quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Você tem medo de ETs?

Nunca vi tantos filmes, seriados de TV, artigos e tanto alarde sobre o fim do mundo! Lembram-se da previsão que o mundo ia acabar em 2012? Previsão Maia, Asteca, astrológica, ou mesmo científica: qual é a diferença?

Será possível acreditar que o mundo vai acabar em um dia? Ou em um determinado ano? Ou, talvez, ninguém queira perceber que todos os dias, há centenas de anos, nós estamos acabando com o planeta e com todos os seres vivos que o habitam?

Alguém se lembra de que o ano de 2010 começou sacudindo o planeta? Nos primeiros dezenove dias do ano, ocorreram terremotos no Haiti, Argentina, Papua, Nova Guiné, Irã, Guatemala, El Salvador e no Chile. O Japão também sofreu, naquele ano, um dos piores desastres de sua história: um grande tsunami, acompanhado de terremotos e, como consequência, a explosão de uma grande usina nuclear local.

Na cidade de Mariana, em Minas Gerais, em 2015, de quem foi a culpa? E, neste caso, tínhamos todas as previsões possíveis, porém ninguém fez nada...

Terremotos naturais têm demonstrado sua força há séculos. Em 1755, um terremoto destruiu quase completamente a cidade de Lisboa. O sismo foi seguido de um tsunami. No século passado, em 1964, aconteceu o maior terremoto do mundo, no Alasca. Naqueles tempos, não havia tecnologias para prever catástrofes e nem para cria-las!

Não sou acadêmica da área ambiental, mas posso supor que, com todo o conhecimento científico que temos hoje, um dos grandes vilões de todas essas tragédias é a nossa ganância, colocando sempre à frente os lucros gerados por usinas nucleares, petróleo, desmatamentos, etc., etc., etc...

Bem, da fome, miséria e doenças do século passado e retrasado, como Febre Amarela e Aedes aegypti – que ainda, vergonhosamente, existem em nosso planeta e estão voltando com tudo –, pouco se fala... O grande slogan do momento é “Salve o planeta!”. E o ser humano, como fica?

PS 1: E ainda tem gente que tem medo de ETs...
PS 2: Acho que a “Saga Crepúsculo” ainda não acabou e nem vai acabar tão cedo!
PS 3: Muitos dizem que não temos nada a temer...

Publicado em 26/01/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Voltamos à “normalidade”...

Ouvi essa frase de muitos amigos: “Agora que o ano começou, o país vai voltar à ‘normalidade’” – ou seja, bancos vão funcionar normalmente, o funcionalismo público, Fóruns, lojas, shoppings, etc., etc...

Por um momento, concordei. Mas, após uma pequena reflexão, me perguntei: “O que é normalidade”? Será que pegar filas em postos de saúde, falta de transporte coletivo, salários baixos, desemprego e outras “cositas” mais são a nossa normalidade? Ou, talvez, pudéssemos dizer: “voltamos à nossa ‘anormalidade’”?

Bem, também não quero ser uma estraga-prazeres. Agora que ainda muitas crianças e adultos estão de férias, curtindo um solzinho escaldante, chupando um picolé, tomando uma caipirinha, assistindo a todos os jogos de futebol e filmes até tarde da noite. Curtindo o ‘não fazer nada’!

Mas logo em seguida, voltando à “normalidade”, vêm as contas, a lembrança do que nos propusemos a fazer no começo do ano, aulas, trabalho – se estiver empregado –, inflação, alta do aluguel ou mensalidade da casa própria, manter ou não o plano de saúde, medo da falta de atendimento na rede pública de saúde, escola pública ou paga, material escolar, roupas...

UFA! Assim nem eu aguento! Só mais um item: o aumento do salário mínimo... foi mínimo!

Será que toda essa política social e econômica é normal em um país no qual se paga um dos maiores impostos do mundo sobre tudo que usamos, trabalhamos e consumimos?

Para a maioria dos estrangeiros, a palavra coronelismo e o conceito da mesma são muito difíceis de entender – até mesmo para nós brasileiros, onde a figura do “Coronel” faz parte apenas das estórias do Cangaço. Nem percebemos que essa cultura mandatária, desigual e nada democrática, faz parte de nossa “normalidade”.

PS 1: Ah, esqueci, não voltamos à “normalidade” ainda. Daqui a pouco, vem o Carnaval, as Globelezas já estão chegando à nossa telinha...

PS 2: Legal. Dá pra ficar mais um pouquinho com “Alice no País das Maravilhas”...

PS 3: Será que ainda dá pra tomar um cafezinho no final do mês?

