quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Fitinhas rosas não bastam...


Outubro Rosa é uma campanha de conscientização para a prevenção do câncer de mama. Ao longo de todo o mês, são discutidas importantes informações sobre a prevenção, tratamentos e maneiras de enfrentar essa doença. E os direitos que as mulheres têm assegurados?

Por falta de informação, os pacientes e suas famílias não sabem que podem ter, além do acesso aos medicamentos, também isenções tributárias, como: Imposto de Renda (IR), Imposto sobre operações financeiras (IOF), Imposto sobre a propriedade de veículos (IPVA), além de outros direitos, como transporte gratuito, liberação do fundo de garantia e do PIS/PASEP e mais a cirurgia reconstrutora!

Na maioria dos casos, o câncer de mama deixa mais que marcas psicológicas na mulher, já que o tratamento pode envolver a retirada de parte ou de toda a mama afetada, ou mesmo das duas mamas. Nestes casos, a cirurgia plástica reparadora de mama é um direito garantido às mulheres que sofreram mastectomia total ou parcial. O procedimento pode ser realizado pela rede de unidades integrantes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Bem, até aqui citei os direitos legais... Mas como todos nós sabemos, a teoria na pratica é outra. Com certeza, não vai ser nada fácil conseguir ter todos estes direitos citados acima, infelizmente, devido ao descaso e burocratização de nosso governo, desde a época de D. Pedro I, II, entre outros...

Existem duas formas de ir atrás dos seus direitos. A primeira delas é a via administrativa, em que o pedido pelo medicamento é analisado pela Secretaria da Saúde e o paciente tem um retorno posterior. É comum que o pedido seja negado, o que é um absurdo! Então, se faz necessária a ação judicial. Aí, você pensa: “Se eu não posso pagar um medicamento, como vou pagar um advogado?”.

Procure a Defensoria Pública ou Promotoria de Justiça de sua cidade, ambos os serviços são gratuitos. Vale a pena tentar!

PS 1: É tão fácil criar leis e supostos direitos...
PS 2: É tão fácil distribuir milhares de fitinhas rosas...

Publicado em 19/10/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Feliz Dia das Crianças...


Estudo coordenado pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) aponta que o Brasil alcançou a marca de 3,65 adolescentes entre 12 e 18 anos assassinados para cada grupo de mil jovens.

O número é o mais alto desde que começou a ser medido, em 2005. O IHA (Índice de Homicídios na Adolescência) engloba os 300 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes e se baseia nos dados do ano de 2014 do Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde.

“Este valor é elevado. Uma sociedade não violenta deveria apresentar valores não muito distantes de zero e, certamente, inferiores a 1”, explicam os autores do estudo.

O futuro do Brasil, representado por esses jovens, está em risco, alertam: “Essa alta incidência de violência letal significa que, se as circunstâncias que prevaleciam em 2014 não mudarem, aproximadamente 43 mil adolescentes serão vítimas de homicídio no Brasil entre 2015 e 2021”.

Não quero de maneira alguma estragar esse dia tão lindo que é a comemoração do dia das crianças! Porém, fechar os olhos e fingir que nada disto está acontecendo seria uma atitude muito infantil...

Daqui a alguns anos, as crianças e adolescentes de hoje serão os adultos de amanhã – que também terão seus filhos, netos, bisnetos... Em que tipo de sociedade estas crianças e adultos de amanhã estarão vivendo?

É como uma bola de neve, quanto mais neve tiver maior ela fica! E aí vem a pergunta: por que tantas crianças e adolescentes estão sendo mortos? Tráfico de drogas? Miséria? Falta de educação, moradia, emprego? Pais e mães desestruturados que ainda passam pelas mesmas situações que passaram quando também eram crianças?

Difícil achar uma só causa... Acredito que seja tudo isso e muito mais – o eterno descaso de nosso governo com a sociedade e seus direitos humanos ao longo de várias gerações.

Daqui a pouco, vem mais um ano de eleições e, junto, a nossa chance de votar ou não votar em ninguém que não acreditamos que faça a diferença! No dia a dia, cada um de nós é governante de sua própria vida de seu país!

PS 1: Você já comprou seu presente?
PS 2: Bom feriado!

Publicado em 12/10/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Dia do Idoso em Marte...


Aos 60, professora irá comemorar o Dia do Idoso em Marte! Parece ficção científica, mas é onde Sandra Maria Feliciano da Silva, professora e advogada rondoniense, irá celebrar a data em breve. Hoje com 52 anos, ela é a única concorrente brasileira para o Mars One, programa de colonização do planeta vermelho. E a viagem será só de ida...

O projeto, encabeçado pelo engenheiro mecânico holandês Bas Lansdorp, foi orçado em 6 bilhões de dólares, e convocou candidatos do mundo inteiro que estariam dispostos a ganhar uma passagem só de ida para o planeta vermelho.

Ainda não há tecnologia para que os inscritos retornem, mas, mesmo cientes, cerca de 200 mil pessoas concorreram às 24 vagas finais – e Sandra foi uma delas.

“E se não der certo?”. Entre risos, a corajosa – ou “maluca” como é chamada pela família – Sandra apenas diz: “Se não der, tento de novo”. O primeiro grupo está previsto para embarcar em 2024 e, caso Sandra seja uma das finalistas, terá 60 anos nessa data.

Sandra sempre teve apreço pela ciência e afirma querer morar em outro planeta desde a infância. De São Paulo, mudou-se para Rondônia ainda criança e desenvolveu grande habilidade para a Biologia. “Era uma vida bem diferente para uma criança. Tínhamos de ser criativos para desenvolver soluções para muitas coisas, já que todo o contexto de São Paulo não se aplicava mais. Imagine Rondônia 40 anos atrás”, comenta.

Caso ela seja selecionada dentre os 24 finalistas, Sandra terá que percorrer um longo caminho de treinamentos, mas se demonstra confiante e afirma possuir todas as características que a enquadram como uma boa tripulante. “A briga vai ser intensa porque todos os candidatos para esse projeto são muito fortes. Eu, inclusive”, completa.

PS 1: Tenho certeza que Sandra acredita que Marte pode ser um novo começo!

PS 2: Se todos os políticos, banqueiros e outros poderosos da Terra não forem para Marte, eu também acredito que pode dar certo...

PS 3: Parabéns à Sandra e a todos os idosos do Brasil e do mundo!

Publicado em 05/10/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Favela Tour...

Novo roteiro turístico para os próximos feriados! “Com a pacificação das favelas, é possível que turistas conheçam novos ângulos das praias e da cidade. A segurança para circular é ‘semelhante à do asfalto’”. A afirmação é de uma matéria publicada na mídia impressa em 2011 e destaca como principais atrativos turísticos o Morro do Alemão, do Borel, Cantagalo, além de opções de guias locais.

Tudo muito politicamente correto... Num piscar de olhos, todo o complexo do Alemão está “pacificado” e, ainda mais, pronto para receber turistas de todo o mundo!

Esta exaltação às favelas cariocas é o que mais me surpreende já que essa, se não me falha a memória, é considerada uma das mais perigosas e completamente dominada pelas drogas – o que não mudou muito de lá para cá. Matéria publicada ontem no UOL destaca que a atividade foi suspensa por conta da violência na favela da zona sul do Rio. O conflito armado na Rocinha e o medo da violência levaram a agência Rocinha by Rocinha, que promove o turismo na comunidade, a suspender os passeios a pé – conhecidos como “walking tours”.

Quero deixar claro que não estou descriminando ninguém – e muito menos as favelas, muito pelo contrário. Acho um absurdo transformar a questão da favelização, não só do Rio, mas de todo o Brasil, em um grande circo pra inglês ver! Enquanto milhares de pessoas vivem nelas em uma situação desumana, sem água potável, esgoto, em casas construídas nos morros com restos de papelões, nosso governo quer nos convencer e, pior, convencer o mundo afora, de que favela é sinônimo de cultura e turismo!

Daqui a pouco, morar na favela vai ser “bacana”. Vão até dizer que é um projeto de vida sustentável e ecológico, já que todas as casas são feitas com “material reciclado” e você vive sempre perto da natureza em “estado intocável”...

PS 1: Favela (do dicionário Michaelis): Aglomeração de casebres ou choupanas toscamente construídas e desprovidas de condições higiênicas.

PS 2: No tour de ontem foram mobilizados mais de 1.000 policiais e homens do Exército, além de tanques de guerra...

Publicado em 28/09/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Pizza, quibe...

O Brasil sempre foi elogiado e reconhecido por ser um país que recebe, sem discriminação, imigrantes do mundo inteiro. Andamos pelas ruas e facilmente encontramos italianos, japoneses, árabes, portugueses... Sentimo-nos como se estivéssemos na famosa “Torre de Babel”.

Porém, a teoria na prática é outra! Quantas vezes você já ouviu ou falou frases do tipo: “Puxa o 'japa', meu vizinho, é um chato...”, ou “Aquele 'branquela' é um arrogante...”, além de piadinhas sacanas como: “Quando é que o negro vai à escola?...”, ou “O português atendeu o celular e disse que estava no motel...”

