quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Quem é você na rede?

Estudos realizados por psicólogos têm demonstrado que a maior parte das pessoas que se comunicam via internet através das redes sociais tem a tendência de chamar a atenção, mostrando um perfil pessoal bem diferente do que possuem na vida real. Na maioria das vezes, a pessoa acaba exagerando, seja nos seus defeitos ou nas suas qualidades.

Hoje em dia, dificilmente vamos conhecer alguém que não possua uma página pessoal no Facebook, Intagram ou em alguma outra rede social. Caso você não tenha uma, vai sentir-se um ET ou um alienado.

Realmente estamos vivendo na era da sociedade antenada, conectada 24 horas na rede, todos twittando, postando comentários, opiniões, minuto a minuto, as quais vão ser vistas por milhares de pessoas.

Parece que isso acabou se tornando um dos objetivos principais no nosso dia. Quem tem mais seguidores, você ou seu amigo? “Eu já estou com 800 pessoas como meus amigos no Facebook”, comentou meu vizinho, que praticamente não sai de casa e vive sozinho. “Sempre posto fotos de festas, viagens, falo dos meus namorados” é o comentário de uma amiga muito tímida na vida real.

Mas vamos pensar um pouco... Quando tudo isso começou, qual era a finalidade de participar das redes sociais? Bem, que eu me lembre, a ideia era fazer novos amigos em qualquer lugar do mundo, trocar experiências, conhecer pessoas afins e, se possível, encontrá-las no mundo real.

Eis que de repente nos vemos perdidos em um mundo virtual, que, por muitas vezes, acreditamos ser real, e somos capazes de ficar o dia inteiro na frente de um computador.

Como jornalista, sou a primeira a achar uma maravilha todos os recursos que a internet e as redes sociais podem nos oferecer em termos de informação e interatividade. Porém, tento sempre me lembrar de usar estas ferramentas como um meio e não um fim!

PS 1: “Use a rede com moderação. Se persistirem os sintomas, procure um médico!”

PS 2: Vídeo mostra estereótipo das redes sociais. Vale a pena ver: http://vimeo.com/22575745

Publicado em 08/12/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O que é coronelismo?

Brasil, meu Brasil brasileiro... Hoje, o nosso país é tido, mundialmente, como um símbolo de democracia na América Latina e no mundo.

Estive no Canadá representando o Portal Terceira Idade em um encontro sobre ações governamentais e não governamentais para a pessoa idosa. Curiosamente, os canadenses elogiavam nossa democracia e se espantaram ao saber da falta de inúmeras políticas públicas nas áreas de saúde, casas para idosos, cuidados – além dos baixos salários que a maioria dos aposentados recebe no Brasil.

“Que situação a minha...”, eu pensei. Sou brasileira e, ao invés de ter orgulho de meu país, tive que ser honesta e colocar de maneira muito clara que nossa democracia e os direitos da nossa população da 3ª idade – ou de qualquer idade – não são levados a sério.

Para a maioria dos estrangeiros, a palavra coronelismo e o conceito da mesma são muito difíceis de entender – até mesmo para nós, brasileiros, onde a figura do “Coronel” faz parte apenas das estórias do Cangaço.

Então, como é possível nosso país estar nas mãos dos mesmos governantes há tantas décadas, seja no âmbito federal, estadual ou municipal? E por que é tão difícil políticas públicas básicas funcionarem no Brasil?

Quase cem anos depois, essa frase, de 1920, ainda parece verdadeira: “Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada”.

A reflexão acima foi escrita por Ayn Rand, filósofa russo-americana, judia, fugitiva da revolução russa, que chegou aos Estados Unidos na metade da década de 1920.

PS: Coronelismo (do Dicionário Michaelis): Influência dos coronéis na política, que confundem em sua pessoa, atribuições de caráter privativo e público.

Publicado em 24/11/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Mariana faz um ano...

Muitas Marianas devem ter completado um ano de vida! Infelizmente, não estou falando delas neste momento, mas, sim, do desastre que matou mais de 19 pessoas em Minas Gerais, espalhou 40 bilhões de litros de lama por 650 km, além de retirar centenas de ribeirinhos das suas casas e deixá-los sem sustento!

