quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Lá em cima, o buraco é mais embaixo...

Feliz Ano Novo aos leitores – mesmo que um pouco atrasada... Mais um ano cheio de esperanças, anseios e fé de que vamos viver em um país melhor!

Porém, contudo, todavia... não posso deixar de relatar uma situação muito triste e indignante que ocorreu ainda em 2014: a fúria que emergiu nas redes sociais contra o povo nordestino, por ter votado em massa em Dilma Rousseff. Afinal, não foram só eles que votaram nela, e mesmo se tivessem sido, o voto é um direito livre e absoluto de cada cidadão!

Se pensarmos bem, o maior crime vem por parte do próprio governo reeleito – que já está no poder há mais de doze anos – e não irrigou sequer um pedacinho do Nordeste. É vergonhoso este e tantos outros governos anteriores condenarem crianças e adultos  nordestinos à uma situação sub-humana e sem perspectiva alguma!

Será que entre as novas ideias deste dito “novo governo” está o respeito aos direitos humanos da infância nordestina? Direitos que envolvem educação, saúde, saneamento básico e o fim da tuberculose, que mata mais que o ebola no mundo subdesenvolvido.

Lá em cima no Brasil, o buraco é mais embaixo: praticamente, 40% das crianças maranhenses entre 8 e 9 anos não sabem ler nem escrever. Segundo o IBGE, o Maranhão tem o segundo maior índice de mortalidade infantil do Brasil, inferior apenas ao de Alagoas. De cada 1.000 nascidos no Maranhão, 29 não sobrevivem ao primeiro ano de vida. Em Alagoas, o IDH é igual ao do Gabão!

Existe um 'muro da vergonha' que separa Sudeste, Centro-Oeste e Sul do Nordeste e Norte. Esse muro não vai ser derrubado enquanto nós brasileiros seguirmos o mesmo rumo de nossos governantes, criando mazelas que ocultam o verdadeiro problema: corrupção generalizada e falta de respeito para com o ser humano, independente de cor, raça, credo ou região, seja no Brasil ou no resto do mundo!

PS 1: Preconceito e discriminação são as maiores armas que os governantes de nosso planeta usam e abusam para continuar no poder.
PS 2: Amanhã você pode ser a próxima vitima...

Publicado em 08/01/2015, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

A origem...

É Natal! E todos nós somos envolvidos por essa emoção coletiva, cheia de símbolos sobre os quais, na maioria das vezes, não sabemos como surgiram!

O Natal é a data em que comemoramos o nascimento de Jesus Cristo. Na antiguidade, era comemorado em datas diferentes, pois não se sabia com exatidão a data do nascimento de Jesus. Foi somente no século IV que o 25 de dezembro foi estabelecido como a data oficial de comemoração do evento.

Na Roma Antiga, o 25 de dezembro era a data em que os romanos comemoravam o início do inverno. Portanto, acredita-se que haja uma relação deste fato com a oficialização da comemoração do Natal.

As antigas comemorações de Natal costumavam durar até 12 dias, pois este foi o tempo que levou para os três reis Magos – Belchior, Baltasar e Gaspar – chegarem até a cidade de Belém para entregar os presentes (ouro, mirra e incenso) ao menino Jesus.

A figura de nosso querido e bom velinho foi inspirada num bispo chamado Nicolau, que nasceu na Turquia em 280 d.C. O bispo, homem de bom coração, costumava ajudar as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximos às chaminés das casas.
Foi transformado em santo – São Nicolau – pela Igreja Católica, após várias pessoas relatarem milagres atribuídos a ele.

Até o final do século XIX, Papai Noel era representado com uma roupa de inverno na cor marrom ou verde escura. Em 1886, o cartunista alemão Thomas Nast criou uma nova imagem para o bom velhinho: a roupa nas cores vermelha e branca, com cinto preto.

De repente, surge, em 1931, uma campanha publicitária da Coca-Cola, mostrando um Papai Noel com o mesmo figurino criado por Nast – por acaso, com as cores do refrigerante...

Agora que descobri a suposta origem do Natal e no que ele acabou se tornando ao longo dos séculos, me pergunto: Qual será o nosso destino? Carnês e mais carnês das Casas Bahia? Compras voluptuosas nos supermercados para a grande Ceia?