No início, é tudo brincadeirinha, depois vira um hábito, uma atitude constante e, num piscar de olhos, você se torna um discriminado ou um discriminador.

Neste momento, o Brasil passa por um momento muito importante, no que tange não só à etnia, mas à opção sexual. A questão de ser ou não ser gay, lésbica, bissexual, ou seja qual for a escolha do ser humano, ainda é uma questão que gera muita polêmica e também discriminação.

Mesmo tendo sido aprovado pelo Superior Tribunal Federal o casamento entre pessoas do mesmo sexo – além do direito à pensão, herança, previdência e comunhão de bens –, ainda assim estamos muito longe da aprovação e aceitação de nossa sociedade quanto a este fato!

Muitos religiosos e mesmo cidadãos comuns se revoltaram, dizendo que isso é uma afronta à moral da sociedade e da família, ou que ser homossexual é doença ou “coisa do demônio”...

Estamos no século 21 e parece que a caça às bruxas da era medieval continua a mesma!

Por que não aceitamos ou não conseguimos conviver com pessoas que têm uma opção sexual diferente? Afinal de contas, essa opção não é contagiosa, não mata nem explode bombas ou vicia como o crack e outras drogas! É uma opção à qual cada um de nós tem o direito de escolher.

Que bom poder comer pizza num dia, quibe no outro, sushi... Viva a diferença!

PS 1: Caso você não goste de alguma comida que citei acima, tudo bem, mas, por favor, não as discrimine!

PS 2: Viva a diferença!

Publicado em 14/09/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Independence Day...


Dia da Independência Tupiniquim! A história que aprendemos desde crianças na escola é que no dia 7 de Setembro de 1822, próximo ao riacho do Ipiranga, Dom Pedro levantou a espada e gritou: “Independência ou Morte!”.

Pouco se comenta que o povo, na época, nem sequer acompanhou ou entendeu o significado da independência. A estrutura agrária continuou a mesma, a escravidão se manteve e a distribuição de renda continuou desigual. A elite agrária, que deu suporte a D. Pedro I, foi a camada que mais se beneficiou.

Desde então, se passaram quase 200 anos, porém todos estes fatos me remetem, mais do que nunca, aos dias de hoje. O nosso país continua sendo extremamente desigual – em todos os sentidos: econômico, social e político. Quem não gostaria de ser independente, ter o direito ao seu sustento, moradia, estudar, trabalhar, ter acesso a hospitais, luz e rede de esgoto? Mas, já diz um bom e velho ditado: “A liberdade não se ganha, se conquista!”.

Aparentemente, podemos ir e vir, afinal, acabou a escravidão (!?)... Mas qual é o significado da nossa independência? É possível dizer que vivemos como cidadãos livres, seja na área urbana ou rural, se ainda existem pessoas que chegam a ganhar 30 ou 50 reais por mês e usam seu dedo polegar como assinatura?

Hoje, os beneficiados – e, diga-se de passagem, muito bem beneficiados – continuam sendo os mesmos! Só mudaram de nome. Mas como isso é possível? Temos uma nova classe emergente, cheia de cartões de crédito – e dívidas com juros praticamente impagáveis. Nossa população tem celulares, TVs de plasma, acesso ao Facebook, carros importados! É... acho que estou exagerando... Olha só quantas coisas que não mudam em nada a estrutura social de nosso país mudaram!

PS 1: Você sabia que Dom Pedro pagou à Portugal 2 milhões de libras esterlinas pela nossa independência? E ainda com dinheiro emprestado!

PS 2: Será que as malas cheias de dinheiro que foram encontradas ainda são do empréstimo que Dom Pedro fez?

PS 3: Bom feriado!

Publicado em 07/09/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

O Brasil precisa de muito AXÉ!


Quando os negros do continente africano foram trazidos para o Brasil como escravos, muitas de suas tradições e de sua cultura os acompanharam. Assim, o Candomblé, umas das várias religiões trazidas do continente africano, começou a se espalhar pelo país.

Mesmo muito discriminada pela sociedade da época, por ter negros como praticantes, a religião e toda cultura africana acabaram se transformando em parte da cultura brasileira. O ritmo dos tambores, nossa culinária, artefatos e até palavras do português brasileiro surgiram com a herança africana e os costumes praticados pelo Candomblé.

A professora titular aposentada do Departamento de Psicologia da PUC do Rio de Janeiro, Monique Augras, considera essa questão fundamental. “Não só o Candomblé enquanto religião, mas o modo de ser do mundo africano está enraizado em nossa cultura”, diz.

No período de escravidão, os negros foram proibidos de cultuar seus deuses e, por isso, criaram uma alternativa para manter a religião, associando cada orixá a um santo católico. Assim, Iemanjá é Nossa Senhora do Rosário, Exu é Santo Antônio, ou, por exemplo, a Festa de Oxalá coincide com a Festa do Senhor do Bonfim, em Salvador.

Nos cultos aos orixás, há danças e músicas, onde, segundo Monique, o tambor é considerado um ser vivo, por sua intensa vibração. Vem daí um dos instrumentos musicais, que hoje é considerado tipicamente brasileiro. O tambor e os demais instrumentos de percussão vêm diretamente da religião e da herança cultural de países africanos.

Outra influência da religião na cultura brasileira vem do nome usado para designar a energia do mundo, que, para os praticantes do candomblé, é conhecida como axé. A palavra se popularizou. Hoje, quando alguém deseja a outro energias positivas ou uma benção, diz axé.

PS 1: Com muito AXÉ, vamos acabar com o preconceito, o racismo e a intolerância religiosa.

PS 2: Todos nós precisamos de muito AXÉ!

Publicado em 31/08/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Anjos existem!

Alveiro Vargas tinha apenas 9 anos de idade quando resolveu mudar a vida dos mais velhos, em sua cidade natal, Bucamaranga, na Colômbia. Sem recursos e por conta própria, ele organizou seus amigos, também crianças, da favela onde morava e passou a levar cuidados, amor e carinho aos idosos.

Os velhinhos o chamavam de “angelito” (anjinho). Ele e mais 12 crianças visitavam idosos, de barraco em barraco, para levar comida e fazer a limpeza. Alveiro não teve tempo para brincar com as crianças de sua idade. Fazia suas visitas desde que saia da escola até às 11 da noite.

“O nosso bairro e as pessoas idosas estão muito abandonados pelas instituições, pelo governo, pela prefeitura. Aqui tem muita pobreza. Em época de eleição, os políticos vêm aqui dizendo que vão ajudar e, depois que passa a eleição, adeus promessas”, criticou Alveiro.

Um documentário de TV, na época, mostrando suas iniciativas, chegou até a França, onde despertou uma onda de doações. Bucamaranga recebeu 500 mil francos, mas o valor não era suficiente para construir o asilo e mantê-lo em funcionamento. Ele chegou a ter contato com a primeira-dama da Colômbia e com o Governador local, o que frustrou mais ainda suas expectativas, pois as promessas feitas não foram cumpridas.

Após uma doação de mais 300 mil francos da França para os “anjos”, Alveiro pôde, finalmente, construir o seu sonho. Hoje, aos pés da favela onde morava, o asilo “Cantinho da França” tem 140 leitos, 4.000 metros quadrados e um grande jardim.

Parte do sonho do pequeno “angelito”, agora com mais de 20 anos, se realizou. Mas ele sabe que ainda há muito a fazer. “Gostaria de estudar medicina, mas acho que, como advogado, poderei defender e tentar garantir cada vez mais os direitos dos idosos e de todas as pessoas carentes”, afirma.

PS 1: Todos nós podemos ser um “angelito”!

PS 2: “Ser ou não ser? Eis a questão...”

PS 3: As asas você pode comprar em qualquer loja...

Publicado em 24/08/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Ser ou não ser?...


Preconceito: “Opinião adotada sem exame, imposta pelo meio social ou pela moral imposta” (Enciclopédia Larousse Cultural).

Bem, acho que a definição da palavra preconceito já é um bom começo para questionarmos qualquer atitude que se baseie neste conceito.

Você já pensou que, em várias situações polêmicas de sua vida, o preconceito ou a moral imposta o levaram a tomar atitudes sem nem ao menos questioná-las? Venhamos e convenhamos, uma sociedade é composta de regras, porém muitas delas acabam se tornando dogmas, principalmente quando elas se justificam no medo de aceitar novas maneiras de agir e pensar.

A opção sexual, a religião, a cor, até o time de futebol pelo qual torcemos se tornam alvo de discriminação quando não estão de acordo com a opinião vigente!

Mas será que esse é o maior problema? Ou a grande questão é: “posso ser ou não ser”?

Gostar de verde, quando a maioria gosta de vermelho, assistir ou não às novelas, alisar ou não os cabelos... Enfim, ter a liberdade de expressão e escolha, independentemente do que a maioria das pessoa, governos ou religiões impõe como certo ou errado.

Se não lutarmos pelo nosso direito de ser o que somos e aprendermos a respeitar as diferenças, as guerras e a ignorância nunca vão acabar!

Hoje você pode ser o agressor, mas, dentro de um sistema cheio de preconceitos e intolerância, é muito fácil, amanhã, você se tornar a próxima vítima...

