quinta-feira, 5 de junho de 2014

“Bola do bem”: passe essa bola pra frente!

Mais uma vez, estamos em clima de Copa do Mundo! Os jogos, que acontecem de 12 de junho a 13 de julho, irão decidir quem levará a taça Jules Rimet para casa – curiosidade: o nome do troféu foi dado em homenagem ao seu idealizador, em 1928, na época, presidente da FIFA, durante a primeira Copa do Mundo de Futebol.

Depois de ouvir muitas opiniões e críticas sobre a Copa nas ruas, na tv, nos jornais, comecei a pensar na vida, no mundo... E me perguntei: “Será que o mais importante é ganhar um jogo ou aprender a viver a vida juntos, com sabedoria e parceria, onde todos podem sair ganhando, inclusive eu e você?”.

Lembrei-me, então, de um filme que eu assisti já faz algum tempo, “A Corrente do Bem”, uma estória comovente sobre como uma ideia simples, a de fazer o bem sem esperar nada em troca, pode contagiar todos a sua volta. No filme, um menino de 12 anos cria um desafio para si e para todos ao seu redor: fazer para três pessoas – sejam elas quais forem – algo muito especial, algo que elas não conseguiriam fazer por si só e, daí pra frente, essas pessoas fariam o mesmo por mais três pessoas, e assim por diante.

Não vou contar o final, senão perde a graça... Bem, depois que o filme terminou, tive mais uma vez a certeza de que o mais importante não é ganhar ou perder, mas, sim, viver e ajudar aqueles que estão sem rumo a tentar novamente. Porém, não adianta dar o “peixe” e, sim, a “vara de pescar” e, o mais importante, com muito amor, carinho e cuidado!

Que tal experimentar? Observe uma, duas, três ou mais pessoas as quais você acha que poderia realmente ajudar a viver de verdade. Passe essa “bola do bem” pra frente!

PS 1: Isso não acontece somente em filmes. Há muito tempo, alguém muito importante na história da humanidade disse: “Faça aos outros aquilo que você gostaria que lhe fizessem”. Vamos tentar não esquecer esse conselho tão simples, porém tão necessário, naquela época e, principalmente, nos dias de hoje!

PS 2: Acho que nossos governantes não viram esse filme...

Publicado em 05/06/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Perguntas para quase tudo...

Recentemente, li o livro "Uma Breve História de Quase Tudo", de Bill Bryson, um delicioso guia de viagens pela ciência. Achei a obra muito interessante e separei algumas perguntas e respostas:

– Há quanto tempo existe o universo?
“Há bastante tempo, os cosmologistas vêm discutindo se a criação foi há 10 bilhões de anos, duas vezes essa cifra ou um valor intermediário. Parece estar se formando um consenso em 13,7 bilhões de anos. Será que é definitivo?”

– Quantas espécies vivem em nosso planeta?
“Não temos a menor ideia do número de seres que vivem em nosso planeta. As estimativas oscilam de 3 milhões a 200 milhões. Quantos seres vivos ainda serão descobertos?”

– Geneticamente, qual a semelhança entre homens e macacos?
“O ser humano moderno é 98,4% geneticamente indistinguível do chimpanzé moderno. Há mais diferença entre uma zebra e um cavalo que entre você e as criaturas peludas que seus ancestrais remotos deixaram para trás. Evoluímos ou não?”

Com certeza, todos nós já nos fizemos algumas destas perguntas, além do famoso questionamento: “Quem sou? De onde vim? Para onde vou?”

Eu, pessoalmente, tenho me perguntado de que adianta saber de onde eu vim se eu não sei nem quem sou ou para onde vou?

Claro que eu sei quem eu sou, meu nome, CPF, RG, onde moro, qual o meu trabalho... Mas quem sou eu? Quais são meus desejos verdadeiros, anseios, gostos, o que desejo fazer nesta vida? Será que eu apenas existo?

Penso, logo existo! Tudo bem, mas, daí pra frente, o que é que estamos fazendo com tantas informações e pensamentos fragmentados?

E, pra complicar um pouquinho mais, disseram que, no Brasil, surgiu uma nova classe C, com um poder aquisitivo muito maior, cheia de oportunidades e saldos bancários maravilhosos! Porém, a maioria da população não consegue ganhar mais de um salário mínimo, e olhe lá.

