quinta-feira, 4 de abril de 2013

Lingerie: uma questão política

Quem não gosta de lingeries? Comprar um sutiã novo com alça, sem alça, de bojo, mais confortável, uma calcinha cheia de rendinhas, escolher cores diferentes, enfim, estas peças íntimas fazem parte da vida das mulheres. E dos homens também!

O que me levou a lembrar destes, literalmente, pequenos acessórios do guarda-roupa feminino foi um documentário que vi há poucos dias na TV. Logo de cara, gostei do enfoque “A história da Lingerie”.

No início, tudo estava muito bem, mulheres francesas gostam de usar peças mais sofisticadas, as japonesas gostam mais de sutiãs com desenhos de bichinhos, as russas, peças mais sexy e extravagantes. De repente, começaram as perguntas sobre o porquê do gosto de cada uma delas. Aí, ouvi respostas politicamente incorretas, porém, infelizmente, verdadeiras... As russas diziam que os homens de seu país são muito grossos, bebem e batem nas mulheres e, por isso, elas usavam a lingerie como um dos mais importantes artifícios para seduzir homens que fossem bons para casar.

Já as japonesas relataram que, lá, os homens gostam de mulheres infantilizadas e que possam ser dominadas, daí a busca por peças bem “baby”. Ufa, de repente me vi triste e irritada com o que eu estava ouvindo. Será que voltamos no tempo? Cadê a independência feminina, a busca pelos direitos da mulher, a denúncia de abusos e maus-tratos por parte dos maridos e companheiros?

Nas décadas de 1960 e 1970, surgiram os movimentos feministas, foi criada a pílula e mulheres começaram a ocupar cargos importantes em nossa sociedade. E, agora, como fica tudo isso? Cabe a nós mesmas impor limites e respeito. Do jeito que as próprias mulheres estão se mostrando, com e sem roupa, não há santo que as respeite!

Ah, nas Arábias, as mulheres dos xeiques vão comprar lingeries tipo “mulher objeto”, mas sem tirar a burca! Quanta hipocrisia e machismo às avessas...

Publicado em 04/04/2013, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 28 de março de 2013

A galinha dos “ovos de ouro”

Comemorada este ano no domingo, 31 de março, a Páscoa é considerada uma das datas mais importantes da religião cristã.

Mas imagino que você – e, provavelmente, quase todo mundo – já deve ter ficado curioso sobre o porquê da imagem do ovo e do chocolate associados a  este evento.

Segundo a Bíblia, a entrada triunfante de Jesus em Jerusalém despertou nos sacerdotes e mestres da lei daquela época muita inveja, desconfiança e medo de perder o poder. Começava, aí, a trama para condenar Jesus à morte.

Estimulada por esses sacerdotes, a mesma multidão que o aclamou passou a exigir de Pôncio Pilatos, governador romano da província, que condenasse Jesus à morte. Jesus, então, é crucificado. A festividade da Páscoa é a celebração da ressurreição de Jesus Cristo três dias depois de sua crucificação.

É nesse contexto que entram os ovos. “Do túmulo sai a nova vida. O ovo sempre foi visto como símbolo da vida. Por isso, se identifica Jesus com o ovo da Páscoa”, explica o padre Reginaldo Manzotti, responsável pela comunicação social da Cúria Metropolitana de Curitiba. “Mas é um exagero o ovo de Páscoa! Ninguém mais se lembra ou sabe da simbologia do ovo e de Cristo”, cutuca o padre.

Segundo a tradição cristã, o ovo – no caso, o da galinha – era pintado e oferecido aos amigos e vizinhos para celebrar a vida. O uso de ovos pintados e decorados na Páscoa foi registrado pela primeira vez no século 13 e acabou assimilado. Porém, no século 19, dois séculos após o chocolate ser levado para a Europa, os ovos começaram a ser confeccionados com chocolate. A partir do século 20, os bombons e ovos de Páscoa viraram a “galinha dos ovos de ouro” do comércio no mundo inteiro.

O domingo de Páscoa marca a passagem da morte para a vida, das trevas para a luz. Cristo já falava há dois mil anos: caridade, fraternidade e amor ao próximo! Feliz Páscoa a todos!

PS 1: Um ovinho de Páscoa não faz mal a ninguém...
PS 2: É só tomar cuidado para não acabar fazendo um super omelete!

