quinta-feira, 16 de março de 2017

Princesa Isabel decretou aposentadoria aos 60 anos...

No mínimo, 60 anos de idade e 30 de serviço. Essas eram as regras para os carteiros se aposentarem no final do século 19, quando nascia a Previdência Social no Brasil. Começou pelos funcionários dos Correios, por determinação da princesa Isabel, em decreto de 26 de março de 1888. Do salário mensal dos trabalhadores, era descontado o valor equivalente a um dia de trabalho e depositado no fundo de previdência e pensões.

Antes disso, o governo só pagava poucos benefícios aos dependentes de servidores públicos do Rio de Janeiro que haviam morrido. Depois dos carteiros, a aposentadoria foi estendida a outras categorias, como ferroviários, portuários e funcionários da Imprensa Nacional.

Infelizmente, o sistema funcionou bem por pouco tempo. Cerca de 40 anos depois de seu início, já se falava na necessidade de reforma do sistema previdenciário para evitar seu colapso financeiro – uau, a Previdência já tinha rombos desde 1928!

Finalmente, em 1943, foi sancionada a Consolidação das Leis de Trabalho (CLT), que estendeu a Previdência Social a todos os trabalhadores brasileiros.

Podemos dizer que nossa princesa foi muito mais generosa que nossos “reizinhos” de hoje. Dizem que, em 2016, o rombo da previdência foi em torno de 316 bilhões de reais...

Mas o que nós pobres mortais temos a ver com isso? Ninguém explicou por que isso aconteceu ou como? E que estória é essa de rombo? Toda vez que os “reizinhos” querem aumentar os impostos ou tirar algum direito já adquirido – ou que tenha que se adquirir – criam um rombo, tudo é culpa do rombo...

É sabido que o Brasil está envelhecendo. Hoje, temos mais de 23 milhões de pessoas com mais de 60 anos em nosso país. E qual é o problema? Será que os nossos governantes não sabiam que isso iria acontecer? Aí, querem ir pelo caminho mais fácil – para eles: aumentar o tempo de contribuição e diminuir o valor da aposentadoria de uma maneira surreal, tornando praticamente impossível a todos nós trabalhadores nos aposentarmos.

PS 1: Será possível regredirmos e ficarmos piores do que em 1888?

PS 2: Acredito que agora está em nossas mãos não permitirmos que mais este crime seja cometido!

Publicado em 16/03/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 9 de março de 2017

Uma mulher...

Já havia escrito sobre o Dia Internacional da Mulher na coluna anterior... Mas não posso deixar de mostrar esta música tão linda e singela, feita para as mulheres – e penso que, também, para os homens de bom coração! Vamos somar e não dividir!

“One Woman” é uma celebração musical contra a violência à mulher! A música, escrita para a ONU Mulheres, conta com a participação de 25 artistas de 20 países distintos, com a cantora Bebel Gilberto representando o Brasil. Desde 1975, o Dia Internacional da Mulher, criado pela ONU, é comemorada mundialmente no dia 8 de março.

One Woman (Uma mulher)

“Em Kigali, ela acorda,
Ela faz uma escolha,
Em Hanói, Natal, Ramallah.
Em Tânger, ela respira,
Levanta sua voz,
Em Lahore, La Paz, Kampala.
Embora ela esteja a meio mundo de distância
Algo em mim quer dizer...

Nós somos uma mulher,
Você chora e eu ouço você.
Nós somos uma mulher,
Você se machucou, e eu também me machuquei.
Nós somos uma mulher,
Suas esperanças são minhas.
Vamos brilhar.

Em Juarez ela fala a verdade,
Ela estende a mão,
Ensina, então, aos outros como.
Em Jaipur, ela dá seu nome,
Ela vive sem ter vergonha
Em Manila, Salta, Embu.
Embora nós sejamos tão diferentes, tanto quanto possível,
Estamos conectadas, ela comigo.

Nós somos uma mulher,
Sua coragem me mantém forte.
Nós somos uma mulher,
Você canta, eu canto junto.
Nós somos uma mulher,
Seus sonhos são meus.
E nós brilharemos.
Vamos brilhar.

E um homem, ele ouve a sua voz.
E um homem, ele luta sua luta.
Dia após dia, ele deixa ir os velhos caminhos,
Embora ela esteja a meio mundo de distância,
Algo em mim quer dizer.