Nos últimos dias, a mídia tem falado muito do absurdo e degradante fato que ocorreu na cidade de Charlottesville, nos EUA, onde um grupo de brancos racistas, antissemitas e homofóbicos atacaram centenas de negros e pacifistas, além de atropelarem uma multidão de pessoas que estavam realizando uma passeata contra esses seres primitivos!

PS: Estamos no ano de 2017. Que pena que nada mudou mos últimos 8 mil anos de nossa civilização a qual chamamos de “inteligente”.

PS2: Qual é nosso problema?

Publicado em 17/08/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Homens e mulheres: uni-vos!

Há onze anos, foi criada uma lei no Brasil que possibilitou mecanismos para coibir qualquer tipo de agressão contra as mulheres: a Lei Maria da Penha. Com o objetivo de ampliar a aplicação da lei, criada em 7 de agosto de 2006, o STF (Supremo Tribunal Federal) tomou uma decisão, em 2012, que permite enquadrar judicialmente autores de agressões domésticas independentemente de queixa da vítima. Com a mudança, qualquer pessoa poderá denunciar agressão contra mulheres.

Mas um fato inédito mostrou que a lei pode ser usada, também, para proteger homens – no caso um idoso, morador de Planaltina, no interior de Goiás.

O caso ocorreu após o idoso (nome não divulgado) registrar ocorrência na 31ª Delegacia de Polícia contra um jovem de 21 anos de idade, acusado de demonstrar agressividade, desrespeito, injúria e fazer ameaças de morte contra a vítima. O agressor, que não tem nenhum grau de parentesco com a vítima, reside há mais de três anos, de favor, na casa do mesmo.

Com base no Estatuto do Idoso, a promotora de Justiça Raquel Tiveron requereu medidas protetivas de urgência, normalmente utilizadas em casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, para um homem de 69 anos de idade.

O pedido foi atendido integralmente e o juiz determinou a prisão preventiva do agressor, por ficar comprovado que o idoso estava machucado. A vítima, inclusive, apresentou uma maçaneta usada para ameaçá-lo de morte. Esta decisão, com certeza, vai abrir precedentes para outros casos.

Bem, concluo que, na verdade, o grande problema do ser humano é a falta de respeito para com o seu semelhante – ou mesmo para com outras espécies vivas! Não consigo entender de onde vem este “gene maligno”, que está impregnado em nosso DNA e nos leva a dominar, matar, torturar e maltratar física e emocionalmente outros seres definitivamente mais frágeis.

PS 1: Homens e mulheres: uni-vos na busca de um mundo que se torne, de fato, civilizado!

PS 2: Todo homem que agride uma mulher tem uma mãe. Será que ele nunca pensou que sua mãe é uma mulher também?

Publicado em 10/08/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Éramos todos humanos até que...

“Éramos todos humanos até que... a diferença de etnias criou o preconceito, a religião nos separou, a política nos dividiu e o dinheiro nos classificou” (autor desconhecido).

Recebi esta frase no meu Face e não tive dúvidas em usá-la como inspiração e conscientização de que somos todos iguais! Independentemente da nossa cor, credo ou conta bancária, todos nós chegamos neste planeta – e sairemos dele – da mesma maneira...

Lembrei-me, então, de um filme que eu assisti já faz um bom tempo, “A Corrente do Bem”, no qual um menino de 12 anos cria o seguinte desafio para si e para todos ao seu redor: conseguir fazer para três pessoas, sejam elas quais forem, algo muito especial, algo que elas não conseguiriam fazer por si só e, daí pra frente, essas pessoas fariam por mais três pessoas o mesmo, e assim por diante. Não vou contar o resto do filme, senão perde a graça...

Bem, depois que o filme terminou, tive, mais uma vez, a certeza de que o mais importante não é ganhar ou perder, mas, sim, viver e ajudar àqueles que estão sem rumo a tentarem novamente. Porém, não adianta dar o “peixe” e, sim, a “vara de pescar” e, mais importante, com muito amor e carinho, sem preconceitos, sem julgamentos, sem arrogância!

Sempre temos uma desculpa para viver no nosso “quadrado”, olhando apenas para nosso umbigo, classificando as pessoas, criando fronteiras, divergências políticas e religiosas, para, assim, seguirmos adiante destruindo tudo e todos – inclusive a nós mesmos. Denominamos-nos humanos. Muito estranho... Todos os animais matam apenas quando precisam comer...

PS 1: Passe a “Bola do Bem”. Observe uma, duas, três ou mais pessoas as quais você acha que poderia realmente ajudar de alguma maneira...

PS 2: “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim” (Chico Xavier).

PS 3: Nosso querido John Lennon escreveu muito melhor do que eu tudo isso e muito mais em sua música “Imagine”! Vale a pena ver a letra traduzida no Google...

Publicado em 03/08/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Parabéns a todos os vovôs e vovós do Brasil!

Quem não ama de paixão seu avô e sua avó? E, assim como temos o Dia dos Namorados, o Dia das Mães, o Dia dos Pais, entre muitas outras datas, não poderíamos deixar de homenagear, também, o Dia dos Avós, comemorado ontem, dia 26 de julho.

A data foi escolhida para a celebração do Dia dos Avós por ser o dia de Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria e avós de Jesus Cristo.

Conta a história que Ana e seu marido Joaquim viviam em Nazaré e não tinham filhos, mas sempre rezavam pedindo que Deus lhes enviasse uma criança. Apesar da idade avançada do casal, um anjo apareceu e comunicou que Ana estava grávida, e eles tiveram a graça de ter uma menina, a quem batizaram de Maria.

Ana morreu quando a menina tinha apenas 3 anos. Devido a sua história, Santa Ana é considerada a padroeira das mulheres grávidas e dos que desejam ter filhos. São Joaquim e Santa Ana são considerados os padroeiros dos avós.

Ser vovó... Essa é, provavelmente, uma das fases mais doces da vida, na qual a vovó – e o vovô, também –, estão curtindo com muito amor e carinho seus filhos e os filhos dos seus filhos. A passagem do tempo lhes dá a oportunidade de poder passar a eles a experiência que eles tiveram ao longo de suas vidas: histórias, lembranças e conselhos que possam orientá-los a fazer o que eles mais gostaram na vida – e, talvez, evitar os erros que não querem que eles repitam.

Aproveito esta data para homenagear todos os vovôs e vovós e, também, você, leitor(a) desta coluna, que, mesmo não sendo avô ou avó, com certeza tem muito amor pelos filhos e netos de seus parentes e amigos.

PS 1: Como recomendação de leitura, o livro “Avós” (escrito por Heras; Editora Callis, 2003), nos mostra que gostar de nós mesmos, em qualquer etapa do ciclo da vida, é o primeiro passo para um envelhecimento bem sucedido.

PS 2: Tomara que nós, quando nos tornarmos avós, não tenhamos que passar por essa situação tão angustiante – e vergonhosa – de reforma da Previdência. Não há avô ou avó que aguente...

Publicado em 27/07/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 20 de julho de 2017

TVs, celulares... E cadê o banheiro?


Dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE, mostram que, enquanto no país avança a presença nas residências de bens duráveis como TVs, aparelhos de DVD, computador, celular, carros, etc., boa parte dos Estados fica paralisada – ou até regride – em serviços como água, esgoto e coleta de lixo.

Segundo o IBGE, no Brasil, 4 milhões de pessoas não têm banheiro em casa. Na cidade de Milagres, no Maranhão, cerca de 67% dos domicílios não têm banheiro.

Um dos maiores entraves, ainda, é a rede de esgoto. Ao todo, 11 Estados recuaram no acesso a este serviço. No Piauí, o percentual de casas com acesso à rede foi de 4% para 2,8% – queda de 29%. “Há um avanço, mas muito aquém do que o país precisa. O governo tem meta de universalizar o serviço em até 20 anos. Se continuar assim, é impossível”, diz Édison Carlos, presidente do instituto.

O problema se repete na coleta de lixo. “Os municípios não têm mostrado capacidade de recolher e destinar adequadamente tudo. E os problemas estão se agravando”, diz Maria Vitória Ferreira, coordenadora da agenda ambiental da Universidade de Brasília.

Neste cenário desastroso devido a inconsequente administração de nossos governantes, que já vem de longa data, surge um outro cenário surrealista... Jorge Alessandro de Souza vive em frente a um igarapé no bairro São Jorge, na zona oeste da capital do Amazonas. O lixo se acumula nas margens do canal, não há coleta de esgoto e a iluminação é precária.

Porém, na sua garagem, uma lona escura esconde um sonho antigo: o carro que ele comprou em fevereiro passado. Dentro de sua casa, há geladeira, televisão e outros eletrodomésticos, todos novos... Será que esta situação pode levar alguém em sã consciência a dizer que vivemos em um país emergente?

Bem, deixando de lado estes pequenos detalhes do dia a dia e dando para ver o joguinho de futebol e a novela das oito, parece que está tudo bem por aqui...

PS 1: “Um país sem banheiros não é um país sem miséria!”