Publicado em 28/03/2013, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 14 de março de 2013

Com que bolsa eu vou?

Telefones celulares cada vez mais sofisticados, TVs com imagem HD, internet sem fio, carros enormes que estacionam sozinhos, aparelhos para diagnósticos médicos computadorizados... Não há dúvidas, vivemos numa sociedade moderna!

Só um pequeno detalhe: qual o preço disso tudo? Dá para falar em um celular sem se preocupar com o valor absurdo de cada minuto? E a TV a Cabo, dá para pagar? A gasolina está mais cara do que nunca, exames médicos estão até parcelando no cartão de crédito!

Mas como assim? O Brasil está, agora, acima da linha da pobreza! Já estão levando água, luz e esgotos para todos os cantos do País. Ah, e o ‘Bolsa Família’? Todos querem, todos precisam. Claro que é um auxílio importante do governo. Mas que tal lembrarmo-nos de irrigar o Nordeste? Seria tão simples e, com certeza, se criariam milhares de empregos na área rural e agrícola, tornando, assim, o ‘Bolsa Família’ – que oferece menos do que um salário mínimo – apenas um pequeno auxílio, e não mais o único meio de subsistência para milhares de brasileiros.

Anúncios, comerciais de produtos, tudo a vontade. Aqui, temos os impostos e os juros mais caros do mundo, porém o valor de nossos salários fica cada vez menor, justificado, legalmente, por alguma matemática surrealista, que consegue abaixar a inflação todos os meses...

E assim caminha a humanidade... Para não dizer que sou pessimista, vou falar um pouquinho da Copa 2014! Vai ser uma beleza: milhões de reais gastos com o dinheiro de nossos impostos na construção e reforma de estádios ainda inacabados e já fora do prazo devido a inúmeras razões que só “eles” conseguem justificar e que só nós não sabemos entender.

Política imediatista, fashion, rápida e eficaz! Um sonho de consumo.

PS 1: Será que eu peço uma bolsa Prada ou uma Louis Vuitton?
PS 2: Vou dar um pulinho no “camelódromo” mais próximo e ver qual está mais em conta...

Publicado em 14/03/2013, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 7 de março de 2013

Janela indiscreta

Até pouco tempo atrás, ainda nos anos 90, quando se falava em segurança, logo pensávamos em como proteger nossa casa, nosso carro, bens pessoais, ou como ter cuidado ao conversar com pessoas estranhas na rua.

Hoje, a palavra segurança adquiriu outro perfil. Temos que nos preocupar, também, com as informações que publicamos nas redes sociais e com os “amigos” do Facebook, que são amigos de outros amigos – que nem sempre são o que dizem ser...

Nossa correspondência agora chega através de e-mails. Antigamente, jogávamos fora as propagandas indesejadas. Hoje, elas se acumulam aos milhares na nossa caixa de Spam. Vírus “escondidos” em e-mails podem atrapalhar ou apagar completamente os dados do seu computador.

Quando queríamos pesquisar alguma informação, buscávamos uma fonte segura, como a velha enciclopédia ou uma biblioteca. Na internet, qualquer pessoa pode publicar o que quiser, e uma busca no Google pode resultar em bilhões de páginas sobre determinado assunto, porém, nem sempre seguras...

Bem, se, antes, o problema era fechar a cortina da janela para trocarmos de roupa sem ninguém nos bisbilhotar, hoje as janelas com as quais temos que tomar mais cuidado são as redes sociais! Fico abobalhada quando vejo pessoas de todas as idades postando a hora que vão sair de casa, o que vão comer, em qual banco vão retirar sua aposentadoria, marcando encontros com pretendentes virtuais em suas próprias casas, etc.

Maravilha! Todos nós queremos ver e ser vistos, fazer novos amigos. Mas por que tanta exposição desnecessária? Por que correr riscos? Será que estamos esquecendo que o mundo virtual é tão confuso e até mais fantasioso que o mundo real?

Assisti a um vídeo muito legal, feito pelo Marcelo Tass, sobre a questão. Se quiser dar uma olhada, vale à pena! É só acessar: www.youtube.com/watch?v=e1OdDPIbRmk

PS: Acho que esqueci a janela aberta...

