quinta-feira, 22 de junho de 2017

Onde está o Batman?


Quando crianças, nossos super-heróis eram nossos pais. Para muitos de nós, naquele momento, eles eram perfeitos: corajosos, indestrutíveis e infalíveis. Com o passar dos anos, começamos a perceber que nosso pai ou nossa mãe são seres humanos normais e, como todo mundo, eles também tinham seus medos, fraquezas, imperfeições e, infelizmente, nem sempre conseguiam resolver os nossos problemas e, muitas vezes, nem mesmo os deles próprios.

Então começamos a ver TV, ler gibis e ir ao cinema. E encontramos, novamente, um mundo repleto de super-heróis para todos os gostos: Super- Homem, Batman, Hulk, Homem-Aranha, Mulher-Maravilha... A maioria desses heróis surgiu em épocas de guerra, crises sociais e políticas.

A nova onda de filmes sobre todos os heróis dos velhos tempos tem lotado os cinemas. Adultos, jovens crianças, idosos, todos querem ver seus heróis combatendo o mal e fazendo justiça.

Vivemos esperando que alguém ou algo venha nos salvar! Bem, hoje o Brasil está mais para salve-se quem puder... Cada um por si e ninguém pelo próximo... As crises políticas e econômicas costumam acirrar mais ainda o individualismo, mas também pode ser um momento de nos unirmos mais.

E na vida real, existem super-heróis? Talvez você seja um deles. Heróis são os milhares de pessoas anônimas que fazem o que acham que devem fazer em determinado momento. Vão além dos seus próprios limites, lutando pelo que acreditam que seja bom para si mesmos e, especialmente, para todos ao seu redor.

Só um detalhe... Alguém já reparou que não temos nenhum super-herói brasileiro? Será que é mera coincidência ou é a realidade mais pura no país de Ali Babá e seus milhões de ladrões?

Mas não vamos desanimar! Pode ser que a “Turma da Mônica” e o ”Zé Carioca” façam a “Liga da Justiça Tupiniquim”...

PS 1: Quem vai ser o próximo presidente? Batman, Homem-Aranha, Capitão América?

PS 2: Acho que o Coringa tá na Lava Jato...

Publicado em 22/06/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 15 de junho de 2017

As várias faces da violência...

A violência já faz parte do nosso cotidiano e, infelizmente, parece que se tornou um substantivo banal. Mais ainda quando falamos em campanhas, ou frases como o título desta coluna.

Eu mesma penso: “E como vou colocar isso em prática? Vou me reunir a um grupo? Tenho que sair nas ruas com cartazes e reunir centenas de pessoas?” Já fiz essas coisas e acho que são muito válidas, mas o que funciona mesmo é começar a agir no nosso dia a dia, na nossa casa, nosso trabalho, com nossos familiares e amigos.

E já que estamos falando em violência, hoje, 15 de junho, comemora-se o Dia Mundial de Combate à Violência Contra a Pessoa Idosa. A data foi criada com o objetivo de despertar uma consciência mundial, social e política da existência da violência contra a pessoa idosa.

A violência, não só física como também a psicológica, acomete idosos de todas as faixas econômicas. Na maioria das vezes, a agressão vem de pessoas da própria família ou próximas a eles. O abandono nos asilos, a falta de carinho, a pressão psicológica e o descaso são formas de agressão que muitas vezes passam despercebidas.

Segundo pesquisas, o abuso é geralmente praticado por pessoas nas quais os idosos depositam mais confiança: familiares, vizinhos, cuidadores, funcionários de banco, médicos, advogados, etc.

No meu simples e mortal entendimento, abusar de uma pessoa idosa é uma atitude indesculpável e doentia. Por isso, é bom ficarmos alertas ao contratarmos um cuidador para nossos pais ou avós, prestarmos atenção quando os levamos a um hospital e temos que deixá-los sozinhos, enfim, cuidá-los com muito amor e carinho, 24 horas por dia!

Qualquer tipo de abuso contra outro ser humano que não possa se defender é uma covardia. Mas abusar de idosos e crianças é realmente uma vergonha!

PS 1: No Brasil, 65% dos idosos consideram maus-tratos a forma preconceituosa como são tratados pela sociedade em geral: as baixas aposentadorias, os desrespeitos que sofrem no transporte público, etc., etc...