PS 2: Iniciativa privada lançou a campanha “Banheiro Seco”. Saiba mais em: www.banheirosmudamvidas.com.br

Publicado em 20/07/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Sobre homens e hienas...


Em tempos de crise, tenho sentido cada vez mais como os seres humanos lidam uns com os outros... Dizem que “tudo está difícil”, “não sobra dinheiro pra nada”, “não sobra tempo”, “os nervos estão à flor da pele”, “tem que cuidar primeiro de sua prole”...

E fora dos tempos de crise? Estes seres humanos agem diferente, ou sempre existe um “porém, mas, contudo, todavia”, “tá tudo bem, mas eu primeiro”, “os outros que se virem e lutem como eu”, “consegui tudo com meu suor”?

Brinco muitas vezes com meus amigos, comparando bichos e homens! Tem gente que parece gato, outros, cachorro, outros, passarinho, etc... Não em sua aparência, mas, sim, em suas atitudes para consigo mesmos e para com os outros!

Pensei com meus botões... Desde a época mais remota de nossa existência, com qual bicho a maioria das pessoas se assemelha? Recebi um texto sobre a questão do mundo animal fazendo uma analogia com nossa sociedade. Caiu como uma luva! Comecei a ler e um dos bichos citados era a hiena. O texto dizia: “Hienas são bichos que comem restos, mas vivem rindo. São predadoras de extrema destreza e crueldade. As hienas riem da própria desgraça, num sinal de contentamento automático com a miséria, com o destino de marginais tolerados, com o complexo eterno de inferioridade, com as brigas de egos”.

Senti-me extremamente triste e enojada com o comportamento deste animal covarde, cruel, medroso, egoísta e sem caráter. Mas o que fazer... Essa é a natureza da hiena, esse comportamento está em seu DNA, ela simplesmente age por impulso. Afinal, a hiena é um bicho, irracional e instintivo. Não sei por que, aos poucos, vi muitas semelhanças com o modus operandi de milhares de seres humanos...

Talvez eu esteja exagerando, aumentando, ou é o meu sentimento de frustração com o modo como as pessoas vêm agindo umas com as outras, pode ser que eu esteja tomando café demais ou usando lentes de grau que estão distorcendo minha visão...

PS 1: Você tem visto alguma hiena andando por aí?

PS 2: Eu tenho visto várias! Será que estou delirando?

Publicado em 13/07/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Se persistirem os sintomas...

Foi-se o tempo em que uma vida difícil era chamada de “vida de cachorro”... Claro que, como todo mundo, eu amo os cães, os gatos e todos os bichinhos de estimação, mas, venhamos e convenhamos, será que estamos trocando nossos amigos humanos por estes seres tão lindos e dóceis? E se for o caso, por quê?

Vivemos em uma das eras mais avançadas da tecnologia, da medicina, do bem-estar físico e material, mas acho que, espiritualmente e afetivamente, estamos sentindo um grande vazio em nosso coração, ao ponto de casais adotarem cãezinhos, dormirem com eles – isso tendo filhos ou não. Vejo centenas de pessoas, jovens ou idosas, passeando sozinhas pelas ruas das grandes ou pequenas cidades com seus lindos animais, uns grandes, outros tão pequenos que até cabem em suas bolsas.

Hoje, temos um pet shop em cada esquina, banho, tosa, escovação de dentes, terapias homeopáticas, roupinhas, tratamento vip de ponta a ponta, super legal. Estamos nos dedicando como nunca aos nossos bichinhos de estimação, enquanto a relação com outros seres de nossa mesma espécie esta ficando cada vez mais difícil.

No Facebook e em outros sites de relacionamento podemos conhecer centenas de pessoas e fazer novos amigos, mas também tudo pode ficar no virtual. Muitas pessoas dizem que sentem solidão, insegurança, medo do seu próprio semelhante. Outros acham ótimo se relacionar com um bichinho porque ele nunca questiona seu dono, concorda com tudo e, o mais importante, oferece um amor incondicional!

Li uma frase de uma mulher em um artigo sobre esta questão no qual ela dizia: “Cachorro é o único amor que a gente compra”. Uau, a que ponto chegamos... Onde está aquele nosso amigo do peito, nosso parceiro(a), com quem podemos contar sempre, nossos pais, um irmão, nosso vizinho? Eles continuam lá e nós aqui, cada um em sua “casinha”, seguro e a salvo de “críticas e sugestões”...

PS 1: Se persistirem os sintomas, procure um ser humano!

PS 2: Se ainda persistirem os sintomas, procure um pet shop...

Publicado em 06/07/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 29 de junho de 2017

A sabedoria de Zip...

Conheci, recentemente, Zip. Soube que ele já está com 98 anos. Num primeiro momento, achei Zip uma figura mal-encarada e rabugenta. Percebi que ele sentia algumas dores musculares e que não estava enxergando muito bem.

Tentei puxar conversa de várias maneiras, quis agradá-lo, chamei-o para um passeio, mas nada acontecia – ele continuava arisco, sempre me observando. Mesmo assim, pude sentir que Zip tinha um bom coração.

Comecei a refletir sobre sua idade e que, talvez, após tantos anos de vida, ele tinha o direito de ser mais reservado.

Passei a visitá-lo diariamente e, aos poucos, ele começou a se abrir mais, mudando sua feição para um rosto mais manso, porém observador e cauteloso. Após algum tempo, consegui estabelecer uma relação de amizade – claro, respeitando seus limites.

Curiosamente, mesmo tendo uma sensação inicial de antipatia e mal-estar com seu jeito tão arisco e introvertido, percebi que ele havia adquirido uma sabedoria natural ao longo dos anos.

Pensei: “Talvez uma amizade ou uma relação sincera e de confiança realmente não possa acontecer em 24 horas – ou em apenas alguns dias –, mas, sim, ao longo de um período de convivência”. Também comecei a entender e aceitar melhor a ideia de respeitar o tempo e os limites do outro.

Acho que isso funciona para tudo o que acontece em nossa vida e na sociedade também! Dizem que estamos vivendo o momento mais conectado de todos os tempos, as informações e acontecimentos pessoais e do mundo aparecem em segundos na internet, no Facebook, no Twitter, na TV online, podemos ver tudo pelo celular, postar fotos, etc., etc., etc...

E cadê aquele tempo para digerirmos tudo isso? Entendermos quem é quem? Qual o motivo daquela ação ou reação? Continuo achando que Zip e suas atitudes geram mais sabedoria e possibilidades de vivermos em um mundo mais transparente e melhor!

PS 1: Tempo, tempo, tempo...

PS 2: Zip é um cãozinho. Ele está com 14 anos, o que equivaleria a 98 anos para um ser humano.

Publicado em 29/06/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Onde está o Batman?


Quando crianças, nossos super-heróis eram nossos pais. Para muitos de nós, naquele momento, eles eram perfeitos: corajosos, indestrutíveis e infalíveis. Com o passar dos anos, começamos a perceber que nosso pai ou nossa mãe são seres humanos normais e, como todo mundo, eles também tinham seus medos, fraquezas, imperfeições e, infelizmente, nem sempre conseguiam resolver os nossos problemas e, muitas vezes, nem mesmo os deles próprios.

Então começamos a ver TV, ler gibis e ir ao cinema. E encontramos, novamente, um mundo repleto de super-heróis para todos os gostos: Super- Homem, Batman, Hulk, Homem-Aranha, Mulher-Maravilha... A maioria desses heróis surgiu em épocas de guerra, crises sociais e políticas.

A nova onda de filmes sobre todos os heróis dos velhos tempos tem lotado os cinemas. Adultos, jovens crianças, idosos, todos querem ver seus heróis combatendo o mal e fazendo justiça.

Vivemos esperando que alguém ou algo venha nos salvar! Bem, hoje o Brasil está mais para salve-se quem puder... Cada um por si e ninguém pelo próximo... As crises políticas e econômicas costumam acirrar mais ainda o individualismo, mas também pode ser um momento de nos unirmos mais.

E na vida real, existem super-heróis? Talvez você seja um deles. Heróis são os milhares de pessoas anônimas que fazem o que acham que devem fazer em determinado momento. Vão além dos seus próprios limites, lutando pelo que acreditam que seja bom para si mesmos e, especialmente, para todos ao seu redor.

Só um detalhe... Alguém já reparou que não temos nenhum super-herói brasileiro? Será que é mera coincidência ou é a realidade mais pura no país de Ali Babá e seus milhões de ladrões?

Mas não vamos desanimar! Pode ser que a “Turma da Mônica” e o ”Zé Carioca” façam a “Liga da Justiça Tupiniquim”...

PS 1: Quem vai ser o próximo presidente? Batman, Homem-Aranha, Capitão América?

PS 2: Acho que o Coringa tá na Lava Jato...

Publicado em 22/06/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 15 de junho de 2017

As várias faces da violência...

A violência já faz parte do nosso cotidiano e, infelizmente, parece que se tornou um substantivo banal. Mais ainda quando falamos em campanhas, ou frases como o título desta coluna.