Publicado em 07/03/2013, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Até tu, brutus?

“Alô! Sim? Quem fala? Só um minuto, estou na internet! Alô, alô! Só um segundo, me chamaram no Skype... Alô! É você meu amor, tudo bem? Ôps, só mais um segundo, o celular está tocando... Então, querido, vamos sair? Um minutinho... Recebi um torpedo. Vou dar uma olhadinha no meu Twitter... Então, vamos sair no domingo? Sei, você tá na dúvida... Só um segundinho, acabo de receber uma mensagem no meu Blog, mas tá tudo bem com você? Sei... Puxa, acabei de receber um convite no Facebook, mas, então, tudo bem no domingo? Puxa vida, agora que eu ia conversar com calma, caiu a linha! Acho que vou mandar um e-mail, pra confirmar se a gente vai se encontrar mesmo...”

Uau! Que confusão... Este é só um pequeno retrato de como têm sido a nossa vida e relacionamentos nestes tempos modernos. Com a tecnologia a todo vapor, temos vários meios e aparelhos para nos comunicar e interagir, minuto a minuto, vinte e quatro horas por dia. Pode ser através de um iPad, iPhone, Smartphone, um Laptop, Palmtop, um Tablet, ou até mesmo um simples celular. E será que conseguimos falar, pesquisar, ou mesmo postar algo que realmente nos interessa?

Adoro a tecnologia e acredito que hoje, mais do que nunca, todas estas possibilidades de comunicação e informação tendem a criar uma sociedade mais democrática e nos aproximar cada vez mais uns dos outros. Posso falar com alguém que está na China sem pagar nada e, ao mesmo tempo, mandar um e-mail pra Amazônia e receber um torpedo em alguns minutos. Mas, se não pararmos pra pensar um pouquinho para quê e por quê estamos fazendo tudo isso, com certeza vamos banalizar todas as  nossas relações.

Bem, como acabou a luz e também as baterias de toda minha parafernália high-tech, vou procurar um “orelhão” pra ver se acho algum amigo em casa e convidá-lo para tomar um cafezinho e trocarmos algumas ideias “ao vivo e em cores”.

PS 1: O Vaticano proibiu os cardeais de “twitarem” durante a votação do novo Papa!”
PS 2: Será que eles vão resistir?

Publicado em 28/02/2013, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Chimpanzés adotam bebês!

“Estudo na Costa do Marfim diz que adoção de órfãos é pratica seguida até por chimpanzés do sexo masculino”. Eu tinha guardado este artigo há muito tempo. De repente, resolvi arrumar minha bagunça e eis que ele surgiu na minha frente.

Não pensei duas vezes para destacar este fato como exemplo de compaixão e amor incondicional no mundo animal versus o mundo “humano e civilizado”.

Houve um caso muito bizarro, quando as mídias destacaram um caso onde um médico, completamente doente e inescrupuloso, oferecia o tratamento de inseminação artificial para mulheres que não podiam ter filhos. Só que, durante os procedimentos, ele as estuprava, além de cobrar mais 200 mil reais pelo seu “trabalho”.

Mais absurdo ainda foi o fato das mulheres que foram vítimas deste algoz terem se calado por um bom tempo, com medo que o dito médico não desse prosseguimento ao tratamento.

Me pergunto: a que ponto chega a obsessão do ser humano por ter filhos com seus genes e ‘seu sangue’?

Se para algumas pessoas a mãe natureza não propiciou este “dom”, seria tão absurdo pensar em adotar uma criança? Ainda mais em um país como o nosso, onde há milhares de órfãos esperando por um lar!
Os chipanzés da Costa do Marfim estariam mais evoluídos do que nós, no que tange a valores éticos e morais e à visão do que é realmente viver em uma sociedade?

PS 1: Recomendo ver o filme “O Planeta dos Macacos” (a versão original), em DVD. Foi feito em 1968, mas já mostrava com imensa clareza, e até crueldade, a maneira de agir e ser dos seres humanos.
PS 2: Não vou contar o filme inteiro, mas um detalhe vale destacar: os macacos só se tornaram ruins a partir do momento em que criaram uma sociedade espelhada em nós mesmos....

Publicado em 21/02/2013, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Caderno em branco...

