quinta-feira, 31 de março de 2016

Em busca do alívio imediato...

Dor de cabeça, resfriado, stress, espinhas, obesidade? Não se preocupe! Vá até a farmácia mais próxima e, rapidinho, você vai achar um coquetel de soluções imediatas.

As “drugstores” estão tão moderninhas que já têm o sistema “self-service”. É só pegar sua cestinha e ir colocando todos os produtos expostos nas prateleiras: aspirina, vitamina C, balinhas coloridas pra dor de garganta, promoções de xarope, vitaminas, etc., etc.,etc...

E quem garante que os males não vão voltar tão rápido quanto foram embora? Também tem o alívio imediato pós-expediente, pós-briga com a namorada ou marido: uma cervejinha no boteco da esquina, um joguinho de futebol...

Num primeiro momento, tudo parece normal. Afinal, vivemos numa sociedade rápida e imediatista, que tem como uma de suas bandeiras principais o bem-estar e o prazer imediato. Drogas como o álcool, o cigarro, a aspirina, os ‘Red Bulls’, são vendidas livremente e com um “super marketing”, já que o mais importante é aparentar estar sempre bem.

Tudo acaba ficando meio confuso. Mas pense bem antes de buscar qualquer forma de alívio rápido.Tentar buscar, interiormente, a causa de nossas dores físicas ou emocionais não é fácil! Observar a situação política e econômica de nosso país de maneira mais ampla e buscando a história do Brasil desde seu ‘achamento’, também não é nada fácil.

Não existe alivio imediato, e “trocar um remédio por outro” não é garantia de cura. O tratamento se faz no dia a dia, avaliando a melhora versus as contra indicações...

Parece até que eu virei médica! Mas não é esse o caso. Apenas comecei a observar como, sempre que surge um problema, a primeira coisa que fazemos é procurar um elixir mágico!

PS 1: A última vez que fui à farmácia comprar um xampu, recebi aquele cuponzinho cheio de promoções... Mas, felizmente, consegui resistir!

PS 2: Nesta crise política, vamos pesquisar bem a composição química do próximo medicamento que vamos tomar...

Publicado em 31/03/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 24 de março de 2016

O show da vida...

O Brasil é um dos países onde mais se assiste televisão no mundo. Bem, quantidade nem sempre é sinônimo de qualidade e, infelizmente, neste caso, essa frase é verdadeira.

Vivemos num país pobre, onde, dificilmente, as pessoas têm condições para comprar um livro, ir ao cinema, ao teatro ou mesmo frequentar a escola ou um curso qualquer. Então, o que nos sobra? A televisão.

Toda essa conjuntura já seria suficiente para o governo e a sociedade investirem em programas de TV educativos, ou, ao menos, incentivarem as emissoras privadas a produzirem programas com mais qualidade.

Ao invés disto, as grandes emissoras investem com toda força no bom e velho formato do entretenimento inútil. Prova disso são os “reality shows”, “game shows”, fórmulas consagradas, presentes em quase todas as redes de televisão, que vendem facilmente a falsa ideia de conhecimento e diversão.

Mas por que “falsa” ideia de conhecimento? Afinal, nestes programas são feitas perguntas sobre história, geografia, ciências, cinema... Porém, tão soltas e desconexas que acabam ficando perdidas no ar, e você tão perdido quanto elas. Cenas e mais cenas de personalidades – nem sempre ricas ou famosas – aparecem na telinha, mostrando suas camas, seus armários, ou o que comem e o que bebem. E qual é o grande chamariz para atrair o público? Prêmios que vão realizar os seus sonhos: carros, casas e barras de ouro... E dinheiro, e mais dinheiro!

Quanto mais profundo o nosso conhecimento sobre algo, mais afastados estaremos das falsas aparências, conseguindo chegar, assim, o mais perto possível da realidade que estamos vivendo e, assim, termos a chance de tentar decidir um pouco melhor qual o passo seguinte a ser dado em nossas vidas!

PS 1: Sigo em frente? Viro à direita, ou viro à esquerda?
PS 2: Talvez eu fique parada até entender o melhor caminho...

Publicado em 24/03/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 17 de março de 2016

Vó Pequena e o Zeppelin

Conhecida como Vó Pequena, Dona Pulcina tem 103 anos e mora em uma casa modesta em Santo Antônio da Patrulha, no Rio Grande do Sul.

Todos os dias, ela acorda cedo, faz a própria comida, gosta de caminhar e observar a natureza. “O que marcou a minha vida foi o serviço da roça, que eu nunca me esqueci até hoje. Coisa boa é trabalhar na roça”, enfatiza.

Ela tem memória de menina e se lembra até de quando o Zeppelin passou pela cidade. “Era uma coisa redonda, parecia que não tinha asa. Fiquei fisgada ali, olhando, olhando... até que ele cruzou e foi para Porto Alegre. Lembro de tudo. Faz pouco tempo... foi há uns 75 anos”, diz.

Vó Pequena mora sozinha, mas sempre com a companhia dos filhos, que ficam admirados, com tanta independência. Questionada sobre quanto tempo Vó Pequena planeja morar sozinha, ela diz, segura: “Eu vou indo até Deus querer me cuidar. Deus está me cuidando e está junto comigo”.