Eu mesma penso: “E como vou colocar isso em prática? Vou me reunir a um grupo? Tenho que sair nas ruas com cartazes e reunir centenas de pessoas?” Já fiz essas coisas e acho que são muito válidas, mas o que funciona mesmo é começar a agir no nosso dia a dia, na nossa casa, nosso trabalho, com nossos familiares e amigos.

E já que estamos falando em violência, hoje, 15 de junho, comemora-se o Dia Mundial de Combate à Violência Contra a Pessoa Idosa. A data foi criada com o objetivo de despertar uma consciência mundial, social e política da existência da violência contra a pessoa idosa.

A violência, não só física como também a psicológica, acomete idosos de todas as faixas econômicas. Na maioria das vezes, a agressão vem de pessoas da própria família ou próximas a eles. O abandono nos asilos, a falta de carinho, a pressão psicológica e o descaso são formas de agressão que muitas vezes passam despercebidas.

Segundo pesquisas, o abuso é geralmente praticado por pessoas nas quais os idosos depositam mais confiança: familiares, vizinhos, cuidadores, funcionários de banco, médicos, advogados, etc.

No meu simples e mortal entendimento, abusar de uma pessoa idosa é uma atitude indesculpável e doentia. Por isso, é bom ficarmos alertas ao contratarmos um cuidador para nossos pais ou avós, prestarmos atenção quando os levamos a um hospital e temos que deixá-los sozinhos, enfim, cuidá-los com muito amor e carinho, 24 horas por dia!

Qualquer tipo de abuso contra outro ser humano que não possa se defender é uma covardia. Mas abusar de idosos e crianças é realmente uma vergonha!

PS 1: No Brasil, 65% dos idosos consideram maus-tratos a forma preconceituosa como são tratados pela sociedade em geral: as baixas aposentadorias, os desrespeitos que sofrem no transporte público, etc., etc...

PS 2: Assista ao debate online sobre “As Várias Faces da Violência” em: www.facebook.com/portalterceiraidade

Publicado em 15/06/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Onde está o zero?


Estudo realizado nos Estados Unidos com quase 16 mil pessoas comprova que, mesmo tardia, a mudança de hábitos pode trazer muitos benefícios à saúde física e mental.

Consumir cinco porções diárias de frutas, verduras e legumes, exercitar-se pelo menos duas horas e meia por semana, manter um peso adequado e não fumar pode diminuir o risco de problemas cardíacos e o risco de morte, mesmo para quem fez mudanças recentes.

Porém, a mudança de hábitos de nossos governantes também é importante: corrupção, fraudes, caixa dois, três, lava jato, lava rápido, lava tudo...

Claro que todos nós temos uma opinião formada sobre este ou aquele político. Confesso que neste momento não sei mais que é quem, qual partido tem coligação com qual – esquerda e direita são termos em desuso – fulano diz que fez “dobradinha” com sicrano, e assim vai...

Sai Dilma, entra Temer... Se Temer sair, quem entra? E o Brasil no meio desse barraco todo fica a ver navios. A inflação está mais alta do que nunca, o desemprego, a falta de perspectiva de nossos jovens, nossos idosos e de nós mesmos... O que fazer? O Brasil inteiro deve estar se fazendo a mesma pergunta! Mudar os velhos hábitos e começar do zero! Mas onde está “o zero”?

Dizem que o universo é infinito, talvez o zero esteja perdido por aí, no meio de tantos boatos e notícias e mais notícias sobre quem foi julgado, que delatou... Tudo só pra confundir e atrapalhar a vida de nós, pobres mortais! Sem falar na reforma da previdência, que também vai acontecendo devagarzinho – e de repente, em um piscar de olhos, acontece! Como e de que jeito?

Logo, logo, o ano passa, a vida passa e nós continuamos sem saber onde está o “zero”, o fio da meada para que possamos começar uma nova política econômica e social que funcione para o bem de todos.

PS: “É insano pensar que podemos obter resultados diferentes fazendo sempre a mesma coisa!” (Albert Einstein)

Publicado em 08/06/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Divergentes, emergentes... A saga continua!

Num país como o Brasil, onde existem milhares de analfabetos e falta de escolas públicas, chega a ser um privilégio saber ler e escrever. Não bastasse esta realidade cruel que nossas crianças e adultos vivem já há muitos e muitos anos, ainda somos pegos de surpresa por um programa do Ministério da Justiça para reduzir as penas dos presos mais perigosos do País.

O projeto irá distribuir 816 livros para as quatro penitenciárias federais do país, concedendo benefícios de redução de pena aos detentos-leitores. Entre os títulos estão “O Pequeno Príncipe”, clássico de Saint Exupéry, “Crime e Castigo”, de Dostoievski, “Código da Vinci”, de Dan Brown e até a trilogia “Crepúsculo”, de Stephenie Meyer.

Na penitenciária de Catanduvas, no Paraná, que tem 60 presos participando do projeto, um juiz concede até quatro dias para quem ler um livro em até 12 dias e apresentar uma resenha. Uma comissão avalia a redação e, se considerá-la de boa qualidade, concede ao detento um dia de redução na pena. Já na de Campo Grande (MS), concedem-se três dias de redução da pena para cada 20 dias que o detento utilizar para ler um livro.

Segundo agentes penitenciários, Fernandinho Beira-Mar – que cumpre pena de 120 anos e já passou pelas duas penitenciárias – é um “consumidor voraz” de livros. Já leu “O Caçador de Pipas”, de Khaled Housseini e “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu.

Concordo que os presos precisam de cultura. Mas não será, mais uma vez, um projeto apenas “politicamente correto”? Ou uma boa saída para os governantes se eximirem de investir em nossa educação e continuarem com a balela de que somos um “país emergente”? Emergente do quê e de onde?

Crianças e adultos ainda falam: “os livro” e “nós pega o peixe”. Regras básicas de nossa língua portuguesa ainda não são assimiladas ou mesmo ensinadas nas escolas.

PS 1: As penitenciárias estão super lotadas e as drogas rolam soltas... Que tal lerem “Alice no País das Maravilhas”?

PS 2: E a dança das cadeiras continua...

PS 3: “ Tira, põe, deixa ficar...”

Publicado em 01/06/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 25 de maio de 2017

“Nego ou faço ‘delação premiada’?”...


Alguém se lembra da belíssima novela ‘Vale Tudo’? A atriz Beatriz Segall, na personagem da vilã Odete Roitman, e Reginaldo Faria, no papel de Marco Aurélio, também um grande mau caráter, ambos com muito poder e dinheiro. Após roubarem tudo e todos, fogem do Brasil, ilesos e intocados! Será que qualquer semelhança é mera coincidência?

Toda semana aparece na mídia um novo escândalo, uma denúncia e todos os políticos e demais cidadãos envolvidos repetem o mesmo refrão: “Eu nego, é tudo mentira!”. Acho que todos estudaram na mesma escola...

Mesmo com gravações mostrando esquemas de quadrilha, “Caixa 2”, Lava Jato, subornos, propinas e lobbies no Planalto, eles negam. Negam tudo! Se olharmos para tudo isso como uma mera ficção, podemos dizer que o enredo da trama está muito bom! Mas, por acaso, isso tudo que estamos vendo é a nossa realidade – e cada capítulo desta história vai interferir nas nossas vidas, nas vidas de nossos filhos, netos, bisnetos...

Sociólogos e analistas políticos divagam sobre o grande mal de não existirem mais os partidos de “esquerda” ou de “direita”. E será que este é o problema?

A política, como tudo, se globalizou, ficou moderna, imediatista, individualista. Agora está na moda participar da “delação premiada”... Eu acho isso um artifício de muita ma fé para dar um “prêmio”, ou diminuir a pena de quem cometeu o crime também!

Aí, me pergunto: “E como está o Brasil hoje? E daqui a dez, vinte ou trinta anos?”. Ainda sentimos na pele a questão de problemas sociais não resolvidos desde os tempos de Dom Pedro I.

Nossos governantes continuam negando seu o apoio a políticas verdadeiras para a sustentabilidade de nosso país e de nossos cidadãos – e, pior, eles negam que estão negando o seu dever e, depois, simplesmente entram na imensa fila para participar da delação premiada!

PS: “Chega a fazer suspeitar que a mentira é, muitas vezes, tão involuntária como a transpiração” (Machado de Assis, em seu clássico ‘Dom Casmurro’).

Publicado em 25/05/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Turismo cultural...

Novo roteiro turístico para os próximos feriados! “Com a pacificação das favelas, é possível que turistas conheçam novos ângulos das praias e da cidade. A segurança para circular é ‘semelhante à do asfalto’”. A afirmação, publicada na mídia impressa, destaca os principais atrativos turísticos do Rio de Janeiro: Morro do Alemão, do Borel, Morro Santa Marta, Cantagalo, etc. “Em todos os morros, temos várias opções: um mirante, a igreja da Providência, construída há cerca de 200 anos, além de opções de guias locais”, completa o artigo.

Esta exaltação às favelas cariocas é o que mais me surpreende já que, se não me falha a memória, estas favelas foram consideradas as mais perigosas, além de estarem completamente dominada pelas drogas. De repente, tudo mudou... Como eu havia escrito em colunas anteriores, o ano mudou e, num piscar de olhos, todo o complexo do Alemão e adjacências está “pacificado” e, ainda mais, pronto para receber turistas do mundo inteiro! Dizem...

