quinta-feira, 10 de abril de 2014

Receita da vovó...

No nosso dia a dia tão corrido, parece loucura pensarmos em receitas de bolo, tortas salgados, etc... Mas achei interessante destacar esta receita, pois o seu nome nos lembra vários acontecimentos em nosso País cheio de receitas exóticas e mirabolantes!

Receita de Bolo Formigueiro

Ingredientes:

  • 200 gramas de margarina + 20 mil reais para senadores pagarem a auxiliares de check-in nos aeroportos;
  • 200 gramas de chocolate granulado + reembolso ilimitado de gastos médicos para os senadores (extensivo a cônjuges e dependentes até 21 anos);
  • 100 gramas de coco ralado;
  • 2 copos de farinha de trigo + 32 pessoas que zelam pelas residências oficiais dos senadores;
  • 4 ovos;
  • 1 copo de leite morno + 26.700 reais (valor do salário de cada senador) + 170 mil reais mensais para contratar até 55 auxiliares de gabinete;
  • 1 copo de açúcar;
  • 1 colher de sopa de fermento em pó;
  • 1 pitada de sal.

Modo de preparo:

Bata numa tigela, com uma colher de pau, o açúcar, as gemas e a margarina e coloque, em seguida, a farinha de trigo, alternando com o leite morno. Adicione o Renan Calheiros, o fermento, o coco ralado, as claras em neve e o chocolate granulado. Coloque numa forma untada e enfarinhada e leve ao forno médio.

Excelente esta receita, muito gostosa, prática e fácil de fazer no Brasil e desfrutar ao entardecer com seu grupo de amigos! Eu mesma estou pensando em fazer um curso de culinária brasileira para que, assim, eu possa aprender como manipular vários ingredientes repetitivamente e sempre conseguir agradar o gosto popular!

Já estou até buscando uma boa receita de Lula à Dorê, acompanhada com batatas souté e uma boa caipirinha. Para a sobremesa, acho que vou consultar nossa Presidenta, afinal o prato citado é seu preferido, incondicionalmente!

Publicado em 10/04/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 27 de março de 2014

Cleuza: a catadora de lixo...

Casualmente, vi em um jornal duas matérias sobre o mesmo tema, as quais, infelizmente, me lembraram que vivemos em uma “Aquarela de Brasis”...

A primeira comentava sobre a importância da leitura, a necessidade de conscientizar os pais a participarem deste processo junto com seus filhos, o cuidado que a família deve ter ao escolher uma escola privada que tenha uma biblioteca atraente e professores preocupados com a leitura.

Logo fiquei intrigada. Por que o autor da matéria frisou “uma escola privada”? E as escolas públicas? Já estão tão bem resolvidas quanto a esta questão? Será que eu não estou sabendo? E os livros? Estão tão fáceis de comprar?

Bem, deixando um pouco de lado estes pequenos grandes detalhes, é bom lembrar que a média de leitura por pessoa no Brasil é de um livro por ano!

Continuei folheando o jornal e, para minha surpresa, vi uma notícia incrível: “Catadora cria biblioteca com obras encontradas no lixo”. A catadora de recicláveis Cleuza de Oliveira, 47 anos, semi- analfabeta, moradora de uma cidade a 455 km de São Paulo, conseguiu realizar seu sonho: criou uma biblioteca dentro da Associação de Catadores, que fica localizada no centro de triagem do lixo.

“Meu sonho era montar uma biblioteca para que todos pudessem ler. De tanto ver livros jogados no lixo, de autores como Machado de Assis, José Saramago, entre outros, comecei a juntá-los. Hoje, temos um acervo com mais de 300 títulos”, comenta Cleuza, na matéria.

Em qual Brasil vivemos? No das escolas privadas, que costumam ter uma biblioteca e, na maioria das vezes, subutilizada? No Brasil dos comerciais lindos que mostram um país quase perfeito? Ou no Brasil que depende de milagres e pessoas iluminadas como Cleuza, a catadora de lixo, para colocar em prática o que já deveria existir há muito tempo?

PS 1: Cleuza de Oliveira garante que todos os livros da biblioteca de sua Associação são emprestados gratuitamente.
PS 2: Andam dizendo por aí que, depois da Copa 2014, vai ser só alegria...