A ONU divulgou, no dia 4 de novembro, um apelo para que o governo brasileiro e as empresas envolvidas no rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), tomem medidas urgentes para conter os impactos da tragédia. Segundo o órgão, as ações tomadas até agora foram “simplesmente insuficientes”.

“Após um ano, muitas das seis milhões de pessoas afetadas continuam sofrendo. Acreditamos que seus direitos humanos não estão sendo protegidos em vários sentidos, incluindo os impactos nas comunidades indígenas e tradicionais, problemas de saúde nas comunidades ribeirinhas, o risco de subsequentes contaminações dos cursos de água ainda não recuperados, o avanço lento dos reassentamentos e da remediação legal para toda a população deslocada, e relatos de que defensores dos direitos humanos estejam sendo perseguidos por ação penal”, aponta o órgão.

O relatório, assinado por especialistas ligados a ONU, pede esclarecimentos sobre a qualidade da água, a saúde das vítimas e o destino das comunidades forçadas a abandonar suas casas. Ele aponta ainda o receio de que mais rejeitos possam atingir as regiões de jusante quando a temporada chuvosa iniciar daqui a algumas semanas.

As empresas Samarco, Vale e BHP Billiton são citadas no comunicado: “Relembramos ao governo e às empresas que um desastre dessa escala – que despejou o equivalente a 20.000 piscinas olímpicas de rejeitos – requer resposta em escala similar”.

Já a Samarco diz que “tem feitos esforços para reparar e remediar os danos causados” com o Plano de Recuperação Ambiental Integrado, entregue em agosto, que reúne ações previstas em acordo firmado junto aos governos Federal, de Minas Gerais e do Espírito Santo.

PS: Queridas Marianas que completaram 1 ano de vida, espero que todas vocês possam crescer em um Brasil mais justo e digno!

Publicado em 17/11/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Bate, bate coração...

Li, em uma recente pesquisa da OMS (Organização Mundial da Saúde), alguns dados que me deixaram preocupada. A América Latina, incluindo o Brasil, é uma das regiões de maior índice de mortes por enfarte. A pesquisa destaca que isso acontece devido ao alto índice de gorduras que se ingere, poluição, sedentarismo, tabagismo, álcool e, o mais importante, a falta de exames preventivos! Os males do coração, como tantas outras doenças, não tratados adequadamente, são, na maioria das vezes, fatais.

Haja coração, físico e emocional, para conseguirmos viver sob esta constante pressão financeira e imoral que o Brasil nos impõe, a partir do momento que nosso governo praticamente se abstém de usar o dinheiro de nossos impostos para nos oferecer todos os serviços sociais aos quais temos direito – e eles, obrigação.

Mudando um pouco de assunto... Acho que, a partir de hoje, o mundo inteiro está à beira de um enfarte! Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos, uma das nações mais poderosas do planeta – o que, com certeza, vai resultar em mais e mais problemas para todos.

Um ser racista, machista, homofóbico, com um discurso enlouquecido e prepotente, agora tem o poder em suas mãos. De seu discurso fazem parte propostas como banir a entrada de muçulmanos nos EUA, construir um muro na fronteira com o México, etc., etc...

Não estou dizendo que Hillary Clinton é uma deusa ou uma santa, mas, ao menos, ela navega em mares um pouco menos insanos. Agora, é esperar pra ver no que vai dar...

E nosso coração como é que fica? Segundo os conceitos da medicina oriental, o que regula todas as nossas emoções e sentimentos é o nosso “coração emocional”. Vivendo sob constante medo, tensão e insegurança, é muito difícil mantermos um equilíbrio. Mas, como todo bom brasileiro(a) tem um enorme coração que bate forte e não desiste, vamos seguindo em frente.

PS 1: Será que o povo americano acha que Las Vegas fica em Washington?

PS 2: Ah, nosso presidente garantiu que não temos nenhum motivo para nos preocuparmos!

Publicado em 10/11/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

“Heranças indígenas com o pudor português”

Do primeiro teste da bomba atômica no Atol de Bikini, no Oceano Pacífico, em 1946, até a confecção da “peça mais desejada da moda brasileira”, o biquíni guarda uma história de vanguardismo, sexo e moralismo ligada à relação da mulher com o próprio corpo.