Hoje me sinto como no primeiro dia de aula! Acabaram as férias, o carnaval terminou e, agora, dizem que o ano de 2013 começa pra valer.

Lembro de quando era criança e, nesta época do ano, meus pais já tinham toda a lista do material escolar do novo ano letivo: cadernos, livros, borracha, lápis... Ficava ansiosa, esperando começar as aulas para usar tudo novinho!

O que me levou a lembrar desta época foi uma matéria que li esta semana, na qual o autor comentava que em todo início de ano ele se prometia ter atitudes diferentes e fazer todas as coisas que não havia feito no ano anterior. Mas, ao mesmo tempo, ele dizia que não acreditava mais nesse tipo de situação, já que todo novo ano era a mesma coisa, pois, com a correria do dia a dia e os problemas inesperados, acabava não conseguindo cumprir suas metas, tais como: iniciar um regime, caminhar, mudar de emprego, fazer um curso, casar, separar, e tantas outras ‘cositas’ mais...

Cheguei à conclusão que ambas as situações são muito parecidas. Todo início de ano é como se estivéssemos ganhando um caderno cheio de folhas brancas a serem preenchidas e, daí, fazemos disso nossa meta de vida e acabamos nos estressando, criando a obrigação de fazer neste ano o que muitas vezes não conseguimos fazer ao longo de toda nossa vida.

Também, pudera... Os políticos eleitos falam em alto e bom tom que vão acabar com a pobreza do Brasil, construir casas, escolas, hospitais... Tudo neste ano. Os comercias nos bombardeiam com a ideia de que, neste ano, temos que mudar de carro, de móveis, de casa, até nós mesmos temos que nos “mudar”, fazer uma lipo, uma cirurgia plástica...

Muita calma neste momento. Tudo bem, estamos em 2013, mas as coisas não mudam do dia pra noite. Pense bem no que realmente você quer fazer ou não fazer!

PS 1: São tantas coisas pra refletir...
PS 2: Mas de uma coisa não posso esquecer: comprar um TV nova, com milhares de pixels e muitas polegadas. Afinal, a Copa de 2014 vem aí!
PS 3: Felicidade não tem preço...

Publicado em 14/02/2013, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Momento nostalgia...

Quem não se lembra (pelo menos aqueles com mais de 40 anos), dos Carnavais de rua nas grandes avenidas de São Paulo e Rio de Janeiro dos anos 70?

“Brincar na avenida” significava apenas ficar andando e dançando pela Av. São João, em São Paulo, o dia todo até o entardecer, soltando confete e serpentina, com uma máscara de pirata no rosto, ao som das doces marchinhas de carnaval daquela época, em completa confraternização com todos os que também ali estavam brincando.

Ninguém fazia mal a ninguém (não havia o medo que temos hoje de ladrões e trombadinhas). O “maior perigo” eram os “engraçadinhos” que usavam lança-perfume (até que fossem proibidos, pois muitos usavam líquidos tóxicos em vez de água).

Quando chegava a noite, meu pai me puxava para a calçada (naquela época eu tinha 5 ou 6 anos) para dar lugar aos rapazes da prefeitura que começavam a isolar a avenida com cordões. Era chegada a hora de as Escolas de Samba descerem a avenida em direção ao Vale do Anhangabaú.

Todos ficavam bem comportados, admirando o desfile (na época, gratuito e aberto ao público), com os fantásticos carros alegóricos e as maravilhosas fantasias. Que diferença entre o carnaval do século 21 e o dos anos 60, 70...

O carnaval dos nossos filhos, hoje, se resume a acompanhar os desfiles pela TV, pagar caro para vê-los ao vivo nos sambódromos, ir a bailes carnavalescos em clubes fechados, ou “fugir do carnaval” e ir à praia mais próxima.

Mesmo assim, desejo um feliz carnaval a todos e torço para que esta manifestação tão importante de nossa cultura não seja apenas um período de férias ou um “show pra inglês ver”. Mas, sim, que volte a ser um momento no qual resgatamos a história regional e nacional dos costumes dos povos que já estavam aqui quando os colonizadores chegaram ao Brasil e dos que foram trazidos aqui, à revelia, na época da escravidão.

PS: Salve a Bahia, Recife, Olinda, Maranhão, etc, etc, etc...

Publicado em 07/02/2013, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).