Tudo muito politicamente correto. Quero deixar claro que não estou descriminando ninguém e, muito menos, as favelas, muito pelo contrário. Acho um absurdo transformar a questão da favelização – não só do Rio, mas de todo o Brasil – em um grande circo pra inglês ver! Enquanto milhares de pessoas vivem nelas em uma situação desumana – sem água potável, esgoto, em casas construídas nos morros com restos de papelão –, nosso governo quer nos convencer e, pior, convencer o mundo afora, de que favela é sinônimo de cultura e turismo!

Daqui a pouco, morar na favela vai ser “bacana”. Vão até dizer que é um projeto de vida sustentável e ecológico, já que todas as casas são feitas com “material reciclado” e você poderá viver sempre perto da natureza, “em estado intocável”.

PS 1: Favela (do dicionário Michaelis): Aglomeração de casebres ou choupanas toscamente construídas e desprovidas de condições higiênicas.

PS 2: Estande do Rio Top Tour, do governo estadual, informa sobre pontos de visitação.

PS 3: Por que as pessoas mentem?

Publicado em 18/05/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Temos várias mães...


Mães, avós, bisavós, todas são mães. Filhas, netas e bisnetas também se tornam mães de suas mães. É um ciclo maravilhosamente interminável.

Há vários tipos de mães: a que cozinha, lava e passa, a que trabalha fora, a que é mãe coruja, a mãe brava, a mãe que cria seus filhos sozinha, além das mães que criam os filhos de outras mães.

Bem, dizem que a mulher já nasce com o instinto natural de mãe. Ela é aquela que protege, luta e aninha seus filhotes.

Neste domingo, dia 14 de maio, comercialmente vamos comemorar mais um Dia das Mães. Promoções nas lojas, restaurantes, shoppings, tudo para comprar um presente para sua mãe ou levá-la para almoçar, passear... Enfim, o comércio ganha muito com esta data.

Mas será que esta é a melhor maneira de homenagear todas as mães de todas as idades? Quantas vezes nos esquecemos, ao longo do ano e no nosso dia a dia tão corrido, de dar um beijo, ligar, ou visitar nossa mãe? Esquecemos até o mais importante: foi ela que nos deu a luz.

Então me pergunto: como é possível que tantos homens agridam suas companheiras, filhas, empregadas e até mulheres desconhecidas? Será que estes homens não pensam que, no fundo, estão agredindo suas próprias mães?

Mesmo sendo uma data a se comemorar, acho bom sempre refletirmos um pouco sobre como a nossa sociedade ainda age de maneira tão primitiva em relação às mulheres, que são naturalmente nossas mães.

Uma curiosidade... “Estudo na Costa do Marfim diz que adoção de órfãos é pratica seguida até por chimpanzés do sexo masculino”. Eu tenho guardado este artigo há muito tempo, mas sempre vale destacar este fato como exemplo de compaixão e amor incondicional no mundo animal versus o mundo “humano e civilizado”.

Parabéns a todas as mães do mundo, hoje, ontem e sempre! Mãe é mãe, sempre! Todos os dias da semana, do mês e do ano!

PS: Os chimpanzés da Costa do Marfim estariam mais evoluídos do que nós, no que tange a valores éticos e morais e à visão do que é realmente viver em uma sociedade?

Publicado em 11/05/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Qual é a maior violência?

Uma pesquisa realizada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pela USP revelou dados alarmantes: o número de mortes causadas por homicídios vitimou 5.705 paulistanos contra 1.368 mortos por AIDS.

Claro que esse aumento absurdo da violência em todo o Brasil se deve a vários fatores que já estamos cansados de conhecer, como: desemprego, fome, falta de escolas, moradia e, principalmente, a falta de uma perspectiva futura para os cidadãos brasileiros. Mas existe aí uma causa a mais, quase sempre presente em toda essa “epidemia de homicídios”: o tráfico de drogas.

Infelizmente, o maior número de traficantes e usuários de drogas está entre os adolescentes – e até crianças –, na sua maioria, vindos da periferia e das favelas, afinal eles são o alvo mais fácil de ser atingido, pois com a completa falta de direitos à escola, lazer e trabalho, esses jovens acabam encontrando no tráfico um sonho de poder consumir e existir. Obviamente, acabam se viciando e, daí pra frente, matando e morrendo dentro desse círculo vicioso.

Qual será a maior violência? Falando em AIDS, não vejo mais nenhuma campanha de prevenção ou conscientização sobre esta doença – que ainda existe! Adolescentes engravidando e fazendo abortos no fundo do quintal, com a possibilidade de morrer ou contrair o vírus do HIV, além de outras doenças sexualmente transmissíveis, aumento de estupros, etc., etc., etc...

“A gente para de estudar para trabalhar e não consegue mais voltar a estudar”, diz Mariane Dias da Silva, 19 anos, que largou a 8a série com 15 anos para ajudar a sustentar a casa.

Conforme estudos da Fundação Seade, existem mais de 2 milhões de jovens entre 18 e 24 anos que estão fora da escola, só no estado de São Paulo. Infelizmente, existe uma legião de adolescentes que são forçados a trabalhar – quando encontram trabalho – apenas para tentar sobreviver...

PS 1: Quem é o ovo e que é a galinha?
PS 2: Acabaram os feriados...

Publicado em 04/05/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Coreia do Sul: 10 x 0...

Até o ano passado, o Japão era considerado símbolo de alta longevidade no mundo. No entanto, em fevereiro deste ano, um estudo conduzido pela universidade Imperial College London, na Inglaterra, em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS), indica que a Coreia do Sul será o primeiro país a superar barreira dos 90 anos de expectativa de vida.

O estudo prevê que as mulheres sul-coreanas que nascerem em 2030 viverão, em média, 90,8 anos. Já a longevidade média para os homens do país será de 84,1 anos.

Entre os 35 países do levantamento, Coreia do Sul, Suíça, Japão, Austrália, Canadá, Chile, Reino Unido e Estados Unidos lideram o ranking, este último com 83,3 anos para as mulheres e 79,5 anos para os homens – média similar às projetadas para o México e a Croácia. Na Europa, a França lidera o ranking das previsões para países com maior expectativa de vida para mulheres: 88,6 anos, seguida pela Espanha (88,1), Suíça (87,7), Portugal (87,5) e Eslovênia (87,4).

“A Coreia do Sul fez muita coisa certa. Parece ser um local mais igualitário e políticas de educação e nutrição têm beneficiado a maioria das pessoas”, afirma o professor Majid Ezzati, da faculdade de medicina da Imperial College, em Londres. “Até o momento, os sul-coreanos se mostraram os melhores em lidar com taxas de hipertensão e apresentam as menores taxas de obesidade do mundo”, completa.

Estas projeções mostram o impacto positivo de investimentos em sistemas de saúde de acesso universal. “Países que tiveram bom desempenho fazem isso investindo em seu sistema de saúde e certificando-se de que ele chega a todos”, finaliza o Professor.

Talvez a Coreia do Sul não seja muito boa de futebol... Mas, na questão da saúde, bate um bolão!

PS 1: O Brasil não fez parte do estudo...

PS 2: Por que o nosso SUS não funciona como na Coreia do Sul?

PS 3: Por que as borboletas voam?

Publicado em 27/04/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 20 de abril de 2017

A culpa não é minha...

Quando andamos pelas ruas ou saímos nos fins de semana para as baladas, já nos acostumamos a ver – e conviver – com uma legião de pessoas pedindo esmolas ou querendo lavar a janela do nosso carro e, imediatamente, nos vêm aqueles sentimentos de raiva, medo e aquela sensação de um grande incômodo.

Mas logo que o farol abre você atravessa a rua ou dá a partida no carro e pensa: “Ufa, que alívio”. Essas imagens acabam ficando apenas na nossa memória, sumindo ao menor sopro, assim como bolhas de sabão.

Puxa vida, esses seres humanos são tão humanos quanto nós. E por que será que eles estão nas ruas e nós não? Acho que só o fato de pensarmos nestas pessoas como humanos iguais a nós e tentar entender e buscar os milhares de motivos que os levaram a chegar a esse ponto já faz uma grande diferença.

Vivemos num mundo cheio de beleza e desigualdade. Qual será a história desses jovens, adultos e idosos que praticamente viraram bichos? Já ouvi dezenas de pessoas falarem que estes seres estão nesta situação porque não estudaram, não trabalharam, não se esforçaram tanto quanto deveriam, etc., etc., etc...

Ah, também dizem que o problema é do governo e não podem fazer nada, pois “a culpa não é minha”!

Com certeza, os nossos governantes deveriam dar o primeiro passo. Afinal, somos um dos países que mais paga impostos no mundo. Para onde eles vão já é uma outra questão...

Mas, enquanto isso não acontece – e, infelizmente, imagino que ainda vá durar muito tempo para acontecer –, podemos, sim, arregaçar as mangas e criar condições para que estas pessoas voltem a ter uma vida! Criticar e culpar os outros é muito fácil e traz um alívio imediato em nossa consciência! Um prato de comida é bom, mas não vai resolver o problema!