PS 1: Vou perguntar para meu “Oráculo” se escrevo Brasil com “s” ou com “z”...
PS 2: A Copa vem aí... Você está preparado?

Publicado em 29/05/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Dicas de saúde do “Dr. Lula”...

É uma “babaquice” a preocupação de dar condições de Primeiro Mundo ao torcedor na Copa, como “chegar de metrô dentro do estádio”. A afirmação é do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em palestra a blogueiros, o petista disse que o brasileiro “nunca teve problema em andar a pé”: “Vai a pé, descalço, de bicicleta, de jumento, de qualquer coisa. Mas o que a gente está preocupado é que tem que ter metrô, tem que ir até dentro do estádio? Que babaquice é essa?”.

Concordo que andar a pé faz bem... Porém, venhamos e convenhamos, me parece que o “Dr. Lula” foi um pouco – pra não dizer bastante – abusado e displicente para com a população brasileira em seu depoimento!

Ele acha que todos têm um personal trainer como ele? E que andam confortavelmente de carro com um chofer, vários serviçais cozinhando, lavando, etc, etc...

“Dr. Lula”, talvez esteja na hora de o Sr. tirar umas férias e colocar a cabeça no lugar! Relembrar dos velhos tempos em que o Sr. era um metalúrgico, acordava às 4h ou 5h da manhã, pegava trem e ônibus lotados, comia uma pequena marmita, trabalhava oito a dez horas por dia em uma fábrica e talvez tivesse que voltar a pé para casa... E mesmo que não tivesse passado por tudo isso, porque esta ideia de maltratar tanto o povo brasileiro? Ainda mais quando estamos falando em obras públicas que são construídas com o dinheiro público!

Alguém se lembra daquele velho refrão: “Brasil: ame-o ou deixe-o”? Até parece que estamos voltando no tempo e que nada mudou. Como dizia uma amiga minha: “Família é tudo igual, só mudam as pessoas na foto”!

Várias décadas se passaram, vários sistemas políticos governaram nosso país – militares, ditadura, esquerda, direita, democracia –, mas, infelizmente, as atitudes de nossos governantes continuam as mesmas.

PS 1: O deputado federal Fernando Ferro (PT-PE) também disse: “Vai ter Copa, sim. Quem não quiser, vá para outro país”.
PS 2: Será que ele paga a passagem, hospedagem e dá o vale- refeição?

Publicado em 22/05/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Afogada em números...

Eu sempre tive o costume de olhar a previsão do tempo para saber se vai chover, esquentar ou esfriar. Gosto de sair preparada para as quatro estações em um só dia!

De uns tempos pra cá, tenho visto a importância que as mídias têm dado às estatísticas: o valor das ações, a alta dos juros, o que se gastou com a Copa, o que não se fez com o dinheiro gasto... Como se todos nós fôssemos experts no assunto e vorazes aplicadores do mercado financeiro.

Somos bombardeados com informações sem conteúdo palpável e que não nos sugerem nenhuma ação para que possamos colocar em prática uma atitude que vá realmente fazer a diferença no nosso dia a dia.

A estatística mais recente que ouvi foi a de que o Brasil está em quarto lugar no ranking dos países com mais diferenças sociais na América Latina.

Por outro lado, recebemos informações dos governantes falando do crescimento do Brasil, aumento de nosso PIB, aumento do poder aquisitivo da classe C, aquecimento das exportações, e mais gastos e gastos com a Copa...

Tem gente por aí dizendo que estamos melhor que vários países tidos como desenvolvidos. No entanto, grande parte de nossa população está abaixo da linha da pobreza, não consegue fazer nem uma refeição ao dia, não sabe ler nem escrever, mora em condições sub-humanas, etc, etc...

Realmente, somos muito bons em catalogar, pesquisar e oferecer números... Já quanto a resultados, nada! Afinal de contas, por que tantos discursos contraditórios? É só sair nas ruas e ver a nossa verdadeira realidade.

E assim vão passando os dias, as noites, e nós vamos ficando sempre muito bem informados sobre a previsão do tempo!

PS 1: Vamos sediar a Copa, custe o que custar...
PS 2: E depois da Copa? Será que vai chover?

Publicado em 15/05/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Todos nós podemos ser “mães”!