Publicado em 27/03/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 20 de março de 2014

O que te faz feliz?

Vários países, como a Inglaterra e a França, já discutem a ideia de que medições como o PIB (produto interno bruto) não são suficientes para aferir o grau de desenvolvimento de uma nação e de que a felicidade deveria ser um fator a ser contabilizado também.

Mas como medir um fator aparentemente tão subjetivo? Curiosamente, pela primeira vez, a prefeitura de uma cidade americana chamada Somerville resolveu fazer um censo buscando saber a taxa de felicidade de seus habitantes e, a partir daí, traçar políticas públicas.

Daniel Gilbert, professor de psicologia da Universidade de Harvard, resolveu investigar cientificamente como o fator felicidade atua em nosso cérebro. A pesquisa foi realizada através da faculdade de saúde pública de Harvard acompanhando cinco mil pessoas durante 20 anos, utilizando aparelhos de ressonância magnética e grupos de controle, dando, assim, caráter científico a práticas milenares como meditação e yoga. Também nos hospitais foram feitos testes que demonstraram que pessoas felizes têm menos propensão a problemas do coração, hipertensão, diabetes e infecções.

O professor Gilbert pôde constatar cientificamente como determinadas sensações, sejam elas positivas ou negativas, desencadeiam reações biológicas em nosso organismo. Outra cientista da saúde, responsável pelo curso de ciência da felicidade de Harvard, Nancy Etcoff, também afirmou: “O trabalho voluntário aciona um sistema de recompensa muito maior no cérebro do que o cuidado intenso de muitas mulheres e homens com sua aparência física e seus bens materiais”.

Este tipo de conhecimento pode nos alertar sobre o fato de muitas vezes estarmos buscando a satisfação no lugar errado... Reconheço que, no Brasil, é muito difícil falar em felicidade quando ainda, vergonhosamente, falta alimento na mesa de muitos cidadãos. Talvez, no nosso caso, o segredo seja nos doarmos cada vez mais a quem precisa!

PS: “O que faz você feliz? Você feliz o que que faz? Você faz o que te faz feliz? O que faz você feliz você que faz...”

Publicado em 20/03/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 13 de março de 2014

Pizza, kibe, sushi...

O Brasil sempre foi elogiado e reconhecido por ser um país que recebe, sem discriminação, imigrantes do mundo inteiro. Andamos pelas ruas e facilmente encontramos italianos, japoneses, árabes, chineses, portugueses, etc. Sentimos que estamos na famosa “Torre de Babel”.

Porém, a teoria na prática é outra! Quantas vezes você já ouviu ou falou frases do tipo: “Puxa o ´japa´, meu vizinho, é um chato”, ou “Aquele ´branquela´ é um arrogante”? Além das piadinhas sacanas como: “Quando é que o negro vai à escola?...”, ou “O português atendeu o celular e perguntou ´Como sabias que eu estava em um motel?´...”.

No início, é tudo brincadeirinha, depois vira um hábito, uma atitude constante e, num piscar de olhos, você se torna um discriminado ou um discriminador.

A história do nosso planeta é feita de guerras, e os argumentos para justificá-las sempre foram os mesmos: “O meu povo é melhor que o seu”, ou “A minha religião é a única verdadeira”...

Acho super importante cada povo conhecer suas origens, cultivar e praticar seus costumes e sua religião, mas é absurdo usar destas práticas para matar ou humilhar outros seres humanos.

É uma insanidade ver que, nos dia de hoje, a discriminação racial e social ainda esteja tão presente em nossa sociedade! Quantas vezes já acreditei que nosso país não era xenofóbico? E, de repente, não mais que de repente, vêm à tona, novamente, casos de xingamentos e até danos físicos para com cidadãos afro-descendentes, orientais, índios, sem falar na homofobia presente e tão raivosa em nosso dia a dia!

Que bom poder comer pizza num dia, kibe no outro, sushi, feijoada, bacalhoada... Com certeza são comidas bem diferentes, mas todas elas são deliciosas, cada uma com seu sabor, sua cor e sua história.

PS 1: Caso você não goste de alguma das comidas que citei acima, é só não comê-la. Mas, por favor, não fale mal dela e também não jogue fora!
PS 2: Viva a diferença!