PS 1: “A gente não quer só comida...” – Mariza Monte, cantora e compositora.

PS 2: Tiradentes morreu lutando por uma sociedade mais justa.

PS 3: Bom feriado!

Publicado em 20/04/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Alívio imediato no país das maravilhas...

Dor de cabeça, resfriado, stress, espinhas, obesidade? Não se preocupe! Vá até a farmácia mais próxima e, rapidinho, você vai achar um coquetel de soluções imediatas.

As “drugstores” estão tão moderninhas que já têm o sistema “self-service”. É só pegar sua cestinha e ir colocando todos os produtos expostos nas prateleiras: chocolatinhos, barrinhas de cereal, promoções de xampus, vitaminas, etc., etc.,etc...

E quem garante que os males não vão voltar tão rápido quanto foram embora? Também tem o alívio imediato pós-expediente, pós-briga com a namorada ou marido: uma cervejinha no boteco da esquina, comprar mais um baton, tirar um selfie com seu cachorro...

Num primeiro momento, tudo parece normal. Afinal, vivemos numa sociedade rápida e imediatista, que tem como uma de suas bandeiras principais o bem-estar e o prazer imediato! Drogas lícitas e ilícitas são vendidas com muita facilidade, existe um “super marketing” e até uma imposição social de que o mais importante é aparentar estar sempre bem.

Tudo acaba ficando meio confuso. Mas pense bem antes de buscar qualquer forma de alívio rápido.Tentar buscar, interiormente, a causa de nossas dores físicas ou emocionais não é fácil! Observar a situação política e econômica de nosso país de maneira mais ampla e buscando a história do Brasil desde seu ‘achamento’, também não é nada fácil.

Não existe alívio imediato – e “trocar um remédio por outro” não é garantia de cura. O tratamento se faz no dia a dia, avaliando a raiz da questão.

Parece até que eu virei médica!... Mas não é esse o caso. Apenas comecei a observar como, sempre que surge um problema, a primeira coisa que fazemos é procurar um elixir mágico!

PS 1: Ainda estou em busca do “elixir mágico”... Será que ele está escondido no conto de “Alice no País das Maravilhas”?

PS 2: Desejo Feliz Páscoa a todos! Com ovos ou sem ovos de chocolate! Mas com muito amor e compaixão!

Publicado em 13/04/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Ansiedade, insônia, medo...

“Puxa, ele anda meio deprimido ultimamente...” Todos nós usamos muito a palavra ‘depressão’ em várias ocasiões do nosso dia a dia – quando estamos ansiosos, com insônia, solidão, medo... –, sem pensar muito no seu real significado. Mas, afinal, o que é depressão?

A depressão é uma doença comum em todo o mundo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a estimativa mundial é de 350 milhões de pessoas afetadas – no Brasil, país com maior prevalência de depressão da América Latina, ela atinge 11,5 milhões de pessoas. Os números também mostram que mais mulheres são afetadas pela depressão que os homens.

De acordo com a OMS, a depressão pode ocorrer com qualquer um. Pessoas de todas as idades, de todos os lugares do mundo, de todas as condições sociais, de todos os ambientes familiares, de todas as raças e gêneros podem passar por algum episódio em algum momento da vida.

A depressão causa intensa angústia e tem impacto na vida diária. Até as tarefas mais simples, como escovar os dentes, podem ser um peso para quem está passando pelo episódio. A condição é diferente das flutuações usuais de humor e das respostas emocionais de curta duração aos desafios da vida cotidiana.

Um melhor entendimento do que é a doença e como pode ser prevenida vai ajudar a reduzir o estigma e mais pessoas vão procurar ajuda. Porém, o preconceito com doenças mentais, incluindo a depressão, é uma barreira no mundo inteiro para que pessoas busquem tratamento.

O Dia Mundial da Saúde é comemorado anualmente no dia 7 de abril. Este ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca a data com uma campanha sobre depressão. “Vamos conversar” é o lema da campanha.

PS 1: Para mais informações, acesse a campanha #DepressãoVamosConversar em: www.portalterceiraidade.org.br

PS 2: Do jeito que o Brasil está, vamos precisar de muita conversa...

Publicado em 06/04/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 30 de março de 2017

Estrangeiros em nosso próprio país!

Há alguns dias atrás, eu estava tomando um cafezinho, quando um homem com uma aparência meio estranha puxou uma conversinha comigo. Tinha um sotaque português, achei interessante. Pensei, que bom trocar ideias com um turista.

Mas, eis que para minha surpresa, ele me disse que era brasileiro, porém estava trabalhando há muitos anos em Portugal e tinha adquirido o sotaque. Durante a nossa conversa, percebi que, além do sotaque, ele havia adquirido toda a postura e maneira de pensar de um estrangeiro.

Todo orgulhoso, me disse que vinha aqui só para tirar férias e descansar, pois, para trabalhar, o melhor negócio era estar na Europa. “Lá, construí minha vida, fiz meu pé de meia”, e por aí foi falando, falando, até que entrou em uma contradição: “Porém, o melhor lugar do mundo é o Brasil”...

Então, naturalmente lhe perguntei: “Se o melhor lugar é aqui, porque você trabalha, vive e ganha seu dinheiro lá fora?”.
Como todo bom “brasileiro estrangeiro”, alegou que voltaria quando tivesse conseguido conquistar “um lugar ao sol”.

Percebi que este brasileiro já havia se tornado um “turista acidental”. Para ele – como para tantos outros admiradores de nossos cartões postais – o Brasil é o melhor lugar do mundo para compras, passeios, praias, etc. Mas, para viver com dignidade e respeito, ele resumiu: “O grande negócio é estar lá fora”.

Agora, mais do que nunca, milhões de brasileiros devem estar pensando em fazer suas malinhas e buscar um “lugar ao sol” para viver – nem que seja no Polo Norte! Com a possível aprovação das leis que vão tornar nosso país um dos mais selvagens para se viver – sem direito e garantia alguma de trabalho ou aposentadoria e, muito menos, o direito à saúde pública, etc., etc., etc. –, cada vez mais, nós nos tornamos estrangeiros em nosso próprio país!

PS 1: Ok... Então vamos terceirizar as contas, os impostos, o INSS...

PS 2: “Mais de mil palhaços no salão...” Aqui, o carnaval nunca termina!

PS 3: Para o último que sair: não se esqueça de apagar a luz e nem de como se fala nossa língua!

Publicado em 30/03/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 23 de março de 2017

A culpa é dos ETs...

Todos nós gostaríamos de viver mais de 100 anos – e, naturalmente, com o corpo e a mente em perfeito estado de saúde. Alguns fatores são fundamentais para se chegar bem aos 80 anos, como hábitos saudáveis de alimentação, cuidados físicos e constante atividade mental.

Mas não são somente estes fatores que fazem com que você viva até os 80 anos – ou chegue até os 100. Pesquisadores americanos e italianos publicaram um estudo no começo deste mês na revista Science, mostrando que 150 marcadores genéticos (variações de uma única letra no material genético, espalhadas por todos os cromossomos humanos) permitem determinar, com 77% de precisão, se uma pessoa será centenária.

Nos Estados Unidos, descobriram uma maneira de “rejuvenescer” órgãos em ratos idosos, eliminando as doenças adquiridas ao longo de suas vidas. Testes em humanos ainda demorarão um pouco a chegar, devido ao perigo de desenvolvimento de câncer durante o processo.

Bem, dá para perceber o quanto a ciência e as pessoas estão preocupadas em descobrir a fórmula mágica da longevidade! Porém, parece que esqueceram um pequeno detalhe... Viver com que qualidade de vida?

Todos os dias, surgem novas bactérias, epidemias, agrotóxicos letais, o escândalo da “carne fraca” – e podre –, o “Lava Jato” – que já está mais pra “Roupa Suja e Encardida” –, o estresse demasiado, pressão no trabalho, desemprego... Será que existe algum ataque de bactérias alienígenas ou seres de outro planeta querendo destruir a terra?

Praticamente toda a África e outros países vivem na completa miséria e sujeira. Vergonhosamente, ainda há pessoas que não conseguem sequer fazer três refeições ao dia. Me parece tão óbvio que a ordem dos fatores está invertida! Longevidade, sim, mas com que tipo de condições para viver a vida?

Vou encomendar uma pesquisa para descobrir por que nós, seres humanos, não queremos entender o óbvio!

PS 1: Vivem querendo por a culpa nos ETs, na política, no vizinho, no cachorro do vizinho...
PS 2: Se eu encontrar uma nave extraterrestre por aí, vou pedir carona sem pensar duas vezes!

Publicado em 23/03/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 16 de março de 2017

Princesa Isabel decretou aposentadoria aos 60 anos...

No mínimo, 60 anos de idade e 30 de serviço. Essas eram as regras para os carteiros se aposentarem no final do século 19, quando nascia a Previdência Social no Brasil. Começou pelos funcionários dos Correios, por determinação da princesa Isabel, em decreto de 26 de março de 1888. Do salário mensal dos trabalhadores, era descontado o valor equivalente a um dia de trabalho e depositado no fundo de previdência e pensões.

