quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

“Mais de mil palhaços no salão”

Na semana passada, os PMs da Bahia e do Rio de Janeiro entraram em greve. Dezenas de pessoas morreram neste período, houve vandalismo no comércio, pessoas feridas nas ruas, cogitou-se até o cancelamento do Carnaval nestas regiões. Logo depois, não entendo bem como, parece que tudo se ajeitou...

Não posso deixar de citar, também, o recente aumento de matérias na mídia sobre corrupções, desvios de dinheiro de órgãos governamentais, trocas de ministros, pessoas que ficaram desabrigadas pelas enchentes e que continuam, há meses, “provisoriamente” em alojamentos.

Agora que estamos finalmente a alguns dias do Carnaval, um dos eventos mais esperados pelos brasileiros durante o ano inteiro, me lembrei das lindas marchinhas que tocavam nos anos 60, entre elas uma que cai muito bem para os tempos de hoje, Máscara Negra, interpretada pela magistral Dalva de Oliveira, quando ela canta “Mais de mil palhaços no salão”...

As origens do Carnaval são polêmicas. Li uma pesquisa que cita o surgimento desta data como uma festa que já existia dez mil anos antes de Cristo, quando os povos que habitavam as margens do rio Nilo, no Egito, comemoravam suas colheitas.

Os homens daquela época entravam em estado de utopia através da comemoração. No momento da festa, se desligavam das coisas ruins e saudavam as que lhes pareciam boas com danças e cânticos para espantar as forças negativas.

Para os foliões de hoje, me parece que o sentimento de utopia é idêntico! Seguindo as antigas tradições, durante a semana do Carnaval não existem problemas políticos ou sociais, existe apenas a visão de mulheres quase nuas desfilando sem parar!

Algumas escolas de samba ainda falam da realidade do Brasil e contam nossa história através de seus belos enredos. Porém, os grandes patrocinadores tornam este momento único em um “Carnaval para inglês ver”!

PS: “Tanto riso, ó quanta alegria”, “Mamãe, mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar”, “Ó abre alas, que eu quero passar”...

Publicado em 16/02/2012, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

“O Grande Irmão”

“Big Brother Brasil”, reality shows... É fantástico! No show da vida, vivemos mais do que nunca no limite entre a realidade e a fantasia.

Você chega em casa, liga a televisão, assiste a um filme ou a uma novela. Até aí, tudo bem, temos certeza de estar vendo histórias onde atores interpretam personagens. De repente, as imagens se confundem na telinha. Aparecem cenas e mais cenas de pessoas comuns na “intimidade” da casa do programa “Big Brother” – tradução: “O Grande Irmão”...

Competições, intrigas e tragédias. E lá estamos nós, sofrendo com estes “personagens”, torcendo ou não por eles e querendo saber sobre detalhes de seu dia a dia.

Todos nós soubemos pela TV do suposto estupro na 12ª edição do BBB. Após uma festa ocorrida no programa do dia 14 de janeiro, a estudante Monique Amin, 23 anos, e o modelo Daniel Echaniz, 31, passaram parte da madrugada deitados juntos sob um edredom.

Assinantes do pay-per-view do BBB e usuários da web que viram o vídeo replicado na internet acuraram Echaniz de se aproveitar da embriaguez de Amin para abusar dela sexualmente, e pediram sua expulsão do programa.

A repercussão fez com que policiais da 32ª DP do Rio fossem aos estúdios da TV Globo investigar o suposto estupro. Para a Rede Globo, “as carícias haviam sido consensuais”. Amin disse não se lembrar do que teria ocorrido.

O imbróglio todo foi parar na Secretaria de Políticas para Mulheres e no Ministério Público do Rio, que informou que só poderia agir se a participante fizesse uma denúncia formal.

Para fechar o caso com chave de ouro, no programa do domingo seguinte, o apresentador Pedro Bial soltou uma “pérola”: “O amor é lindo”...

De repente, acabamos perdendo a noção da realidade de nossas vidas versus a importância do fato acontecido. Quem será a próxima vítima? Dizem que vivemos na era da informação. Mas para que serve este tipo de informação?

PS: Afinal de contas, o que é esse “Grande Irmão”? Sugiro ler, ou reler, o livro “1984”, de George Orwell. E olha que já estamos em 2012!

