quinta-feira, 25 de agosto de 2016

E agora? O que vamos fazer?

As olimpíadas terminaram, a campanha eleitoral começou, Neymar foi a grande estrela do futebol brasileiro, já aconteceu o primeiro debate dos candidatos à prefeitura de São Paulo, carros com seus alto falantes “gritam” pedindo votos para a população, começou o horário eleitoral na TV, e o que nós vamos fazer?

Continuar a assistir, sentados em nossos sofás confortavelmente, a mais um “BBB Político”, com candidatos que continuam falando o mesmo blá blá blá de sempre?

Uma notícia me chamou muito mesmo a atenção! Fotos mostrando dezenas de pessoas acampadas, maltrapilhas, deitadas, fumando crack à céu aberto em um território cedido pela prefeitura de SP – já muito conhecido e até batizado de “Crakcolandia”. Dizem que, ali, vivem mais de 100 pessoas. Além de fumarem seu crack, também compartilham esta experiência com seus vizinhos de rua e os transeuntes...

Consta nos autos que esta situação é parte de um projeto conjunto da Prefeitura e do Estado de São Paulo, para a reabilitação dos viciados, porém, até agora, só vem aumentando o número de “aspirantes”.

Hoje, a maior incidência de roubos, mortes e todo tipo de violência vem ocorrendo devido ao crack – esta droga mortal, extremamente viciante, alucinógena e barata!

E, o pior, como uma droga ilegal consegue chegar tão facilmente às escolas, bares, clubes, além de estar praticamente legalizada na região central de São Paulo e praticamente em todas as ruas do Brasil? O pouco que se fala sobre o crack é sempre sobre o “pós”, e nunca sobre o “pré”, ou seja, sobre como tratar os jovens que já estão viciados, ou adultos que se tornaram usuários, e praticamente perderam sua vida, literalmente – sem contabilizar o número de mortes que a droga já causou!

Bem, eu não tenho a resposta para o que vamos fazer agora, mas imagino que, se reunirmos pelo menos um décimo das pessoas que foram assistir às olimpíadas, muitas ideias e soluções reais poderiam ser colocadas em prática. Pense nisso!

PS 1: 1+ 1 é sempre mais que 2!

PS 2: 2 + 2 é sempre mais que 4...

Publicado em 25/08/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

1+1 é sempre mais que 2!

Vivemos um tempo confuso, cheio de dúvidas, ansiedades e incertezas. Olimpíadas, eleições, alegrias, tristezas. Falta dinheiro, faltam hospitais públicos, faltam casas para morar, falta trabalho, falta alimento para milhões de brasileiros.

Mas por que estas questões tão básicas e humanas estão sempre em falta? Ontem, ouvi uma música muito antiga chamada ‘Sal da Terra’, do grande cantor e compositor mineiro Beto Guedes. Comecei a lembrar da minha adolescência, lá pelos anos 80, época em que todos ouviam muito o pessoal do “Clube da Esquina” – dele faziam parte, além do Beto, Milton Nascimento, Lô Borges, Flavio Venturini e vários outros. Uma moçada maravilhosa lá de Minas Gerais, gente boa, gente da paz!

E voltando à questão dos porquês, senti que a música do Beto Guedes – pelo menos para mim – foi uma grande resposta! Tomo a liberdade de compartilhá-la com os leitores:

“Anda, quero te dizer nenhum segredo
Falo desse chão, da nossa casa, vem que tá na hora de arrumar
Tempo, quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante, nem por isso quero me ferir
Vamos precisar de todo mundo pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado e quem não é tolo pode ver
A paz na Terra, amor, o pé na terra
A paz na Terra, amor, o sal da terra...

Terra, és o mais bonito dos planetas
Tão te maltratando por dinheiro, tu que és a nave nossa irmã
Canta, leva tua vida em harmonia
E nos alimenta com teus frutos, tu que és do homem a maçã
Vamos precisar de todo mundo, um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças é só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora para merecer quem vem depois
Deixa nascer o amor
Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor
Deixa viver o amor
O sal da Terra
Terra...”

Acho que, por hoje, é só! O resto só cabe a cada um de nós.

PS: Esta música tem mais de 30 anos... Será que já não é hora de acontecer?

Publicado em 18/08/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

As várias faces da violência...

O Brasil é, hoje, um dos países onde a população está envelhecendo mais rapidamente, diferentemente da Europa e países da América do Norte e Ásia. Nosso país possui, hoje, mais de 23 milhões de pessoas acima de 60 anos e, em 2050, teremos mais de 50 milhões de idosos no Brasil.