PS 2: Assista ao debate online sobre “As Várias Faces da Violência” em: www.facebook.com/portalterceiraidade

Publicado em 15/06/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Onde está o zero?


Estudo realizado nos Estados Unidos com quase 16 mil pessoas comprova que, mesmo tardia, a mudança de hábitos pode trazer muitos benefícios à saúde física e mental.

Consumir cinco porções diárias de frutas, verduras e legumes, exercitar-se pelo menos duas horas e meia por semana, manter um peso adequado e não fumar pode diminuir o risco de problemas cardíacos e o risco de morte, mesmo para quem fez mudanças recentes.

Porém, a mudança de hábitos de nossos governantes também é importante: corrupção, fraudes, caixa dois, três, lava jato, lava rápido, lava tudo...

Claro que todos nós temos uma opinião formada sobre este ou aquele político. Confesso que neste momento não sei mais que é quem, qual partido tem coligação com qual – esquerda e direita são termos em desuso – fulano diz que fez “dobradinha” com sicrano, e assim vai...

Sai Dilma, entra Temer... Se Temer sair, quem entra? E o Brasil no meio desse barraco todo fica a ver navios. A inflação está mais alta do que nunca, o desemprego, a falta de perspectiva de nossos jovens, nossos idosos e de nós mesmos... O que fazer? O Brasil inteiro deve estar se fazendo a mesma pergunta! Mudar os velhos hábitos e começar do zero! Mas onde está “o zero”?

Dizem que o universo é infinito, talvez o zero esteja perdido por aí, no meio de tantos boatos e notícias e mais notícias sobre quem foi julgado, que delatou... Tudo só pra confundir e atrapalhar a vida de nós, pobres mortais! Sem falar na reforma da previdência, que também vai acontecendo devagarzinho – e de repente, em um piscar de olhos, acontece! Como e de que jeito?

Logo, logo, o ano passa, a vida passa e nós continuamos sem saber onde está o “zero”, o fio da meada para que possamos começar uma nova política econômica e social que funcione para o bem de todos.

PS: “É insano pensar que podemos obter resultados diferentes fazendo sempre a mesma coisa!” (Albert Einstein)

Publicado em 08/06/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Divergentes, emergentes... A saga continua!

Num país como o Brasil, onde existem milhares de analfabetos e falta de escolas públicas, chega a ser um privilégio saber ler e escrever. Não bastasse esta realidade cruel que nossas crianças e adultos vivem já há muitos e muitos anos, ainda somos pegos de surpresa por um programa do Ministério da Justiça para reduzir as penas dos presos mais perigosos do País.

O projeto irá distribuir 816 livros para as quatro penitenciárias federais do país, concedendo benefícios de redução de pena aos detentos-leitores. Entre os títulos estão “O Pequeno Príncipe”, clássico de Saint Exupéry, “Crime e Castigo”, de Dostoievski, “Código da Vinci”, de Dan Brown e até a trilogia “Crepúsculo”, de Stephenie Meyer.

Na penitenciária de Catanduvas, no Paraná, que tem 60 presos participando do projeto, um juiz concede até quatro dias para quem ler um livro em até 12 dias e apresentar uma resenha. Uma comissão avalia a redação e, se considerá-la de boa qualidade, concede ao detento um dia de redução na pena. Já na de Campo Grande (MS), concedem-se três dias de redução da pena para cada 20 dias que o detento utilizar para ler um livro.

Segundo agentes penitenciários, Fernandinho Beira-Mar – que cumpre pena de 120 anos e já passou pelas duas penitenciárias – é um “consumidor voraz” de livros. Já leu “O Caçador de Pipas”, de Khaled Housseini e “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu.

Concordo que os presos precisam de cultura. Mas não será, mais uma vez, um projeto apenas “politicamente correto”? Ou uma boa saída para os governantes se eximirem de investir em nossa educação e continuarem com a balela de que somos um “país emergente”? Emergente do quê e de onde?

Crianças e adultos ainda falam: “os livro” e “nós pega o peixe”. Regras básicas de nossa língua portuguesa ainda não são assimiladas ou mesmo ensinadas nas escolas.

PS 1: As penitenciárias estão super lotadas e as drogas rolam soltas... Que tal lerem “Alice no País das Maravilhas”?

PS 2: E a dança das cadeiras continua...

PS 3: “ Tira, põe, deixa ficar...”