Publicado em 19/01/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Vida de cachorro...

Foi-se o tempo em que uma vida difícil era chamada de “vida de cachorro”. Claro que, como todo mundo, eu amo os cães, os gatos e todos os bichinhos de estimação, mas, venhamos e convenhamos, será que estamos trocando nossos amigos humanos por estes seres tão lindos e dóceis? E se for o caso, por quê?

Vivemos em uma das eras mais avançadas da tecnologia, da medicina, do fisiculturismo, lipos, chás emagrecedores, etc., etc... E o nosso coração, nossos sentimentos, nosso espírito? Como estão?

Sentimos um vazio, falta alguma coisa... Aí adotamos cãezinhos, dormimos com eles, vejo muitas pessoas, jovens ou idosas, passeando sozinhas pelas ruas das grandes ou pequenas cidades com seus lindos animais, uns grandes, outros tão pequenos que até cabem na bolsa.

Hoje, temos um pet shop em cada esquina, com banho, tosa, escovação de dentes, terapias homeopáticas, roupinhas – tratamento vip de ponta a ponta, super legal. Estamos nos dedicando como nunca aos nossos bichinhos de estimação, enquanto a relação com outros seres de nossa mesma espécie esta ficando cada vez mais precária! No Facebook e em outros sites de relacionamento, podemos conhecer centenas de pessoas e fazer novos amigos, mas fica tudo no mundo virtual.

Muitas pessoas dizem que sentem solidão, insegurança, medo do seu próprio semelhante. Assim, acham ótimo se relacionar com um bichinho porque ele nunca questiona seu dono, concorda com tudo e, o mais importante, oferece um amor incondicional!

Li uma frase em um artigo sobre esta questão, em que uma mulher dizia: “Cachorro é o único amor que a gente compra”. Uau, a que ponto chegamos... Onde está aquele nosso amigo do peito, nosso parceiro(a), com quem podemos contar sempre, nossos pais, um irmão, nosso vizinho? Eles continuam lá e nós aqui, cada um em sua “casinha”, seguro e a salvo de “críticas e sugestões”.

PS 1: “Se persistirem os sintomas, procure um ser humano”....

PS 2: Se não encontrar algum que fale e ouça, continue insistindo!

PS 3: Em caso de emergência, chame os bombeiros...

Publicado em 12/01/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Começo e fim...

No meio de tantos assuntos políticos e sociais, crise econômica, começo de um novo ano, novas expectativas, inseguranças, etc., etc., etc..., tive uma linda conversa com uma pessoa mais velha e ela me disse: “Nesta vida, é bom aproveitar o meio, pois o começo e o fim, todos sabem, são irremediáveis”.

Um pensamento tão simples e claro me fez refletir bastante sobre a vida. Quando crianças, achávamos que nunca iríamos crescer, nos tornarmos adolescentes, adultos e, então, envelhecemos. Tudo sempre pareceu que era para sempre – até quando arrumamos um emprego, casamos, criamos uma família, fazemos amigos, acreditamos que tudo vai ser eterno, inclusive nossa própria vida!

Dizem que tanto as coisas boas quanto as ruins não duram para sempre. Está aí mais um ditado popular muito sábio. Depois dessas reflexões, me animei bastante, por incrível que pareça – claro que os medos e inseguranças sempre aparecem!

Mas, olhando pelo outro lado da moeda, lembrei, mais do que nunca, que o mais importante é viver “o aqui e agora” – já que o ontem já foi e o amanhã ainda não chegou!

Podemos olhar a vida e o tempo por vários ângulos. Este ano começou, ou o ano passado acabou? Na verdade, o tempo não tem começo nem fim, tudo é uma continuidade.

O que importa é o que vamos fazer com nosso tempo! Este é o meio do caminho. Podemos fazer algo por nós e pelos nossos semelhantes, ou podermos apenas esperar, sentados, o valioso tempo passar...

Manchete de um jornal do dia 3/01/2017: “Governador de MG, Fernando Pimentel, usa helicóptero do Estado para buscar o filho após uma festa de Réveillion”. Só para lembrar, Minas Gerais também está passando por uma calamidade financeira! O governador argumentou que o uso é legal – este voo custaria, ao menos, 4.800 reais...

PS 1: Infelizmente, ainda existem seres humanos que não têm noção alguma do tempo e, além de não fazerem nada de bom com ele, o utilizam para prejudicar milhões de pessoas, sem dó ou consciência!

PS 2: Feliz Ano Novo! Feliz tempo novo!

Publicado em 05/01/2017, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).