quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Novos shows na TV!

Já começou uma nova temporada do “BBB político”. Que bom. Vamos ter mais uma opção de entretenimento na TV...

Os candidatos estarão na telinha... Qual deles vai ficar? Qual vai sair? Não se preocupem em decidir rapidamente. Vamos assistir a vários programas, onde poderemos ver seu dia a dia, suas famílias, o que eles comem, bebem, e – também – suas propostas políticas.

Bem que poderiam ser novos “personagens”, mas parece que há uma dificuldade muito grande para encontrar novos candidatos! Até aparecem alguns novos, mas as “falas” continuam as mesmas. Também, pra quê mudar? Elas têm funcionado tão bem há tanto tempo!

Sei que fica até grosseiro falar assim de um momento tão importante como este, que é a escolha de um novo Presidente – ou Presidenta... –, Governadores, Senadores, etc, etc.

Mas a sensação que fica é a de um grande espetáculo “pra inglês ver”. Já que a coisa está assim, resta-nos assistir e votar, a cada etapa dos programas, em quem “vai pro paredão” e quem fica no final para levar o grande prêmio nas urnas.

Quem sabe, nos próximos quatro anos, nós, cidadãos comuns, possamos agir e interferir junto com estes novos “personagens” que, supostamente, irão nos representar junto à nossa cidade e nosso país e que terão o dever de melhorar, e não piorar, as condições sociais e econômicas da nossa sociedade.

Caso você quiser variar um pouco a programação, novelas é o que não faltam! Os atores, personagens e a trama são, na maioria, os mesmos também... Temos bandidos, mocinhos, traições, corrupção, romances, de tudo um pouco! Incrível como a arte imita a vida! Talvez não dê para assistir com toda sua família, acho que têm algumas cenas impróprias para menores de 12 anos...


PS: “Se persistirem os sintomas, procure um médico”...

Publicado em 28/08/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

“Bolsa Prazer”...

Celulares cada vez mais sofisticados, TVs com imagem HD, internet sem fio, carros enormes que estacionam sozinhos, aparelhos para diagnósticos médicos computadorizados... Não há dúvidas, vivemos numa sociedade moderna!

Só um pequeno detalhe: qual o preço disso tudo? Dá para falar em um celular sem se preocupar com o valor absurdo de cada minuto? E a TV a cabo, dá para pagar? A gasolina está mais cara do que nunca, exames médicos estão até parcelando no cartão de crédito – quando você tem o cartão e o crédito...

Mas como assim? O Brasil está, agora, acima da linha da pobreza! Já estão levando água, luz e esgotos para todos os cantos do País. Ah, e o ‘Bolsa Família’? Todos querem, todos precisam.

Falando em bolsa... Vi uma pequena chamada no jornal, a qual, de início, achei que era uma piada, mas, no país da piada pronta, vi que era verídico! Um homem tentou pagar uma garota de programa com um cartão do ‘Bolsa Família’, em Itapetinga (BA). Também não tinha dinheiro para pagar pela diária do motel. O caso foi parar na polícia, pois o cliente deixou como garantia um toca-CD e o Cartão do Trabalhador, emitido pela Caixa para consultas e saques do FGTS e outros benefícios. “Ele voltou na madrugada e pagou os 58 reais", relata Paulo, funcionário do motel. “A garota de programa ficou no prejuízo”, completa.

E assim caminha a humanidade... Claro que o ‘Bolsa Família’ é um auxílio importante para milhões de brasileiros – que não recebem a vara para pescar e continuam dependendo do pequeno peixe que lhes é dado no final do mês. Porém, se insistirmos em manter milhões de pessoas sem acesso à informação, infraestrutura local e profissional, bem como escolas básicas e técnicas, nunca um brasileiro abaixo – ou supostamente acima – da dita “linha da pobreza” se tornará um cidadão digno de respeito a si próprio e muito menos à comunidade em que vive.