“A relação dos índios com o corpo revela nossa forma de usar o biquíni. Mulheres de uma tribo no Xingu, por exemplo, cobrem a intimidade com o uluri (cinto que só envolve uma pedaço da cintura). As brasileiras, por menor que seja o biquíni usado, também se consideram vestidas. Carregamos heranças indígenas com o pudor português”, explica o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro.

São tantas estórias e mitos sobre estas duas peças que cobrem o corpo da mulher ocidental, e que no Brasil, mais do que em qualquer outro país do mundo, fazem parte do imaginário masculino, além de tornarem a mulher brasileira em um constante, “objeto do desejo”, que a jornalista Lilian Pacce passou 13 anos debruçada em entrevistas, fotos e uma vasta checagem cronológica dos fatos que envolvem este traje de banho, curiosamente criado por um francês, Louis Réard.

Em suas pesquisas com personagens-chave para a disseminação do traje, descobriu que a ex-modelo alemã Miriam Etz (1914-2010) foi a primeira mulher a aparecer no Rio, em 1946, com um biquíni “duas peças” – versão que ainda encobria o umbigo.

Bem, de certa maneira, parece fútil nos preocuparmos tanto com a história do biquíni, mas este traje de banho feminino simboliza muito de nossa cultura machista, a qual inverteu e banalizou toda a cultura indígena em nosso país, transformando a pureza do índio e seus costumes em uma moralidade cheia de aberrações e falsos preceitos de pureza e castidade.

PS 1: “Lamento o português ter vestido o índio, e não o índio ter despido o português...” (Oswald de Andrade, famoso escritor modernista)

PS 2: Índios e biquínis “Made in Brazil”!

PS 3: Com este calorão, qualquer biquíni me satisfaz...

Publicado em 27/10/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Outubro Rosa: fitinhas rosas não bastam...

Outubro Rosa é uma campanha de conscientização para a prevenção do câncer de mama. Ao longo de todo o mês, são discutidas importantes informações sobre a prevenção, tratamentos e maneiras de enfrentar essa doença. E os direitos que as mulheres têm assegurados?

Por falta de informação, os pacientes e suas famílias não sabem que podem ter, além do acesso aos medicamentos, também isenções tributárias, como: Imposto de Renda (IR), Imposto sobre operações financeiras (IOF), Imposto sobre a propriedade de veículos (IPVA), além de outros direitos, como transporte gratuito, liberação do fundo de garantia e do PIS/PASEP e mais a cirurgia reconstrutora!

Na maioria dos casos, o câncer de mama deixa mais que marcas psicológicas na mulher, já que o tratamento pode envolver a retirada de parte ou de toda a mama afetada, ou mesmo das duas mamas. Nestes casos, a cirurgia plástica reparadora de mama é um direito garantido às mulheres que sofreram mastectomia total ou parcial. O procedimento pode ser realizado pela rede de unidades integrantes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Bem, até aqui citei os direitos legais... Mas como todos nós sabemos, a teoria na pratica é outra. Com certeza, não vai ser nada fácil conseguir ter todos estes direitos citados acima, infelizmente, devido ao descaso e burocratização de nosso governo, desde a época de D. Pedro I, II, entre outros...

Existem duas formas de ir atrás dos seus direitos. A primeira delas é a via administrativa, em que o pedido pelo medicamento é analisado pela Secretaria da Saúde e o paciente tem um retorno posterior. É comum que o pedido seja negado, o que é um absurdo! Então, se faz necessária a ação judicial. Aí, você pensa: “Se eu não posso pagar um medicamento, como vou pagar um advogado?”.

Procure a Defensoria Pública ou Promotoria de Justiça de sua cidade, ambos os serviços são gratuitos. Vale a pena tentar!

PS 1: É tão fácil criar leis e supostos direitos...
PS 2: É tão fácil distribuir milhares de fitinhas rosas...

Publicado em 20/10/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

É bom refletirmos sobre o significado da palavra “comemorar”...