PS 1: Cadê o menino Jesus?
PS 2: Papai Noel existe! Mas, felizmente, não está na loja mais próxima...

Publicado em 18/12/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Qual é o “pobrema”?

Você lembra como se sentiu quando leu ou escreveu pela primeira vez? É bem provável que não, parece até que já nascemos lendo e escrevendo! Mas, com certeza, deve ter sido um momento mágico.

Num país como o Brasil, onde existem milhares de analfabetos e falta de escolas públicas, chega a ser um privilégio poder ler e até escrever. Não bastasse esta realidade cruel que nossas crianças e adultos vivem já há muitos e muitos anos, ainda somos pegos de surpresa por uma nova corrente educacional, que defende a ideia de que não existe certo ou errado na língua portuguesa.

Para este grupo de pessoas, que tem a coragem de se denominar pedagogos, chamar a atenção de um aluno que escreve ou fala gramaticalmente errado é um “preconceito linguístico”. Adotado nas aulas de português para milhões de estudantes do ensino fundamental, o livro “Por uma Vida Melhor” é uma amostra desta insanidade acadêmica.

Heloisa Ramos, uma das autoras desta obra insana, cita no livro: “Você pode estar se perguntando: ‘Mas eu posso falar ‘os livro’?’, ou ‘Nós pega o peixe?’. Claro que pode”. O erro crasso de concordância é apenas uma “variação popular”, diz a autora. E mais, ela ainda diz que a língua culta, ou seja, a gramática que rege as regras de nossa língua portuguesa, é um “instrumento de dominação das elites”...

Eu fiquei totalmente pasma com estas afirmações e, pior ainda, saber que o Ministério da Educação autorizou a edição do tal livro e sua distribuição para as escolas públicas. Aonde o nosso governo que chegar com essa atitude?

Banalizar a educação e destituir-se da responsabilidade de propiciar um estudo básico para nossas crianças e jovens carentes até que parece ser uma boa saída para os governantes se eximirem de investir em nossa educação e poder falar cada vez mais que somos um “país emergente”...

PS 1: Se persistirem os sintomas... Vamos ter um grande “pobrema”!

PS 2: Se você ainda não leu o livro “Ratos e Homens” (de John Steinbeck, Ed. L&PM), este é um bom momento!

Publicado em 11/12/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Saindo do armário... Voltando para o armário...

Desde o tempo que o homem primitivo desceu das árvores, há milhares de anos, e “evoluiu”, adquiriu uma série de qualidades. E defeitos... Um deles – talvez o pior –, o preconceito. Da cor da pele à religião, de preferências políticas à escolha do time de futebol, gordos, magros, pobres, velhos, enfim, não faltam motivos para o “homo sapiens” ter preconceitos. E um dos mais tristes e injustos na sociedade atual é o preconceito contra os homossexuais.

Este ganha um caráter duplamente preocupante quando se trata da homossexualidade na 3ª idade. Sim, o homossexual também envelhece...

No último Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia, realizado entre 29 de abril e 3 de maio de 2014, no Pará, a psiquiatra Carmita Abdo, professora da USP (Universidade de São Paulo), divulgou dados de uma pesquisa mostrando que o preconceito e o descaso que atingem os idosos brasileiros se tornam ainda mais graves no caso dos homossexuais.

Enquanto a estimativa de depressão entre idosos heterossexuais (homens e mulheres) é de 13,5%, entre as lésbicas esse número sobre para 24% e, entre os gays, chega a 30%.

Quando o antropólogo Luiz Mott, 68, era adolescente, nos anos 1960, disseram-lhe que todo homossexual estaria condenado à solidão na velhice, “vegetando sozinho e abandonado, em um quartinho sombrio de uma pensão de quinta categoria”. Hoje, ele acredita que esses antigos ensinamentos tinham por propósito apenas assustar os jovens tentados a “sair do armário”.

No entanto, gays ainda enfrentam um ambiente que lhes impõe muitos obstáculos a uma velhice tranquila e digna. Muitos idosos e idosas homossexuais são obrigados a “voltar para o armário” quando envelhecem, pois precisam receber cuidados de pessoas homofóbicas. Basta ligar para vários asilos e casas de repouso do país e perguntar se lá existe algum gay, lésbica ou travesti idoso morando. A resposta será sempre “não”.