PS 1: Política imediatista, um sonho de consumo sem pé nem cabeça!

PS 2: Com que bolsa eu vou?

Publicado em 21/08/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Brasil: adubando dá!

Quem é que já não varreu a casa só “por onde o padre passa”? Eu já! É muito comum deixarmos a as complicações e a sujeira de nossa vida, casa, escritório, em baixo do tapete...

Mais do que nunca, falamos em reciclagem, palavra de ordem de nossos tempos: “recicle sacolas plásticas, preserve o meio ambiente, tome um banho rápido, não deixe a luz acessa ao sair”. Tudo isso é muito bom, porém, continuamos limpando só os cantinhos...

O dia 2 de agosto deste ano marcou o fim dos quatro anos concedidos pela Política Nacional de Resíduos Sólidos para os municípios erradicarem os lixões. Dos 5.565 municípios do país, 3.344 não cumpriram a lei. O resultado é a contaminação do ar, do solo e do subsolo. Existem cerca de 400 mil catadores no Brasil. Parte deles trabalha – e até mora – em lixões, sofrendo frequentes acidentes e doenças. Muitas prefeituras pediram ao governo federal o adiamento, por oito anos, da exigência de pôr fim aos lixões.

Infelizmente, no Brasil, prevalece o entendimento equivocado de que lixão se substitui apenas por aterro.  A diretriz maior da Política Nacional de Resíduos Sólidos é adotar a reciclagem de forma intensiva e utilizar o aterro só em último caso. Segundo o Banco Mundial, a reciclagem poderia elevar o PIB do Brasil em U$ 35 bilhões e poupar 10 mil Gigawatt-hora por ano.

Os resíduos secos – papel, plástico, vidro, latas de alumínio e de aço –, cerca de 30% dos resíduos domiciliares, são reaproveitados há décadas pelas indústrias, pois geram grande economia de energia, água e controle ambiental, substituindo matérias-primas virgens, muito mais caras. Uma cidade de 100 mil habitantes pode obter R$ 4,8 milhões por ano, só com a venda dos resíduos secos. E a central de reciclagem pode valorizar essas matérias-primas, principalmente plásticos, produzindo os mais variados utensílios. Sem falar na compostagem do lixo orgânico, reutilização e tratamento da água, produção de adubo, etc, etc...

PS 1: País rico é país sem lixão!
PS 2: Adubando dá...

Publicado em 14/08/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Na terra do nunca!

Vi, recentemente, na TV um filme que me emocionou muito: “Em Busca da Terra do Nunca”. A história é baseada no autor de “Peter Pan”, J. M. Barrie, e mostra como ele vai buscar inspiração para criar o famoso personagem, convivendo com uma família que tem vários filhos e passa por certas dificuldades. Um destes filhos o inspira a criar e levar ao teatro a peça e mostrar como o mundo da fantasia pode se tornar real.

Na 'Terra do Nunca' de Barrie, o mundo é cheio de fadas, gnomos e também vilões, só que nosso herói Peter Pan consegue derrotar o mal.

Em nossa querida “Terra Brasilis”, me sinto como se estivesse vivendo na “Terra do Nunca”, só que com uma pequena diferença... “Na terra do nunca vai mudar nada!”

Agora, mais do que nunca, talvez, porém, contudo, todavia... tenhamos  uma pequena chance de mudar algo! Assim espero... Vem aí mais uma eleição para governadores e Presidente. Vários partidos, candidatos, a maioria já conhecida pela platéia. O enredo da maioria continua o mesmo: “Vamos acabar com a miséria, a violência, a falta de moradia, empregos, mais hospitais, etc, etc, etc...”

Por acaso, as principais favelas do Rio de Janeiro que, aparentemente, já estavam “pacificadas”, projeto no qual foram investidos milhões de reais, voltaram a ser alvo de matanças e chacinas.