Agora que vem se aproximando o Dia das Mães, achei interessante destacar uma matéria que saiu em vários jornais. Talvez muitos já tenham visto, porém o que mais me encantou foi o fato de que todos nós – pais, mães, avós, netos, filhos, amigos ou irmãos – podemos ser uma mãe!

Em janeiro de 2013, aos 21 anos, um jovem de Porto Alegre decidiu largar a faculdade de filosofia e o emprego para passar 24 horas ao lado da avó, diagnosticada com Alzheimer cinco anos antes. Aos 79 anos, Nilva Aguzzoli, ou a Vovó Nilva, como ficou conhecida nas redes sociais, passou a ter o neto como cuidador em tempo integral.

"Desde o início da doença, eu e meus pais sempre cuidamos, mas, em 2013, quando percebi que ela estava chegando a um estágio mais avançado da doença, pensei que, em breve, ela poderia nem nos reconhecer mais, e decidi que queria ficar direto com ela”, conta Fernando.

E foi com bom humor que Fernando enfrentou os desafios diários. "Quando ela teve de usar fralda pela primeira vez, ficou incomodada. Então, eu coloquei uma fralda em mim e rimos juntos", conta.

Posturas como a de Fernando podem até ajudar a adiar a evolução da doença, segundo Cícero Gallo Coimbra, professor de Neurologia e Neurociências da Unifesp. "Na maioria dos casos, a atitude da família é cobrar e repreender o parente nos episódios de esquecimento. Essa cobrança leva ao pânico e ao estresse, que bloqueiam a produção de novos neurônios e pioram um quadro de demência", explica o especialista.

E essa foi a linda atitude que Fernando tomou. "Quando eu e minha mãe decidimos levar a vó para realizar o sonho dela, que era conhecer as Cataratas do Iguaçu, muitos perguntavam por que íamos gastar dinheiro com a viagem se, dez minutos depois, ela não se lembraria do passeio. Mas, para nós, não importava se ela lembraria, importava a felicidade que ela teria naquele momento", enfatizou.

Fernando agiu como uma mãe: teve um amor incondicional para com sua avó!

PS: Feliz Dia das Mães para todos e todas as mães do mundo!

Publicado em 08/05/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 1 de maio de 2014

O futuro é o minuto seguinte...

Lembro-me de quando eu ainda era criança e me perguntava: “Como serei quando ficar adulta? E quando ficar mais velha? Terminar os estudos, escolher uma carreira, o primeiro emprego, namoro, casamento, filhos, netos...”

Pensando na questão de como nos preocupamos com o futuro, lembrei-me de uma frase que o ator Francisco Cuoco, 80, disse durante uma entrevista que realizei com ele no último mês de outubro, por ocasião do Dia Mundial do Idoso.

Para quem tem o ícone da TV, teatro e cinema na memória – muito lembrado por seus trabalhos na TV, como, “Selva de Pedra” (1972), “Pecado Capital” (1975), “O Astro” (1977), entre outros – conversar com Cuoco deu-me a oportunidade de ver que ele é uma pessoa humilde, doce, bondosa e, o melhor de tudo, que tem muito respeito pela vida e pelo próximo.

“O tempo passa para todo mundo. O importante é a gente ter cada vez mais consciência de que idade não é um problema, idade é uma consequência. Esqueça os números e os anos. O passado é lindo, ficou lá pra trás, é uma referência importante. O futuro é o minuto seguinte, que é tão precioso que a gente chama de ‘presente’. Então, o presente é importante para que você esteja bem, esteja saudável, esteja feliz!”, refletiu o ator.

Portanto, a mensagem que gostaria de transmitir a todos vocês, amigos e leitores desta coluna, é: olhemos mais para o presente, para as pessoas que estão, hoje, conosco, nossa família, nossos amigos. E, o mais importante, para aqueles que não conhecemos, mas que também são – como já dizia um conhecido sábio dois mil anos atrás – nossos irmãos.

Aproveito a oportunidade para recomendar um belo filme para refletir sobre a vida. “Up – Altas Aventuras” é um desenho animado, mas traz uma história adulta, com uma mensagem de que tudo é possível, ainda mais quando o amor prevalece ao longo de toda uma vida.

