quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O que é que a baiana tem?

De acordo com os dados do Censo 2010, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no último dia 29 de novembro, o país tem, no total, 190.732.694 habitantes, sendo 97.342.162 mulheres e 93.390.532 homens. Em dez anos, o aumento da população foi de 12,3%, em números absolutos, isso significa 20.933.524 pessoas.

E, boas novas, o censo apurou que existem 23.760 brasileiros com mais de cem anos no país. A Bahia é o estado brasileiro com maior número de centenários. São 3.525 moradores com cem anos ou mais. Em seguida, aparece São Paulo com 3.146, seguido por Minas Gerais com 2.597 centenários.

Não existe uma fórmula especial que explique a grande quantidade de idosos com mais de cem anos na Bahia. O que se detecta naquele estado é que essas pessoas tentam se afastar das preocupações e chateações procurando levar uma vida regrada, rotineira e sem maiores exageros.

Deraldo Magno Santos, 116, morador do Asilo São Lázaro, na Estrada Velha do Aeroporto, em Salvador, e Dona Canô , 103, mãe do compositor e cantor Caetano Veloso e da intérprete Maria Bethânia, residente, atualmente em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo, são dois dos melhores símbolos da longevidade baiana.

O segredo de Dona Canô parece ser a sua rotina sossegada. Quando acorda, por volta das 6h da manhã, ela toma apenas um café com leite e um suco. No almoço, come de tudo, mas sem exageros. Na hora de dormir, por volta das 21h, ela toma uma sopa, acompanhada por um cafezinho. “Tem de saber viver, ter amor no coração e ser correto. Se você viver se aborrecendo por tudo, não chega”, diz Dona Canô.

PS. Sei que é difícil não nos aborrecer com tantas coisas “estranhas” acontecendo no Brasil e no mundo, mas, talvez com esse “jeitinho baiano de ser”, a gente consiga ter mais paz em nossas vidas e em nosso planeta!

Publicado em 24/02/2011, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´ de Marília (SP), da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Doar não dói

Dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) mostram que, em 2010, 4.829 transplantes de órgãos foram realizados no país (números de janeiro a setembro).

As operações de rins representaram 72,04% do total, com 3.479 cirurgias. O recorde dos últimos 10 anos foi em 2009, quando foram realizados 4.288 transplantes de rins, mais da metade cedidos por famílias de doadores mortos.

No entanto, apesar de o total de transplantes de órgãos ter sido recorde em 2009, os números caíram cerca de 20% em 2010. Uma das possíveis explicações talvez se deva aos tradicionais mitos que a população em geral ainda tem em relação à doação de órgãos, como, por exemplo:

“Se os médicos do setor de emergência souberem que você é um doador, não vão se esforçar para salvá-lo, pois vão querer aproveitar os seus órgãos...”
“Você está muito velho para ser um doador...”
“A doação dos órgãos desfigura o corpo e altera sua aparência na urna funerária...”
“Alguém pode drogá-lo e, quando você acordar, poderá encontrar-se sem um ou ambos os rins, removidos para serem utilizados no mercado negro dos transplantes...”

São mitos como estes que ainda dificultam os transplantes de órgãos no país e retardam (e muitas vezes até impedem) a possibilidade de salvar muitas vidas.

A ABTO tem uma página em seu site que, além de desmistificar estes e outros mitos, mostra como é fácil e seguro tornar-se um doador de córneas, rins, pulmões, fígado, coração, pâncreas, intestino, e até de pele, ossos e tendões. Você pode doar órgãos inclusive em vida, como, por exemplo, um dos rins e até parte do fígado ou do pulmão.

Um único doador pode salvar muitas vidas. Se a maioria de nós vier a fazer parte deste maravilhoso grupo de doadores de órgãos, os bancos de órgãos irão crescer e a espera será menor para quem precisa.

A informação é a maior amiga da doação de órgãos. Participe!
Sistema Nacional de Transplantes: (61) 3306-8212
ABTO: (11) 3283-1753; 3262-3353
Site: www.abto.org.br

Publicado em 17/02/2011, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´ de Marília (SP), da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Parabéns, Sr. Shigeo!