Nós somos uma mulher,
Suas vitórias nos elevam a todos.
Nós somos uma mulher,
Você se levanta e eu fico alta.
Nós somos uma mulher,
Seu mundo é meu
E nós brilharemos.
Brilhe, brilhe, brilhe.
Nós brilharemos
Brilhe, brilhe, brilhe.
Vamos brilhar.
Brilhe, brilhe, brilhe.”

PS 1: Link para o videoclipe “One Woman” (com legendas em espanhol): https://youtu.be/OYQIyEp_ifI

PS 2: Não deixemos que a mulher se banalize. Infelizmente, muitas ainda continuam se expondo apenas como objeto do desejo!

Publicado em 09/03/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 2 de março de 2017

Temos muito a comemorar, mas...

Oito de março: Dia Internacional da Mulher. Mais um ano vamos comemorar esta data tão importante, oficialmente decretada pela ONU em 1975.

Bem, temos muito a comemorar, mas também ainda temos muito para alcançar quando falamos em respeito, direitos e, mais ainda, sobre a questão do grande número de abusos morais e físicos a este ser tão lindo que gerou todas as pessoas que estão neste planeta!

Eu acho uma insanidade completa maltratar qualquer ser vivo, mas maltratar uma mulher é realmente insano. Afinal, todos nós temos uma mãe, e ela é uma mulher!

Com certeza, hoje, as mulheres adquiriram muito mais espaço na sociedade do que há algumas décadas e séculos atrás. Elas estudam, trabalham, dirigem, votam, podem sair, namorar, escolher com quem querem casar – diga-se, de passagem, ainda existem muitos países onde a cultura e a lei proíbem tudo isso e mais um pouco...

Mas, mesmo no ocidente, onde nos achamos tão evoluídos e liberais, grande parte das mulheres ganham menos que os homens, são as que cuidam dos filhos – antes e depois de voltar do trabalho –, sofrem assédios morais e físicos também.

Me pergunto: Por que o ser humano ainda é tão primitivo? Existem centenas de teorias. Uns dizem que é doença, outros que é uma questão cultural, problemas com o tal lóbulo frontal – ou será que é pura maldade?

Mesmo que não saibamos a resposta, uma coisa é certa: as mulheres continuam sendo alvo de discriminação e agressões imperdoáveis! Cabe a nós, mulheres, em primeiro lugar agir e reagir contra esta situação absurda.

Como mulher, me sinto muito triste e envergonhada quando vejo as “Faustonetes” dançando o domingo inteiro no programa do Faustão, com as bundas e os seios praticamente caindo pra fora da telinha.

Para nossa sorte, posso citar centenas de mulheres que fazem por onde mostrar ao mundo que o ser feminino também é um ser pensante e muito especial, entre elas, nossas queridas: Elis Regina, Cora Coralina, Madre Tereza de Calcutá, Chiquinha Gonzaga, Indira Gandi e tantas outras mulheres anônimas do nosso dia a dia.

PS: Temos muito a comemorar, mas não vale a pena ficar só no arroz de festa...

Publicado em 02/03/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

“Mais de mil palhaços no salão”: parte 1, parte 2...

Há algumas semanas atrás, os PMs do Espírito Santo estavam em greve! Dezenas de pessoas morreram neste período, houve vandalismo no comércio, assalto e roubo nas ruas em plena luz do dia. Na semana passada foi a vez dos PMs de Minas Gerais e Rio de Janeiro, cogitando entrar em greve também!

De repente, não entendo bem como, parece que tudo voltou à normalidade, coincidentemente às vésperas do Carnaval...

Não posso deixar de citar, também, o arroz com feijão diário nas mídias sobre corrupções, desvios de dinheiro de órgãos governamentais, trocas de ministros, desemprego, inflação, além das propostas por parte do governo para aumentar – de uma maneira estúpida – o tempo de trabalho para se aposentar.

Mas tudo bem. Não vamos falar de coisas ruins, logo agora que estamos, finalmente, a alguns dias de um dos eventos mais esperados pelos brasileiros durante o ano inteiro!