Enquanto isso, a nossa Presidenta Dilma insiste na fantasia de que o Brasil já esta acima da linha da miséria! Emprestou 1,37 bilhões de dólares para Cuba, porém anunciou o corte de mais de um bilhão de reais para a segurança pública de nosso país!

Bem, mesmo com todas estas incongruências, vai ter festa na “Terra do Nunca”: no próximo dia 5 de outubro, vamos eleger nossos futuros governantes!

PS 1: Será que vamos precisar chamar Peter Pan e suas fadinhas com urgência para nos salvar de mais um desastre?
PS 2: A “liberdade” não vem pelo correio e nem por e-mail...

Publicado em 07/08/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Guerra: sinônimo de miséria?

Definição de guerra: conflito armado entre grupos ou estados que envolve mortes e destruição; luta.
Miséria: estado de falta de meios de subsistência; pobreza, indigência.

Essas são algumas definições que o dicionário me mostrou sobre ambas as palavras. Concluo, então, que toda guerra leva à miséria física e moral e que toda a miséria leva à guerra.

Infelizmente, o mundo vive em guerra desde que nos conhecemos por “Homo Sapiens”...
No momento atual, uma das guerras que mais tem chamado a atenção é o triste conflito entre Palestina e Israel, o qual também já dura há décadas.

Bombas de lá e de cá, grupos extremistas como o Hamas, soldados armados, mortes, crianças sendo usadas como escudos, mortes de centenas de civis. O que dizer?... Ninguém está certo, a guerra não é uma coisa normal, assim como a miséria também não!

Existem também as guerras veladas: quando crianças e adolescentes são obrigados a se prostituir, quando seus pais as vendem por um saco de farinha ou feijão, trabalho escravo nas áreas rurais de nosso país, falta de esgoto, luz, encanamento, falta de irrigação por falta de vontade (de quem?) em várias regiões do Brasil, seca, fome, miséria humana, guerra psicológica, violência e medo!

Enfim, somos seres primitivos, loucos e insanos querendo nos travestir de homens conscientes e normais...

Bem, o que mais posso dizer?... Talvez Jonh Lennon, quando escreveu a música 'Imagine', seu “manifesto de paz”, conseguiu falar muito mais do que todos nós!

Alguns trechos de sua linda poesia:

“Imagine não existir países
Não é difícil de fazer
Nada pelo que matar ou morrer
E nenhuma religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz”

“Imagine não existir posses
Me pergunto se você consegue
Sem necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade do Homem
Imagine todas as pessoas
Compartilhando todo o mundo”

John Lennon (1940-1980)

PS: Ele foi assassinado por um louco insano, produto da miséria humana, da política inescrupulosa e da guerra sem sentido!

Publicado em 31/07/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 24 de julho de 2014

“DNA corrompido”...

Uma pesquisa realizada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pela USP (Universidade de São Paulo) revelou dados alarmantes: o número de mortes causadas por homicídios vitimou mais de 5.705 paulistanos, contra 1.368 mortos por Aids.

Claro que esse aumento absurdo da violência em todo o Brasil se deve a vários fatores que já estamos cansados de conhecer, tais como: desemprego, fome, falta de escolas, moradia e, principalmente, a falta de uma perspectiva futura para os cidadãos brasileiros. Mas existe aí uma causa a mais, quase sempre presente em toda essa “epidemia de homicídios”, o tráfico de drogas.

Infelizmente, o maior número de traficantes e usuários de drogas está entre os adolescentes e até crianças, na sua maioria, vindas da periferia e das favelas, afinal eles são o alvo mais fácil de ser atingido, pois, com a completa falta de direitos à escola, lazer e trabalho, esses jovens acabam encontrando no tráfico um sonho de poder consumir e existir. Obviamente, acabam se viciando e, daí pra frente, matando e morrendo dentro desse círculo vicioso.