Publicado em 09/02/2012, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

“Pequeno Príncipe”

Num país como o Brasil, onde existem milhares de analfabetos e falta de escolas públicas, chega a ser um privilégio poder ler e até escrever. Não bastasse esta realidade cruel que nossas crianças e adultos vivem já há muitos e muitos anos, ainda somos pegos de surpresa por um programa do Ministério da Justiça para reduzir as penas dos presos mais perigosos do País.

O projeto, orçado em mais de 34 mil reais, irá distribuir 816 livros para as quatro penitenciárias federais do país, concedendo benefícios de redução de pena aos detentos-leitores. Entre os títulos estão “O Pequeno Príncipe”, clássico de Saint Exupéry, “Crime e Castigo”, de Dostoiévski, “Código da Vinci”, de Dan Brown e até a trilogia “Crepúsculo”, de Stephenie Meyer.

Na penitenciária de Catanduvas, no Paraná, que tem 60 presos participando do projeto, um juiz concede até quatro dias para quem ler um livro em até 12 dias e apresentar uma resenha. Uma comissão avalia a redação e, se considerá-la de boa qualidade, concede ao detento um dia de redução na pena. Já na de Campo Grande (MS), concedem-se três dias de redução da pena para cada 20 dias que o detento utilizar para ler um livro.

Segundo agentes penitenciários, Fernandinho Beira-Mar, que cumpre pena de 120 anos e já passou pelas duas penitenciárias, é um “consumidor voraz” de livros. Já leu “O Caçador de Pipas”, de Khaled Housseini e “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu.

Concordo que eles também são seres humanos. Mas não será, mais uma vez, um projeto apenas “politicamente correto”? Ou uma boa saída para os governantes se eximirem de investir em nossa educação e poder falar cada vez mais que somos um “país emergente”? Emergente do quê e de onde?

Vivemos em uma realidade na qual crianças e adultos ainda falam: “os livro” e “nós pega o peixe”. Regras básicas de nossa língua portuguesa ainda não são assimiladas ou mesmo ensinadas nas escolas.

PS: Se você ainda não leu o livro “O Pequeno Príncipe”, é bom ler. Com certeza, ele vai voltar a ser o hit da moda!

Publicado em 02/02/2012, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

São Paulo: ame-a ou deixe-a...

No dia 25 de janeiro, a cidade de São Paulo comemorou seu aniversário de 458 anos de vida, lutas e sonhos. Uma louca megalópole com seu trânsito caótico, sua poluição - atmosférica, visual e sonora - e as enchentes que sempre aterrorizam a cidade.

Talvez você se lembre daquele adesivo vendido em bancas de jornal nos anos 70: “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Uma versão desse adesivo para a cidade, hoje, seria: “São Paulo, ame-a ou deixe-a”.

Por incrível que pareça, muitos paulistanos desta frenética metrópole amam São Paulo de paixão e não a trocariam por nada deste mundo. Irracional? Não faz sentido? Tal como no amor e na paixão, a gente gosta, e pronto!

Assim é a cidade de São Paulo, uma cidade com uma pluralidade racial e cultural talvez única na América Latina, com uma gastronomia tão diversificada quanto maravilhosa, centenas de cinemas, bares, danceterias, clubes, centros de esportes, museus e centros culturais para todos os gostos e idades.

São Paulo é a terra da garoa, terra da liberdade, terra da luz, terra da pizza, da macarronada, do quibe, do pastel, do acarajé, do vatapá, da mandioca, do fubá, do doce-de-leite, do feijão de corda, do café...

Mas esta megalópole também é uma terra de dificuldades, pobreza, falta de esgotos, moradias, escolas e saúde, violência e, principalmente, falta de estrutura e planejamento. Mesmo sendo um dos maiores centros de negócios financeiros do Brasil e do mundo, ainda peca muito por não olhar para seus moradores.

Como no resto de nosso País, os governantes estão sempre ávidos pelo lucro imediato e pelos investimentos externos, deixando de pensar nos seus cidadãos.

Nos dias de hoje, tanto na capital como no interior, a cidadania virou apenas um palavra “fashion”. Do jeito que as coisa vão indo, logo, logo, todos nós brasileiros vamos ter que migrar ou emigrar para algum lugar que nos respeite! Que ironia... Sentirmos-nos estrangeiros em nosso próprio País!