Antes disso, o governo só pagava poucos benefícios aos dependentes de servidores públicos do Rio de Janeiro que haviam morrido. Depois dos carteiros, a aposentadoria foi estendida a outras categorias, como ferroviários, portuários e funcionários da Imprensa Nacional.

Infelizmente, o sistema funcionou bem por pouco tempo. Cerca de 40 anos depois de seu início, já se falava na necessidade de reforma do sistema previdenciário para evitar seu colapso financeiro – uau, a Previdência já tinha rombos desde 1928!

Finalmente, em 1943, foi sancionada a Consolidação das Leis de Trabalho (CLT), que estendeu a Previdência Social a todos os trabalhadores brasileiros.

Podemos dizer que nossa princesa foi muito mais generosa que nossos “reizinhos” de hoje. Dizem que, em 2016, o rombo da previdência foi em torno de 316 bilhões de reais...

Mas o que nós pobres mortais temos a ver com isso? Ninguém explicou por que isso aconteceu ou como? E que estória é essa de rombo? Toda vez que os “reizinhos” querem aumentar os impostos ou tirar algum direito já adquirido – ou que tenha que se adquirir – criam um rombo, tudo é culpa do rombo...

É sabido que o Brasil está envelhecendo. Hoje, temos mais de 23 milhões de pessoas com mais de 60 anos em nosso país. E qual é o problema? Será que os nossos governantes não sabiam que isso iria acontecer? Aí, querem ir pelo caminho mais fácil – para eles: aumentar o tempo de contribuição e diminuir o valor da aposentadoria de uma maneira surreal, tornando praticamente impossível a todos nós trabalhadores nos aposentarmos.

PS 1: Será possível regredirmos e ficarmos piores do que em 1888?

PS 2: Acredito que agora está em nossas mãos não permitirmos que mais este crime seja cometido!

Publicado em 16/03/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 9 de março de 2017

Uma mulher...

Já havia escrito sobre o Dia Internacional da Mulher na coluna anterior... Mas não posso deixar de mostrar esta música tão linda e singela, feita para as mulheres – e penso que, também, para os homens de bom coração! Vamos somar e não dividir!

“One Woman” é uma celebração musical contra a violência à mulher! A música, escrita para a ONU Mulheres, conta com a participação de 25 artistas de 20 países distintos, com a cantora Bebel Gilberto representando o Brasil. Desde 1975, o Dia Internacional da Mulher, criado pela ONU, é comemorada mundialmente no dia 8 de março.

One Woman (Uma mulher)

“Em Kigali, ela acorda,
Ela faz uma escolha,
Em Hanói, Natal, Ramallah.
Em Tânger, ela respira,
Levanta sua voz,
Em Lahore, La Paz, Kampala.
Embora ela esteja a meio mundo de distância
Algo em mim quer dizer...

Nós somos uma mulher,
Você chora e eu ouço você.
Nós somos uma mulher,
Você se machucou, e eu também me machuquei.
Nós somos uma mulher,
Suas esperanças são minhas.
Vamos brilhar.

Em Juarez ela fala a verdade,
Ela estende a mão,
Ensina, então, aos outros como.
Em Jaipur, ela dá seu nome,
Ela vive sem ter vergonha
Em Manila, Salta, Embu.
Embora nós sejamos tão diferentes, tanto quanto possível,
Estamos conectadas, ela comigo.

Nós somos uma mulher,
Sua coragem me mantém forte.
Nós somos uma mulher,
Você canta, eu canto junto.
Nós somos uma mulher,
Seus sonhos são meus.
E nós brilharemos.
Vamos brilhar.

E um homem, ele ouve a sua voz.
E um homem, ele luta sua luta.
Dia após dia, ele deixa ir os velhos caminhos,
Embora ela esteja a meio mundo de distância,
Algo em mim quer dizer.

Nós somos uma mulher,
Suas vitórias nos elevam a todos.
Nós somos uma mulher,
Você se levanta e eu fico alta.
Nós somos uma mulher,
Seu mundo é meu
E nós brilharemos.
Brilhe, brilhe, brilhe.
Nós brilharemos
Brilhe, brilhe, brilhe.
Vamos brilhar.
Brilhe, brilhe, brilhe.”

PS 1: Link para o videoclipe “One Woman” (com legendas em espanhol): https://youtu.be/OYQIyEp_ifI

PS 2: Não deixemos que a mulher se banalize. Infelizmente, muitas ainda continuam se expondo apenas como objeto do desejo!

Publicado em 09/03/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 2 de março de 2017

Temos muito a comemorar, mas...

Oito de março: Dia Internacional da Mulher. Mais um ano vamos comemorar esta data tão importante, oficialmente decretada pela ONU em 1975.

Bem, temos muito a comemorar, mas também ainda temos muito para alcançar quando falamos em respeito, direitos e, mais ainda, sobre a questão do grande número de abusos morais e físicos a este ser tão lindo que gerou todas as pessoas que estão neste planeta!

Eu acho uma insanidade completa maltratar qualquer ser vivo, mas maltratar uma mulher é realmente insano. Afinal, todos nós temos uma mãe, e ela é uma mulher!

Com certeza, hoje, as mulheres adquiriram muito mais espaço na sociedade do que há algumas décadas e séculos atrás. Elas estudam, trabalham, dirigem, votam, podem sair, namorar, escolher com quem querem casar – diga-se, de passagem, ainda existem muitos países onde a cultura e a lei proíbem tudo isso e mais um pouco...

Mas, mesmo no ocidente, onde nos achamos tão evoluídos e liberais, grande parte das mulheres ganham menos que os homens, são as que cuidam dos filhos – antes e depois de voltar do trabalho –, sofrem assédios morais e físicos também.

Me pergunto: Por que o ser humano ainda é tão primitivo? Existem centenas de teorias. Uns dizem que é doença, outros que é uma questão cultural, problemas com o tal lóbulo frontal – ou será que é pura maldade?

Mesmo que não saibamos a resposta, uma coisa é certa: as mulheres continuam sendo alvo de discriminação e agressões imperdoáveis! Cabe a nós, mulheres, em primeiro lugar agir e reagir contra esta situação absurda.

Como mulher, me sinto muito triste e envergonhada quando vejo as “Faustonetes” dançando o domingo inteiro no programa do Faustão, com as bundas e os seios praticamente caindo pra fora da telinha.

Para nossa sorte, posso citar centenas de mulheres que fazem por onde mostrar ao mundo que o ser feminino também é um ser pensante e muito especial, entre elas, nossas queridas: Elis Regina, Cora Coralina, Madre Tereza de Calcutá, Chiquinha Gonzaga, Indira Gandi e tantas outras mulheres anônimas do nosso dia a dia.

PS: Temos muito a comemorar, mas não vale a pena ficar só no arroz de festa...

Publicado em 02/03/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

“Mais de mil palhaços no salão”: parte 1, parte 2...

Há algumas semanas atrás, os PMs do Espírito Santo estavam em greve! Dezenas de pessoas morreram neste período, houve vandalismo no comércio, assalto e roubo nas ruas em plena luz do dia. Na semana passada foi a vez dos PMs de Minas Gerais e Rio de Janeiro, cogitando entrar em greve também!

De repente, não entendo bem como, parece que tudo voltou à normalidade, coincidentemente às vésperas do Carnaval...

Não posso deixar de citar, também, o arroz com feijão diário nas mídias sobre corrupções, desvios de dinheiro de órgãos governamentais, trocas de ministros, desemprego, inflação, além das propostas por parte do governo para aumentar – de uma maneira estúpida – o tempo de trabalho para se aposentar.

Mas tudo bem. Não vamos falar de coisas ruins, logo agora que estamos, finalmente, a alguns dias de um dos eventos mais esperados pelos brasileiros durante o ano inteiro!

Até lembrei das lindas marchinhas que tocavam nos anos 60, entre elas uma que cai como uma pluma para os tempos de hoje, Máscara Negra, interpretada pela magistral Dalva de Oliveira, quando ela canta “Mais de mil palhaços no salão”...

Li uma pesquisa que cita o surgimento desta data como uma festa que já existia dez mil anos antes de Cristo, quando os povos que habitavam as margens do rio Nilo, no Egito, comemoravam suas colheitas. Os homens daquela época entravam em estado de utopia através da comemoração – no momento da festa, se desligavam de tudo!

Para os foliões de hoje, me parece que o sentimento de utopia é idêntico! Seguindo as antigas tradições, durante a semana do Carnaval não existem problemas políticos ou sociais, existe apenas a visão de mulheres quase nuas desfilando sem parar!

Poucas escolas de samba ainda falam da realidade do Brasil e contam nossa história através de seus enredos. Os grandes patrocinadores tornaram este momento único em um “Carnaval para inglês ver”!

PS 1: “Quanto riso, oh, quanta alegria”? “Mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar”!

PS 2: Centenas de pessoas em várias capitais do Brasil estão fazendo o esquentamento do Carnaval. Tá tudo bem, tá tudo bom...

Publicado em 23/02/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).