quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Chimpanzés adotam bebês!

“Estudo na Costa do Marfim diz que adoção de órfãos é pratica seguida até por chimpanzés do sexo masculino”. Eu tinha guardado este artigo há muito tempo. De repente, resolvi arrumar minha bagunça e eis que ele surgiu na minha frente.

Não pensei duas vezes para destacar este fato como exemplo de compaixão e amor incondicional no mundo animal versus o mundo “humano e civilizado”.

Houve um caso muito bizarro, quando as mídias destacaram um caso onde um médico, completamente doente e inescrupuloso, oferecia o tratamento de inseminação artificial para mulheres que não podiam ter filhos. Só que, durante os procedimentos, ele as estuprava, além de cobrar mais 200 mil reais pelo seu “trabalho”.

Mais absurdo ainda foi o fato das mulheres que foram vítimas deste algoz terem se calado por um bom tempo, com medo que o dito médico não desse prosseguimento ao tratamento.

Me pergunto: a que ponto chega a obsessão do ser humano por ter filhos com seus genes e ‘seu sangue’?

Se para algumas pessoas a mãe natureza não propiciou este “dom”, seria tão absurdo pensar em adotar uma criança? Ainda mais em um país como o nosso, onde há milhares de órfãos esperando por um lar!
Os chipanzés da Costa do Marfim estariam mais evoluídos do que nós, no que tange a valores éticos e morais e à visão do que é realmente viver em uma sociedade?

PS 1: Recomendo ver o filme “O Planeta dos Macacos” (a versão original), em DVD. Foi feito em 1968, mas já mostrava com imensa clareza, e até crueldade, a maneira de agir e ser dos seres humanos.
PS 2: Não vou contar o filme inteiro, mas um detalhe vale destacar: os macacos só se tornaram ruins a partir do momento em que criaram uma sociedade espelhada em nós mesmos....

Publicado em 21/02/2013, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Caderno em branco...

Hoje me sinto como no primeiro dia de aula! Acabaram as férias, o carnaval terminou e, agora, dizem que o ano de 2013 começa pra valer.

Lembro de quando era criança e, nesta época do ano, meus pais já tinham toda a lista do material escolar do novo ano letivo: cadernos, livros, borracha, lápis... Ficava ansiosa, esperando começar as aulas para usar tudo novinho!

O que me levou a lembrar desta época foi uma matéria que li esta semana, na qual o autor comentava que em todo início de ano ele se prometia ter atitudes diferentes e fazer todas as coisas que não havia feito no ano anterior. Mas, ao mesmo tempo, ele dizia que não acreditava mais nesse tipo de situação, já que todo novo ano era a mesma coisa, pois, com a correria do dia a dia e os problemas inesperados, acabava não conseguindo cumprir suas metas, tais como: iniciar um regime, caminhar, mudar de emprego, fazer um curso, casar, separar, e tantas outras ‘cositas’ mais...

Cheguei à conclusão que ambas as situações são muito parecidas. Todo início de ano é como se estivéssemos ganhando um caderno cheio de folhas brancas a serem preenchidas e, daí, fazemos disso nossa meta de vida e acabamos nos estressando, criando a obrigação de fazer neste ano o que muitas vezes não conseguimos fazer ao longo de toda nossa vida.

Também, pudera... Os políticos eleitos falam em alto e bom tom que vão acabar com a pobreza do Brasil, construir casas, escolas, hospitais... Tudo neste ano. Os comercias nos bombardeiam com a ideia de que, neste ano, temos que mudar de carro, de móveis, de casa, até nós mesmos temos que nos “mudar”, fazer uma lipo, uma cirurgia plástica...

Muita calma neste momento. Tudo bem, estamos em 2013, mas as coisas não mudam do dia pra noite. Pense bem no que realmente você quer fazer ou não fazer!

PS 1: São tantas coisas pra refletir...
PS 2: Mas de uma coisa não posso esquecer: comprar um TV nova, com milhares de pixels e muitas polegadas. Afinal, a Copa de 2014 vem aí!
PS 3: Felicidade não tem preço...