Até lembrei das lindas marchinhas que tocavam nos anos 60, entre elas uma que cai como uma pluma para os tempos de hoje, Máscara Negra, interpretada pela magistral Dalva de Oliveira, quando ela canta “Mais de mil palhaços no salão”...

Li uma pesquisa que cita o surgimento desta data como uma festa que já existia dez mil anos antes de Cristo, quando os povos que habitavam as margens do rio Nilo, no Egito, comemoravam suas colheitas. Os homens daquela época entravam em estado de utopia através da comemoração – no momento da festa, se desligavam de tudo!

Para os foliões de hoje, me parece que o sentimento de utopia é idêntico! Seguindo as antigas tradições, durante a semana do Carnaval não existem problemas políticos ou sociais, existe apenas a visão de mulheres quase nuas desfilando sem parar!

Poucas escolas de samba ainda falam da realidade do Brasil e contam nossa história através de seus enredos. Os grandes patrocinadores tornaram este momento único em um “Carnaval para inglês ver”!

PS 1: “Quanto riso, oh, quanta alegria”? “Mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar”!

PS 2: Centenas de pessoas em várias capitais do Brasil estão fazendo o esquentamento do Carnaval. Tá tudo bem, tá tudo bom...

Publicado em 23/02/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Quem vem primeiro: a ordem ou o progresso?...

A educação em nosso país tem sido um problema grave ao longo de décadas. A cada ano que passa, a evasão nas escolas públicas aumenta cada vez mais. O aluno começa a estudar e depois, devido a problemas de falta de estrutura familiar e financeira, acaba saindo da escola, mesmo antes de acabar o primeiro semestre.

Tudo bem, esse fato já se tornou mais do que corriqueiro. Porém, já há um bom tempo, vem acontecendo, também, uma evasão escolar por parte dos professores, situação que a mídia pouco comenta.

Dados recentes indicam que são dadas 92 licenças por dia a professores da rede pública por estresse, crises nervosas e medo dos alunos. O que soma um total de 70% de licenças no Estado de São Paulo, já no primeiro semestre deste ano.

Quando uma criança pequena não quer ir à escola no primeiro dia de aula, isso é mais do que normal. Ou adolescentes que “matam” as aulas para ir ao cinema, faz parte... Mas os professores estarem com medo de ir à escola, aí a coisa é grave!

“Eu não quero mais voltar para a sala de aula”, diz Nadia de Souza, 54 anos, professora de história. Ela foi ameaçada de morte por um aluno e diz ter sido ameaçada outras quatro vezes, atingida por urina e, quase, por uma carteira jogada do terceiro andar da escola que lecionava. Hoje, Nadia está afastada, com depressão profunda e sem sair de casa há mais de um ano.

Bem, quem vem primeiro, a ordem ou o progresso? Os governantes vivem falando em capacitar mais os professores, dão merendas e uniformes para as crianças irem à escola! E o conhecimento, a estrutura como um todo – para os alunos e os professores –, eles dão também?

No dia a dia, nas ruas, nas periferias, as drogas rolam soltas, as famílias destes alunos estão desestruturadas devido à falta de emprego, moradia, saúde, valores humanos, etc., etc., etc... Como é possível esperarmos que uma criança ou um jovem que vive esta realidade se comporte como um ser civilizado dentro de uma sala de aula, se ele não é considerado um ser humano fora dela?

PS 1: Enquanto isso não mudar, a barbárie vai continuar atingindo a todos nós!

PS 2: Infelizmente, o problema está na estrutura... Será que vamos precisar colocar um engenheiro civil na presidência do Brasil?

Publicado em 16/02/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Bendita Tia Benedita...

Conheci, já há algum tempo, uma senhora de 88 anos, que chamo carinhosamente de Tia Benedita. Comecei a frequentar mais sua casa e pude observar melhor a sua maneira de lidar com a vida.

Para minha surpresa, percebi, em pequenas e simples conversas sobre suas flores e seus biscoitos, os problemas de saúde que foram surgindo com sua família e com ela mesma.

Tia Benedita tem vários filhos. Infelizmente, já perdeu uma filha de 60 anos devido a um câncer e, agora, outra filha está passando pela mesma situação...