Publicado em 13/03/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 6 de março de 2014

Parabéns a todas as mulheres do mundo!

É com muito orgulho que, mais uma vez, todas as mulheres do mundo comemoram, no dia 8 de março, o Dia Internacional da Mulher. Esta data foi oficializada em 1910, quando uma conferência internacional na Dinamarca decidiu homenagear um grupo de mulheres que, 53 anos antes – em 1857, foram brutalmente assassinadas.

Em 8 de março daquele ano, as funcionárias de uma fábrica de Nova Iorque decidiram fazer uma grande greve reivindicando melhores condições de trabalho, diminuição da jornada – que na época era de 16 horas –  e salários iguais ao dos homens, o que infelizmente ainda não mudou muito nos dias de hoje! A manifestação foi reprimida com brutal violência. As funcionárias foram trancadas dentro da fábrica, que, em seguida, foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas.

Desde a criação do Dia Internacional da Mulher, muita coisa mudou: as mulheres começaram a ter espaço, mesmo que a duras penas, na política, no trabalho e na educação. O direito de votar e de serem eleitas para cargos nos poderes executivo e legislativo só foi aceito no Brasil em 1932.

Nas décadas de 60 e 70, surgiram os movimentos feministas, foi criada a pílula, acabaram com o “soutien de bojo”, mulheres começaram a ocupar cargos políticos e também diretorias e gerências em empresas privadas.

Hoje, encontramos na história do mundo mulheres reconhecidas pelas suas lutas, pesquisas e artes, tais como: Indira Ghandi, Madre Teresa, Virginia Woolf, Ella Fitzgerald, Chiquinha Gonzaga, entre muitas outras.

Mas também nem tudo virou um mar de rosas... As mulheres ainda continuam sendo discriminadas no mercado de trabalho, as mulatas do Globeleza são sinônimo de carnaval e, infelizmente, várias são violentadas e espancadas em seus próprios lares!

Não deixe que a mídia ou você mesma se banalize! Vamos dar um basta à “Mulher Pêra”, “Mulher Melancia”, “Tiazinha”, etc.

PS: Loiras, morenas, ruivas, altas, baixas, gordas, magras... Uni-vos!

Publicado em 06/03/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Oh, dúvida cruel...

Lembrei-me que esse ano temos eleições! Independente da Copa pra cá, Copa pra lá, Carnaval..., nos bastidores da política e, principalmente no interior do País, os partidos e candidatos já estão se agitando.

Está mais do que óbvio que não existe mais um partido “de esquerda” ou “de direita”. Agora, a moda é o candidato do meio ambiente, dos transportes, do ‘Bolsa Família’, etc, etc...

Sei que parece muito simplista esta classificação e não acho que deveria ser por aí a questão. Mas a política, como tudo que se globalizou, ficou moderna, imediatista e “fashion”. Todos querem um resultado rápido, custe o que custar.

Aí, me pergunto: “E como fica o Brasil daqui a dez, vinte ou trinta anos?”. Hoje, mais do que nunca, sofremos na pele o problema dos transportes. Cadê um planejamento para as ferrovias, metrôs, hidrovias, mais ônibus – e por que não elétricos, que seriam tão úteis e baratos para todos nós, além de diminuir o trânsito e a poluição?

E a questão do meio ambiente? Alguém realmente anda preservando a Amazônia, diminuindo seu extrativismo avassalador e fora de controle, seja por parte dos brasileiros ou dos estrangeiros, que vêm buscar nossa madeira, nosso látex, nossas ervas e plantas medicinais e as levam para fora, registrando suas patentes sem o menor escrúpulo?

Ah, e o ‘Bolsa Família’? Todos querem, todos precisam. Sem dúvida, é um auxílio importante do governo. Mas que tal pensarmos em irrigar o Nordeste? Seria tão fácil e eficaz. Acabaríamos com a seca, criando condições para milhares de pessoas trabalharem e ficarem na área rural, o que tornaria o ‘Bolsa Família’ literalmente um auxílio e não mais o único meio de subsistência de milhões de brasileiros.

PS. Puxa me deu uma fome... Será que eu vou ao Drive-thru do McDonalds, ou vejo se tem alguma bolsa Prada ou Louis Vuitton em promoção?