Publicado em 14/02/2013, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Momento nostalgia...

Quem não se lembra (pelo menos aqueles com mais de 40 anos), dos Carnavais de rua nas grandes avenidas de São Paulo e Rio de Janeiro dos anos 70?

“Brincar na avenida” significava apenas ficar andando e dançando pela Av. São João, em São Paulo, o dia todo até o entardecer, soltando confete e serpentina, com uma máscara de pirata no rosto, ao som das doces marchinhas de carnaval daquela época, em completa confraternização com todos os que também ali estavam brincando.

Ninguém fazia mal a ninguém (não havia o medo que temos hoje de ladrões e trombadinhas). O “maior perigo” eram os “engraçadinhos” que usavam lança-perfume (até que fossem proibidos, pois muitos usavam líquidos tóxicos em vez de água).

Quando chegava a noite, meu pai me puxava para a calçada (naquela época eu tinha 5 ou 6 anos) para dar lugar aos rapazes da prefeitura que começavam a isolar a avenida com cordões. Era chegada a hora de as Escolas de Samba descerem a avenida em direção ao Vale do Anhangabaú.

Todos ficavam bem comportados, admirando o desfile (na época, gratuito e aberto ao público), com os fantásticos carros alegóricos e as maravilhosas fantasias. Que diferença entre o carnaval do século 21 e o dos anos 60, 70...

O carnaval dos nossos filhos, hoje, se resume a acompanhar os desfiles pela TV, pagar caro para vê-los ao vivo nos sambódromos, ir a bailes carnavalescos em clubes fechados, ou “fugir do carnaval” e ir à praia mais próxima.

Mesmo assim, desejo um feliz carnaval a todos e torço para que esta manifestação tão importante de nossa cultura não seja apenas um período de férias ou um “show pra inglês ver”. Mas, sim, que volte a ser um momento no qual resgatamos a história regional e nacional dos costumes dos povos que já estavam aqui quando os colonizadores chegaram ao Brasil e dos que foram trazidos aqui, à revelia, na época da escravidão.

PS: Salve a Bahia, Recife, Olinda, Maranhão, etc, etc, etc...

Publicado em 07/02/2013, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Pecados Capitais...

Definição de pecado capital: os pecados capitais são atitudes humanas contrárias às leis divinas. A Igreja Católica definiu como sete o número de pecados nesta categoria, no final do século VI, durante o papado de Gregório Magno, sendo eles: luxúria, gula, avareza, ira, orgulho, vaidade e preguiça.

Desde o último final de semana, a imprensa tem falado constantemente sobre a tragédia que aconteceu na casa noturna da cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. O incêndio matou mais de 230 jovens, outros 100 sobreviveram, porém mais de 80 estão com queimaduras graves, problemas respiratórios, sem falar no trauma dos mesmos, além de seus parentes amigos e familiares.

Já se passaram vários dias e continua a pergunta: de quem é a culpa? Pelos fatos apurados tudo indica que os culpados por este ato criminoso são os próprios donos da casa noturna, que não possuía nenhuma condição física e legal para seu funcionamento. Mas só eles são culpados?

Não quero ser repetitiva e nem criar mais comoção em cima deste fato tão doloroso e inaceitável. Acredito que o momento pede, além de muito carinho e apoio às famílias e amigos dos que faleceram e dos que sobreviveram a esta tragédia, a busca do por que um local como este estava funcionando legalmente e como impedir que outros locais em situação completamente irregular deixem de funcionar!

Infelizmente, no Brasil, sempre corremos o risco que tudo acabe em pizza... E até quando vamos engolir tantas pizzas de mau gosto?

Insisto em martelar na questão da prevenção e na busca dos direitos que todos temos de saber e pesquisar sobre o que está acontecendo no nosso país. Afinal, o Brasil é sempre campeão quando se trata dos quesitos: falta de cumprimentos das leis, falta de ordem e falta de progresso...

Afinal, esta casa noturna de Santa Maria estava funcionando a céu aberto, à vista de todos. Como é que nenhum órgão público sabia de todas as suas irregularidades?