Mais uma vez, me surpreendi com sua maneira sábia de lidar com a questão. “A gente tem que ter fé e segurar a onda da família, estou pronta para o que der e vier! A vida é só uma passagem, não vamos levar nada daqui, a não ser os momentos de amor e carinho para com nossos semelhantes. Eu não sei por que as pessoas complicam tanto esta breve viagem”, disse Benedita.

Tenho tantas coisas para falar sobre ela que não caberiam nesta coluna. Em um passeio recente que fizemos juntas, tomamos sorvete, conversamos sobre o calor e a alteração do clima. A tia ficou empolgada com os vários sabores, levou mais de 10 picolés pra casa – e saiu feliz como uma criança!

Voltando ao mundo que chamamos de real... As guerras continuam matando e destruindo pessoas e países, a fome e o desemprego não param de crescer, o individualismo e a cegueira da humanidade aumentam cada vez mais, famílias brigam entre si por uma herança, uma casa – bens materiais que vão ficar...

Enquanto isso, governos gastam bilhões para descobrir se é possível viver em Marte. Pra quê? Não conseguimos viver em paz aqui em nossa casa, nossa linda Terra! E ainda dizem por aí que vivemos no século das maiores descobertas científicas e tecnológicas que poderiam beneficiar a nós mesmos...

PS 1: Enquanto isso, os smartphones estão ficando cada vez mais rápidos e inteligentes e cheios de atualizações...

PS 2: Tia Benedita me ensinou que a borra do café é um ótimo adubo para as plantas!

Publicado em 09/02/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Trumps tupiniquins...

O Brasil sempre foi elogiado e reconhecido por ser um país que recebe, sem discriminação, imigrantes do mundo inteiro. Andamos pelas ruas e facilmente encontramos italianos, japoneses, árabes e portugueses. Sentimos que estamos na famosa “Torre de Babel”.

Porém, a teoria na prática é outra! Quantas vezes você já ouviu ou falou frases do tipo: “Puxa o ´japa´, meu vizinho, é um chato”, ou “Aquele ´branquela´ é um arrogante”. Sem contar outras piadinhas sacanas como: “Quando é que o negro vai à escola?...”, ou “O português atendeu o celular e perguntou: ´Como sabias que eu estava em um motel?´...”

No início é tudo brincadeirinha, depois vira um hábito, uma atitude constante e, num piscar de olhos, você se torna um discriminado ou um discriminador.

Agora, mais do que nunca, a descriminação se tornou coisa de primeiro mundo! O presidente recém-eleito dos EUA, Donald Trump, tem usado do discurso do nacionalismo e da segurança nacional para incitar todo e qualquer tipo de discriminação com os imigrantes em seu país, legais ou ilegais, e até mesmo com seus cidadãos.

Começou a “caça as bruxas”. Alguém se lembra do tempo da inquisição? Se você não fosse adepto da religião predominante em Portugal ou na Espanha ia pra fogueira como herege e bruxa! Nos EUA, os maus elementos são os mexicanos, negros, muçulmanos – todos são culpados até que se prove o contrário.

A história do nosso planeta é feita de guerras e os argumentos para justificá-las sempre foram os mesmos: “O meu povo é melhor que o seu”, ou “A minha religião é a única verdadeira”, “Precisamos preservar a economia nacional”...

E cadê a globalização? A união Europeia está por um fio. Colocam a culpa nos imigrantes. Porém, todo e qualquer país é feito de imigrantes. Será que a culpa não está nos governantes, que usam todo o dinheiro ganho com impostos e o PIB apenas em seu próprio benefício?

PS 1: Cuidado! Os Trumps Tupiniquins logo, logo vão surgir!

PS 2: Viva a pizza, o quibe, o sushi, o acarajé, o beirute, etc., etc., etc...

Publicado em 02/02/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Você tem medo de ETs?

Nunca vi tantos filmes, seriados de TV, artigos e tanto alarde sobre o fim do mundo! Lembram-se da previsão que o mundo ia acabar em 2012? Previsão Maia, Asteca, astrológica, ou mesmo científica: qual é a diferença?

Será possível acreditar que o mundo vai acabar em um dia? Ou em um determinado ano? Ou, talvez, ninguém queira perceber que todos os dias, há centenas de anos, nós estamos acabando com o planeta e com todos os seres vivos que o habitam?

