Mas, eis que para minha surpresa, ele me disse que era brasileiro, porém estava trabalhando há muitos anos em Portugal e, lá, tinha adquirido o sotaque. Durante a nossa conversa, percebi que, além do sotaque, ele havia adquirido toda a postura e maneira de pensar de um estrangeiro.
Todo orgulhoso, me disse que vinha aqui só para tirar férias e descansar, pois, para trabalhar, o melhor negócio era estar na Europa. “Lá construí minha vida, fiz meu pé de meia”, e por aí foi falando, falando, até que entrou em uma contradição: “Porém, o melhor lugar do mundo é o Brasil”.
Então, naturalmente, lhe perguntei: “Se o melhor lugar é aqui, por que você trabalha, vive e ganha seu dinheiro lá fora?”.
Como todo bom “brasileiro estrangeiro”, alegou que voltaria quando tivesse conseguido conquistar “um lugar ao sol”...
Percebi que este brasileiro já havia se tornado um “turista acidental”. Para ele – como para tantos outros admiradores de nossos cartões postais – o Brasil é o melhor lugar do mundo para compras, passeios, praias, etc. Mas, para viver com dignidade e respeito, ele resumiu: “O grande negócio é estar lá fora”.
Mesmo vivendo em um momento em que a Europa, e mesmo os EUA, passam por uma crise, ainda assim, vejo todos os dias um surto, uma avalanche de pessoas querendo sair do Brasil. Fico triste, mas também com a maioria de nossa população ganhando um salário mínimo e nossa querida Presidenta falando em alto e bom tom que nós cidadãos temos que ajudar o governo, o que mais qualquer ser normal poderia cogitar em fazer?
PS 1: Para o último que sair: não se esqueça de apagar a luz e nem de como se fala nossa língua!
PS 2: Vivemos em um Brasil que não é nosso!
PS 3: Somos todos “turistas acidentais”...

Pena, não é? Será que conseguiremos reverter essa situação?
ResponderExcluirAbraço, Tony!
Sonia