Pesquisa realizada em maio de 2010 pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 193 países mostra que o Japão e San Marino (pequeno país situado nas Montanhas Apeninas, na Europa) são os países com a maior expectativa de vida do mundo.

Além de possuir a maior expectativa de vida do mundo, 83 anos, e o maior percentual de idosos, o Japão também tem a maior indústria de filmes pornográficos... para a 3ª idade.

Shigeo Tokuda tem 75 anos e, atualmente, é o maior produtor de cinema pornô para idosos no Japão. Tokuda ingressou na indústria pornográfica aos 59 anos, depois de uma típica vida de funcionário de escritório, trabalhando como agente de viagens.

Sua segunda opção profissional surgiu porque ele estava insatisfeito com as tramas de filmes pornô que tinha visto até então. Isso o levou a uma discussão com um produtor de cinema sobre se ele próprio poderia fazer algo melhor. Os filmes com idosos conquistaram espaço no país nos últimos 10 anos, ocupando, hoje, entre 20% e 30% do mercado. Tokuda já produziu mais de 300 filmes até hoje.

“A população se encontra em processo acelerado de envelhecimento e a expectativa de vida é longa. Os idosos têm muito tempo livre e estão ampliando seus limites. Eu quis contestar a ideia de que as pessoas comuns não fazem sexo, então resolvi ser ator pornô”, afirma Tokuda.

“Os homens mais velhos, vendo o que Tokuda consegue fazer, acham que eles também podem. Os idosos se sentem seguros e encorajados quando assistem a seus filmes”, comenta Gaichi Kono, diretor do filme mais recente de Tokuda.

Acho muito bom, colocar em destaque esse fenômeno japonês, pois, além de quebrar vários tabus sobre a sexualidade no “outono” de nossas vidas, também nos leva a fazer uma boa reflexão sobre como todos nós encaramos esta questão em nosso dia a dia. Não é a toa que os japoneses reverenciam os mais velhos pela sua sabedoria. Meus parabéns ao senhor Shigeo.

Publicado em 10/02/2011, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´ de Marília (SP), da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Diga não à violência!

Violência contra a pessoa idosa é um fenômeno universal e representa um importante problema de saúde pública, tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento. A agressão, não só física como também a psicológica, acomete idosos de todas as faixas econômicas, na maioria das vezes vinda de pessoas da própria família ou próximas a eles.

No último dia 26 de janeiro, tivemos um desfecho para um caso bizarro de violência contra a pessoa idosa que se estendeu por mais de 15 anos.

Em Sorocaba (99 km de SP), um casal foi preso, acusado de manter uma idosa de 64 anos presa no porão de uma casa por pelo menos oito anos. Sebastiana Aparecida Groppo, que sofre de transtornos mentais, era mantida pelo ex-marido e a atual mulher nua em um ambiente sem luz nem água e com a única janela fechada. As paredes estavam mofadas e cheias de caramujos e havia baratas mortas e fezes no chão do banheiro.

Libertada graças a uma denúncia anônima por policiais da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), Sebastiana foi levada para a casa de um dos filhos.

O ex-marido, o aposentado João Batista Groppo, 64, e a atual mulher dele, Maria Aparecida Furquim, 58, foram presos em flagrante. Os filhos alegam que o pai não deixava que eles cuidassem da mãe. Em declaração informal, ele disse que a ex-mulher era mantida no porão desde 1995, mas, formalmente, disse que ela estava no porão “só desde 2003”.

“Sempre a tranquei para a segurança dela, pois ela fugia e não sabia voltar para casa”, afirmou Groppo à Polícia Civil. Já Maria Aparecida declarou que foi Groppo que “entendeu que seria melhor colocar a Sebastiana no porão para ela não fugir”.

Essa é apenas uma das centenas, senão milhares, de histórias de abuso contra a pessoa idosa em nosso país e no mundo.

Se você conhece alguém que está passando por esse tipo de situação na família, ou entre seus amigos e vizinhos, denuncie.

PS. Sua denúncia pode ser anônima. Envie e-mail para: denuncia@portalterceiraidade.org.br

Publicado em 03/02/2011, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´ de Marília (SP), da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

De quem é a responsabilidade?