Alguém se lembra de que o ano de 2010 começou sacudindo o planeta? Nos primeiros dezenove dias do ano, ocorreram terremotos no Haiti, Argentina, Papua, Nova Guiné, Irã, Guatemala, El Salvador e no Chile. O Japão também sofreu, naquele ano, um dos piores desastres de sua história: um grande tsunami, acompanhado de terremotos e, como consequência, a explosão de uma grande usina nuclear local.

Na cidade de Mariana, em Minas Gerais, em 2015, de quem foi a culpa? E, neste caso, tínhamos todas as previsões possíveis, porém ninguém fez nada...

Terremotos naturais têm demonstrado sua força há séculos. Em 1755, um terremoto destruiu quase completamente a cidade de Lisboa. O sismo foi seguido de um tsunami. No século passado, em 1964, aconteceu o maior terremoto do mundo, no Alasca. Naqueles tempos, não havia tecnologias para prever catástrofes e nem para cria-las!

Não sou acadêmica da área ambiental, mas posso supor que, com todo o conhecimento científico que temos hoje, um dos grandes vilões de todas essas tragédias é a nossa ganância, colocando sempre à frente os lucros gerados por usinas nucleares, petróleo, desmatamentos, etc., etc., etc...

Bem, da fome, miséria e doenças do século passado e retrasado, como Febre Amarela e Aedes aegypti – que ainda, vergonhosamente, existem em nosso planeta e estão voltando com tudo –, pouco se fala... O grande slogan do momento é “Salve o planeta!”. E o ser humano, como fica?

PS 1: E ainda tem gente que tem medo de ETs...
PS 2: Acho que a “Saga Crepúsculo” ainda não acabou e nem vai acabar tão cedo!
PS 3: Muitos dizem que não temos nada a temer...

Publicado em 26/01/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Voltamos à “normalidade”...

Ouvi essa frase de muitos amigos: “Agora que o ano começou, o país vai voltar à ‘normalidade’” – ou seja, bancos vão funcionar normalmente, o funcionalismo público, Fóruns, lojas, shoppings, etc., etc...

Por um momento, concordei. Mas, após uma pequena reflexão, me perguntei: “O que é normalidade”? Será que pegar filas em postos de saúde, falta de transporte coletivo, salários baixos, desemprego e outras “cositas” mais são a nossa normalidade? Ou, talvez, pudéssemos dizer: “voltamos à nossa ‘anormalidade’”?

Bem, também não quero ser uma estraga-prazeres. Agora que ainda muitas crianças e adultos estão de férias, curtindo um solzinho escaldante, chupando um picolé, tomando uma caipirinha, assistindo a todos os jogos de futebol e filmes até tarde da noite. Curtindo o ‘não fazer nada’!

Mas logo em seguida, voltando à “normalidade”, vêm as contas, a lembrança do que nos propusemos a fazer no começo do ano, aulas, trabalho – se estiver empregado –, inflação, alta do aluguel ou mensalidade da casa própria, manter ou não o plano de saúde, medo da falta de atendimento na rede pública de saúde, escola pública ou paga, material escolar, roupas...

UFA! Assim nem eu aguento! Só mais um item: o aumento do salário mínimo... foi mínimo!

Será que toda essa política social e econômica é normal em um país no qual se paga um dos maiores impostos do mundo sobre tudo que usamos, trabalhamos e consumimos?

Para a maioria dos estrangeiros, a palavra coronelismo e o conceito da mesma são muito difíceis de entender – até mesmo para nós brasileiros, onde a figura do “Coronel” faz parte apenas das estórias do Cangaço. Nem percebemos que essa cultura mandatária, desigual e nada democrática, faz parte de nossa “normalidade”.

PS 1: Ah, esqueci, não voltamos à “normalidade” ainda. Daqui a pouco, vem o Carnaval, as Globelezas já estão chegando à nossa telinha...

PS 2: Legal. Dá pra ficar mais um pouquinho com “Alice no País das Maravilhas”...

PS 3: Será que ainda dá pra tomar um cafezinho no final do mês?

Publicado em 19/01/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Vida de cachorro...

Foi-se o tempo em que uma vida difícil era chamada de “vida de cachorro”. Claro que, como todo mundo, eu amo os cães, os gatos e todos os bichinhos de estimação, mas, venhamos e convenhamos, será que estamos trocando nossos amigos humanos por estes seres tão lindos e dóceis? E se for o caso, por quê?