Publicado em 01/06/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 25 de maio de 2017

“Nego ou faço ‘delação premiada’?”...


Alguém se lembra da belíssima novela ‘Vale Tudo’? A atriz Beatriz Segall, na personagem da vilã Odete Roitman, e Reginaldo Faria, no papel de Marco Aurélio, também um grande mau caráter, ambos com muito poder e dinheiro. Após roubarem tudo e todos, fogem do Brasil, ilesos e intocados! Será que qualquer semelhança é mera coincidência?

Toda semana aparece na mídia um novo escândalo, uma denúncia e todos os políticos e demais cidadãos envolvidos repetem o mesmo refrão: “Eu nego, é tudo mentira!”. Acho que todos estudaram na mesma escola...

Mesmo com gravações mostrando esquemas de quadrilha, “Caixa 2”, Lava Jato, subornos, propinas e lobbies no Planalto, eles negam. Negam tudo! Se olharmos para tudo isso como uma mera ficção, podemos dizer que o enredo da trama está muito bom! Mas, por acaso, isso tudo que estamos vendo é a nossa realidade – e cada capítulo desta história vai interferir nas nossas vidas, nas vidas de nossos filhos, netos, bisnetos...

Sociólogos e analistas políticos divagam sobre o grande mal de não existirem mais os partidos de “esquerda” ou de “direita”. E será que este é o problema?

A política, como tudo, se globalizou, ficou moderna, imediatista, individualista. Agora está na moda participar da “delação premiada”... Eu acho isso um artifício de muita ma fé para dar um “prêmio”, ou diminuir a pena de quem cometeu o crime também!

Aí, me pergunto: “E como está o Brasil hoje? E daqui a dez, vinte ou trinta anos?”. Ainda sentimos na pele a questão de problemas sociais não resolvidos desde os tempos de Dom Pedro I.

Nossos governantes continuam negando seu o apoio a políticas verdadeiras para a sustentabilidade de nosso país e de nossos cidadãos – e, pior, eles negam que estão negando o seu dever e, depois, simplesmente entram na imensa fila para participar da delação premiada!

PS: “Chega a fazer suspeitar que a mentira é, muitas vezes, tão involuntária como a transpiração” (Machado de Assis, em seu clássico ‘Dom Casmurro’).

Publicado em 25/05/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Turismo cultural...

Novo roteiro turístico para os próximos feriados! “Com a pacificação das favelas, é possível que turistas conheçam novos ângulos das praias e da cidade. A segurança para circular é ‘semelhante à do asfalto’”. A afirmação, publicada na mídia impressa, destaca os principais atrativos turísticos do Rio de Janeiro: Morro do Alemão, do Borel, Morro Santa Marta, Cantagalo, etc. “Em todos os morros, temos várias opções: um mirante, a igreja da Providência, construída há cerca de 200 anos, além de opções de guias locais”, completa o artigo.

Esta exaltação às favelas cariocas é o que mais me surpreende já que, se não me falha a memória, estas favelas foram consideradas as mais perigosas, além de estarem completamente dominada pelas drogas. De repente, tudo mudou... Como eu havia escrito em colunas anteriores, o ano mudou e, num piscar de olhos, todo o complexo do Alemão e adjacências está “pacificado” e, ainda mais, pronto para receber turistas do mundo inteiro! Dizem...

Tudo muito politicamente correto. Quero deixar claro que não estou descriminando ninguém e, muito menos, as favelas, muito pelo contrário. Acho um absurdo transformar a questão da favelização – não só do Rio, mas de todo o Brasil – em um grande circo pra inglês ver! Enquanto milhares de pessoas vivem nelas em uma situação desumana – sem água potável, esgoto, em casas construídas nos morros com restos de papelão –, nosso governo quer nos convencer e, pior, convencer o mundo afora, de que favela é sinônimo de cultura e turismo!

Daqui a pouco, morar na favela vai ser “bacana”. Vão até dizer que é um projeto de vida sustentável e ecológico, já que todas as casas são feitas com “material reciclado” e você poderá viver sempre perto da natureza, “em estado intocável”.

PS 1: Favela (do dicionário Michaelis): Aglomeração de casebres ou choupanas toscamente construídas e desprovidas de condições higiênicas.

PS 2: Estande do Rio Top Tour, do governo estadual, informa sobre pontos de visitação.