Publicado em 27/02/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

“Yes, nós ainda temos bananas...”

As origens do Carnaval são polêmicas. Não existe maneira de comprovar o nascimento do Carnaval, mas, através de pesquisas sobre a evolução do homem, sabemos que os primeiros sinais do que mais tarde se chamaria Carnaval surgiram de cultos agrários dez mil anos antes de Cristo, com os povos que habitavam as margens do rio Nilo, no Egito.

Os homens daquela época entravam em estado de utopia através da comemoração. No momento da festa, se desligavam das coisas ruins e saudavam as que lhes pareciam boas com danças e cânticos para espantar as forças negativas.

Para os foliões de hoje o sentimento de utopia é idêntico! O Brasil é referência mundial neste quesito: samba, mulatas, desfiles, e muita cerveja...

Seguindo as antigas tradições, durante a semana do Carnaval não existem problemas políticos ou sociais, existe apenas a visão de mulheres quase nuas desfilando sem parar!

Historicamente, esta data serviria para, através dos enredos, falarmos de nossa realidade. Com certeza, muitas escolas ainda fazem isso. Mas, infelizmente, com o “Carnaval para inglês ver” e as “mulatas Globeleza”, até esta tradição está morrendo.

Mas graças aos nossos antigos e imortais compositores temos marchinhas que até hoje retratam o nosso Brasil, com “z”...

“Mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar..”, “Ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí...”, “Tanto riso, óh quanta alegria, mais de mil palhaços no salão..”

O Carnaval é lindo! Torço para que esta manisfestação tão importante de nossa cultura não seja apenas um período de férias. Mas, sim, que volte a ser um momento no qual resgatamos a história regional e nacional dos costumes dos povos que já estavam aqui quando os colonizadores chegaram ao Brasil e dos que foram trazidos, como escravos da nossa bela “Mama África”.

PS 1: Nos próximos capítulos, não percam: Copa 2014!
PS 2: “Yes, nós ainda temos bananas...”

Publicado em 20/02/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Precisa construir uma casa? Chame a Dona Mará!

Parece anúncio de empresa de obras ou loja de materiais de construção... Mas não é!

Em 2001, El Salvador, um pequeno país da América Central, sofreu dois grandes terremotos em um intervalo de apenas 30 dias. O primeiro, em 13 de janeiro, marcou 7.7º na escala Richter. O segundo, no dia 13 de fevereiro, chegou a 6.6º.

A tragédia fez mais de mil e duzentas vítimas e milhares de casas destruídas, entre elas, a de Mará Ponce, uma senhora salvadorenha de 78 anos, habitante de San Miguel, distante 125 km de San Salvador, capital do país.

Mara é analfabeta e vive em condições precárias, mas é uma senhora cheia de disposição. Ela conseguiu conciliar sua engenhosidade, força e talentos artísticos natos para construir e decorar sua nova casa com as próprias mãos.

O curioso é que a casa foi construída quase inteiramente com garrafas PET – embalagens plásticas utilizadas no engarrafamento de bebidas.

Acordando cedo todos os dias, a senhora, cheia de disposição, conseguiu recolher a quantidade de garrafas PET suficiente para a construção de sua nova casa em cerca de um mês e meio. Depois de recolhidas, as garrafas foram amarradas com varas de bambu fino enterradas no chão e, a partir disso, foram erguidas as paredes. A construção durou 3 meses.

Na cobertura, Mará usou uma superfície de zinco para impermeabilizá-la. O piso da casa é revestido por milhares de tampas de plástico pintadas, enquanto flores de cimento e vasos feitos de barro aparecem espalhados pelos cantos do ambiente colorido.

“Deus, um dia, em um sonho revelou-me como eu teria que fazer a minha casa. Eu contei aos meus vizinhos e minha família e eles me disseram que eu era louca. Hoje, todos querem construir uma igual”, disse Dona Mará, com um sorriso estampado no rosto e com um forte sentimento de orgulho de sua casa humilde e com decoração incomum de apenas dez metros quadrados.

PS 1: Será que nosso governo poderia fazer isso?
PS 2: Vamos chamar Dona Mará para ensinar a galera!

Publicado em 13/02/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).