PS 1: Você acredita em Pecados Capitais?
PS 2: Será que são só sete?

Publicado em 31/01/2013, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Qual é o segredo?

Num mundo onde se acredita que o aumento da expectativa de vida está relacionado com a melhoria de sua qualidade, dos serviços de saúde pública e do saneamento básico, Vilcabamba é uma contradição. Em um povoado com cerca de 4.000 habitantes no interior do Equador (650 km ao sul da capital, Quito), os habitantes vivem em média 120 anos e não costumam ficar doentes.

Porém, as condições sanitárias do local são um desastre. Na maioria das casas, não há esgoto nem água encanada. Seus habitantes fumam, bebem álcool, comem muito sal e tomam muito café. Mesmo assim, são um dos povos com maior proporção de pessoas centenárias no mundo, cerca de dez vezes mais do que a média e, o mais importante, envelhecem com muita saúde e prazer!

Lêem sem óculos, conservam os dentes originais, têm vida sexual ativa e seus cabelos brancos voltam à cor natural sem explicação. Don José Medina, morador de Vilcabamba, parou de beber aos 106. De vez em quando, ainda toma "um puro" (aguardente), mas não mais de um por dia. Fuma, mas muito menos do que quando "era jovem", alí pelos 70 anos.

Existem  várias as teorias que tentam explicar a longevidade saudável dos habitantes de Vilcabamba. Cientistas americanos afirmam que é a composição da água que bebem. Franceses atribuem o fato ao clima da região. Outros dizem que é o ar, a alimentação saudável à base de milho, batata, vegetais e pouca carne ou a vida tranquila.

Para nós, simples mortais que não moramos em Vilcabamba, resta-nos aguardar que algum cientista descubra a fórmula da fonte da juventude deste povoado equatoriano. Enquanto isso não acontece, o melhor conselho para a longevidade é: viva feliz, seja um bom amigo e faça o que você gosta!

PS 1: Também é bom: comer alimentos saudáveis, fazer exercícios, etc, etc...
PS 2: Vou ver se consigo encomendar  um pouco da longevidade de Vilcabamba pela internet...

Publicado em 24/01/2013, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Violência sem limites!

Dados divulgados no último dia 10 de janeiro pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República mostram que denúncias de abusos contra idosos aumentaram 199% em 2012, em relação ao mesmo período de 2011.

Preocupada com a violência praticada contra a pessoa idosa no Brasil, a escritora Aída Gliksman de Shor, que acaba de lançar seu mais recente livro, intitulado “Estudos sobre a Maturidade”, passou a apoiar a Campanha “Diga não à violência contra o idoso – Denuncie!”, do Portal Terceira Idade. A autora está doando parte da renda obtida com a venda dos primeiros dois mil exemplares do livro para o Portal.

Desde a sua criação, a campanha recebe centenas de denúncias enviadas pelos internautas do Portal – que podem ser anônimas –, relatando abusos contra idosos em todo o Brasil.

Infelizmente a violência não tem idade, raça, credo ou cor. Ela não tem limites! Bem, dizem que violência gera violência... Mas o que leva um adulto a abusar de uma pessoa idosa, uma mulher, uma criança, ou qualquer ser humano que esteja mais vulnerável?

Existem várias teorias sobre a questão: a miséria, falta de orientação, abusos na infância, problemas neuronais, enfim, uma infinidade de situações físicas, sociais e econômicas tentam justificar a violência praticada há milênios pelo ser humano contra outro ser humano.

Mas existe alguma justificativa plausível para atos tão cruéis? As próprias guerras – que são travadas no mundo desde o seu início – são um ato de violência bizarra!

A meu ver, não existe justificativa alguma! Esta situação só reforça meus sentimentos de que o homem ainda é totalmente primitivo.

Cuidado! A próxima vítima – ou vilão – podem ser, eu, você, o vizinho, as centenas de amigos do Facebook, etc...

PS 1: Diga não à violência contra o idoso! Se você conhece alguém que está passando por esse tipo de situação na família, ou entre seus amigos e vizinhos, denuncie!