PS. Vamos torcer para que a próxima evolução do homem – um “homo um pouco mais sapiens” – venha sem preconceitos...

Publicado em 04/12/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Violência mata mais que Aids

Muito boa a campanha do governo para continuar conscientizando a população sobre a prevenção contra a Aids. Mas, infelizmente, falta – e muito – uma atitude do mesmo para prevenir a miséria, a qual gera uma epidemia muito maior: a violência.

Uma pesquisa realizada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pela USP (Universidade de São Paulo) revelou dados alarmantes: o número de mortes causadas por homicídios vitimou 5.705 paulistanos, contra 1.368 mortos por Aids.

Claro que esse aumento absurdo da violência em todo o Brasil se deve a vários fatores – que já estamos cansados de conhecer –, tais como: desemprego, fome, falta de escolas, moradia e, principalmente, a falta de uma perspectiva futura para os cidadãos brasileiros. Mas existe aí uma causa a mais, quase sempre presente em toda essa “epidemia de homicídios”, o tráfico de drogas.

Infelizmente, o maior número de traficantes e usuários de drogas está entre os adolescentes e até crianças, na sua maioria, vindas da periferia e das favelas, afinal eles são o alvo mais fácil de ser atingido, pois, com a completa falta de direitos à escola, lazer e trabalho, esses jovens acabam encontrando no tráfico um sonho de poder consumir e existir. Obviamente, acabam se viciando e, daí pra frente, matando e morrendo dentro desse círculo vicioso.

Além do combate às drogas, é importante combater o vício de uma sociedade que usa e abusa dos miseráveis para se enriquecer. Afinal de contas, os jovens traficantes são apenas a ponta final do iceberg.

Será que o Beira-Mar, o Marcola e outros chefões vão ter um “Natal magro” neste ano? E falando em Natal magro ou gordo... É bom lembrar que amor, carinho e compaixão não se compram nas lojas e custam apenas a nossa boa vontade!


PS 1: Se puder, passe essa bola pra frente!
PS 2: Novo governo, novos governantes: novas políticas?

Publicado em 27/11/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Um Brasil menos branco...

Segundo o levantamento realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 1990 para cá, o número de homens em relação ao de mulheres aumentou, a população brasileira envelheceu... E ficou menos branca...

Sim, isso mesmo... Os dados apontam que menos da metade da população se declarou branca na pesquisa – é a primeira vez que o IBGE detecta esta proporção desde 1940.

Ao todo, 91.051.646 habitantes se dizem brancos, enquanto outros 99.697.545 se declaram pretos, pardos, amarelos ou indígenas. Os brancos ainda são a maioria (47,33%) da população, mas a quantidade de pessoas que se declaram assim caiu em relação a 2000, quando foi de 53,74%. Em números absolutos, foi também a única categoria que diminuiu de tamanho em relação ao ano de 2000.

Por outro lado, em dez anos, a porcentagem de habitantes que se classificam como pardos cresceu de 38,45% (65,3 milhões) para 43,13% (82,2 milhões). Já os pretos subiram de 6,21% (10,5 milhões) para 7,61% (14,5 milhões) da população brasileira. O Brasil também tem mais moradores que se consideram amarelos (1,09% ou 2,1 milhões). Em 2000, apenas 0,45% (761,5 mil) se classificavam assim. Em dez anos, o número de amarelos superou o de indígenas, que subiu de 734,1 mil para 817,9 mil.

Bem, uma coisa fica muito evidente nesse levantamento: o Brasil é um país onde não podemos aceitar o racismo – velado, porém presente. Somos uma nação construída a partir de muitas “misturas”, uma delas, como sabemos, a partir dos milhares de escravos trazidos para cá em séculos passados. Todos nós somos o resultado da miscigenação de negros, orientais e índios – sem falar das dezenas de culturas que aqui vieram e moldam o nosso País: italianos, portugueses, japoneses, entre outras.

PS. Você já ouviu falar que a “mãe” da espécie humana era uma mulher – curiosamente chamada de Eva – e que vivia na África, aproximadamente 140 mil anos atrás?