PS: Brasil com “s” ou com “z”?

Publicado em 26/01/2012, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Sustentabilidade insustentável

Empresas sustentáveis, florestas sustentáveis, meio ambiente sustentável, governo sustentável... Hoje, é politicamente correto ser sustentável. Sustentabilidade tornou-se a palavra de ordem e sustentável, o adjetivo da moda.

Meio ambiente sustentável é uma questão muito propagandeada, porém duvidosa. O Brasil não consegue limpar seus rios ou fazer barragens que suportem um mínimo aumento de chuva. Casas e edifícios caem por falta de planejamento antes e durante a construção, ou por causa de políticas irresponsáveis que permitem construir em terrenos com encostas e barrancos nitidamente passíveis de deslizamentos.

Secas imensas no Sul e chuvas devastadoras no Sudeste. Os políticos jogam a culpa na “Mãe Natureza, que está desequilibrada”. No entanto, graças às mais modernas tecnologias, às quais o Brasil tem acesso, isso seria facilmente contornável. E sustentável.

Fui ao supermercado estes dias e percebi cada vez mais prateleiras especiais para produtos orgânicos. Aí, me perguntei: “Mas todos os alimentos não são orgânicos?” Não, orgânicos são aqueles que não possuem agrotóxicos, que são bem mais caros que os não-orgânicos.

Então, pensei: “Para sermos saudáveis e ‘sustentáveis’, temos que pagar mais por isso? Por que o Ministério da Agricultura não cria leis e infra-estrutura para que todos os agricultores possam plantar sem agrotóxicos?”

Reciclar sacolas também é “sustentável”. Super fashion, mas nada prático. Nenhuma logística é organizada por parte dos governantes: não temos coleta seletiva de lixo, de caixas, garrafas, nada! Apenas o slogan “Não use sacolas, respeite o meio ambiente”. Mas, se você puder pagar um pouquinho mais... vai poder comprar a sacola reciclável, à venda em todos os supermercados!

PS. Sem uma “reciclagem” do nosso sistema político, social e cultural, será impossível criar uma situação sustentável para o Brasil. Estamos apenas criando uma “síndrome” que facilmente nos convence de que tudo é verdade...

Publicado em 19/01/2012, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Minha casa, minha vida?

No último dia 27 de dezembro, o governo federal alterou os critérios de seleção dos candidatos a beneficiários do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’. Entre as mudanças está a indicação de percentual de unidades que devem ser reservadas para idosos e pessoas com deficiência.

O ‘Minha Casa, Minha Vida’, programa habitacional do governo federal para construção de moradias em parceria com estados e municípios, foi lançado em março de 2009 com a meta inicial de construir um milhão de moradias populares.

O novo texto determina que sejam reservadas, no mínimo, 3% das unidades para idosos. O mesmo percentual deve ser respeitado para pessoas com deficiência ou seus familiares diretos.

O tema me chamou a atenção em função de uma reportagem que fiz no Canadá. Lá, tive a chance de ver de perto as políticas públicas para os idosos daquele país.

Não querendo comparar, mas no Canadá as coisas são mais simples. Todo o imposto que se paga lá – que nós pagamos aqui, também, e que é bastante alto, talvez um dos mais altos do mundo – se destina às necessidades de todas as pessoas. No caso das pessoas idosas, estas já têm, naturalmente, o direito a residir em condomínios públicos, mantidos com os impostos que o cidadão pagou durante toda a sua vida. Aos idosos que já não têm autonomia, o governo oferece condomínios com auxílio de profissionais especializados.

Com relação aos 3% das unidades do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’, reservados para os idosos, coloco em questão se o idoso tem condições de morar sozinho e se estas casas terão alguma adaptação específica para eles, entre outros muitos detalhes a serem avaliados.

PS. O Brasil deveria, sim, fazer uma política pública efetiva de atenção à pessoa idosa. Não basta conceder casas para essa parcela da população sem criar uma proposta de assistência e reavaliação de todos os direitos e cuidados necessários para a terceira idade, que hoje totaliza aproximadamente 11% de toda nossa população.

Publicado em 12/01/2012, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Comece 2012 reciclando!