PS 2: Disque 100 ou acesse: www.portalterceiraidade.org.br

Publicado em 17/01/2013, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Conheci Zip...

Recentemente fui apresentada a Zip. Soube que ele já está com 98 anos. Num primeiro momento, vi uma figura mal-encarada e rabugenta. Percebi que ele sentia algumas dores musculares e que não estava enxergando muito bem.

Tentei puxar conversa de várias maneiras, quis agradá-lo, chamei-o para um passeio, mas nada acontecia, ele continuava arisco, sempre me observando. Mesmo assim, pude sentir que ele tinha um bom coração.

Comecei a refletir sobre sua idade, e que, talvez, após tantos anos de vida, ele tinha o direito de ser mais reservado.

Passei a visitá-lo diariamente e, aos poucos, ele começou a se abrir mais, mudando sua feição para um rosto mais manso, porém sempre cauteloso. Após algum tempo, consegui estabelecer uma relação de amizade, claro, respeitando seus limites...

Curiosamente, mesmo tendo uma sensação inicial de antipatia e mal-estar com seu jeito tão arisco e introvertido, percebi que Zip havia adquirido uma sabedoria natural ao longo dos anos.

Pensei: “Talvez uma amizade ou uma relação sincera e de confiança realmente não possa acontecer em 24 horas ou em apenas alguns dias, mas, sim, ao longo de um período de convivência”. Também comecei a entender e aceitar melhor a ideia de respeitar o tempo e os limites do outro.

Quem sabe, se todos nós agíssemos com mais sinceridade e transparência, viveríamos em um mundo com menos “mensalões”, “mensalinhos”, mentiras, egoísmo e tantos outros males que persistem há milênios em nossas vidas.

Mal começou o ano e já estamos sendo bombardeados por notícias confusas: condena, absolve, o Brasil está bem financeiramente, depois está mal, o salário mínimo sobe o mínimo possível, “se beber, não dirija”, “se dirigir, não beba”, etc...

PS: Zip é um cãozinho que está com 14 anos, o que equivaleria a 98 anos para um ser humano.

Publicado em 10/01/2013, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Horas, minutos, segundos...

Ano novo, vida nova! Acho que é esse o slogan da Globo. Eu já estou planejando um monte de coisas: dormir melhor, me alimentar bem, fazer caminhadas, amar mais, cuidar mais de mim e dos outros, etc... Dizem que é sempre assim: é como começar um caderno novo no primeiro dia de aula!

Aí começa o dia a dia, a rotina, o trabalho, a casa e por aí vai. E a nossa desculpa é sempre a falta de tempo! Mas que tempo o tempo tem? Pergunta meio estranha. Você já pensou que os minutos, segundos e horas nunca param de passar?

Estamos sempre atrasados ou em cima da hora. Eu ainda não entendo bem o tempo... Quanto tempo eu tenho deixado livre para mim mesma, para as coisas que eu gosto de fazer, ou mesmo para não fazer nada?

Você já brincou de bolhas de sabão? Elas são tão lindas e frágeis. Sua existência é de apenas alguns milésimos de segundo, porém a satisfação em vê-las e soprá-las é imensa. Talvez o tempo seja assim também: frágil e invisível, medido, na sua essência, pela nossa satisfação e deleite e não pelos nossos relógios, despertadores e bate-pontos escravizantes!

Os anos são apenas um sequência de milésimos de segundo que nunca param. O que se repete são as datas e horários que estipulamos ou que nossa sociedade pré-determina para nós: Ano Novo, Carnaval, Páscoa, Finados, etc, etc...

Você decide... Vai usar seu tempo – mesmo que tenha que abrir mão dele várias vezes – da maneira que você achar melhor, ou vai deixar que os outros determinem todos os minutos e segundos da sua vida?

Eu já estou planejando um monte de coisas e ainda não consegui fazer tantas outras... Que loucura!

PS 1: Aproveite o tempo que é seu! O ciclo da vida não para. As plantas nascem, crescem, envelhecem...
PS 2: Nós também!

Publicado em 03/01/2013, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).