PS 3: Por que as pessoas mentem?

Publicado em 18/05/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Temos várias mães...


Mães, avós, bisavós, todas são mães. Filhas, netas e bisnetas também se tornam mães de suas mães. É um ciclo maravilhosamente interminável.

Há vários tipos de mães: a que cozinha, lava e passa, a que trabalha fora, a que é mãe coruja, a mãe brava, a mãe que cria seus filhos sozinha, além das mães que criam os filhos de outras mães.

Bem, dizem que a mulher já nasce com o instinto natural de mãe. Ela é aquela que protege, luta e aninha seus filhotes.

Neste domingo, dia 14 de maio, comercialmente vamos comemorar mais um Dia das Mães. Promoções nas lojas, restaurantes, shoppings, tudo para comprar um presente para sua mãe ou levá-la para almoçar, passear... Enfim, o comércio ganha muito com esta data.

Mas será que esta é a melhor maneira de homenagear todas as mães de todas as idades? Quantas vezes nos esquecemos, ao longo do ano e no nosso dia a dia tão corrido, de dar um beijo, ligar, ou visitar nossa mãe? Esquecemos até o mais importante: foi ela que nos deu a luz.

Então me pergunto: como é possível que tantos homens agridam suas companheiras, filhas, empregadas e até mulheres desconhecidas? Será que estes homens não pensam que, no fundo, estão agredindo suas próprias mães?

Mesmo sendo uma data a se comemorar, acho bom sempre refletirmos um pouco sobre como a nossa sociedade ainda age de maneira tão primitiva em relação às mulheres, que são naturalmente nossas mães.

Uma curiosidade... “Estudo na Costa do Marfim diz que adoção de órfãos é pratica seguida até por chimpanzés do sexo masculino”. Eu tenho guardado este artigo há muito tempo, mas sempre vale destacar este fato como exemplo de compaixão e amor incondicional no mundo animal versus o mundo “humano e civilizado”.

Parabéns a todas as mães do mundo, hoje, ontem e sempre! Mãe é mãe, sempre! Todos os dias da semana, do mês e do ano!

PS: Os chimpanzés da Costa do Marfim estariam mais evoluídos do que nós, no que tange a valores éticos e morais e à visão do que é realmente viver em uma sociedade?

Publicado em 11/05/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Qual é a maior violência?

Uma pesquisa realizada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pela USP revelou dados alarmantes: o número de mortes causadas por homicídios vitimou 5.705 paulistanos contra 1.368 mortos por AIDS.

Claro que esse aumento absurdo da violência em todo o Brasil se deve a vários fatores que já estamos cansados de conhecer, como: desemprego, fome, falta de escolas, moradia e, principalmente, a falta de uma perspectiva futura para os cidadãos brasileiros. Mas existe aí uma causa a mais, quase sempre presente em toda essa “epidemia de homicídios”: o tráfico de drogas.

Infelizmente, o maior número de traficantes e usuários de drogas está entre os adolescentes – e até crianças –, na sua maioria, vindos da periferia e das favelas, afinal eles são o alvo mais fácil de ser atingido, pois com a completa falta de direitos à escola, lazer e trabalho, esses jovens acabam encontrando no tráfico um sonho de poder consumir e existir. Obviamente, acabam se viciando e, daí pra frente, matando e morrendo dentro desse círculo vicioso.

Qual será a maior violência? Falando em AIDS, não vejo mais nenhuma campanha de prevenção ou conscientização sobre esta doença – que ainda existe! Adolescentes engravidando e fazendo abortos no fundo do quintal, com a possibilidade de morrer ou contrair o vírus do HIV, além de outras doenças sexualmente transmissíveis, aumento de estupros, etc., etc., etc...

“A gente para de estudar para trabalhar e não consegue mais voltar a estudar”, diz Mariane Dias da Silva, 19 anos, que largou a 8a série com 15 anos para ajudar a sustentar a casa.

Conforme estudos da Fundação Seade, existem mais de 2 milhões de jovens entre 18 e 24 anos que estão fora da escola, só no estado de São Paulo. Infelizmente, existe uma legião de adolescentes que são forçados a trabalhar – quando encontram trabalho – apenas para tentar sobreviver...

PS 1: Quem é o ovo e que é a galinha?
PS 2: Acabaram os feriados...

Publicado em 04/05/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).