Quando falamos em violência, pensamos, de imediato, na violência física! Porém, existem inúmeras formas de agredir o idoso: descaso, abandono, uso indevido de medicação, abuso financeiro – seja dentro de casa, ou mesmo por parte de instituições financeiras –, abuso psicológico e moral, pouco conhecimento e compreensão por parte da sociedade e dos familiares e amigos sobre o envelhecimento, além da enorme falta de políticas públicas e falta de ação real das que já existem.

Bem, agora, no dia 14 de agosto, será comemorado o Dia dos Pais. Datas comerciais existem, e muitas! Temos o ‘Dia das Mães’, ‘Dia dos Avós’, ‘Dia da Árvore’, etc., etc., etc... E, no dia a dia, como será que estamos agindo com nossos pais, mães, filhos, avós? Uma coisa é certa: se existem estatísticas de violência contra idosos, mulheres, crianças – e inclusive homens –, me parece que alguma coisa está errada... No “País de Alice das Maravilhas”, tudo está ótimo! Comemorar é fácil, porém, praticar a complacência e o respeito para com o próximo, infelizmente, ainda é muito difícil.

Me pergunto, por quê? Não sei exatamente a resposta, mas sei que nossos queridos bichinhos de estimação – e mesmo os mais selvagens – só se agridem pela necessidade de comer ou demarcar um território. E são animais, não fazem parte do nosso seleto grupo de seres ditos humanos...

PS 1: No último dia 15 de junho, vários países celebraram o Dia Mundial Contra a Violência ao Idoso. No Brasil, o Portal Terceira Idade realizou um debate ao vivo, através do Facebook, com a presença de médicos, advogados e outros profissionais da área, discutindo, com a participação online dos internautas, as várias faces da violência contra o idoso e todas as possíveis maneiras de combatê-la.

PS 2: Assista ao trecho de abertura do debate (4 min) em: https://youtu.be/wMQ63gPJfPI

PS 3: Feliz Dia dos Pais!

Publicado em 11/08/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Entrando pela porta dos fundos...

Alguém se lembra da belíssima novela ‘Vale Tudo’, com a maravilhosa atriz Beatriz Segall na personagem da vilã Odete Roitman e o grande ator Reginaldo Faria no papel de Marco Aurélio, também fazendo um papel de vilão, ambos com muito poder e dinheiro na trama? Puxa vida, cada vez que leio o jornal ou vejo o noticiário na TV, não consigo esquecer desta novela!

Toda semana, aparece na mídia um novo escândalo, uma denúncia e todos os políticos e demais cidadãos envolvidos repetem o mesmo refrão: “Eu nego, é tudo mentira!”. Acho que todos estudaram na mesma escola...
Até nas Olimpíadas estamos nadando “cachorrinho”...

Mesmo com gravações mostrando esquemas de quadrilha, “Caixa 2”, lóbis no Planalto, eles negam, negam tudo! Se olharmos para tudo isso como uma mera ficção, podemos dizer que o enredo da trama está muito bom! Mas, por acaso, isso tudo que estamos vendo é a nossa realidade – e cada capítulo desta história vai interferir de verdade nas nossas vidas, nas vidas de nossos filhos, netos, bisnetos...

Sociólogos e analistas políticos divagam sobre o grande mal de não existirem mais os partidos de “esquerda” ou de “direita”. Tudo bem, está mais do que óbvio que isto é uma realidade! E será que este é o problema?

A política, como tudo se globalizou, ficou moderna, imediatista, individualista – todos querem um resultado rápido e eficaz.

Aí, me pergunto: “E como está o Brasil hoje? E daqui a dez, vinte ou trinta anos?”. Ainda sentimos na pele a questão de problemas sociais não resolvidos desde os tempos de Dom Pedro I.

Nossos governantes continuam negando seu o apoio a políticas verdadeiras para a sustentabilidade de nosso país e de nossos cidadãos – e, o pior, eles negam que estão negando o seu dever!

PS 1: “Chega a fazer suspeitar que a mentira é, muitas vezes, tão involuntária como a transpiração” (Machado de Assis, em seu clássico ‘Dom Casmurro’).

PS 2: Até quando vamos continuar entrando pela porta dos fundos?

PS 3: E viva as Olimpíadas! Salvem os Cangurus!

Publicado em 04/08/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).