Para, o doutor em biologia do envelhecimento, Emílio Jeckel, genética e estilo de vida andam juntos. “Nós temos uma herança genética, sim, mas esses genes só entram em ação, ou não, dependendo dos estímulos ambientais que a gente tem. As pessoas vão viver mais quando elas conseguirem olhar para além do espelho. A pessoa é muito mais do que aquilo que ela aparenta ou daquilo que ela é fisiologicamente. Às vezes, a parte externa pode estar meio careca, mas lá dentro está muito bem”, explica.

Mais do que herança genética, somos nós que decidimos como vamos envelhecer. E não se trata de estar protegido de tudo, de viver em uma redoma, mas de fazer o melhor com o que o cotidiano oferece.

“Todo centenário tem uma coisa comum: ele sabe enfrentar as adversidades e sair inteiro delas. Não é sair ileso, mas é sair inteiro, é voltar para o prumo”, declara o médico gerontólogo Fernando Bignardi, da Unifesp.

PS 1: Será que vamos conseguir sair inteiros desta baixaria que se repete há mais de 500 anos no Brasil?
PS 2: Vó Pequena deve saber a resposta...

Publicado em 17/03/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 10 de março de 2016

Não seja uma mulher-pera, melancia...

É com muito orgulho que cada vez mais mulheres de todas as partes do mundo comemoram, no dia 8 de março, o Dia Internacional da Mulher. Esta data é celebrada desde 1910, quando uma conferência internacional na Dinamarca decidiu homenagear um grupo de mulheres que, 53 anos antes (em 1857), foram brutalmente assassinadas.

Em 8 de março daquele ano, as funcionárias de uma fábrica de Nova York (EUA) decidiram fazer uma grande greve, reivindicando melhores condições de trabalho, diminuição da jornada – que na época era de 16 horas – e salários iguais ao dos homens – naquele tempo, as mulheres ganhavam cerca de um terço do salário pago aos homens. A manifestação foi reprimida com brutal violência: as funcionárias foram trancadas dentro da fábrica, que, em seguida, foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas.

Em vários cantos do planeta, o dia 8 de março é marcado por debates, conferências, reuniões e discussões sobre os direitos da mulher na sociedade atual. Desde a criação do Dia Internacional da Mulher muita coisa mudou: das reivindicações do filósofo francês Condorcet, em 1788, que exigia participação política, emprego e educação para as mulheres, até a conquista do direito de votar e de serem eleitas.

Nas décadas de 1960 e 1970, surgiram os movimentos feministas, foi criada a pílula e mulheres começaram a ocupar cargos importantes em nossa sociedade. Mas sabemos que ainda existe um longo caminho a percorrer para que todas as mulheres do mundo tenham seus direitos respeitados. Cabe a nós impor os limites, sabendo a hora de dar um basta aos abusos cometidos pelos homens, seja em uma relação amorosa ou profissional.

Não deixe que a mídia banalize e diminua a mulher, que na maioria das vezes é mostrada como um objeto, dançando com seus peitos exuberantes e chacoalhando seu bumbum no Domingão do Faustão!

PS 1: Vamos fazer um esforço para que a Leia Maria da Penha funcione cada vez mais como um direito e não uma necessidade!

PS 2: Homens e mulheres: uni-vos!

Publicado em 10/03/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).

quinta-feira, 3 de março de 2016

A criança que consertou o mundo...

“Um cientista vivia preocupado com os problemas do mundo e estava resolvido a encontrar meios de minorá-los. Passava dias em seu laboratório em busca de respostas para suas dúvidas.

Certo dia, seu filho de sete anos invadiu o seu santuário decidido a ajudá-lo a trabalhar. O cientista, nervoso pela interrupção, tentou que o filho fosse brincar em outro lugar. Vendo que seria impossível demovê-lo, o pai procurou algo que pudesse ser oferecido ao filho com o objetivo de distrair sua atenção.

De repente, deparou-se com o mapa do mundo, o que procurava! Com o auxílio de uma tesoura, recortou o mapa em vários pedaços e, junto com um rolo de fita adesiva, entregou ao filho dizendo:

– Você gosta de quebra-cabeças? Então vou lhe dar o mundo para consertar. Aqui está o mundo todo quebrado. Veja se consegue consertá-lo bem direitinho!

Calculou que a criança levaria dias para recompor o mapa. Algumas horas depois, ouviu a voz do filho, que o chamava:

– Pai, pai, já fiz tudo. Consegui terminar tudinho!

A princípio, o pai não deu crédito às palavras do filho. Seria impossível, na sua idade, ter conseguido recompor um mapa que jamais havia visto. Relutante, o cientista levantou os olhos de suas anotações, certo de que veria um trabalho digno de uma criança. Para sua surpresa, o mapa estava completo. Todos os pedaços haviam sido colocados nos devidos lugares. Como seria possível? Como o menino havia sido capaz?

– Você não sabia como era o mundo meu filho. Como conseguiu?
– Pai, eu não sabia como era o mundo, mas quando você tirou o papel da revista para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem. Quando você me deu o mundo para consertar, eu tentei, mas não consegui. Foi aí que me lembrei do homem, virei os recortes, e comecei a consertar o homem que eu sabia como era. Quando consegui consertar o homem, virei a folha e vi que tinha consertado o mundo.”

PS 1: Texto de autor desconhecido...

PS 2: Existem várias Dilmas e Lulas de vários partidos, maridos, esposas, filhos, amigos, etc., que poderiam ser consertados!

PS 3: Vou me olhar no espelho...

Publicado em 03/03/2016, na coluna ´Formador de Opinião´ do Jornal ´Bom Dia´, da Rede Bom Dia (às quintas-feiras, a coluna é escrita por Tony Bernstein).