foram encontradas ainda são do empréstimo que Dom Pedro fez?

PS 3: Bom feriado!

Publicado em 07/09/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

O Brasil precisa de muito AXÉ!


Quando os negros do continente africano foram trazidos para o Brasil como escravos, muitas de suas tradições e de sua cultura os acompanharam. Assim, o Candomblé, umas das várias religiões trazidas do continente africano, começou a se espalhar pelo país.

Mesmo muito discriminada pela sociedade da época, por ter negros como praticantes, a religião e toda cultura africana acabaram se transformando em parte da cultura brasileira. O ritmo dos tambores, nossa culinária, artefatos e até palavras do português brasileiro surgiram com a herança africana e os costumes praticados pelo Candomblé.

A professora titular aposentada do Departamento de Psicologia da PUC do Rio de Janeiro, Monique Augras, considera essa questão fundamental. “Não só o Candomblé enquanto religião, mas o modo de ser do mundo africano está enraizado em nossa cultura”, diz.

No período de escravidão, os negros foram proibidos de cultuar seus deuses e, por isso, criaram uma alternativa para manter a religião, associando cada orixá a um santo católico. Assim, Iemanjá é Nossa Senhora do Rosário, Exu é Santo Antônio, ou, por exemplo, a Festa de Oxalá coincide com a Festa do Senhor do Bonfim, em Salvador.

Nos cultos aos orixás, há danças e músicas, onde, segundo Monique, o tambor é considerado um ser vivo, por sua intensa vibração. Vem daí um dos instrumentos musicais, que hoje é considerado tipicamente brasileiro. O tambor e os demais instrumentos de percussão vêm diretamente da religião e da herança cultural de países africanos.

Outra influência da religião na cultura brasileira vem do nome usado para designar a energia do mundo, que, para os praticantes do candomblé, é conhecida como axé. A palavra se popularizou. Hoje, quando alguém deseja a outro energias positivas ou uma benção, diz axé.

PS 1: Com muito AXÉ, vamos acabar com o preconceito, o racismo e a intolerância religiosa.

PS 2: Todos nós precisamos de muito AXÉ!

Publicado em 31/08/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Anjos existem!

Alveiro Vargas tinha apenas 9 anos de idade quando resolveu mudar a vida dos mais velhos, em sua cidade natal, Bucamaranga, na Colômbia. Sem recursos e por conta própria, ele organizou seus amigos, também crianças, da favela onde morava e passou a levar cuidados, amor e carinho aos idosos.

Os velhinhos o chamavam de “angelito” (anjinho). Ele e mais 12 crianças visitavam idosos, de barraco em barraco, para levar comida e fazer a limpeza. Alveiro não teve tempo para brincar com as crianças de sua idade. Fazia suas visitas desde que saia da escola até às 11 da noite.

“O nosso bairro e as pessoas idosas estão muito abandonados pelas instituições, pelo governo, pela prefeitura. Aqui tem muita pobreza. Em época de eleição, os políticos vêm aqui dizendo que vão ajudar e, depois que passa a eleição, adeus promessas”, criticou Alveiro.

Um documentário de TV, na época, mostrando suas iniciativas, chegou até a França, onde despertou uma onda de doações. Bucamaranga recebeu 500 mil francos, mas o valor não era suficiente para construir o asilo e mantê-lo em funcionamento. Ele chegou a ter contato com a primeira-dama da Colômbia e com o Governador local, o que frustrou mais ainda suas expectativas, pois as promessas feitas não foram cumpridas.

Após uma doação de mais 300 mil francos da França para os “anjos”, Alveiro pôde, finalmente, construir o seu sonho. Hoje, aos pés da favela onde morava, o asilo “Cantinho da França” tem 140 leitos, 4.000 metros quadrados e um grande jardim.

Parte do sonho do pequeno “angelito”, agora com mais de 20 anos, se realizou. Mas ele sabe que ainda há muito a fazer. “Gostaria de estudar medicina, mas acho que, como advogado, poderei defender e tentar garantir cada vez mais os direitos dos idosos e de todas as pessoas carentes”, afirma.

PS 1: Todos nós podemos ser um “angelito”!

PS 2: “Ser ou não ser? Eis a questão...”

PS 3: As asas você pode comprar em qualquer loja...

Publicado em 24/08/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).