O começo de um novo ano é sempre uma boa época para reciclar ideias, atitudes, comportamentos e... sacolinhas de supermercado...

Nestes tempos de preocupação com o meio ambiente, cujas ações indiscriminadas do ser humano estão colocando nosso planeta em perigo, uma das atitudes que têm sido questionadas é a utilização de sacolas plásticas descartáveis nos supermercados.

Em maio de 2011, a prefeitura de São Paulo sancionou uma lei proibindo o uso de sacolinhas plásticas dos supermercados da cidade a partir de 1º de janeiro de 2012. No entanto, o Tribunal de Justiça do município decidiu suspender a lei, tanto para os supermercados como para todo o comércio varejista da cidade de São Paulo. Em outras 20 cidades, o Sindicato da Indústria de Material Plástico teve sucesso ao entrar na Justiça com a ação semelhante para impedir a proibição do uso das sacolinhas plásticas.

Mas, enquanto prefeituras, indústrias de materiais plásticos e supermercados do País brigam na justiça pela melhor forma de levar os produtos dos supermercados para casa, algumas pessoas já estão dando o exemplo por conta própria.

É caso de Manoelita Valim Rodrigues, 77 anos, que há mais de 10 anos reutiliza sacolas plásticas descartáveis de supermercado, utilizando as mesmas sempre que volta às compras. “Quanto menos poluirmos o meio ambiente, melhor para nós. Não só para nós, mas para as gerações futuras. O meio ambiente não precisa de nós, nós é que precisamos do meio ambiente”, enfatiza Manoelita.

PS 1: Reciclar ideias e posturas é tão importante quanto reciclar sacolinhas e todas as centenas de quilos de lixo que produzimos todos os dias!

PS 2: Fiquei pasma ao ver muitos supermercados vendendo sacolas recicláveis! Já que essa opção existe, porque não oferecê-las aos seus clientes gratuitamente? A velha “Lei de Gerson”... Essa tá difícil de reciclar...

Publicado em 05/01/2012, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

2012: a última fronteira?

Você acredita que o mundo irá acabar em 21/12/2012? Já fiz até uma enquete para você votar e brincar com seus amigos:

( ) Desastres naturais irão acabar com a vida na Terra por causa de sua interferência no clima
( ) Um alinhamento do sistema solar com o centro da galáxia destruirá o planeta
( ) Um asteróide irá se chocar com a Terra, extinguindo a humanidade
( ) Haverá apenas uma renovação espiritual e comportamental do ser humano
( ) A previsão Maia é apenas uma superstição e nada vai ocorrer com o planeta nesta data

Bem, seja qual for a sua opção, acredito que a principal questão é como vivemos em 2011 e como pretendemos viver em 2012. Afinal, mesmo que o mundo acabe, temos ainda um ano inteirinho pela frente!

Vasculhei meus arquivos para dar uma olhadinha no que escrevi em 2010, quando estávamos chegando em 2011 e, ironicamente, vi que, infelizmente, eu poderia escrever praticamente sobre as mesmas questões, pois poucas delas mudaram...

Vou citar um dos parágrafos que escrevi em dezembro de 2010: “Mesmo com as últimas gafes de final de ano cometidas por nossos parlamentares, que se deram um ajuste de mais de 65% em seu salário (numa votação mais rápida que o trem-bala), mesmo com as contínuas cobranças indevidas, como taxas de lixo e aumento de IPTU, superfaturamento de obras públicas (e mesmo a falta delas), falta de esgoto e água encanada, escolas, saúde, etc., ainda assim, quero acreditar que Papai Noel existe!”

Aí é que eu me pergunto: Por que nos preocuparmos tanto se em 2012 o mundo vai acabar, ao invés de nos preocuparmos mesmo com a falta de mudanças fundamentais para a sobrevivência de todo ser humano? Será que o mundo já está acabando e não sabíamos? Ou será que 2012 é mais uma chance para refletir sobre como vivemos e mudar o rumo de nossa história?

Desejo a todos os leitores da minha coluna um feliz Ano Novo! Nos vemos em 2012!

PS: “O melhor lugar do mundo é aqui e agora” - Gilberto Gil.

Publicado em 29/12/2011, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Cadê meu presente?