Publicado em 20/11/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Compaixão primata

Estes dias, resolvi arrumar minha mesa de trabalho e eis que surgiu à minha frente um artigo que eu tinha guardado há muito tempo. O título: “Estudo na Costa do Marfim diz que adoção de órfãos é pratica seguida até por chimpanzés do sexo masculino”. Não pensei duas vezes para destacar este fato como um exemplo de compaixão e amor incondicional no mundo animal versus o mundo “humano e civilizado”.

Segundo pesquisas, o ser humano moderno é 98,4% geneticamente indistinguível do chimpanzé moderno. Será mesmo?

Um caso muito bizarro, destacado pela mídia, mostrou como um médico, completamente doente e inescrupuloso, oferecia o tratamento de inseminação artificial para mulheres que não podiam ter filhos. Só que, durante os procedimentos, ele as estuprava – além de cobrar mais 200 mil reais pelo seu “trabalho”.

Mais absurdo ainda foi o fato das mulheres que foram vítimas deste algoz terem se calado por um bom tempo, com medo que o dito médico não desse prosseguimento ao tratamento.

Me pergunto: a que ponto chega a obsessão do ser humano por ter filhos com seus genes e ‘seu sangue’?

Se para algumas pessoas a mãe natureza não propiciou este “dom”, seria tão absurdo pensar em adotar uma criança? Ainda mais em um país como o nosso, onde há milhares de órfãos esperando por um lar!

Os chimpanzés da Costa do Marfim estariam mais evoluídos do que nós, no que tange a valores éticos e morais e à visão do que é realmente viver em uma sociedade?

PS 1: Recomendo ver o filme “O Planeta dos Macacos” (a versão original), em DVD. Foi feito em 1968, mas já mostrava com imensa clareza – e até crueldade – a maneira de agir e ser dos seres humanos.

PS 2: Não vou contar o filme inteiro, mas um detalhe vale destacar: os macacos só se tornaram ruins a partir do momento em que criaram uma sociedade espelhada em nós mesmos...

Publicado em 13/11/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Certa manhã, acordei e me olhei no espelho...

Você tem rugas? Está se sentindo muito gordo(a)? Acha que seus seios estão grandes ou caídos? Fica encucado com sua careca, ou se seus cabelos estão ficando brancos demais? Não se preocupe, já está disponível no mercado um remédio que resolve tudo isso.

Infelizmente, esta fórmula não está à venda nas farmácias e nem na internet. Esse remédio tem vários nomes: “autoconfiança”, “autoestima” ou “seja você mesmo!”. Você pode achar que esse “antídoto” não vai resolver muita coisa, mas não custa experimentar.

A vida é feita de várias fases, nas quais nosso corpo vai se moldando e nossa personalidade também! Estamos sempre sujeitos a todo tipo de influência. É só ligar a TV, navegar na internet, folhear uma revista e vamos ver imagens de homens e mulheres considerados perfeitos – dentro dos padrões de beleza estipulados pela nossa sociedade, só pra lembrar!

Aí, começam a surgir os efeitos colaterais: “Estou um lixo...”, “Eu nunca vou ser igual a Angelina Jolie, ou ao Brad Pitt...“, “Será que devo fazer uma plástica? Um implante de cabelos? Colocar silicone?...”

Calma! Pense um pouco: você é único(a), seu corpo e seus traços físicos são só seus e mudanças fazem parte de nossa vida. Cuidar da saúde e de nossa aparência é importante, mas, tão importante quanto isso tudo, é descobrir a nossa própria beleza!

Comecei a pensar neste assunto há alguns anos atrás, quando, em uma bela manhã, acordei e me olhei no espelho. De repente, não sei por que, fiquei pasma: “Os anos passam, a vida passa…”

Claro que tenho minhas recaídas, como todo mundo... Nestes momentos, faço uma pausa e ouço meu pequeno “grilo falante” dizendo: temos o direito – e talvez até o dever – de criar o nosso padrão de beleza. Ou melhor, talvez não exista um padrão, mas, sim, um conjunto de fatores que nos torna belos!

PS 1: Se os sintomas persistirem, não procure um médico. Procure por você mesmo!
PS 2: O melhor espelho são os olhos de quem nos ama!

Publicado em 06/11/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).