Uma pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) apontou que cerca de 4,5 milhões de idosos - 1,3 milhão a mais do que em 2008 - terão dificuldades para exercer as atividades da vida diária nos próximos dez anos. Desse total, curiosamente, 62,7% são do sexo feminino.

Para Ana Amélia Camarano, coordenadora da área de População e Cidadania do instituto, mesmo que a proporção de idosos com incapacidade funcional diminua como resultado de melhorias nas condições de saúde e de vida em geral, ainda assim, muito provavelmente cerca de 3,8 milhões de idosos vão precisar de cuidados de longa duração em 2020.

“O objetivo do estudo é levantar a discussão sobre de quem é, de fato, a obrigação de cuidar das pessoas idosas e se esse cuidado tem que se transformar em um risco social. A questão é se essas pessoas têm o direito ou não de ser segurado do Estado, como ocorre no caso da Previdência Social e da assistência à saúde”, diz.

Eu acho que o Estado tem, sim, que assumir uma posição mais efetiva na criação de mecanismos de proteção e cuidado das pessoas idosas. Devido à ausência de uma política estruturada de cuidados formais do idoso, hoje, a família acaba desempenhando o papel de cuidar de aproximadamente 3,2 milhões de idosos sem praticamente nenhum apoio, seja do Estado ou do setor privado.

Em janeiro de 2009, o Portal Terceira Idade lançou a Campanha “Seja um Cuidador Voluntário”, com o objetivo de formar uma lista, de abrangência nacional, com pessoas que queiram doar seu tempo para idosos e pessoas sozinhas que não tem mais a capacidade de cuidar de si mesmas. Hoje, a campanha conta com centenas de voluntários (as) de todo o país.

Se você quiser doar um pouco de seu tempo para estas pessoas que já cuidaram muito de todos nós, acesse www.portalterceiraidade.org.br e cadastre-se. Assim, enquanto o governo resolve se vai ou não assumir esta responsabilidade social, nós, cidadãos, já vamos assumindo a nossa!

Publicado em 27/01/2011, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´ de Marília (SP), da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Chuva com “Passione”!

Semana passada, um grande evento aconteceu: terminou a novela ‘Passione’. E, como a ‘vilã’ da estória se saiu bem, parece que muitas pessoas não gostaram... Mas, como sempre, a arte imita a vida!

Outro grande evento, que vem surtindo até matérias no exterior e em todo o Brasil, são as chuvas intensas e todo o estrago absurdo e desumano que estão causando devido à falta de prevenção de nossos governantes!

Absurda e surrealista a situação que São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais estão vivendo por causa de um fator meteorológico tão natural quanto a chuva: mais de 700 mortos na região serrana do Rio, desabamentos, pessoas desprovidas de suas casas e doenças. Tudo isso por causa da chuva ou por causa de uma prevenção que deveria ter sido feita, já que o fato estava anunciado pelas autoridades meteorológicas e simplesmente nada foi feito!

Mais irônico ainda, o fato de o Brasil negar ajuda da ONU com receio de diminuir o seu índice de “independência financeira” no ranking dos países em desenvolvimento. E tem mais: tão furtivo e malicioso quanto os vilões de ‘Passione’, o governo nega tudo e atribui estas catástrofes simplesmente ao aumento das chuvas...

Será que o Haiti é aqui? O Brasil nem teve um tsunami e está em uma situação de alerta vermelho, com um número de mortos nunca antes visto.

Penso que os nossos governantes sofrem de algum complexo de superioridade... Enviam dinheiro para o Haiti, África e outros países “pobres” e, para nós mesmos, nada. Nem prevenção, nem investimento em construção de casas em áreas que não sejam de risco para as pessoas menos favorecidas, nada. Aqui, está tudo bem para eles, “os reis da cocada”... E qual o preço que se paga por tanta arrogância e mesquinhez de nossas autoridades? O grande vilão vai sair impune com muita “Passione”?