Estudo realizado nos Estados Unidos com quase 16 mil pessoas comprova que, mesmo tardia, a mudança de hábitos pode trazer muitos benefícios à saúde física e mental.

Consumir cinco porções diárias de frutas, verduras e legumes, exercitar-se pelo menos duas horas e meia por semana, manter um peso adequado e não fumar pode diminuir o risco de problemas cardíacos e o risco de morte, mesmo para quem fez mudanças recentes.

Porém, a mudança de hábitos mentais também é importante. Vem chegando mais um Natal e, com ele, o velho hábito e a necessidade de comprar e ganhar muitos presentes!

Claro que todos nós gostamos de receber um presentinho, mas quando chegamos ao ponto de usar praticamente todo o mês de dezembro pensando em ir ao shopping, às lojas ou ao supermercado para comprar tudo o que pudermos para agradar nossos amigos, familiares e nossos filhos, que não param de perguntar: “cadê meu presente?” até a meia-noite do dia 24, alguma coisa parece estar fora de controle...

“Cadê meu abraço ou meu beijo?” Esta seria uma linda pergunta para fazer ou ouvir, em especial nesta época do ano. Tenho saído às ruas e visto centenas de pessoas se “esgoelando” no trânsito e em filas de ônibus, cheias de pacotes e sacolas, gritando com seus filhos para ficarem quietos, vendedores nas portas das lojas “intimando” os transeuntes para entrar...

Bem, neste sábado, finalmente estaremos fazendo a Ceia de Natal. Alguns sozinhos, outros cheios de familiares, algumas casas estarão lotadas de presentes, outras talvez não. Só que, como não mudamos nossos hábitos, infelizmente muitas pessoas vão estar medindo a felicidade de seu Natal pelo tanto que vão ganhar ou comer. Que pena!

É sempre bom lembrar que esta data comemora o nascimento de Jesus. E o que ele mais pregou foi a humildade, a caridade e o amor ao próximo. Dizem que “o hábito faz o monge “...

Desejo um Feliz Natal a todos os leitores de minha coluna, com muito amor, paz e humildade em seus corações.

Publicado em 22/12/2011, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Um Brasil menos branco...

Segundo o levantamento do último Censo Demográfico 2010, apresentado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em abril deste ano, de 1990 para cá, o número de homens em relação ao de mulheres aumentou, a população brasileira envelheceu... E ficou menos branca...

Sim, isso mesmo... Menos da metade da população se declarou branca na pesquisa. É a primeira vez que isso acontece desde que o censo passou a ser organizado pelo IBGE, em 1940.

Ao todo, 91.051.646 habitantes se dizem brancos, enquanto outros 99.697.545 se declaram pretos, pardos, amarelos ou indígenas. Os brancos ainda são a maioria (47,33%) da população, mas a quantidade de pessoas que se declaram assim caiu em relação a 2000, quando foi de 53,74%. Em números absolutos, foi também a única categoria que diminuiu de tamanho em relação ao Censo 2000.

Por outro lado, em dez anos, a porcentagem de habitantes que se classificam como pardos cresceu de 38,45% (65,3 milhões) para 43,13% (82,2 milhões). Já os pretos subiram de 6,21 % (10,5 milhões) para 7,61% (14,5 milhões) da população brasileira. O Brasil também tem mais moradores que se consideram amarelos (1,09% ou 2,1 milhões). No Censo 2000, apenas 0,45% (761,5 mil) se classificavam assim. Em dez anos, o número de amarelos superou o de indígenas, que subiu de 734,1 mil para 817,9 mil.

Bem, uma coisa fica muito evidente nesse levantamento: o Brasil é um país onde não podemos aceitar o racismo – velado, porém presente. Somos uma nação construída a partir de muitas “misturas”, uma delas, como sabemos, a partir dos milhares de escravos trazidos para cá em séculos passados. Todos nós somos o resultado da miscigenação de negros, orientais e índios, sem falar das dezenas de culturas que aqui vieram e moldam o nosso País: italianos, portugueses, japoneses, entre outras.

PS. Você já ouviu falar que a “mãe” da espécie humana era uma mulher – curiosamente chamada de Eva – e que vivia na África, há aproximadamente 140 mil anos atrás?

Publicado em 15/12/2011, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).
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