PS 1: Viva o 1º de Maio!
PS 2: Trabalhar é preciso, viver também é preciso!

Publicado em 01/05/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 24 de abril de 2014

“Favela Tour”

Não posso negar meu espanto quando vi, no caderno de turismo de um jornal de São Paulo, uma matéria sobre um novo roteiro turístico: as favelas do Rio de Janeiro. “Com a pacificação das favelas, é possível que turistas conheçam novos ângulos das praias e da cidade. A segurança para circular é ‘semelhante à do asfalto’”. A matéria destaca os principais atrativos turísticos: Morro do Alemão, do Borel, Cantagalo, etc. Em todos os morros, temos várias opções: um mirante, a igreja da Providência construída há cerca de 200 anos, além de opções de guias locais.

Esta exaltação às favelas cariocas é o que mais me surpreende e, se não me falha a memória, há pouquíssimo tempo esta região era considerada uma das mais perigosas e completamente dominada pelas drogas. De repente tudo mudou...

No ano da Copa, em um piscar de olhos, todo o complexo do Alemão e adjacências estão “pacificados” e, ainda mais, pronto para receber turistas de todo o mundo! Dá pra acreditar?

Tudo muito politicamente correto. Quero deixar claro que não estou descriminando ninguém e, muito menos, as favelas, muito pelo contrário. Acho um absurdo transformar a questão da favelização, não só do Rio, mas de todo o Brasil, em um grande circo para inglês ver!

Enquanto milhares de pessoas vivem nelas em uma situação desumana, sem água potável, esgoto, em casas construídas nos morros com restos de papelões, nosso governo quer nos convencer e, pior, convencer o mundo afora, de que favela é sinônimo de cultura e turismo!

Daqui a pouco, morar na favela vai ser “bacana”. Vão até dizer que é um projeto de vida sustentável e ecológico, já que todas as casas são feitas com “material reciclado” e você vive sempre perto da “natureza em estado intocável”.

PS 1: Favela (do dicionário Michaelis): Aglomeração de casebres ou choupanas toscamente construídas e desprovidas de condições higiênicas.
PS 2: Estande do Rio Top Tour, do governo estadual, informa sobre pontos de visitação...
PS 3: Prefiro experimentar saltar de paraquedas!

Publicado em 24/04/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Sobre homens e borboletas...

Todos os anos, algo entre 60 milhões e 1 bilhão de borboletas monarcas (Danaus plexippus) migra de Ontário (Canadá), para Michoacán (México). Uma jornada de 3.500 km, que dura até dois meses. Podem ser necessárias quatro gerações para chegar ao destino final.

As monarcas deixam o Canadá no outono do hemisfério Norte, quando o frio aperta. Partem atrás de temperaturas mais estáveis, que não caiam abaixo de 0°C, no planalto central do México. Para recebê-las, e aos milhares de turistas que atraem, existe a Reserva da Biosfera Borboleta Monarca ("mariposa monarca", em espanhol).

Na primavera, elas fazem a viagem de volta. Alguns desses insetos, que pesam 1 g, foram rastreados. Descobriu-se que vários retornam para as mesmas árvores de que haviam partido seus antepassados.

Essa pequena maravilha da natureza serviu de mote para um bom romance sobre a mudança global do clima: "Flight Behavior" (comportamento de fuga, ou de vôo), da americana Barbara Kingsolver.

Como tantas migrações periódicas (pássaros, baleias, tartarugas marinhas), a das monarcas intriga os humanos. Como é possível que seres tão menos aparelhados do que nós consigam ser tão precisos, tendo apenas o instinto por guia?

Faço uma outra pergunta: Como é possível que nós seres humanos tão avançados tecnologicamente e com tantos estudos filosóficos sobre nós mesmos não consigamos usar nosso mero instinto básico para vivermos em paz e harmonia?

Guerras, fome, armas químicas, crimes hediondos, mentiras, poder, etc., etc... Que bom que as borboletas não evoluíram como nós!

Tenho visto tantas coisas que ultrapassam o limite da razão de qualquer ser humano “dito normal”, que achei mais saudável escrever sobre esta pacífica e inteligente comunidade de borboletas!

PS 1: “País rico é país sem pobreza” ou “ País sem pobreza é um país rico”?...
PS 2: Feliz Páscoa!

Publicado em 17/04/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).