Além do combate às drogas, é importante combater o vício de uma sociedade que usa e abusa dos miseráveis para enriquecer, afinal de contas, os jovens traficantes são apenas a ponta final de um grande iceberg.

Chego à conclusão de que o ser humano possui “in natura”, um “DNA corrompido”, ou seja, por mais que todos nós saibamos distinguir entre o que é bom e o que não é, a maioria das pessoas e, em especial, as que têm acesso à informação, educação e poder de decisão em vários níveis da sociedade, acabam por usá-lo de maneira abusiva e injusta.

Criar leis que penalizem adolescentes na sua fase mais delicada, aumentar o número de policiais nas ruas, utilizar de violência, nada disso vai adiantar se não dermos um “boot“ e “reiniciarmos nosso DNA”.

PS 1: A vida imita a arte ou a arte imita a vida?
PS 2: A Copa acabou...

Publicado em 24/07/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Nem sempre o óbvio é tão óbvio assim...

Michael Sandel, filósofo e professor da Universidade de Harvard, comentou recentemente em um artigo que estamos caminhando para o que ele chama de uma sociedade mercadista, onde empresas pagam mendigos para guardar lugar na fila, pais oferecem dinheiro para que seus filhos tenham boas notas na escola, paga-se uma fortuna para um cambista por um ingresso da final da Copa, votos e órgãos são vendidos, etc, etc...

Tudo se transforma em mercadoria! Enfim, será que perdemos completamente a noção do valor real do ser humano e do significado da vida?

Aproveito esse momento para refletir sobre a Copa, diga-se de passagem, tão confusa, estranha e triste para todos nós que, infelizmente, tivemos que assistir nossa seleção jogar sem alma, sem coração, apenas levando male, male a bola de lá pra cá e de cá pra lá!

Por que isso? Talvez o óbvio nem sempre seja tão óbvio assim... Mas sempre nos resta uma luz no fim do túnel. Lembrei de um ser humano que acreditava no valor do que fazia, pura e simplesmente: Mané Garrincha, “o anjo das pernas tortas”!

“Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas como é também um deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho”, escreveu Carlos Drummond de Andrade.

Não só no futebol, mas em todas as situações da vida, quando as coisas valem mais do que nós mesmos, corremos o risco de nos tornarmos apenas uma mercadoria, um objeto facilmente descartável...

PS: “Enquanto os gringos olhavam minha perna torta, eu ia passando por eles e fazendo meus gols” (Mané Garricha, 1933-1983).

Publicado em 17/07/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Mais ou menos...

Assisti ao último jogo do Brasil na Copa e sofri como todos! Ufa, no final ganhamos. Todos ficaram felizes com a vitória, mas, cá prá nós, o Brasil tem jogado mais ou menos...

Parece que essa estória de mais ou menos tem se tornado um lugar comum em nossas vidas! Quando perguntamos a um amigo como está, ele responde: “mais ou menos”. E assim vai: “como está o trabalho, o governo, o dia, o salário?”, tudo anda nessa toada...

Estranho nos contentarmos com tão pouco e ainda ficarmos felizes... Na matemática, quando multiplicamos, mais com menos dá menos. E na vida também?

Sei que parece fácil falar – e com certeza sei o quão difícil é fazer algo para mudar as coisas –, mas, porém, contudo, todavia... Em algum momento, acordamos e queremos mais: saúde, lazer, dignidade, felicidade, etc., etc...

Fui buscar um pensador contemporâneo – muito querido e amado pela maioria –, para ver o que ele teria a dizer sobre esta questão, nosso querido Chico Xavier. Com certeza, suas palavras falam tudo e muito mais sobre esse sentimento generalizado:

“A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos.
A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.
A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos...
Tudo bem!
O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum... é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos.
Senão, a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos.”

Chico Xavier (1910-2002)

PS 1: Um mais um nem sempre é dois...
PS 2: Vamos continuar torcendo!

Publicado em 03/07/2014, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).