quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Estamos em 2099...

“Estamos em 2099 e, passados 82 anos da Conferência Mundial do Clima em Copenhague, na Dinamarca, em dezembro de 2009, as consequências do que fizemos – e do que deixamos de fazer – até o final deste século são cada vez mais desastrosas.

Técnicos e especialistas alertaram para as desgraças que viriam num futuro próximo: a poluição do solo, do ar e a escassez da água. A humanidade sobrevive à espera de um milagre tecnológico capaz de reverter a desgraça ambiental que se abateu sobre a Terra. Vou tentar descrever o dia a dia dos cidadãos em nossos dias:

a) O ar se rarefez de tal forma que praticamente não se consegue respirar sem ajuda de equipamentos que levam o oxigênio à boca e às narinas através de tubos;

b) A água é racionada pelo governo. Cada cidadão tem direito a meio litro de água por dia. Os carros pipas são escoltados por homens armados. A higiene pessoal é feita com um pano embebido em óleo mineral;

c) O verde e as florestas não existem mais, são quadros e figuras de museus;

d) As chuvas acontecem muito raramente e de forma torrencial e catastrófica. As águas dos mares e oceanos tornaram-se mais salinas e poucas espécies de peixes ainda sobrevivem;

e) O solo tornou-se arenoso, foi esterilizado pelo sol e o calor que chega a 60°C;

f) Com o aumento da salinidade dos mares, houve grande diminuição da evaporação e queda brusca da umidade relativa do ar. Por isso, os pulmões ardem quando respiramos, nossa pele se tornou áspera e rugosa como a de um réptil;

g) Não existe mais proteína animal e vegetal, toda a alimentação é sintética, fabricada a partir do petróleo, por isso somos obrigados ao uso de suplementos nutritivos sintetizados;

h) A única fonte de energia disponível é a nuclear. Não existe mais a energia hidráulica e os rios secaram.

Especialistas tentam desesperadamente reverter essa situação caótica sem resultados práticos.”

A ficção acima foi escrita por Antonio Germano Pinto, engenheiro químico e especialista em recursos naturais, falecido em 2012. Esta publicação é uma homenagem ao meu querido amigo, que sempre se preocupou com o futuro – e o presente – da humanidade.

Publicado em 26/10/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

Um comentário:

  1. Tenho pra mim que a ficção se antecipa à realidade. Há um pouco disso tudo no livro "Não verás país nenhum" de Loyola de Brandão se não estou enganada.
    Valha-nos Deus!
    Abraço!
    Sonia

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