Vivemos em uma das eras mais avançadas da tecnologia, da medicina, do fisiculturismo, lipos, chás emagrecedores, etc., etc... E o nosso coração, nossos sentimentos, nosso espírito? Como estão?

Sentimos um vazio, falta alguma coisa... Aí adotamos cãezinhos, dormimos com eles, vejo muitas pessoas, jovens ou idosas, passeando sozinhas pelas ruas das grandes ou pequenas cidades com seus lindos animais, uns grandes, outros tão pequenos que até cabem na bolsa.

Hoje, temos um pet shop em cada esquina, com banho, tosa, escovação de dentes, terapias homeopáticas, roupinhas – tratamento vip de ponta a ponta, super legal. Estamos nos dedicando como nunca aos nossos bichinhos de estimação, enquanto a relação com outros seres de nossa mesma espécie esta ficando cada vez mais precária! No Facebook e em outros sites de relacionamento, podemos conhecer centenas de pessoas e fazer novos amigos, mas fica tudo no mundo virtual.

Muitas pessoas dizem que sentem solidão, insegurança, medo do seu próprio semelhante. Assim, acham ótimo se relacionar com um bichinho porque ele nunca questiona seu dono, concorda com tudo e, o mais importante, oferece um amor incondicional!

Li uma frase em um artigo sobre esta questão, em que uma mulher dizia: “Cachorro é o único amor que a gente compra”. Uau, a que ponto chegamos... Onde está aquele nosso amigo do peito, nosso parceiro(a), com quem podemos contar sempre, nossos pais, um irmão, nosso vizinho? Eles continuam lá e nós aqui, cada um em sua “casinha”, seguro e a salvo de “críticas e sugestões”.

PS 1: “Se persistirem os sintomas, procure um ser humano”....

PS 2: Se não encontrar algum que fale e ouça, continue insistindo!

PS 3: Em caso de emergência, chame os bombeiros...

Publicado em 12/01/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Começo e fim...

No meio de tantos assuntos políticos e sociais, crise econômica, começo de um novo ano, novas expectativas, inseguranças, etc., etc., etc..., tive uma linda conversa com uma pessoa mais velha e ela me disse: “Nesta vida, é bom aproveitar o meio, pois o começo e o fim, todos sabem, são irremediáveis”.

Um pensamento tão simples e claro me fez refletir bastante sobre a vida. Quando crianças, achávamos que nunca iríamos crescer, nos tornarmos adolescentes, adultos e, então, envelhecemos. Tudo sempre pareceu que era para sempre – até quando arrumamos um emprego, casamos, criamos uma família, fazemos amigos, acreditamos que tudo vai ser eterno, inclusive nossa própria vida!

Dizem que tanto as coisas boas quanto as ruins não duram para sempre. Está aí mais um ditado popular muito sábio. Depois dessas reflexões, me animei bastante, por incrível que pareça – claro que os medos e inseguranças sempre aparecem!

Mas, olhando pelo outro lado da moeda, lembrei, mais do que nunca, que o mais importante é viver “o aqui e agora” – já que o ontem já foi e o amanhã ainda não chegou!

Podemos olhar a vida e o tempo por vários ângulos. Este ano começou, ou o ano passado acabou? Na verdade, o tempo não tem começo nem fim, tudo é uma continuidade.

O que importa é o que vamos fazer com nosso tempo! Este é o meio do caminho. Podemos fazer algo por nós e pelos nossos semelhantes, ou podermos apenas esperar, sentados, o valioso tempo passar...

Manchete de um jornal do dia 3/01/2017: “Governador de MG, Fernando Pimentel, usa helicóptero do Estado para buscar o filho após uma festa de Réveillion”. Só para lembrar, Minas Gerais também está passando por uma calamidade financeira! O governador argumentou que o uso é legal – este voo custaria, ao menos, 4.800 reais...

PS 1: Infelizmente, ainda existem seres humanos que não têm noção alguma do tempo e, além de não fazerem nada de bom com ele, o utilizam para prejudicar milhões de pessoas, sem dó ou consciência!

PS 2: Feliz Ano Novo! Feliz tempo novo!

Publicado em 05/01/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).