“Brasil não é Bangladesh. Não tem desculpa para permitir, no século 21, que pessoas morram em deslizamentos de terra causados por chuva.” (Debarati Guha - Sapir, consultora externa da ONU)

Publicado em 20/01/2011, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´ de Marília (SP), da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

“Favela Tour”

Não posso negar meu espanto quando vi, no caderno de turismo em um jornal de SP, uma matéria sobre um novo roteiro turístico para as férias: as favelas do Rio de Janeiro. “Com a pacificação das favelas, é possível que turistas conheçam novos ângulos das praias e da cidade. A segurança para circular é ‘semelhante à do asfalto’”. A matéria destaca os principais atrativos turísticos: Morro do Alemão, do Borel, Morro Santa Marta, Cantagalo, etc. Em todos os morros, temos várias opções: um mirante, a igreja da Providência construída há cerca de 200 anos, além de opções de guias locais.

Esta exaltação às favelas cariocas é o que mais me surpreende e, se não me falha a memória, há menos de um mês atrás esta região era considerada uma das mais perigosas e completamente dominada pelas drogas. De repente tudo mudou... Como eu havia escrito em colunas anteriores, o ano mudou e, num piscar de olhos, todo o complexo do Alemão e adjacências está “pacificado” e ainda mais, pronto para receber turistas de todo o mundo!

Tudo muito politicamente correto. Quero deixar claro que não estou descriminando ninguém e muito menos as favelas, muito pelo contrário. Acho um absurdo transformar a questão da favelização, não só do Rio, mas de todo o Brasil, em um grande circo pra inglês ver! Enquanto milhares de pessoas vivem nelas em uma situação desumana, sem água potável, esgoto, em casas construídas nos morros com restos de papelões, nosso governo quer nos convencer e, pior, convencer o mundo afora, de que favela é sinônimo de cultura e turismo!

Daqui a pouco, morar na favela vai ser “bacana”. Vão até dizer que é um projeto de vida sustentável e ecológico, já que todas as casas são feitas com “material reciclado” e você vive sempre perto da natureza em “estado intocável”.

PS 1: Favela (do dicionário Michaelis): Aglomeração de casebres ou choupanas toscamente construídas e desprovidas de condições higiênicas.
PS 2: Estande do Rio Top Tour, do governo estadual, informa sobre pontos de visitação.

Publicado em 13/01/2011, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´ de Marília (SP), da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Meu caderno novo!

Hoje me sinto como no primeiro dia de aula! Lembro de quando era criança e, nesta época do ano, meus pais já tinham toda a lista do material escolar do novo ano letivo: cadernos, livros, borracha, lápis... Ficava ansiosa esperando começar as aulas para usar tudo novinho e, o mais importante, prometia para mim mesmo que este ano eu ia começar o caderno novo escrevendo tudo com uma letra linda, ia fazer todos os deveres de casa, e seguir o resto do ano mantendo o caderno lindo, sem rabiscos, rasuras e tirando boas notas!

O que me levou a lembrar desta época foi uma matéria que li esta semana, na qual o autor comentava que em todo início de ano ele se prometia ter atitudes e fazer todas as coisas que não havia feito no ano anterior. Mas, ao mesmo tempo, ele dizia que não acreditava mais nesse tipo de situação, já que todo o ano era a mesma coisa, pois, com a correria do dia a dia e os problemas inesperados, acabava não conseguindo cumprir suas metas, tais como iniciar um regime, caminhar, mudar de emprego, fazer um curso, casar, separar, e tantas outras ‘cositas’ mais...

Cheguei à conclusão que ambas as situações são muito parecidas. Todo início de ano é como se estivéssemos ganhando um caderno novo cheio de folhas brancas a serem preenchidas e, daí, fazemos disso nossa meta de vida e acabamos nos estressando, e muito, criando o dever de fazer neste ano o que as vezes não conseguimos fazer ao longo de toda nossa vida.

Também, pudera... Os políticos eleitos falam em alto e bom tom que vão acabar com a pobreza do Brasil, construir casas, escolas, hospitais... Tudo isso neste ano. Os comercias nos bombardeiam com a ideia de que, já que o ano mudou, temos que mudar de carro, de móveis, de casa, até nós mesmos temos que nos “mudar”, fazer uma lipo, uma cirurgia plástica...

Muita calma neste momento. Tudo bem, estamos em 2011, mas as coisas não mudam do dia pra noite. Pense bem, o que realmente tem que mudar?

PS: Vou comprar meu caderno novo hoje mesmo!

Publicado em 06/01/2011, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´ de Marília (SP), da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).