No dia 21 de setembro é comemorado o Dia Mundial da Doença Alzheimer. É bom a gente pensar sobre o significado da palavra “comemorar”, pois ela pode parecer inadequada, tendo em vista que, em geral, nós a utilizamos com o sentido de festejar, celebrar. Mas comemorar significa lembrar junto – co-memorar –, trazer à mente, à memória. Por isto, é correto usar o termo comemorar a Doença de Alzheimer (DA), pois todos nós devemos lembrar juntos, ao invés de fecharmos os olhos e ouvidos e fingirmos que ela não existe.

Pensando nisso, a Associação Brasileira de Gerontologia (ABG) traz alguns esclarecimentos sobre esse assunto que interessa a todos nós.

Quando eu devo suspeitar que eu estou – ou que meu familiar está – com DA?

Bom, é fato que as falhas de memória recente são um importante indício da doença, mas existem outras atitudes que também podem ser relacionados com o início da demência. Por exemplo: mudança de comportamento e de humor, agressividade e perda de noção de localização espacial ou temporal. Ou seja, a pessoa confunde os dias da semana, os períodos do dia, não lembrando se tomou o remédio da manhã, ou mesmo não consegue se localizar estando num caminho conhecido. Estas pequenas mudanças, no início, são notadas apenas pela própria pessoa, por isto, a importância de nós mesmos prestarmos atenção a esses sinais.

Porém, logo a situação começa a ficar perceptível para os outros, principalmente para o marido ou a esposa e, muitas vezes, a família faz piada com alguns comportamentos da pessoa sem perceber o que de fato está acontecendo e isto lhe causa muita angústia.

Infelizmente, ainda não temos a cura para esta doença tão cruel e devastadora do cérebro humano. Mas podemos tentar prevenir, identificar e aprender a lidar da melhor maneira possível com a situação.

PS 1: Se você quiser saber mais sobre esta questão, acesse: www.portalterceiraidade.org.br

PS 2: Saiba mais sobre a ABG em: www.facebook.com/ABGerontologiabrasil

Publicado em 22/09/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

De onde viemos? Pra onde vamos?...

O livro ‘Uma Breve História de Quase Tudo’, de Bill Bryson, é um delicioso guia de viagens pela ciência. Achei a obra muito interessante e separei algumas perguntas e respostas para esta coluna.

Há quanto tempo existe o universo?
“Há bastante tempo, os cosmologistas vêm discutindo se a criação foi há 10 bilhões de anos, duas vezes essa cifra ou um valor intermediário. Parece estar se formando um consenso em 13,7 bilhões de anos. Será que é definitivo?”

Quantas espécies vivem em nosso planeta?
“Não temos a menor ideia do número de seres que vivem em nosso planeta. As estimativas oscilam de 3 milhões a 200 milhões. Quantos seres vivos ainda serão descobertos?”

Geneticamente, qual a semelhança entre homens e macacos?
“O ser humano moderno é 98,4% geneticamente indistinguível do chimpanzé moderno. Há mais diferenças entre uma zebra e um cavalo que entre você e as criaturas peludas que seus ancestrais remotos deixaram para trás. Evoluímos ou não?”

Com certeza, todos nós já nos fizemos algumas destas perguntas, além do famoso questionamento: “Quem sou? De onde vim? Para onde vou?”

Uma pergunta que estou me fazendo desde ontem, quando finalmente aconteceu mais um impeachment, o de Eduardo Cunha – uau, já estamos batendo o recorde neste quesito – a qual acredito que você e outros milhares de brasileiros devem estar se fazendo também é: “E agora, como fica o Brasil? Vai ou não vai? O que vai mudar? Será que, finalmente, vamos nos tornar um pais cidadão? Uma ‘Pátria Educadora’, um ‘País Sem Miséria’?”

Pensei em mandar estas perguntas para o autor do livro, mas não tenho certeza se ele vai conseguir as respostas... Afinal ‘Uma Breve História de Quase Tudo’ consegue responder perguntas lógicas! A história do Brasil é tão ilógica, cheia de meandros e supostas falsas premissas, que se torna praticamente impossível entender ou imaginar o que vai acontecer daqui pra frente...

PS 1: “Só sei que nada sei” (Sócrates)
PS 2: “Muito barulho por nada” (Shakespeare)

Publicado em 15/09/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).